Anemia
O que é Anemia?
A anemia é uma condição na qual o número de hemácias ou a concentração de hemoglobina dentro delas é menor que o normal. As hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos, são as células vermelhas presentes no sangue. Elas contêm em seu interior uma proteína responsável pelo transporte de oxigênio, a Hemoglobina.
Laboratorialmente, os parâmetros usados para defini-la são:
- Mulheres: Hemoglobina menor do que 12 g/dL ou hematócrito menor do que 35%;
- Homens: Hemoglobina menor do que 14 g/dL ou hematócrito menor do que 40%;
- Crianças: valores de referência variam conforme a idade, devendo ser usados gráficos específicos para isso.
Quando um paciente encontra-se anêmico, a capacidade do sangue em transportar oxigênio fica limitada.
Sinais e Sintomas
Os principais sinais e sintomas da anemia incluem:
- Fadiga;
- Falta de ar;
- Sensação de frio;
- Dor de cabeça;
- Pele pálida, seca ou facilmente machucada;
- Aumento da Frequência cardíaca;
- Unhas quebradiças;
- Queda de cabelo.
Qual a causa da Anemia?
A anemia pode ser dividida quanto à causa em dois grandes grupos:
Anemia por deficiência na produção das hemácias
A produção normal de hemácias, conhecida como eritropoiese, pode ser prejudicada por deficiências nutricionais, doenças crônicas ou problemas na medula óssea.
Anemia por deficiências nutricionais:
- Anemia Ferropriva: tipo mais comum de anemia, sendo causada pelos baixos níveis de ferro no organismo. O ferro é um dos principais componentes da hemoglobina. Assim, a deficiência de ferro faz com que a produção de hemoglobinas se torne insuficiente.
- Anemia Megaloblástica: ocorre por deficiência de Vitamina B12 (cobalamina) ou de Vitamina B9 (folato). As vitaminas B12 e B9 fazem parte do processo de produção dos glóbulos vermelhos e, quando deficientes, há menor quantidade de hemácias sendo produzidas.
Doenças crônicas
- Insuficiência Renal Crônica: A insuficiência renal crônica (IRC) causa anemia principalmente pela produção insuficiente de eritropoetina (EPO), um hormônio renal que estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos.
- Câncer e tratamentos oncológicos: O câncer pode causar anemia por diferentes mecanismos. Alguns câncer provocam inflamação crônica, que altera o metabolismo do ferro e reduz a produção de glóbulos vermelhos. Outros podem causar sangramentos. Os cânceres hematológicos causam anemia devido a seus efeitos diretos na medula óssea. Por fim, a anemia pode ser resultado de tratamentos como a quimioterapia, que danificam a medula óssea.
- Inflamação crônica: A inflamação crônica pode provocar anemia por conta de níveis elevados de hepcidina, bloqueando o uso do ferro pelo organismo. Isso inclui Doenças auto-imunes (como o Lúpus Eritematoso Sistêmico), Doenças Inflamatórias Intestinais (como a Doença de Crohn ou a Retocolite Ulcerativa) ou infecções crônicas em geral.
- Problemas na medula óssea: incluindo a Anemia Aplástica, Mielodisplasia, Anemia aplástica ou Leucemia
Anemia por aumento na destruição das hemácias
- Por perda de sangue (sangramentos em geral);
- Talasemia; Forma de anemia hereditária / genética caracterizada pela produção de uma hemoglobina anômala, que resulta em uma destruição precoce da mesma.
- Anemia Falciforme: Doença hereditária caracterizada pela alteração no formato dos glóbulos vermelhos do sangue, que assumem uma aparência semelhante a uma foice. A membrana dos glóbulos vermelhos é alterada e se rompe mais facilmente, levando a uma condição anêmica
- Deficiência de G6PD: Deficiência enzimática de origem genética que faz com que os glóbulos vermelhos se decomponham prematuramente
- Anemia Hemolítica Autoimune: Doença que se caracteriza pela destruição de glóbulos vermelhos causada por uma resposta anormal do sistema imunológico.
- Púrpura Trombocitopênica Trombótica: Distúrbio sanguíneo raro e grave, caracterizado pela formação súbita de pequenos coágulos (trombos) nos vasos sanguíneos de todo o corpo. Além de consumir as plaqueta (causando plaquetopenia), esses coágulos destroemmecanicamente as hemácias, causando uma Anmia Hemolítica.
- Anemia Hemolítico-Urêmica: Doença geralmente desencadeada por uma infecção intestinal bacteriana pela bactéria E. Coli em crianças. Ela é caracterizada pela tríade: anemia hemolítica microangiopática (destruição de glóbulos vermelhos), trombocitopenia (plaquetas baixas) e lesão renal aguda.
