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Hipertensão Arterial (Pressão Alta)

O que é a Hipertensão Arterial?

A Hipertensão Arterial Sistêmica, popularmente chamada de Pressão Alta, é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão dentro das artérias que levam o sangue do coração para o restante do corpo.

Ela acomete 25% das pessoas com idade entre 20 e 74 anos e 70% das pessoas com 75 anos ou mais (1).

A hipertensão é mais comum em obesos, negros, tabagistas e pessoas sedentárias. A incidência também aumenta com o avanço da idade.

O que é a Pressão Arterial

A pressão arterial é um termo que se refere à pressão exercida pelo sangue dentro das artérias.

Ela é representada por dois valores:

  • O valor mais alto reflete a pressão que é alcançada quando o coração se contrai, ou seja, durante a sístole. Ela é chamada de pressão sistólica.
  • O valor mais baixo é a pressão de quando o coração relaxa, ou seja, durante a diástole. Ela é chamada de pressão diastólica.

Quando falamos que uma pessoa possui pressão arterial de 120/80 mmHg, isso significa que a pressão sistólica é de 120 mmHg e a pressão diastólica é de 80mmHg.

Diagnóstico da Hipertensão Arterial

Apesar de muitas vezes usadas como sinônimo, existe uma leve diferença entre a pressão alta e a Hipertensão arterial sistêmica.

  • A pressão alta é uma condição pontual, que reflete a condição de momento;
  • A Hipertensão Arterial é uma doença caracterizada por uma pressão sistematicamente elevada.

A pressão alta é definida como uma pressão sistólica superior a 140mmHg ou uma pressão diastólica superior a 90mmHg.

Entretanto, qualquer pessoa pode ter um aumento ocasional da pressão em decorrência de estresse, atividade física e alimentação, entre outras coisas. Isso não deve ser considerado, necessariamente, uma doença.

Para fazer o diagnóstico da Hipertensão Arterial, por outro lado, deverão ser feitas ao menos três medidas, com a técnica correta. Estas medidas devem ser feitas em 3 dias diferentes, com intervalo de pelo menos uma semana entre as medições.

Como medir a Pressão Arterial

A medição da pressão arterial é um procedimento tecnicamente simples. Ainda assim, ela está sujeita a erros.

Idealmente, o paciente deve ficar sentado durante cinco minutos antes que a pressão seja aferida. Neste período, ele deve permanecer relaxado, sem fazer atividades que possam gerar estresse físico ou mental.

Idealmente, o paciente não deve ter praticado exercícios, ingerido cafeína ou fumado durante pelo menos trinta minutos antes da medição.

Em alguns casos é recomenda a avaliação da pressão em diferentes posições, como sentado e deitado.

Muitas vezes a pressão é medida sem se observar estes cuidados. Quando a pressão está normal, esta medida é suficiente. Entretanto, se for observada a pressão alta, uma nova medida deverá ser feita, respeitando-se os cuidados descritos acima.

Um fenômeno bastante conhecido é a “Hipertensão do Jaleco Branco”. Neste caso, a pressão alta é consequente ao estresse do próprio exame. Assim, a pressão aumenta devido ao medo de um possível resultado indesejado. Ela só é observada na presença do Médico ou de outro profissional da saúde.

Alguns pacientes poderão ser indicados a realizar um exame denominado de MAPA (Medida Ambulatorial da Pressão Arterial). Neste exame, o paciente utiliza um aparelho para medir a pressão em casa de forma contínua ao longo de um tempo, por exemplo de 24 a 48 horas.

O exame é feito para verificar as variações na pressão arterial e tentar identificar se existe algum fator nas atividades diárias que pode estar causando o aumento da pressão.

Classificação da Hipertensão Arterial

Existem algumas formas de classificar a pressão arterial. A mais usual é baseada no achado da pressão sistólica ou diastólica dentro de uma certa faixa, conforme a tabela abaixo.

CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL PRESSÃO SISTÓLICA PRESSÃO DIASTÓLICA
Pressão normal <130 <85
Pré-hipertensão 130-139 85-89
Estágio 1 140-159 90-99
Estágio 2 160 – 179 100 – 109
Estágio 3 >180 >110

A classificação deve considerar o pior resultado. Assim, se uma pessoa tiver a pressão no estágio 1 para a pressão sistólica e estágio 2 para a pressão diastólica, ela será considerada portadora de Hipertensão Arterial Estágio 2.

Qual a causa da Hipertensão Arterial?

