Deficiência de Zinco
O que é o Zinco e qual a sua importância?
O zinco é um mineral essencial que atua como cofator para mais de 300 enzimas, desempenhando um papel fundamental na replicação do DNA, síntese de proteínas e no processo de divisão celular.
A falta de zinco tem impacto especialmente sobre atividades que dependem da proliferação celular, incluindo:
- Crescimento e Desenvolvimento Infantil:Devido à necessidade de alta taxa de divisão celular (mitose), a falta de zinco causa atraso no crescimento físico do bebê, da criança ou do adolescente.
- Resposta Imunológica: O zinco é crucial para a maturação e funcionamento das células imunes, especialmente os linfócitos T. A deficiência de zinco inibe a proliferação dessas células, comprometendo a defesa do organismo contra patógenos.
- Cicatrização de Feridas e Reparação de Tecidos: O zinco participa da síntese de colágeno e renovação celular, sendo vital para a cicatrização da pele e reparação de lesões.
- Saúde da Pele e Cabelo: A renovação celular rápida dos folículos capilares depende do zinco. A falta de zinco, dessa forma, pode levar a queda de cabelo e dermatites.
- Apoptose (Morte Celular Programada): O zinco regula a apoptose, um processo que ajuda na eliminação de células deficientes. Assim, a falta de zinco pode levar a aumento no risco de câncer.
Quais as principais fontes de zinco?
O corpo absorve melhor o zinco vindo de fontes animais.
As principais fontes de zinco incluem:
- Ostras: São, de longe, a maior fonte de zinco por porção.
- Carnes: Carne bovina, suína, frango e caranguejo também são boas fontes.
- Fontes Vegetais: Feijões, nozes, sementes de abóbora e grãos integrais.
Quem corre risco de deficiência?
Pessoas saudáveis e com alimentação relativamente adequada têm todo o zinco de que precisam com a alimentação, de forma que a suplementação de zinco não precisa ser feita de forma rotineira.
Por outro lado, alguns grupos de maior risco precisam de atenção redobrada, incluindo:
- Pessoas com doenças digestivas: Doenças inflamatórias intestinais, Doença Celíaca e pacientes submetidos a cirurgias digestivas (incluindo a cirurgia bariátrica) podem reduzir a absorção do mineral.
- Vegetarianos e Veganos: Embora o zinco esteja presente em fontes animais e vegetais, a absorção do zinco de origem vegetal é mais difícil, sendo comum a deficiência em pacientes vegetarianos.
- Idosos: Frequentemente consomem menos zinco na dieta e podem usar medicamentos que interferem na sua absorção.
- Gestantes: a demanda por zinco aumenta durante a gestação, por conta da necessidade de desenvolvimento fetal.
- Alcoólatras: O álcool reduz a absorção de zinco e aumenta a quantidade que o corpo elimina pela urina, levando a risco de deficiência.
Quais as consequências da deficiência de zinco?
O zinco desempenha diversas funções em todo o corpo, de forma que sua deficiência afeta muitos tecidos e órgãos diferentes.
Alguns dos principais problemas relacionados à deficiência de zinco incluem:
- Problemas relacionados ao crescimento e desenvolvimento do feto, da criança ou do adolescente.
- Risco aumentado para parto prematuro, baixo peso ao nascer, restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia na gestante.
- Queda de cabelo e dermatites
- Problemas relacionados à cicatrização de feridas e reparo tecidual.
- Aumento no risco de infecções.
- Problemas gastrointestinais, incluindo inapetência e diarreia.
Diagnóstico da deficiência de Zinco
O diagnóstico da deficiência de zinco é bastante desafiador, uma vez que ele está distribuído em pequenas quantidades por todas as células do corpo, e não existe um “reservatório” único e claro que pode ser medido com precisão.
A dosagem de zinco no sangue é o principal método de avaliação, embora tenha que ser interpretado com cuidado. Os níveis de zinco no sangue podem parecer normais mesmo que os estoques nos tecidos estejam baixos. Além disso, os níveis de zinco no sangue podem sofrer variações ao longo do dia, podendo levar a dosagens baixas sem que isso signifique uma deficiência real.
