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Metástase cerebral

O que é a Metástase Cerebral?

Metástase cerebral é uma condição na qual células cancerígenas com origem em outras áreas do corpo se espalham a partir do seu local original e se implantam no cérebro, desenvolvendo um tecido cancerígeno com características semelhantes daquele de onde ele se originou.

O câncer metastático que se espalha a partir de sua localização original é conhecido pelo nome de câncer primário. Como exemplo, o câncer que se espalhou da mama para o cérebro é chamado de câncer de mama metastático, não de câncer cerebral.

As metástases cerebrais respondem por mais da metade de todos os tumores intracranianos (1).

Quais cânceres que podem ter mestástase cerebral?

Qualquer câncer pode se espalhar para o cérebro. Entretanto, isso é mais comum no câncer de pulmão, responsável por cerca de 40 a 50% das metástases pulmonar. Além do câncer de pulmão, as causas mais comuns de metástase cerebral incluem:

Sintomas da metástase cerebral

Os sintomas do câncer metastático cerebral estão associados ao aumento da pressão intracraniana e à compressão das estruturas cerebrais próximas.
Isso irá variar de acordo com o tamanho da lesão e com qual a sua localização dentro do cérebro.
Os sinais e sintomas mais comuns da metástase cerebral são semelhantes aos de outros Tumores Cerebrais, incluindo:

  • Dor de cabeça intratável;
  • Convulsões;
  • Náusea ou vômito;
  • Dificuldade em pensar, falar ou articular;
  • Perda de equilíbrio ou tontura;
  • Mudança de personalidade;
  • Confusão e desorientação;
  • Problemas com a visão ou a audição;
  • Dormência facial ou formigamento;
  • Fraqueza ou paralisia em uma parte ou um lado do corpo.

Diagnóstico da Metástase Cerebral

Alguns pacientes podem ser diagnosticados durante a triagem de rotina, em pacientes que estejam em tratamento por outros tipos de câncer. Nestes casos, o diagnóstico pode ser feito antes mesmo do aparecimento de eventuais sintomas neurológicos. O principal exame para a pesquisa de metástase cerebral, nestes casos, é a Ressonância Magnética.

Em outros casos, o diagnóstico da metástase cerebral pode ser feito a partir da investigação de sintomas neurológicos, em paciente com câncer primário até então desconhecido.

O tumor metastático na ressonância magnética tende a se apresentar com múltiplas lesões, especialmente na junção cortiço-subcortical. As lesões apresentam realce em anel e edema vasogênico extenso.

O primeiro passo é a diferenciação com outras condições que podem se apresentar com imagem semelhante, incluindo:

  • Glioma de alto grau
  • Linfoma primário do SNC
  • Abscesso
  • Tumor primário cerebral

Essa diferenciação definitiva é feita por meio de biópsia. No entanto, quando há suspeita de tumor metastático, outros exames menos invasivos podem ser feitos para a identificação do tumor primário.

Avaliação da metástase cerebral com tumor primário desconhecido

A metástase é a primeira manifestação do câncer em aproximadamente 10 a 20% dos casos. Quando isso acontece, a equipe médica deve seguir uma avaliação sistemática com o objetivo de descobrir qual o foco primário da doença.

Exames de imagem

Tomografia Computadorizada do tórax, Abdômen e Pelve são capazes de detectar o câncer primário em 60 a 70% dos casos, sendo o câncer de pulmão detectado em 40% a 50% dos casos.

Caso a origem da metástase permaneça desconhecida, a avaliação pode ser complementada pelo PET/CT, mais um exame para avaliação do corpo inteiro. O PET/CT tem uma taxa de detecção adicional de 30 a 40%.

Avaliação clínica e laboratorial

A causa mais comum de metástase pulmonar é a próstata (em homens) e a mama (em mulheres), seguido por câncer coloretal, rim, cabeça e pescoço, sarcomas e melanoma.

Assim, o primeiro passo na avaliação é o exame físico, o que inclui palpação das mamas, toque retal, palpação da tireoide e inspeção da pele. O histórico de tabagismo e sintomas urinários podem direcionar a investigação para rins ou bexiga.