A Hipertensão arterial pode ser de dois tipos:

  • Primária: decorrente de um problema no coração ou vasos sanguíneos;
  • Secundária: quando ela decorre de alguma outra condição, por exemplo, algumas doenças renais ou neurológicas.

Hipertensão primária

Entre 90% e 95% das pessoas com pressão alta têm hipertensão arterial primária (2). Nestes casos, há um conjunto de alterações no coração e nos vasos sanguíneos que se associam para aumentar a pressão arterial.

Alguns fatores, como envelhecimento, fazem com que as paredes das artérias se tornem mais espessas e percam a sua elasticidade normal. Com isso, a capacidade de se dilatar e se contrair para acomodar uma maior ou menor quantidade de sangue torna-se limitada.

O aumento da espessura das paredes, por outro lado, faz com que o lúmen (a cavidade interna do vaso por onde o sangue flui) se torne mais estreito.

A redução do lúmen, associado à menor capacidade do vaso em se dilatar, leva a um aumento da resistência para o fluxo sanguíneo. Para manter o mesmo volume de sangue circulando, o coração passa a ter que fazer mais força, o que leva a um aumento da pressão arterial.

Obesidade, sedentarismo, estresse, tabagismo e consumo de álcool podem contribuir para o envelhecimento da parede dos vasos sanguíneos e, desta forma, para o desenvolvimento precoce da hipertensão arterial.

Hipertensão secundária

Existem doenças que causam secundariamente um processo análogo ao descrito acima. Quando isso acontece, a Hipertensão Arterial é classificada como secundária.

A quantidade de pacientes com hipertensão secundária pode variar, chegando a até 10% do total. A insuficiência renal é a principal causa e o mecanismo tem relação com o aumento do volume sanguíneo visto nestes pacientes.

Além dos problemas renais, muitas doenças neurológicas ou endócrinas também podem causar Hipertensão arterial secundária. Cada tipo de problema tem um mecanismo específico para justificar o aumento da pressão.

Quais os sintomas da Hipertensão Arterial

A Hipertensão Arterial é uma doença silenciosa. Isso significa que ela se desenvolve por bastante tempo sem que a pessoa tenha qualquer queixa. Mesmo que assintomática, a Hipertensão Arterial pode produzir diversos efeitos deletérios no corpo.

Estima-se que aproximadamente 20% das pessoas com pressão alta desconhecem ter o problema. Isso mostra a importância da aferição regular da pressão arterial, mesmo em pessoas aparentemente saudáveis.

Eventualmente, os sintomas podem aparecer durante uma crise hipertensiva, que é quando a pressão sobe rapidamente. Entre os sintomas da crise hipertensiva, devemos considerar:

  • Enjoo;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça;
  • Dificuldade de raciocínio;
  • Sangramento pelo nariz;
  • Zumbido;
  • Dificuldade para respirar;
  • Cansaço excessivo;
  • Visão embaçada;
  • Dor no peito;
  • Perda de consciência;
  • Aumento da ansiedade.

Quais os riscos da Hipertensão Arterial?

A Hipertensão Arterial é um dos principais fatores de risco cardiovascular.

O aumento da pressão arterial contribui para a destruição progressiva da parede que reveste os vasos sanguíneos, em um processo denominado de arterioesclerose.

A circulação por estas artérias fica comprometida, de forma que os tecidos irrigados por elas deixam de receber nutrientes e oxigênio em quantidade adequada. Este processo acontece em diferentes áreas do corpo, sendo mais comum no coração e cérebro.

Como é o acompanhamento do paciente com Hipertensão Arterial?

A Hipertensão Arterial é uma doença multifatorial e dinâmica em que os tratamentos precisam ser constantemente reavaliados.

A pressão pode aumentar com o tempo. Assim, o tratamento que antes funcionava bem pode não funcionar mais. Pode ser necessário alterar a dosagem dos medicamentos ou adicinonar um novo medicamento.

Eventualmente, medidas não farmacológicas, como a atividade física e a perda de peso, podem influenciar positivamente o quadro e fazerem com que menos medicação seja necessária.

As medicações podem ser modificadas também a depender de eventuais efeitos colaterais.

O médico buscará identificar eventuais comorbidades ou lesões em órgãos alvos, para então prescrever um tratamento coerente com cada caso.

