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Hipertensão Arterial (Pressão Alta)

O que é a Hipertensão Arterial?

A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.

Ela é caracterizada pelos níveis elevados e sustentados da pressão sanguínea nas artérias, condição que afeta uma parcela significativa da população adulta e está associada a milhões de mortes todos os anos em todo o mundo.

Um dos aspectos mais preocupantes da hipertensão é que ela costuma ser uma doença silenciosa, desenvolvendo-se por muito tempo sem que a pessoa tenha conhecimento. Assim, ela pode permanecer por anos sem ser diagnosticada.

Mesmo sem causar sinais evidentes, a pressão elevada vai provocando lesões progressivas e irreversíveis nos vasos sanguíneos e em órgãos como coração, cérebro e rins.

Por esse motivo, a identificação precoce por meio da aferição regular da pressão arterial é fundamental. O diagnóstico adequado e o controle da pressão são essenciais para iniciar o tratamento precoce e reduzir o risco de complicações graves.

Quais os sintomas da Hipertensão Arterial

Embora geralmente assintomática, a hipertensão pode causar sintomas em algumas situações, especialmente quando os níveis de pressão estão muito elevados ou quando já há comprometimento de órgãos alvo. Alguns desse sintomas incluem:

  • Enjoo;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça;
  • Dificuldade de raciocínio;
  • Sangramento pelo nariz;
  • Zumbido;
  • Dificuldade para respirar;
  • Cansaço excessivo;
  • Visão embaçada;
  • Dor no peito;
  • Perda de consciência;
  • Aumento da ansiedade.

Vale considerar no entanto que esses sintomas não têm uma relação direta com o nível de pressão, mas sim com como a pressão está afetando o funcionamento de áreas específicas do corpo. Algumas pessoas podem estar com a pressão muito alta, e ainda assim continuar assintomática.

Por que a Hipertensão Arterial é tão grave?

A pressão alta constante causa microlesões na parede interna das artérias (endotélio). Como parte do processo de reparo dessas microlesões, o endotélio sofre adaptações, tornando-se mais espessa e menos flexível.

Junto com isso, esses danos facilitam o acúmulo de placas de gordura nas paredes dos vasos, condição denominada de Aterosclerose. A aterosclerose endurece e estreita ainda mais as artérias, formando um ciclo vicioso com consequente aumento da pressão arterial.

Eventualmente, a dificuldade criada para o sangue circular pode levar à formação de um coágulo que entope a artéria, com consequente isquemia e morte tecidual.

Os efeitos da hipertensão arterial, dessa forma, estão associados tanto aos efeitos diretos do aumento da pressão dentro dos vasos como ao eventual entupimento da artéria.

Embora possa acometer artérias em qualquer parte do corpo, isso é mais comum no coração (artérias coronárias), cérebro ou rins.

Eventos vasculares agudos decorrentes da hipertensão arterial e aterosclerose incluem:

  • Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): decorrente do entupimento das artérias coronárias, que irrigam o coração.
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): pode acontecer por conta do entupimento de uma das artérias que irrigam o cérebro (AVC isquêmico) ou pelo rompimento e extravasamento de sangue para dentro do cérebro, por conta da pressão aumentada (AVC Hemorrágico).
  • Olhos: diferentes problemas oculares agudos podem estar associados ao entupimento ou extravasamento vascular, com risco de comprometimento da visão: Retinopatia Hipertensiva Aguda, Edema de Papila (Papiledema) ou a Oclusão Vascular Retiniana.

Já os efeitos crônicos dessas doenças incluem:

  • Hipertrofia do músculo cardíaco: ocorre por conta do aumento da força necessária para impulsionar o sangue, podendo com o tempo evoluir para a Insuficiência Cardíaca.
  • Demência: pequenos danos constantes aos microvasos cerebrais podem levar à perda de memória e declínio cognitivo (Demência Vascular).
  • Nefroesclerose: o dano aos vasos que irrigam os rins leva à destruição do tecido renal e pode com o tempo evoluir para Insuficiência Renal Crônica. Essa é a principal indicação para terapias de substituição renal (diálise ou transplante renal).
  • Glaucoma e Catarata: problemas oculares relacionados à hipertensão Arterial.