Por esse motivo, o zinco não é dosado de forma rotineira e os sinais e sintomas característicos da deficiência, bem como o histórico alimentar e a saúde geral e digestiva devem ser levados em consideração para caracterizar a deficiência.
Suplementação de Zinco no Resfriado Comum
O zinco atua suprimindo a inflamação e inibindo a ligação e a replicação do rinovírus na mucosa nasal.
Ensaios clínicos que examinaram os efeitos da suplementação de zinco no resfriado comum indicam que ele parece reduzir a duração, mas não a gravidade dos sinais e sintomas do resfriado comum. Para isso, no entanto, a suplementação deve ser iniciada dentro de 24 horas após o surgimento dos primeiros sintomas.
O uso contínuo de zinco com o objetivo de prevenir o resfriado não tem evidências científicas sólidas em pessoas saudáveis. O benefício comprovado está em tratar logo no início dos sintomas, e não em tomar todos os dias preventivamente.
Suplementação de Zinco na Pneumonia em crianças
Estudos sugerem que a suplementação de zinco pode reduzir o número de casos de pneumonia em bebês e crianças em países de baixa renda, onde a deficiência de zinco é comum. No entanto, ele não reduz significativamente o risco de morte ou o tempo de recuperação.
O uso de zinco durante a pneumonia deve ser avaliado pelo pediatra, sendo especialmente útil se a criança apresentar sinais de desnutrição ou histórico de infecções recorrentes.
Suplementação do zinco em bebês
O zinco é fundamental para o crescimento e desenvolvimento do bebê. Para um recém-nascido saudável, o leite materno já cobre a demanda por zinco, que não precisa ser suplementado. O zinco presente no leite humano é altamente biodisponível, o que significa que o bebê consegue absorvê-lo com muita facilidade. No entanto, caso a amamentação continue de forma exclusiva ou como parte significativa da dieta após os seis meses de idade, a suplementação deve ser considerada.
Fórmulas infantis específicas para a faixa etária que estão disponíveis no mercado brasileiro são fortificadas com zinco para garantir que o bebê receba a quantidade necessária, mesmo que a absorção seja um pouco menor do que a do leite materno. Esses bebês também não necessitam da suplementação na maior parte dos casos.
Por outro lado, o zinco poderá ser prescrito em situações específicas, especialmente no caso de bebês prematuros, mal-nutridos ou quando a mãe tem dieta vegetariana ou deficiência já constatada de zinco.
A suplementação medicamentosa só deve ser feita sob orientação direta do pediatra, pois o excesso de zinco pode interferir na absorção de outros minerais essenciais, como o ferro e o cobre.
Suplementação de Zinco na Diarreia aguda na infância
Estudos indicam que a suplementação de zinco pode reduzir a duração da diarreia aguda, especialmente em crianças que vivem em países de baixa renda. O zinco nesses casos deve ser visto não é visto apenas como um “complemento alimentar”, mas como parte do tratamento da doença.
A diarreia causa uma perda rápida de zinco através das fezes, enfraquecendo o sistema imunológico e a integridade do intestino. A suplementação de zinco nesses casos ajuda a reduzir a duração e o número de evacuações no curso da diarreia.
Ela tem também um efeito preventivo, protegendo a criança contra novos episódios de diarreia nos 2 a 3 meses seguintes ao tratamento. Mas, para isso, o tratamento deve ser mantido pelo período completo (10-14 dias), mesmo que a diarreia pare antes, para garantir que os estoques de zinco sejam repostos.
Vale considerar aqui que a maioria dos ensaios que avaliaram o uso da suplementação de zinco para diarreia foi realizada em países de baixa renda, onde a deficiência de zinco é comum. Assim, os efeitos podem ser marginais em crianças bem nutridas.