As visitas de acompanhamento são uma ótima oportunidade para monitorar outros fatores de risco associados, como sedentarismo, colesterol alto e obesidade.
Como regra geral, as recomendações de acompanhamento são as seguintes:

  • A medição da pressão arterial deve ser feita pelo menos uma vez ao ano por todas as pessoas acima de 18 anos.
  • Pacientes hipertensos sem uso de medicamentos e que estão tentando controlar a pressão por meio de mudanças no estilo de vida devem ser acompanhados em intervalos entre 3 e 6 meses;
  • Pacientes recebendo tratamento com medicamentos anti-hipertensivos devem ser vistos regularmente, em pequenos intervalos. No início, as consultas costumam ter frequência mensal. Estas visitas serão espassadas uma vez que o paciente demosntre um bom controle da pressão;
  • Intervalos mais curtos entre as consultas serão necessários para pacientes com reações exacerbadas à medicação, para pacientes que estejam sintomáticos e para aqueles com hipertensão grave ou lesão de órgão-alvo;
  • Quando a Pressão Arterial desejada for atingida, os pacientes devem ser reavaliados em intervalos maiores, tipicamente de 3 a 6 meses.

Tratamento da hipertensão arterial

Mesmo que a hipertensão primária possa não ser curada, é possível que ela seja totalmente controlada, evitando, assim, complicações.

Se considerarmos somente o fator pressórico, o objetivo mais comum do tratamento é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg.

A escolha do tratamento inicial depende dos níveis da pressão arterial (pré-hipertensão, estágio 1, estágio 2) e da estratificação do risco cardiovascular.

O risco cardiovascular, por sua vez, depende de fatores como:

  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Tabagismo;
  • Colesterol alto;
  • Histórico familiar de doença cardíaca;
  • Eventuais lesões em órgãos-alvo;
  • Idade do paciente.

Como regra geral, as recomendações são as seguintes:

  • Pré-hipertensão e baixo risco cardiovascular: tratamento inicial sem medicamentos, baseado em mudanças no estilo de vida;
  • Pré-hipertensão e alto risco cardiovascular: tratamento inicial com medicamentos + mudanças no estilo de vida.
  • Hipertensão Estágio 1 e baixo risco cardiovascular: tratamento inicial com mudanças no estilo de vida.
  • Hipertensão Estágio 1 e alto risco cardiovascular: tratamento inicial com medicamentos + mudanças no estilo de vida.
  • Hipertensão Estágio 2 e 3: tratamento inicial com medicamentos + mudanças no estilo de vida.

Mudanças no estilo de vida

A adoção de um estilo de vida saudável é a parte mais importante do tratamento para pressão alta, independentemente da indicação ou não para o uso de medicamentos.

Os efeitos positivos dos remédios anti-hipertensivos, por sua vez, serão bastante limitados frente a um estilo de vida desregrado.

Entre as mudanças mais importantes, devemos considerar:

  • Melhora nos hábitos alimentares: menor consumo de sal e maior consumo de verduras, legumes e frutas;
  • Prática regular de atividade física;
  • Abandono do tabagismo;
  • Perda de peso;
  • Redução do estresse;
  • Melhora da qualidade do sono.

 

Atividade física para o paciente com Pressão Alta

O exercício ajuda a controlar o peso, mantém o coração saudável e diminui o nível de estresse, sendo que peso saudável, coração saudável e boa saúde emocional são fundamentais para o controle da pressão arterial.

Alguns estudos indicam que a prática de exercício físico por pacientes com Hipertensão Arterial reduz o risco de complicações cardiovasculares em até 25% no período de 10 anos (3).

A atividade física pode ajudar no controle da Hipertensão Arterial de diversas maneiras:

  • Ação direta na contratilidade e relaxamento do músculo cardíaco;
  • Redução da resistência vascular periférica;
  • Redução do peso corporal;
  • Ajuda na regulação hormonal;
  • Diminui o “colesterol ruim”.

Assim, quanto mais fatores de risco cardiovascular o paciente apresenta, maiores os benefícios da prática de exercícios.

Ainda que o exercício físico tenha o potencial para causar eventos cardíacos agudos, estes risco são mínimos quando o paciente segue as orientações de uma Avaliação Cardiológica Pré-Participação Esportiva.

Assim os potenciais benefícios superam largamente os eventuais riscos da prática de atividade física .

Para maiores informações, discutimos mais sobre a Atividade Física para o paciente hipertenso em um artigo específico.