Crise Hipertensiva

A crise hipertensiva é uma condição caracterizada pela elevação súbita e grave da pressão arterial, geralmente com valores de Pressão Sistólica (máxima) acima de 180 mmHg e/ou Pressão Diastólica (mínima) acima de 120 mmHg.

Ela raramente acontece sem um motivo. O abandono do tratamento anti-hipertensivo é a causa número 1. Outras possíveis causas incluem:

  • Ingestão Excessiva de Sal, fora do habitual.
  • Uso de Substâncias: Cocaína, anfetaminas ou uso abusivo de descongestionantes nasais e anti-inflamatórios.
  • Estresse Físico ou Emocional Extremo, incluindo traumas, cirurgias, dor intensa ou eventos emocionalmente fortes.
  • Doenças Secundárias: Piora súbita de uma doença renal ou tumores na glândula suprarrenal (feocromocitoma).

Quando a pressão sobe a níveis de crise, a força do sangue sobre as artérias é tão grande que o paciente fica em risco imediato para diferentes tipos de complicações, incluindo:

  • Acidente Vscular Cerebral (AVC)
  • Encefalopatia Hipertensiva
  • Edema Agudo de Pulmão
  • Infarto Agudo do Miocárdio
  • Dissecação de Aorta

As crises hipertensivas, dessa forma, são divididas em dois grandes grupos, a depender de um efeito agudo em atividade nos órgãos alvos:

  • Emergência Hipertensiva: É a forma mais grave, onde existe alguma das complicações acima em curso. O paciente encontra-se em risco imediato a vida e precisa de tratamento imediato em UTI para controle da pressão e tratamento da lesão em curso.
  • Urgência Hipertensiva: A pressão está muito alta, mas o paciente está estável, sem sinais de lesão aguda em órgãos. Ela pode evoluir para uma emergência hipertensiva se não tratada.

Fatores de risco: a Hipertensão Arterial pode ser evitada?

Diversas condições estão associadas a um maior risco de hipertensão arterial. Ainda assim, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Hipertensão Arterial pode ser observada até mesmo em pessoas jovens, aparentemente saudáveis, com boa alimentação e praticantes de atividade física. Dessa forma, a aferição da pressão arterial deve ser universal, feita por todas as pessoas de forma recorrente.

Dito isso, fato é que existem diferentes condições que influenciam bastante na probabilidade de uma pessoa ter hipertensão arterial, algumas delas que podemos modificar ou evitar e outras que não.

Fatores não modificáveis

Fatores Não Modificáveis são aqueles relacionados a fatores genéticos / familiares, incluindo:

  • Histórico Familiar: Ter pais ou irmãos hipertensos aumenta significativamente o risco.
  • Etnia: Estudos mostram que populações negras tendem a desenvolver hipertensão mais cedo e de forma mais grave,

Além disso, a idade é um fator de risco não modificável muito relevante.  Com o envelhecimento, as artérias perdem naturalmente a elasticidade, tornando-se mais rígidas (arteriosclerose).

Fatores modificáveis

Fatores modificáveis são aqueles que podemos agir para evitar ou controlar. Eles se dividem novamente em dois outros grupos: aqueles associados a hábitos e estilo de vida (que podem ser evitados) e aqueles relacionados a outras doenças que aumentam o risco para hipertensão arterial, doenças essas que podem ser tratadas ou controladas.

Hábitos de estilo de vida

Alguns dos hábitos que podem ser evitados e que estão associados a risco aumentado para Hipertensão Arterial incluem:

  • Consumo Excessivo de Sal
  • Sedentarismo
  • Obesidade e Sobrepeso
  • Consumo de Álcool
  • Tabagismo
  • Estresse Crônico

Doenças Associadas

Algumas doenças podem estar associadas a maior risco de hipertensão arterial. Como veremos adiante, nesses casos a hipertensão é classificada como secundária. Vale considerar que ao mesmo tempo em que essas condições aumentam o risco de hipertensão, a hipertensão pode levar a uma piora significativa nelas, em um caminho negativo de duas vias.

As principais causas para a Hipertensão secundária incluem:

Como evitar a Hipertensão Arterial?

No caso dos fatores de risco modificáveis, a resposta é mais direta. Evitar ou tratar.

