Pielonefrite (Infecção nos Rins)
O que é a Pielonefrite?
A Pielonefrite se trata de uma infecção bacteriana dos rins. Ela deve ser vista como uma urgência médica com necessidade de identificação e tratamento imediato, uma vez que pode evoluir rapidamente e levar a complicações graves, como sepse e comprometimento da função renal.
Ela geralmente se desenvolve a partir da ascensão de bactérias da bexiga até os rins, especialmente em pacientes com obstrução do trato urinário.
A combinação de febre alta, dor lombar e sintomas digestivos é sinal de alerta para investigação imediata para a possibilidade de pielonefrite
Embora seja tratável com antibióticos, o atraso no reconhecimento e no início do tratamento pode aumentar o risco de complicações, especialmente em grupos mais vulneráveis.
Sintomas da Pielonefrite
A Pielonefrite costuma apresentar início relativamente rápido e pode evoluir com manifestações sistêmicas importantes. Os sintomas variam conforme a idade, sendo geralmente mais típicos em adultos e mais inespecíficos em bebês e crianças pequenas.
Sintomas em bebês e crianças pequenas
Em bebês e crianças, os sinais costumam ser menos específicos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Muitas vezes, a febre isolada pode ser a única manifestação inicial de Pielonefrite, exigindo alto grau de suspeição clínica. Outros sinais que podem acompanhar a febre incluem:
- Irritabilidade ou choro persistente
- Recusa alimentar
- Vômitos ou diarreia
- Falta de ganho de peso ou perda de peso
- Letargia ou prostração
- Odor forte na urina ou alteração do padrão urinário
Sintomas em crianças maiores e adultos
A Pielonefrite deve ser considerada em todos os pacientes que apresentam os três sinais clássicos da infecção:
- Febre alta e de início súbito, geralmente acima de 38,5°C.
- Dor Lombar: geralmente em apenas um dos lados, logo abaixo das costelas. O sinal clássico é a Punho-percussão positiva (Sinal de Giordano), onde uma leve batida na região lombar causa uma dor aguda e insuportável.
- Sintomas Digestivos: Náuseas e vômitos são muito comuns, o que pode levar à desidratação e dificultar a ingestão de antibióticos por via oral.
Sintomas urinários, como dor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional e uma urina turva ou com odor forte são sinais que podem também estar presentes, podendo também haver sangue na urina.
Um cuidado fundamental que precisa fica atento, no entanto, é que a dor no flanco (região lateral do tronco), uma característica chave e quase universal da infecção do trato urinário superior, pode estar ausente em aproximadamente 50% dos pacientes com diabetes (1).
Como a Anfecção Acontece?
As bactérias que causam a pielonefrite geralmente chegam aos rins partir da bexiga ou uretra, passando pelos ureteres.
Normalmente, a urina flui em sentido único, saindo dos rins para os ureteres e dalí para bexiga e uretra, até ser eliminada. A pielonefrite geralmente está associada a condiçòes nas quais a um bloqueio no fluxo urinário, elevando ao represamento, aumento da pressão no trato urinário e refluxo da urina em direção aos rins (refluxo vesicoureteral)
Fatores que aumentam o risco de infecção renal incluem:
- Bloqueio do trato urinário: condições que diminuem o fluxo de urina ou reduzem a capacidade de esvaziar a bexiga ao urinar. Nos bebês e crianças, isso acontece por conta de malformações do trato urinário. Nos adultos, isso pode acontecer por conta de pedra nos rins ou Hiperplasia Prostática Benigna.
- Refluxo vesicoureteral: pode levar à subida para o rim de uma urina contaminada a partir da bexiga;
- Imunodeficiência: incluindo doenças como diabetes ou HIV e certos medicamentos, como os quimioterápicos e os corticoesteroides;
- Neuropatias: doenças neuropáticas podem fazer com que o paciente não tenha queixas significativas com a infecção urinaria baixa. Sem tratar a infecção, há o risco de a mesma subir para os rins.
Uso prolongado de cateter urinário.
Complicações
Quando não tratada, uma infecção renal pode levar a complicações potencialmente graves, incluindo:
- Sequelas renais: a pielonefrite pode provocar lesão e substituição do tecido renal normal, responsável pela filtração do sangue, por um tecido cicatricial. Como consequência disso, o paciente pode desenvolver insuficiência renal.