Suplementação de Zinco na Degeneração macular relacionada à idade
O zinco está presente em altas concentrações na retina, desempenhando um papel fundamental na saúde ocular. Estudos mostram que a combinação de zinco com altas doses de antioxidantes ajuda na preservação da visão em pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade em fase avançada. No entanto, ela não ajuda a recuperar a visão que já foi perdida e também não ajuda na prevenção d doença em pacientes com visão saudável.
Suplementação de Zinco Pós cirurgia bariátrica
A cirurgia bariátrica, especialmente os procedimentos que envolvem um componente de má absorção (como o Bypass gástrico em Y de Roux ou o desvio biliopancreático), reduz a capacidade do corpo de absorver o zinco. Isso acontece principalmente por dois mecanismos diferentes:
- Redução da acidez gástrica: O zinco precisa de um ambiente ácido no estômago para ser liberado dos alimentos e absorvido.
- Desvio do duodeno: O zinco é absorvido principalmente no duodeno e na parte inicial do jejuno, áreas que muitas vezes são desviadas do transito alimentar após a cirurgia.
A suplementação, dessa forma, costuma ser recomendada para quase todos os pacientes bariátricos, mas a dose varia conforme o tipo de cirurgia. As doses padrão em multivitamínicos comuns geralmente não são suficientes para prevenir a deficiência nesses casos, de forma que uma prescrição específica do zinco deve ser considerada.
Suplementação de Zinco em Doenças digestivas crônicas
Doenças digestivas crônicas, como as Doenças Inflamatórias Intestinais (Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa) ou a Doença Celíaca, apresentam um risco elevado de deficiência de zinco.
A deficiência pode acontecer por diferentes mecanismos:
- Má Absorção: Na doença celíaca não tratada, as vilosidades do intestino estão atrofiadas, impedindo que o zinco seja absorvido e chegue à corrente sanguínea.
- Perda Direta: Nas doenças inflamatórias intestinais (DII), a inflamação crônica e a diarreia frequente fazem com que o corpo elimine grandes quantidades de zinco.
- Fístulas e Secreções: Pacientes com Doença de Crohn que apresentam fístulas podem perder zinco através dos fluidos digestivos.
Por outro lado, a necessidade de tratar a deficiência de zinco em quem tem problemas digestivos deve ser avaliada com critério, por dois motivos principais:
- O zinco pode causar náuseas ou dor abdominal, o que pode ser desconfortável para quem já tem sensibilidade intestinal.
- Esses pacientes costumam fazer uso de vários suplementos, incluindo ferro, cálcio e magnésio. O zinco pode competir com esses outros minerais pela absorção.
A recomendação dessa forma é que pacientes com doenças digestivas devem ter seus níveis de zinco (e outros minerais) monitorados regularmente através de exames, junto com a avaliação de sintomas.
A suplementação deve ser feita se houver sinais de deficiência (como lesões na pele que não cicatrizam, queda de cabelo ou diarreia persistente), geralmente com doses superiores àquelas usadas para outras pessoas.
Suplementação de Zinco em Gestantes
Embora o zinco seja extremamente importante para o desenvolvimento fetal, a suplementação deve ser avaliada com bastante critério. Isso porque o excesso de zinco compete pelos mesmos carregadores do que outros minerais fundamentais nesse período, como o ferro e o cobre, podendo levar a uma deficiência relativa desses minerais.
Para a maioria das mulheres saudáveis, e bem nutridas, o foco principal deve ser atingir a dose diária recomendada por meio da alimentação. No entanto, a suplementação pode ser considerada em grupos específicos:
- Vegetarianas e Veganas: Embora o cobre esteja presente em quantidades adequadas nos alimentos de origem vegetal, a absorção é menor e mais dependente de outros alimentos na dieta, quando comparado com o zinco de origem animal, o que aumenta o risco para deficiência.
- Cirurgia Bariátrica Prévia: Pode comprometer a absorção de minerais.
- Gravidez na Adolescência: O corpo da mãe ainda está crescendo ao mesmo tempo que o feto, aumentando a disputa pelo nutriente.