No caso dos fatores não modificáveis, embora eles não possam ser evitados, é preciso compreender que a relação com a Hipertensão não é tão direta. Na moir parte das vezes, não existe um fator único que leva à hipertensão Arterial, mas sim uma combinação deles. Quando uma pessoa tem alto risco genético para hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, é fundamental que ela tenha cuidado redobrado com todos os fatores possivelmente modificáveis.

Entendendo os valores da Pressão Arterial

A pressão arterial é um termo que se refere à pressão exercida pelo sangue dentro das artérias. Ela é representada por dois valores:

  • O valor mais alto reflete a pressão que é alcançada quando o coração se contrai, ou seja, durante a sístole. Ela é chamada de pressão sistólica.
  • O valor mais baixo é a pressão de quando o coração relaxa, ou seja, durante a diástole. Ela é chamada de pressão diastólica.

Quando falamos que uma pessoa possui pressão arterial de 120/80 mmHg, isso significa que a pressão sistólica é de 120 mmHg e a pressão diastólica é de 80mmHg.

Como Saber se Você tem Hipertensão Arterial?

A única forma de saber se uma pessoa tem hipertensão arterial é por meio da aferição recorrente da pressão.

Estimativas indicam que aproximadamente 20% das pessoas com pressão alta desconhecem ter o problema, muitos dos quais não apresentam quaisquer fator de risco conhecido. Assim, a aferição da pressão arterial deve ser universal.

Adultos saudáveis devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Já aqueles com fatores de risco ou com hipertensão já diagnosticada devem fazer isso com maior frequencia, a depender da recomendação médica.

No momento de aferir a pressão arterial, no entanto, alguns cuidados devem ser considerados:

1 entender a diferença entre pressão alta e hipertensão arterial que, embora mutias vezes sejam ditas como sinônimos, são condições bem diferentes.

2. Ter cuidados com a forma como é feita a mensuração da pressão arterial, que pode em alguns casos levar a uma mensuração irreal.

Pressão Alta X Hipertensão Arterial

Apesar de muitas vezes usadas como sinônimo, existe uma leve diferença entre a pressão alta e a Hipertensão arterial sistêmica.

  • A pressão alta é uma condição pontual, que reflete a condição de momento;
  • A Hipertensão Arterial é uma doença caracterizada por uma pressão sistematicamente elevada.

A pressão alta é definida como uma pressão sistólica superior a 140mmHg ou uma pressão diastólica superior a 90mmHg. Mas, se você teve uma medida de pressão alta, isso não necessriamente será motivo de grandes alardes. Qualquer pessoa pode ter um aumento ocasional da pressão em decorrência de estresse, atividade física e alimentação, entre outras coisas. Isso não deve ser considerado, necessariamente, uma doença.

Para fazer o diagnóstico da Hipertensão Arterial, por outro lado, deverão ser feitas ao menos três medidas, com a técnica correta. Estas medidas devem ser feitas em 3 dias diferentes, com intervalo de pelo menos uma semana entre as medições.

Como medir a Pressão Arterial?

A medição da pressão arterial é um procedimento tecnicamente simples. Ainda assim, ela está sujeita a erros.

Idealmente, o paciente deve ficar sentado durante cinco minutos antes que a pressão seja aferida. Neste período, ele deve permanecer relaxado, sem fazer atividades que possam gerar estresse físico ou mental.

Idealmente, o paciente não deve ter praticado exercícios, ingerido cafeína ou fumado durante pelo menos trinta minutos antes da medição.

Em alguns casos é recomenda a avaliação da pressão em diferentes posições, como sentado e deitado.

Muitas vezes a pressão é medida sem se observar estes cuidados. Quando a pressão está normal, esta medida é suficiente. Entretanto, se for observada a pressão alta, uma nova medida deverá ser feita, respeitando-se os cuidados descritos acima.

Um fenômeno bastante conhecido é a “Hipertensão do Jaleco Branco”. Neste caso, a pressão alta é consequente ao estresse do próprio exame. Assim, a pressão aumenta devido ao medo de um possível resultado indesejado. Ela só é observada na presença do Médico ou de outro profissional da saúde.

