Insuficiência Renal Aguda
O que é a Insuficiência renal Aguda?
A Insuficiência renal aguda é uma condição caracterizada pela queda rápida da função dos rins, que pode ocorrer em horas a dias, levando ao acúmulo de toxinas metabólicas, distúrbios eletrolíticos e retenção de líquidos no organismo.
Trata-se de uma situação potencialmente grave com urgência médica, especialmente quando associada a redução significativa do volume urinário ou alterações metabólicas importantes.
Essa condição pode surgir em diferentes contextos clínicos, especialmente na presença de fatores de risco como Idade avançada, pessoas com doenças crônicas prévias e saúde geral comprometida, infecções graves (especialmente em casos de sepse), desideratação grave ou obstruções agudas do trato urinário por cálculos renais ou doença prostática.
Embora frequentemente reversível quando identificada precocemente, a Insuficiência renal aguda pode evoluir rapidamente para complicações sistêmicas, incluindo sobrecarga volêmica, distúrbios cardíacos e comprometimento neurológico. Além disso, caso não seja tratada, poderá evoluir com lesão renal crônica.
O diagnóstico baseia-se na combinação de quadro clínico característico com ouma elevação aguda de marcadores de função renal, como creatinina, sendo fundamental também a pronta identificação da causa para orientar o tratamento.
A abordagem rápida e adequada é essencial para reduzir o risco de progressão, necessidade de diálise e a mortalidade.
Sintomas de insuficiência renal Aguda
A Insuficiência renal aguda caracteriza-se por um quadro clínico de instalação rápida e que pode evoluir em poucas horas ou dias.
Os sinais e sintomas variam conforme a causa e a gravidade, mas frequentemente refletem a redução da filtração renal, com acúmulo de líquidos e toxinas no organismo:
- Diminuição do volume urinário (oligúria) ou ausência de urina (anúria)
- Inchaço (edema), especialmente em pernas, tornozelos ou face
- Falta de ar, relacionada à sobrecarga de líquidos
- Náuseas, vômitos e perda de apetite
- Fadiga, fraqueza e mal-estar geral
- Confusão mental ou sonolência em casos mais graves.
Insuficiência renal aguda X crônica
A Insuficiência renal aguda é aquela que se instala de forma abrupta, em um curto período de tempo (algumas horas ou dias). Na maior parte das vezes, ela é uma condição reversível.
Já a insuficiência renal crônica é uma condição na qual a função renal vai se deteriorando de forma progressiva ao longo de um período mais longo de tempo. Nestes casos, ela se torna persistente e progressiva.
Quais as Causas da Insuficiência renal aguda?
A função renal pode ser afetada não apenas por problemas diretamente relacionadas aos rins (causas renais), mas também a problemas que comprometem a drenagem de sangue até os rins (causas pré-renais) ou a drenagem da urina que sai dos rins (causas pós renais).
Causas Pré-Renais
Causas pré-renais são aquelas em que o rim não recebe sangue suficiente para ser filtrado. Essas são as causas mais comuns, representando entre 60% e 70% dos casos de Insuficiência Renal Aguda.
Entre possíveis causas de IRA pré-renal, incluem-se:
- Hipovolemia: Desidratação grave, hemorragias ou grandes queimaduras.
- Baixo Débito Cardíaco: o coração não tem força para bombear o sangue até os rins, por conta de Insuficiência cardíaca ou Infarto Agudo do Miocárdio.
- Vasodilatação Sistêmica: pode ser causada por Choque séptico (infecção generalizada) ou anafilaxia. Nessas pacientes, a pressão arterial cai drasticamente e o sangue “não tem força” para chegar até os rins.
Causas Renais
Causas renais são aquelas em que o dano ocorre diretamente no tecido renal, incluindo os pequenos vasos, glomérulos ou nos túbulos.
Entre possíveis causas de IRA renal, incluem-se:
- Necrose Tubular Aguda (NTA): Causa mais frequente nesta categoria. Ocorre quando há um bloqueio no fluxo sanguíneo para as células renais e elas começam a morrer por falta de oxigênio.
- Toxinas e Medicamentos: medicamentos antibióticos, anti-inflamatórios e outros podem causar dano direto às células renais.
- Glomerulonefrites: conjunto de doenças inflamatórias que acometem os glomérulos renais.
- Pielonefrite: infecções que acometem os rins.
- Rabdomiólise: Quando há lesão muscular grave (exercício extremo ou trauma), uma proteína chamada mioglobina é liberada das células danificadas e “entope” os rins.
Causas Pós-Renais
Neste caso, o rim produz a urina normalmente, mas algo impede que ela siga o fluxo pelos ureteres, bexiga e uretra até ser eliminada. A urina acumulada gera um aumento na pressão sobre o tecido renal, comprometendo seu funcionamento.