Fatores de Risco
Qualquer pessoa pode desenvolver anemia, embora os seguintes grupos tenham um risco maior:
Mulheres
A perda de sangue decorrente da menstruação pode levar à esta condição. Isso é especialmente verdadeiro no caso de um sangramento uterino anormal, o que pode acontecer em decorrência de doenças como o Mioma Uterino.
Bebes e Crianças de até 2 anos
Os bebês podem obter menos ferro quando são desmamados do leite materno ou das fórmulas para alimentos sólidos. Isso acontece porque o ferro dos alimentos sólidos não é tão facilmente absorvido pelo corpo. Além disso, a demanda pelo ferro é maior, devido ao rápido crescimento.
Idosos
Pessoas com mais de 65 anos são mais propensas a ter dietas pobres em ferro. Além disso, a incidência de doenças crônicas que possam contribuir para o desenvolvimento da anemia também é maior.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito com base no Hemograma, um tipo de exame de sangue.
Os parâmetros usados para defini-la são:
- Mulheres: Hemoglobina menor do que 12 g/dL ou hematócrito menor do que 35%;
- Homens: Hemoglobina menor do que 14 g/dL ou hematócrito menor do que 40%;
- Crianças: valores de referência variam conforme a idade, devendo ser usados gráficos específicos para isso.
Além disso, outros exames ajudam a identificar a origem, incluindo:
Volume Corpuscular Médio (VCM)
O VCM (Volume Corpuscular Médio) é um índice hematimétrico presente no hemograma que indica o tamanho médio das hemácias. Ele é fundamental para classificar a anemia e determinar a causa subjacente, sendo calculado dividindo o hematócrito pelo número de hemácias.
Existem diversas razões que podem fazer com que uma hemácia fique com seu tamanho maior ou menor. Assim, anemias podem ser classificadas de acordo com o resultado do VCM em três grupos:
Anemia Microcítica (VCM < 80 fl):
indica uma baixa concentração de hemoglobina nas hemácias, seja por falta de matéria prima (ferro) ou por um defeito na formação da hemoglobina. Entre as possíveis causas de anemia microcítica incluem-se:
- Deficiência de ferro;
- Talassemias;
- Anemia Sideroblástica;
- Anemia da doença crônica;
- Anemia Falciforme.
Anemia Macrocítica (VCM > 100 fL)
Aqui, o problema não está na hemoglobina, mas sim no núcleo. Para se dividirem, as hemácias precisam duplicar seu DNA. Quando o DNA não é produzido corretamente, a hemácia não consegue se dividir e continua crescendo e acumulando hemoglobina, resultando em uma célula liberada para o sangue muito grande e imatura.
- Anemia Megaloblástica (deficiência de B12 e folato);
- Doença hepática;
- Alcoolismo;
- Síndromes mielodisplásicas;
- Certos medicamentos.
Anemia Normocítica (VCM entre 80 e 100 fL)
Não há erro na divisão celular nem na síntese de hemoglobina. O problema é que elas estão sendo perdidas ou não estão sendo produzidas em quantidade suficiente para repor o estoque.
- Anemia por doença crônica;
- Anemia da doença renal crônica;
- Hemólise;
- Perda sanguínea aguda;
- Anemia Aplásica;
- Endocrinopatias;
- Infiltração da Medula Óssea.
Reticulócitos
Reticulócitos são glóbulos vermelhos imaturos (hemácias jovens) produzidos na medula óssea e liberados na corrente sanguínea.
Baixa contagem de reticulócitos (Anemia arregenerativa) sugere uma falha na produção dos glóbulos vermelhos. Quando ela está normal ou elevada, indica que há uma destruição periférica aumentada, sem deficiência de produção.
A contagem de reticulócitos com valores inferiores a 2% ou contagem absoluta inferior a 50.000/mm³ indicam incapacidade da medula para responder ao estímulo anêmico.
Os valores também proporcionam uma forma de se avaliar a função medular.
Esfregaço do Sangue Periférico
Exame no qual uma amostra do sangue é avaliada ao microscópio. Neste exame é possível avaliar o formato da hemácia e identificar características de determinadas doenças que cursam para uma condição anêmica.
A alteração mais conhecida é a hemácia falciforme, característica da Anemia Falciforme.

Tratamento
O tratamento depende de qual a sua causa.
Quando causada por deficiência de ferro é tratada com:
- Suplementos de ferro tomados por boca ou, em alguns casos, por via intravenosa;
- Alimentos ricos em ferro;
- Alimentos que ajudam na absorção ferro (como a vitamina C);
- Transfusões de hemácias.
Tratamentos para outras formas de anemia podem incluir:
- Cirurgia, no caso de anemia por sangramentos nos órgãos internos;
- Transplante de Medula Óssea, no caso de Talassemia ou Anemia Falciforme.
- Injeções de Eritropoietina, no caso de Doença Renal Crônica.