Alguns pacientes poderão ser indicados a realizar um exame denominado de MAPA (Medida Ambulatorial da Pressão Arterial). Neste exame, o paciente utiliza um aparelho para medir a pressão em casa de forma contínua ao longo de um tempo, por exemplo de 24 a 48 horas.

O exame é feito para verificar as variações na pressão arterial e tentar identificar se existe algum fator nas atividades diárias que pode estar causando o aumento da pressão.

Classificação da Hipertensão Arterial

Existem algumas formas de classificar a pressão arterial. A mais usual é baseada no achado da pressão sistólica ou diastólica dentro de uma certa faixa, conforme a tabela abaixo.

CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIALPRESSÃO SISTÓLICAPRESSÃO DIASTÓLICA
Pressão normal<130<85
Pré-hipertensão130-13985-89
Estágio 1140-15990-99
Estágio 2160 – 179100 – 109
Estágio 3>180>110

A classificação deve considerar o pior resultado. Assim, se uma pessoa tiver a pressão no estágio 1 para a pressão sistólica e estágio 2 para a pressão diastólica, ela será considerada portadora de Hipertensão Arterial Estágio 2.

Hipertenssão Arterial Primária X Secundária

A Hipertensão arterial pode ser de dois tipos:

  • Primária: decorrente de um problema no coração ou vasos sanguíneos;
  • Secundária: quando ela decorre de alguma outra condição, por exemplo, algumas doenças renais ou neurológicas.

Hipertensão primária

Entre 90% e 95% das pessoas com pressão alta têm hipertensão arterial primária (2). Nestes casos, há um conjunto de alterações no coração e nos vasos sanguíneos que se associam para aumentar a pressão arterial.

Alguns fatores, como envelhecimento, fazem com que as paredes das artérias se tornem mais espessas e percam a sua elasticidade normal. Com isso, a capacidade de se dilatar e se contrair para acomodar uma maior ou menor quantidade de sangue torna-se limitada.

O aumento da espessura das paredes, por outro lado, faz com que o lúmen (a cavidade interna do vaso por onde o sangue flui) se torne mais estreito.

A redução do lúmen, associado à menor capacidade do vaso em se dilatar, leva a um aumento da resistência para o fluxo sanguíneo. Para manter o mesmo volume de sangue circulando, o coração passa a ter que fazer mais força, o que leva a um aumento da pressão arterial.

Obesidade, sedentarismo, estresse, tabagismo e consumo de álcool podem contribuir para o envelhecimento da parede dos vasos sanguíneos e, desta forma, para o desenvolvimento precoce da hipertensão arterial.

Hipertensão secundária

A hipertensão arterial secundária é aquela que se identifica uma causa específica em outro órgão ou sistema do corpo que provoque o aumento da pressão dentro das artérias.

Esses casos correspondem a apenas  5 a 10% dos casos de hipertensão. No entanto, é fundamental que eles sejam identificados, uma vez que podem haver tratamentos específicos e em alguns casos potencialmente curativos.

O aumento da pressão, nesses casos, pode ser visto como um sintoma de uma doença subjacente. Se a causa base pudesse ser resolvida, a pressão retornaria ao normal.

A insuficiência renal é a principal causa de Hipertensão secundária. Ela leva a uma aumento da pressão arterial principalmente por conta  do aumento do volume sanguíneo visto nestes pacientes, combinado com maior retensão de sódio.

Além dos problemas renais, outras possíveis causas para a Hipertensão Secundária incluem:

Entre as principais causas de HAS secundária a serem investigadas, incluem-se:

  • Hiperaldosteronismo primário: suspeitar em caso de hipertensão resistente ao tratamento, associado a hipocalemia (potássio baixo). Solicitar examelaboratorial para avaliar a relação aldosterona/renina (RAR).
  • Estenose de artéria renal: Suspeitar em casos de hipertensão de início súbito, com assimetria renal no exame de ultrassom. Solicitar doppler de artérias renais, angiotomografia ou angioressonância.
  • Feocromocitoma: Suspeitar no caso de episódios de aumento súbito da pressão arterial, que acontece de forma inesperada e intensa, acompanhado de cefaleia, sudorese e palpitação, e que geralmente passa após um período, voltando a acontecer mais tarde (crises paroxísticas). Solicitar metanefrinas plasmáticas livres ou urinárias.
  • Síndrome de Cushing: Suspeitar na presença de obesidade central, presença de estrias violáceas ou diabetes. Solicitar cortisol na urina de 24h, cortisol salivar noturno ou o Teste de supressão com dexametasona.
  • Apneia do sono: Suspeitar em casos de ronco alto, sonolência diurna e o Solicitar Polissonografia.