- Sepse: as bactérias que estão causando a pielonefrite podem entrar na corrente sanguínea e se espalhar pelo corpo, causando uma infecção generalizada;
- Complicações na gestação: as mulheres que desenvolvem uma infecção renal durante a gravidez têm um risco aumentado de dar à luz bebês com baixo peso ao nascer.
Diagnóstico da Pielonefrite
O diagnóstico da pielonefrite é feito pela combinação da história clínica, exame de urina e exames de imagem.
História clínica
A história e o exame físico são as ferramentas mais importantes para o diagnóstico. A maioria dos pacientes tem febre, embora ela possa estar ausente no início da doença.
A dor no flanco é quase universal e sua ausência deve levantar a suspeita de um diagnóstico alternativo. Entretanto, ela estará ausente em aproximadamente 50% dos pacientes com diabetes.
Exame de urina
A técnica de coleta da urina é importante, para que não ocorra a contaminação da amostra que possa levar a um resultado falso positivo para infecção.
Para coletar a urina, é preciso inicialmente que se higienize a área genital e que se despreze o jato inicial de urina, fazendo a coleta do jato médio.
A amostra será então avaliada para quantificar os glóbulos brancos (células de defesa), glóbulos vermelhos (sangue) e poderá também identificar bactérias.
Esta análise deverá ser seguida pela cultura de urina (urocultura) e antibiograma.
A urocultura tem como objetivo confirmar a infecção urinária e identificar qual o microrganismo responsável pela infecção. Já o antibiograma busca analisar a sensibilidade desta bactéria para diferentes tipos de antibióticos.
A importância da cultura se dá pelo fato de que o uso excessivo de antibióticos pela população tem levado ao surgimento de diversas cepas de bactérias resistentes aos antibióticos comumente utilizados.
Nestes casos, o antibiótico convencionalmente utilizado poderá não fazer efeito e será preciso substituir o mesmo por outro tipo de antibiótico para o qual a bactéria seja sensível.
Como o exame de cultura demora alguns dias para ficar pronto, o ideal é que ele já seja solicitado junto com o exame de urina, na suspeita de infecção.
Exame de imagem
O objetivo dos exames de imagem (ultrassom, tomografia) na pielonefrite aguda é identificar complicações significativas (por exemplo, infecção formadora de gás, formação de abscesso, obstrução urinária) que podem exigir uma mudança no tratamento.
O risco destas complicações é maior em pacientes com diabetes, imunidade comprometida, procedimento urológico recente ou história de pedra nos rins.
Pacientes sem esses fatores de risco geralmente não precisam de exames de imagem, a menos que febre ou leucocitose persistam 72 horas após o início dos antibióticos.
Tratamento da Pielonefrite
O tratamento de primeira linha da Pielonefrite é feito com antibióticos.
A escolha do antibiótico depende da condição de saúde geral do paciente e do tipo de bactéria encontrada no exame de cultura de urina.
Muitas vezes, os sintomas da pielonefrite desaparecem dentro de alguns dias após o início do tratamento.
Ainda assim, o antibiótico deve ser mantido conforme a prescrição médica, pelo risco de recorrência da infecção com formas ainda mais graves e resistentes ao antibiótico.
Quando o paciente não responde adequadamente ao tratamento, é preciso considerar a possibilidade de a infecção se tratar de uma bactéria resistente aos antibióticos utilizados.
Neste caso, o antibiótico poderá ser trocado com base no exame de cultura e antibiograma.
O tratamento ambulatorial é apropriado para a maioria dos pacientes com Pielonefrite.
Entretanto, a internação hospitalar poderá ser recomendada no caso de pacientes com estado geral comprometido, com diagnóstico prévio de outras doenças graves ou nos quais há suspeita de complicação.
Prevenção da. Recorrência da Pielonefrite
Considerando que a pielonefrite decorre da Ascenção de bactérias a partir de uma infecção urinária baixa e que, em situações normais, a urina não deve refluir da bexiga para os rins, a prevenção de novos episódios de pielonefrite deve considerar essencialmente dois fatores:
- Prevenção de novos episódios de infecção urinária baixa, com medidas como hidratação adequada, higiene correta após defecar e evitar segurar a urina por tempo prolongado.
- Correção de eventuais condições que levem à obstrução do fluxo urinário, sempre que possível.