Entre possíveis causas de IRA pós-renal, incluem-se:
- Obstrução Uretral/Bexiga: Hiperplasia Prostática Benigna (próstata aumentada) em homens, tumores pélvicos.
- Mal formações congênitas do aparelho urinários (estenose da JUP, estenose da JUP, válvula de uretra posterior).
- Cálculos Renais (Pedras nos rins)
- Bexiga Neurogênica: Quando o sistema nervoso não consegue relaxar a uretra, permitindo o esvaziamento da bexiga.
Causas da Insuficiência Renal Aguda de acordo com a idade
Bebês e Crianças
Nesta fase, o rim é imaturo e tem menos reserva funcional. Assim, pequenas perdas de líquido tornam-se críticas rapidamente. O foco aqui está na desidratação ou em má formações:
- Pré-renal (A mais comum): Gastroenterite aguda levando à desidratação grave por conta de diarreia e vômitos.
- Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU): Frequentemente causada pela bactéria E. coli (em alimentos contaminados). É a principal causa de diálise em crianças, destruindo as hemácias que acabam “entupindo” os filtros renais.
- Malformações Congênitas (Pós-renal): Obstruções que resultem em Refluxo Vesicoureteral desde a vida intrauterina.
Adultos
No adulto, o rim costuma ser saudável, mas é exposto a agressões externas constantes. O foco aqui é em medicamentos e infecções:
- Necrose Tubular Aguda: Causada por sepse (infecção generalizada) ou pelo uso de medicamentos nefrotóxicos (anti-inflamatórios como ibuprofeno, antibióticos específicos ou contrastes de exames).
- Glomerulonefrites: Doenças inflamatórias/autoimunes que atacam diretamente os glomérulos (os filtros do rim).
- Rabdomiólise: Lesão muscular grave (por exercício extremo, trauma ou estatinas) que libera mioglobina no sangue, uma proteína altamente tóxica para os túbulos renais.
Idosos
O rim do idoso já possui uma taxa de filtração naturalmente reduzida por conta da senescência renal, tornando-o extremamente frágil a qualquer instabilidade. O foco aqui está nas obestruções ou comorbidades.
- Redução do Fluxo Renal: Insuficiência cardíaca ou uso excessivo de diuréticos. O rim “sofre” porque o coração não consegue bombear sangue com pressão suficiente.
- Obstrução Prostática (Pós-renal): Em homens, a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) impede a saída da urina, causando hidronefrose e perda daguda de função.
- Polifarmácia: A interação entre múltiplos remédios (ex: o “combo” anti-hipertensivo + anti-inflamatório) aumenta o risco para insuficiência renal.
Diagnóstico e Classificação da insuficiência Renal Aguda
De acordo com as diretrizes de diagnóstico apresentadas pela American Kidney Fundation, a Insuficiência Renal Aguda fica caracterizada na presença de qualquer uma das seguintes condições:
- Aumento de creatinina de 0,3 miligramas por decilitro em 48 horas
- Aumento de creatinina para 1,5 vezes a linha de base nos últimos 7 dias
- Volume de urina inferior a 0,5 mililitros (mL) por quilograma por hora durante 6 horas
Uma vez que a IRA tenha sido identificada, ela deve ser classificada a partir da Taxa de Filtração Glomerular.
A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é o melhor indicador da função global dos rins. Ela mede o volume de sangue que os glomérulos (os pequenos filtros do rim) filtram por minuto para formar a urina.
Diferentes métodos podem ser usados para isso, sendo que o mais comum usa como base a creatinina, em equações ajustadas para idade, sexo e peso do paciente. A fórmula padrão ouro atualmente é a CKD-EPI. Quase todo exame de sangue hoje já traz a “eTFG” (estimada) automaticamente logo abaixo do valor da creatinina.
A American Kidney Fundation classifica a Insuficiência Renal em cinco estágios, conforme a tabela abaixo.
| Estágios da Insuficiência Renal | ||
| Estágio | TFG | Característica |
| 1 | > 90 | Embora os rins funcionem normalmente, os exames de urina sugerem doença renal. Pode haver dano renal leve. |
| 2 | 60 – 90 | Embora possa haver danos renais leves, os rins ainda funcionam bem. |
| 3a | 45 – 59 | Pode haver dano renal leve a moderado e os rins não funcionam tão bem quanto deveriam |
| 3b | 40 – 44 | Pode haver dano renal moderado a grave e os rins não funcionam tão bem quanto deveriam. |
| 4 | 15 – 29 | Há danos renais graves e os rins quase pararam ou quase pararam de funcionar. |
| 5 | < 15 | Há danos renais muito graves e os rins pararam ou quase pararam de funcionar. |
Avaliação do paciente com Insuficiência renal Aguda
Uma vez que seja feito o diagnóstico da IRA, outros exames são necessários para investigar as repercussões do mal funcionamento dos rins e possíveis causas para a insuficiência renal.