Quando suspeitar e investigar hipertensão secundária?

Devemos suspeitar de uma hipertensão secundária especialmente nas seguintes situações:

  • Início antes dos 30 anos, sem obesidade ou histórico familiar.
  • Início súbito ou piora abrupta da hipertensão.
  • HAS resistente aos tratamentos convencionais (≥3 drogas incluindo diurético).
  • Níveis baixos de potássio (hipocalemia), expontâneo ou induzido por diurético (sugestivo de hiperaldosteronismo).
  • Episódios de aumento súbito da pressão arterial, que acontece de forma inesperada e intensa, acompanhado de sudorese e palpitação, e que geralmente passa após um período, voltando a acontecer mais tarde (crises paroxísticas). Essas crises são sugestivas de Feocromocitoma.
  • Hipertensão de difícil controle acompanhado de apneia do sono.

Como é o acompanhamento do paciente com Hipertensão Arterial?

A Hipertensão Arterial é uma doença multifatorial e dinâmica em que os tratamentos precisam ser constantemente reavaliados.

A pressão pode aumentar com o tempo. Assim, o tratamento que antes funcionava bem pode não funcionar mais. Pode ser necessário alterar a dosagem dos medicamentos ou adicinonar um novo medicamento.

Eventualmente, medidas não farmacológicas, como a atividade física e a perda de peso, podem influenciar positivamente o quadro e fazerem com que menos medicação seja necessária.

As medicações podem ser modificadas também a depender de eventuais efeitos colaterais.

O médico buscará identificar eventuais comorbidades ou lesões em órgãos alvos, para então prescrever um tratamento coerente com cada caso.

As visitas de acompanhamento são uma ótima oportunidade para monitorar outros fatores de risco associados, como sedentarismo, colesterol alto e obesidade.
Como regra geral, as recomendações de acompanhamento são as seguintes:

  • A medição da pressão arterial deve ser feita pelo menos uma vez ao ano por todas as pessoas acima de 18 anos.
  • Pacientes hipertensos sem uso de medicamentos e que estão tentando controlar a pressão por meio de mudanças no estilo de vida devem ser acompanhados em intervalos entre 3 e 6 meses;
  • Pacientes recebendo tratamento com medicamentos anti-hipertensivos devem ser vistos regularmente, em pequenos intervalos. No início, as consultas costumam ter frequência mensal. Estas visitas serão espassadas uma vez que o paciente demosntre um bom controle da pressão;
  • Intervalos mais curtos entre as consultas serão necessários para pacientes com reações exacerbadas à medicação, para pacientes que estejam sintomáticos e para aqueles com hipertensão grave ou lesão de órgão-alvo;
  • Quando a Pressão Arterial desejada for atingida, os pacientes devem ser reavaliados em intervalos maiores, tipicamente de 3 a 6 meses.

Tratamento nos diferentes estágios da hipertensão arterial

O tratamento da hipertensão arterial deve ter como meta manter a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg. Em pacientes de maior risco vascular, a meta deve ser ainda mais agressiva, de 130/80 mmHg.

Nos casos mais leves, isso deve ser buscado por meio de mudanças no estilo de vida (especialmente alimentação e prática de atividades físicas). Nos casos de pressão mais elevadas ou quando as medidas de estilo de vida não se mostrem suficientes, o tratamento medicamentoso deve ser indicado.

 Pressão elevada / pré-hipertensão (PA entre 120–139 / 80–89 mmHg)

Nessa fase, o tratamento se inicia com medidas de estilo de vida e monitoramento mais próximo da pressão arterial, mas sem o uso de medicamentos.

Hipertensão estágio 1 (PA entre 140–159 / 90–99 mmHg)

A conduta depende do risco cardiovascular. Nos pacientes considerados de baixo risco, o tratamento deve focar inicialmente nas medidas de estilo de vida, com reavaliação após 3 a 6 meses.