Alimentação para o controle da Hipertensão Arterial

A alimentação adequada é muito importante no controle da hipertensão arterial. A dieta do hipertenso deve conter baixo teor de gorduras (principalmente gorduras saturadas), colesterol e sódio. Em contrapartida, deve apresentar elevado teor de potássio e Fibras alimentares.

sódio

O sódio é um sal mineral que está presente naturalmente em alguns alimentos. Ele é o principal componente do sal de cozinha e de uma série de outros conservantes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo adequado de sódio para um indivíduo saudável é de cerca de 2.400 mg ao dia, valor que equivale a 5 g/dia de sal de cozinha. O consumo médio de sal da população gira em torno de 10 a 12 gramas/dia, ou seja, mais que o dobro da recomendação.

Pacientes hipertensos habitualmente têm histórico de consumo ainda mais elevado do sódio. Em casos específicos de hipertensão a ingesta de sódio piora de sobremaneira a hipertensão e todo o quadro do paciente.

Potássio

O potássio age no organismo de várias formas. Entre elas, ele auxilia na eliminação do sódio e, assim, diminui a pressão arterial.

Outro efeito, relacionado a diminuição da pressão arterial pelo potássio, está na ação direta sobre as arteríolas, promovendo a vasodilatação.

Ele é encontrado principalmente em frutas, legumes e vegetais de cor verde-escura. 

Para maiores informações, discutimos sobre todos os aspectos da Alimentação para o Paciente Hipertenso em um artigo específico.

Tratamento medicamentoso da hipertensão arterial

Existe uma variedade de medicamentos que podem ser usados para tratar a pressão alta. Eles podem ser usados isoladamente ou por meio de uma combinação..

Não existe um único medicamento que possa ser considerado melhor para todos os pacientes. A escolha deve ser feita de forma individualizada e depende de fatores como:

  • Gravidade da Hipertensão Arterial;
  • Idade;
  • Etnia;
  • Presença de doenças associadas, como a diabetes ou colesterol alto;
  • Possíveis efeitos colaterais;
  • Custo dos medicamentos.

Entre as principais classes de drogas anti-hipertensivas, devemos considerar:

  • Diuréticos,
  • Beta-bloqueadores
  • Bloqueadores de canal de cálcio
  • Bloqueadores do sistema renina angiotensina aldosterona (incluindo os inibidores da ECA, os bloqueadores dos receptores da angiotensina e os inibidores diretos da Renina).

Independente da medicação, o paciente deve sempre ser reavaliado periodicamente para avaliar a resposta aos medicamentos e outras medidas e para fazer os ajustes necessários.

 

Diuréticos Beta-bloqueadores Bloqueador do canal de cálcio bloqueadores do sistema renina angiotensina aldosterona
Diuréticos de alça:

  • Furosemida (Lasix®).
  • Bumetanida 
  • Torasemida.

Diuréticos tiazídicos:

  • Hidroclorotiazida 
  • Clortalidona
  • Indapamida 
  • Metolazona

Diuréticos poupadores de potássio:

  • Espironolactona (Aldactone®).
  • Amilorida.
  • Triantereno.
Não seletivo:

  • Propanolol
  • Carvedilol

Seletivo:

  • Metoprolol
  • Atenolol
dihidropiridinas:

  • Anlodipina (Norvasc®),
  • Nifedipina (Adalat®),
  • Levanlodipina,
  • Nicardipina,
  • Felodipina;

Não-dihidropiridinas:

  • Verapamil
  • Diltiazem;
Inibidores da ECA (enzima conversora de angiotensina):

  • Captopril
  • enalapril

Bloqueadores dos receptores da angiotensina:

  • Losartana,
  • Valsartana

Inibidores diretos da renina

  • alisquireno

Medicamentos anti-hipertensivos mais usados no Brasil:

MEDICAMENTO CLASSE %
Hidroclorotiazida Diurético tiazídico 23,9
Losartana Bloqueador de receptor da Angiotensina II 20,1
Captopril Inibidor da ECA 11,2
Enalapril Inibidor da ECA 10,5
Atenolol Beta-bloqueador 9,0
Anlodipino Bloqueador do canal de cálcio 6,0
Propanolol Beta-bloqueador 4,1
Furosemida Diurético de alça 2,4
Nifedipino Bloqueador de canal de cálcio 1,8
Cortalidona Diurético tiazídico 1,8
Outros 9,3

Fonte: https://www.scielo.br/j/rsp/a/Q8rkJR7H3ZJXRSjqW4WfRLD/?lang=pt&format=pdf