A insuficiência renal pode levar a desequilíbrios nos níveis sanguíneos de eletrólitos, especialmente o potássio e o sódio, sendo a dosagem dos eletrólitos mandatória.
Já a gasometria venosa é usada para verificar se o sangue está ficando ácido (acidose metabólica) devido à falta de filtragem.
Ainda como parte dos exame de urina, a urina 1 busca identificar cilindros, proteínas ou sangue na urina, que ajudam a diferenciar se o problema está no “filtro” (glomérulo) ou nos “tubos” (túbulos renais).
O Ultrassom de Rins e Vias Urinárias é quase obrigatório. Ele serve para descartar eventuais obstruções (causa pós-renal) e para diferenciar se a lesão é Aguda (rins de tamanho normal) ou Crônica (rins pequenos e com perda de diferenciação).
Quais as consequências da Insuficiência renal Aguda?
A insuficiência renal faz com que o corpo retenha maior quantidade de certas substâncias que deveriam ser excretadas pela urina, ao mesmo tempo em que perde quantidades excessivas de outras substâncias que deveriam ser preservadas.
Esses desequilíbrios são responsáveis pelos sintomas relacionados à insuficiência renal, o que pode incluir:
1. Acúmulo de Potássio
O acúmulo de potássio (hipercalemia) é a complicação mais temida e letal da insuficiência renal. O potássio regula a atividade elétrica das células e, quando em excesso, ele “desregula” o ritmo do coração. Do ponto de vista clínico, ele pode causar palpitações, fraqueza muscular extrema e, em níveis críticos, levar à parada cardíaca súbita
2. Acúmulo de Água
Sem a eliminação de urina, o líquido se redistribui pelo corpo, aumentando a pressão dentro dos vasos e extravazando para os tecidos. Isso pode provocar Inchaço (edema) nas pernas e rosto, aumento da pressão arterial e, em casos mais graves, ao Edema Agudo de Pulmão.
3. Acúmulo de Escórias Nitrogenadas (Ureia e Creatinina)
A ureia é um subproduto do metabolismo das proteínas que, em altos níveis, torna-se tóxica para o sistema nervoso e mucosas. O aumento dessas substância pode provocar náuseas, vômitos, soluços persistentes, perda de apetite e hálito com odor de urina (hálito urêmico). Em casos avançados, pode causar a Encefalopatia Urêmica, resultando em desorientação, tremores e até coma.
4. Acidose
O rim é responsável por excretar os ácidos gerados pelo metabolismo diário. O acúmulo de íons de hidrogênio causa a acidose metabólica. Quando isso acontece, o corpo tenta compensar a acidez através da respiração, gerando um padrão de respiração rápida e profunda. A acidose é uma condição grave que pode afetar o funcionamento de diversos sistemas do corpo, incluindo o sistema cardiovascular, neurológico e cardiovascular, inclusive com risco à vida.
5. Acúmulo de Fósforo e Magnésio
O excesso de fósforo no sangue “puxa” o cálcio dos ossos para tentar se equilibrar, podendo com o tempo levar a uma perda da massa óssea (osteoporose ou osteopenia).
Outras consequências incluem Coceira intensa na pele (prurito), dores nas articulações e, no caso do magnésio, pode haver sonolência e diminuição dos reflexos.
6. Perda de Bicarbonato
O bicarbonato tem a função de neutralizar os ácidos, reduzindo a acidez dos fluidos corporais. Na insuficiência renal, ele deixa de ser reabsorvido nos rins, sendo eliminado em excesso pela urina, contribuído para o desenvolvimento da acidose.
7. Perda de Sódio
O sódio é importante para regular a quantidade de água dentro e fora das células. A queda de sódio (hiponatremia) causa o desvio de água para dentro das células, acarretando em dores de cabeça, mal-estar e, em casos graves, convulsões ou edema cerebral.
8. Perda de Proteínas (hipoalbuminúria)
A perda de proteína na urina reduz a osmolaridade dentro dos vasos sanguíneos, de forma que os líquidos extravasam de dentro dos vasos sanguíneos para os tecidos, provocando inchaço generalizado.
Quais as principais complicações da Insuficiência Renal Aguda?
Diversas complicações podem se desenvolver em decorrência do mal funcionamento dos rins, incluindo:
- Complicações relacionadas ao aparelho digestivo: Náuseas e vômitos;, Mau hálito, Gastrite; Úlcera péptica , Hemorragia no estômago/intestino.
- Complicaçòes cardiovasculares: Hipertensão arterial;, Insuficiência cardíaca;, Pericardite, Angina, Infarto Agudo do Miocárdio., Acidente Vascular Cerebral
- Complicações neurológicas: dor de cabeça;, Insônia;, Sonolência excessiva, Alterações sensitivas, Dor ou formigamento nas mãos ou pés;, Câimbras.