Em casos de alto risco ou nos pacientes de baixo risco, mas que as medidas de estilo de vida não se mostrem suficientes, o tratamento medicamentoso deve ser iniciado.

Hipertensão estágio 2 (PA ≥160 / 100 mmHg)

Devido ao nível mais elevado da pressão arterial, os medicamentos devem fazer parte do manejo inicial, podendo em alguns casos ser associado dois fármacos de classes distintas desde o início.

O fato de inciar os medicamentos desde o início, no entanto, não minimiza a necessidade das medidas de estilo de vida.

Mudanças no estilo de vida

A adoção de um estilo de vida saudável é a parte mais importante do tratamento para pressão alta, independentemente da indicação ou não para o uso de medicamentos.

Os efeitos positivos dos remédios anti-hipertensivos, por sua vez, serão bastante limitados frente a um estilo de vida desregrado.

Entre as mudanças mais importantes, devemos considerar:

  • Melhora nos hábitos alimentares: menor consumo de sal e maior consumo de verduras, legumes e frutas;
  • Prática regular de atividade física;
  • Abandono do tabagismo;
  • Perda de peso;
  • Redução do estresse;
  • Melhora da qualidade do sono.

Atividade física para o paciente com Pressão Alta

O exercício ajuda a controlar o peso, mantém o coração saudável e diminui o nível de estresse, sendo que peso saudável, coração saudável e boa saúde emocional são fundamentais para o controle da pressão arterial.

Alguns estudos indicam que a prática de exercício físico por pacientes com Hipertensão Arterial reduz o risco de complicações cardiovasculares em até 25% no período de 10 anos (3).

A atividade física pode ajudar no controle da Hipertensão Arterial de diversas maneiras:

  • Ação direta na contratilidade e relaxamento do músculo cardíaco;
  • Redução da resistência vascular periférica;
  • Redução do peso corporal;
  • Ajuda na regulação hormonal;
  • Diminui o “colesterol ruim”.

Assim, quanto mais fatores de risco cardiovascular o paciente apresenta, maiores os benefícios da prática de exercícios.

Ainda que o exercício físico tenha o potencial para causar eventos cardíacos agudos, estes risco são mínimos quando o paciente segue as orientações de uma Avaliação Cardiológica Pré-Participação Esportiva.

Assim os potenciais benefícios superam largamente os eventuais riscos da prática de atividade física .

Para maiores informações, discutimos mais sobre a Atividade Física para o paciente hipertenso em um artigo específico.

Alimentação para o controle da Hipertensão Arterial

A alimentação adequada é muito importante no controle da hipertensão arterial. A dieta do hipertenso deve conter baixo teor de gorduras (principalmente gorduras saturadas), colesterol e sódio. Em contrapartida, deve apresentar elevado teor de potássio e Fibras alimentares.

sódio

O sódio é um sal mineral que está presente naturalmente em alguns alimentos. Ele é o principal componente do sal de cozinha e de uma série de outros conservantes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo adequado de sódio para um indivíduo saudável é de cerca de 2.400 mg ao dia, valor que equivale a 5 g/dia de sal de cozinha. O consumo médio de sal da população gira em torno de 10 a 12 gramas/dia, ou seja, mais que o dobro da recomendação.

Pacientes hipertensos habitualmente têm histórico de consumo ainda mais elevado do sódio. Em casos específicos de hipertensão a ingesta de sódio piora de sobremaneira a hipertensão e todo o quadro do paciente.

Potássio

O potássio age no organismo de várias formas. Entre elas, ele auxilia na eliminação do sódio e, assim, diminui a pressão arterial.

Outro efeito, relacionado a diminuição da pressão arterial pelo potássio, está na ação direta sobre as arteríolas, promovendo a vasodilatação.

Ele é encontrado principalmente em frutas, legumes e vegetais de cor verde-escura. 

Para maiores informações, discutimos sobre todos os aspectos da Alimentação para o Paciente Hipertenso em um artigo específico.

Tratamento medicamentoso da hipertensão arterial

Existem diferentes classes de medicamentos anti-hipertensivos que agem de maneiras completamente distintas uma da outra, embora com um objetivo primário em comum que é a queda na pressão Arterial.