Marcadores tumorais como o PSA (próstata), CA 15-3 (mama), CEA (gastrointestinal) CA125 (ovário) e TSH (tireoide) não fecham o diagnóstico, mas aumentam a suspeita sobre cânceres específicos.

Biópsia

Quando os exames de imagem sugerem metástase, mas não revelam o tumor primário, a biópsia do tumor é mandatória.  Diferente técnicas de biópsia podem ser utilizadas a depender das características do tumor, como discutido no artigo sobre Tumor Cerebral.

A biópsia ajuda também na diferenciação com outras condições que podem se apresentar com imagem semelhante às metástases, incluindo:

  • Glioma de alto grau
  • Linfoma primário do SNC
  • Abscesso
  • Tumor primário cerebral

Tratamento da Metástase Cerebral

A metástase cerebral deve receber tratamentos sistêmicos, como quimioterapia, imunoterapia ou terapia alvo, de acordo com o câncer de origem.

Já o tratamento local, com cirurgia ou radioterapia, serão consideradas a depender dos sintomas.

Lesões sintomáticas

Algumas lesões metastáticas podem atingir tamanho significativo. Além disso, elas podem sangrar ou podem causar edema importante. Todas essas condições podem aumentar a pressão no interior do crânio, podendo levar a dor, déficit neurológico ou mesmo à morte.

Algumas lesões podem também cursar com déficits neurológicos, incluindo déficit de força e coordenação, formigamentos, alterações visuais, alterações na linguagem ou na memória. Em alguns desses casos, a cirurgia pode ajudar na melhora dos sintomas e da função cerebral.

Toda metástase cerebral sintomática deve receber tratamento local, seja por meio de cirurgia, de radioterapia ou ambos.

Pacientes com tumores grandes cursando com efeito de massa têm maior probabilidade de se beneficiarem de um tratamento cirúrgico do que aqueles com múltiplas metástases cerebrais e/ou doença sistêmica não controlada. A cirurgia também depende da localização do tumor, já que lesões mais profundas podem não ser operáveis ou podem levar a danos colaterais consideráveis.

A radioterapia, por outro lado, tende a ser uma melhor opção em lesões pequenas e múltiplas e para aquelas localizadas em áreas mais profundas no cérebro.

A radiocirurgia estereotáxica isolada pode ser oferecida a pacientes com uma a quatro metástases cerebrais não ressecadas. Já a radioterapia de todo o cérebro ou uma combinação de procedimentos deve ser considerada quando o câncer já está mais espalhado pelo cérebro.

Lesões assintomáticas

Nas lesões cerebrais metastáticas assintomáticas, o tratamento local deve ser considerado a depender das características da lesão, do estado geral do paciente e da expectativa de vida. A decisão deve ser individualizada a partir dos potenciais benefícios e malefícios que o paciente poderá sofrer.

Pacientes com metástases cerebrais assintomáticas, com Índice de Desempenho de Karnofsky ≤ 50 ou < 70, sem opções de terapia sistêmica, não se beneficiam da radioterapia.

A escolha entre os diferentes métodos de cirurgia ou radioterapia seguem os mesmos conceitos das lesões sintomáticas.

Qual o prognóstico do paciente com metástase cerebral?

O prognóstico do paciente com metástase cerebral vem melhorando bastante com a evolução das opções terapêuticas. Entretanto, ele infelizmente continua sendo limitado.
Até recentemente, a sobrevida média global era geralmente inferior a 6 meses. Atualmente, a sobrevida média varia entre 8 e 16 meses, a depender do tipo de tumor primário (1, 2).

A sobrevida média varia também de acordo com o tipo de Câncer Primário:

Câncer de pulmão (o mais comum)

  • Sem mutações alvo: 4–8 meses

  • Com mutações ALK/EGFR e tratamento adequado: 12–36 meses (ou mais)

Câncer de mama

Sobrevida varia muito conforme subtipo:

  • Hormônio-positivo: 12–26 meses

  • HER2 positivo com terapia moderna (trastuzumabe + tucatinibe + etc.): 20–40+ meses

  • Triplo-negativo: 4–7 meses

Melanoma

  • Sem imunoterapia: 4–6 meses

  • Com imunoterapia atual (anti-PD1 + anti-CTLA4): 12–36+ meses

Rim (carcinoma renal)

  • Com terapias modernas: 12–24+ meses