- Complicações de pele: Coceira (prurido); Palidez (decorrente da anemia)
- Complicações musculoesqueléticas: Osteoporose, Osteomalácia
- Anemia: Os rins produzem eritropoetina, um hormônio que estimula a produção e o amadurecimento das células vermelhas do sangue. Sem uma produção adequada de eritropoietina, o paciente desenvolve anemia.
Os sintomas da anemia são fraqueza, cansaço, falta de ar e dor no peito, principalmente durante esforço físico.
Tratamento da Insuficiência renal Aguda
O tratamento da Insuficiência Renal Aguda não é focado apenas no rim tem como objetivo manter o equilíbrio do corpo enquanto a causa base é resolvida. Além disso, é preciso ajustar a dose de diversos medicamentos que eventualmente o paciente faça uso por conta de outras condições de saúde prévias.
Quando essas medidas não forem suficientes, a diálise deverá ser considerada.
Tratamento da causa
O Tratamento da Causa Base é a prioridade absoluta, de forma a interromper a agressão aos rins. Isso poderá incluir, por exemplo:
- IRA Pré-renal: reposição de volume (soro na veia) e ajuste da pressão arterial.
- IRA Renal/Intrínseca: Se for causada por medicamentos tóxicos, eles devem ser suspensos imediatamente. No caso da glomerulonefrite, poderá ser feito o uso de medicamentos corticoesteroides.
- IRA Pós-renal: cirurgia para cálculo renal, drenagem vesical no caso de bexiga neurogênica.
Controle do Equilíbrio hidroeletrolítico
No curso da Insuficiência Renal Aguda, é preciso medir exatamente a quantidade de líquidos que entra no corpo (bebida ou por meio de soros de reposição) e o quanto é eliminado (principalmente através da urina).
Além dos líquidos, é preciso atenção também com os eletrólitos, especialmente com o potássio.
A IRA tende a levar a um acúmulo de potássio no sangue, uma condição de alto risco,
devido ao seu papel no funcionamento da atividade elétrica do coração. O acumulo do potássio é inclusive uma causa comum de parada cardíaca.
O controle do potássio deve envolver uma dieta pobre em potássio, uso de medicamentos que ajudam na eliminação do potássio e monitoramento frequente por meio de exames de sangue.
Cuidados nutricionais
Pacientes com IRA devem adotar uma dieta pobre em em potássio, o qual tende a se acumular no corpo.
Da mesma forma, a ingestão de proteínas, gordura saturadas e gordura trans deve ser controlada. O consumo de proteína não deve ser excessivo, para não aumentar a ureia, mas também não deve ser muito restrito, pode risco de perda muscular.
Medicamentos
Muitos medicamentos de uso comum, que eventualmente já eram usadas antes do quadro de insuficiência renal estar presente, são eliminados pelos rins. Assim, a dose desses medicamentos precisará ser ajustada, de forma a evitar que o remédio se acumule no organismo a ponto de se tornar tóxico.
Além disso, medicamentos anti-inflamatórios e o contraste iodado devem ser evitados sempre que possível, para evitar novos danos aos rins.
Diálise
A diálise (Hemodiálise e a Diálise peritoneal) é um procedimento que busca remover os resíduos e o excesso de fluidos do sangue.
Ela poderá ser indicada nas seguintes situações:
- Acidose metabólica severa (sangue muito ácido).
- Eletrólitos (Potássio muito alto e que não cai com remédios).
- Intoxicação por substâncias dialisáveis.
- Overload (Sobrecarga de volume/edema pulmonar que não responde a diuréticos).
- Uremia grave (ureia muito alta causando inflamação no coração ou cérebro).
Pacientes com insuficiência renal aguda, podem precisar de diálise por apenas alguns dias ou semanas, enquanto seus rins se recuperam.
Pacientes com insuficiência renal aguda que não mais se recuperam podem precisar de diálise por toda a vida, ou precisarão de um transplante renal.
Prognóstico
O prognóstico da Insuficiência Renal Aguda é bastante variável a depender da causa e da gravidade
Pacientes com quadros clínicos mais complicados, geralmente decorrentes de condições como trauma, sepse (infecção generalizada) e insuficiência de múltiplos órgãos podem ter uma mortalidade de até 70%.
Já os casos sem outras complicações, decorrentes de condições como a nefrotoxicidade, apresentam mortalidade inferior a 10%.
A maioria dos pacientes que sobrevivem à Insuficiência renal Aguda recupera a função renal a níveis normais. No entanto, cerca de 5 a 10% dos pacientes evoluem para um quadro de Insuficiência renal crônica.
O risco de crônificação é maior em pacientes mais graves, mais idosos e com doença renal prévia.