Da mesma forma, existem diferentes mecanismos que podem estar contribuído para o desenvolvimento da hipeerrtensão arterial, que podem responder melhor ou pior a determinada classe de medicamento.

Embora existam caminhos e uma lógica a ser seguida, o que é indicado para uma pessoa não necessariamente será adequado para outra.

Classes de Medicamentos Antihipertensivos

Existem quatro classes principais de medicamentos anti-hipertensivos que são usados como primeira linha no tratamento da hipertensão. Como medicamento de primeira linha, entende-se que são os medicamentos geralmente indicados para iniciar o tratamento.

  1. Diuréticos (Ex: Hidroclorotiazida, Clortalidona): medicamentos que ajudam os rins a eliminar o excesso de sódio e água pela urina. Um efeito comum é que esses medicamentos aumentam a vontade de a pessoa urinar.
  2. Inibidores da ECA (Enzima Conversora de Angiotensina) e Inibidores da BRA (Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina)(Ex: Enalapril, Losartana) – medicamentos que bloqueiam a ação do hormônio Angiotensina II, que é um potente vasoconstrritor. São excelentes para proteger os rins, especialmente em pacientes com diabetes.
  3. Bloqueadores de Canais de Cálcio (Ex: Anlodipino) – medicamentos que agem Impedindo que o cálcio entre nas células musculares Como o cálcio é necessário para o músculo contrair, esses medicamentos ajudam a manter as artérias relaxadas.
  4. Betabloqueadores (Ex: Atenolol, Propranolol): medicamentos que agenm reduzindo a frequência cardíaca e a força com que o coração bombeia o sangue. Geralmente não são a primeira escolha para hipertensão simples, sendo usados quando o paciente já tem outro problema cardíaco, como arritmia ou pós-infarto.

Como escolher um medicamento anti-hiertensivo?

Não existe um anti-hipertensivo que seja ideal para qualquer pessoa. A escolha geralmente envolve fatores como idade, etnia ou doenças associadas como diabetes ou problemas nos rins. Os inibidores da ECA, por exemplo, são muito usados por pessoas com Nefropatia Diabética.

Quando um medicamento isoladamente não é capaz de controlar a pressão arterial em até quatro semanas após o início do uso, uma segunda droga será adicionada

DiuréticosBeta-bloqueadoresBloqueador do canal de cálciobloqueadores do sistema renina angiotensina aldosterona

Diuréticos de alça:

  • Furosemida (Lasix®).
  • Bumetanida 
  • Torasemida.

Diuréticos tiazídicos:

  • Hidroclorotiazida 
  • Clortalidona
  • Indapamida 
  • Metolazona

Diuréticos poupadores de potássio:

  • Espironolactona (Aldactone®).
  • Amilorida.
  • Triantereno.

Não seletivo:

  • Propanolol
  • Carvedilol

Seletivo:

  • Metoprolol
  • Atenolol

dihidropiridinas:

  • Anlodipina (Norvasc®),
  • Nifedipina (Adalat®),
  • Levanlodipina,
  • Nicardipina,
  • Felodipina;

Não-dihidropiridinas:

  • Verapamil
  • Diltiazem;

Inibidores da ECA (enzima conversora de angiotensina):

  • Captopril
  • enalapril

Bloqueadores dos receptores da angiotensina:

  • Losartana,
  • Valsartana

Inibidores diretos da renina

  • alisquireno

Medicamentos anti-hipertensivos mais usados no Brasil:

MEDICAMENTOCLASSE%
HidroclorotiazidaDiurético tiazídico23,9
LosartanaBloqueador de receptor da Angiotensina II20,1
CaptoprilInibidor da ECA11,2
EnalaprilInibidor da ECA10,5
AtenololBeta-bloqueador9,0
AnlodipinoBloqueador do canal de cálcio6,0
PropanololBeta-bloqueador4,1
FurosemidaDiurético de alça2,4
NifedipinoBloqueador de canal de cálcio1,8
CortalidonaDiurético tiazídico1,8
Outros9,3

Fonte: https://www.scielo.br/j/rsp/a/Q8rkJR7H3ZJXRSjqW4WfRLD/?lang=pt&format=pdf