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Tendinite Calcária

Tendinite Calcária

A tendinite calcária do ombro é uma condição caracterizada pelo depósito anormal de cristais de cálcio dentro dos tendões do manguito rotador, especialmente nos tendões supraespinal e infraespinal.

Esses depósitos são formados principalmente por cristais de hidroxiapatita, uma substância semelhante à encontrada nos ossos. Apesar disso, a calcificação não corresponde a um crescimento ósseo, mas sim a um acúmulo anormal de cálcio dentro do tendão.

A doença acomete principalmente mulheres entre 40 e 60 anos de idade. Embora seja relativamente frequente, sua causa exata ainda não é completamente compreendida.

A tendinte calcária geralmente se desenvolve por muito tempo sem causar sintomas, os quais geralmente só se farão presentes na fase re reabsorção da calcificação. O diagnóstico pode ser feito em exames feitos por motivos não relacionados, em um paciente assintomático, ou por conta da dor, na fase de reabsorção.

A suspeita da doença deve ser feita em pacientes que apresentam dor súbita e intensa no ombro, especialmente quando ela surge sem um trauma importante. A dor costuma piorar durante a noite, dificultar o sono e limitar significativamente os movimentos do braço. Em alguns casos, o paciente apresenta tanta dor que mal consegue afastar o braço do corpo ou realizar atividades simples do dia a dia.


Fases da Doença

A tendinite calcária do ombro não é uma doença estática. Ao longo do tempo, os depósitos de cálcio passam por diferentes fases de desenvolvimento, o que explica por que os sintomas podem variar tanto de um paciente para outro.

Fase Pré-calcíficação

Nesta fase inicial, ocorrem alterações nas células do tendão que favorecem a formação futura dos depósitos de cálcio. Ainda não existe calcificação propriamente dita, de modo que os exames de imagem geralmente são normais. Os pacientes também não apresentam sintomas nesta fase.

Fase de formação

Durante esta fase, o organismo passa a depositar cristais de cálcio dentro do tendão, mais frequentemente no tendão supraespinal.

O depósito cresce lentamente ao longo de meses ou anos. Muitas pessoas continuam sem sintomas ou apresentam apenas desconforto leve e intermitente no ombro.

Por esse motivo, é relativamente comum que a calcificação seja descoberta incidentalmente em uma radiografia realizada por outro motivo.

Fase de Repouso

Após sua formação, a calcificação pode permanecer estável por longos períodos. Os pacientes apresentam poucos sintomas ou apenas dor ocasional relacionada a esforços mais intensos. Algumas pessoas convivem durante anos com a calcificação sem nem mesmo saber que ela existe.

Fase de Reabsorção

Esta é a fase mais importante da doença e também a mais dolorosa, caracterizada pelas crises agudas de tendinite calcária. O paciente pode apresentar:

  • Dor súbita e intensa;
  • Dor noturna importante;
  • Grande dificuldade para movimentar o ombro;
  • Limitação funcional significativa;
  • Incapacidade para atividades simples do dia a dia.

Muitos pacientes procuram atendimento médico durante essa fase devido à intensidade da dor, sem que tivessem conhecimento prévio do problema.

Fase Pós-calcíficação

Após a reabsorção do cálcio, o tendão inicia um processo de cicatrização e remodelação. A inflamação diminui progressivamente e os sintomas tendem a melhorar. Em muitos casos, a dor desaparece completamente após a resolução do episódio inflamatório.

Diagnóstico


A Tendinite Calcária pode ser identificada por meio da radiografia, ultrassom ou ressonância magnética. É preciso considerar, porém, que ela nem sempre causa dor. A calcificação pode ocorrer ao longo de um período prolongado sem o conhecimento do paciente.

A dor muitas vezes está associada justamente ao processo de reabsorção da calcificação.


Tratamento da Tendinite Calcária

O tratamento da tendinite calcária depende da intensidade dos sintomas, da fase da doença, do tamanho da calcificação e da resposta às medidas iniciais.

É importante destacar que nem toda calcificação precisa ser tratada. Muitas pessoas apresentam depósitos de cálcio nos tendões sem qualquer dor ou limitação funcional, descobrindo o problema apenas durante exames realizados por outros motivos.

Nos pacientes sintomáticos, o objetivo do tratamento é controlar a dor, recuperar a mobilidade do ombro e, quando necessário, facilitar a reabsorção ou remoção da calcificação.

Muitas calcificações passam espontaneamente pela fase de reabsorção e acabam desaparecendo parcial ou completamente sem necessidade de cirurgia.

Medicamentos e Fisioterapia

Nas fases iniciais, o tratamento geralmente envolve o uso de analgésicos e anti-inflamatórios para controle dos sintomas.

A fisioterapia tem papel importante na recuperação da mobilidade do ombro, na melhora da função do manguito rotador e na prevenção da rigidez articular, especialmente durante as fases mais dolorosas da doença.

Quando a dor é intensa, infiltrações com corticosteroides na bursa subacromial podem ser utilizadas para proporcionar alívio temporário dos sintomas e facilitar a reabilitação.

Terapia por Ondas de Choque

A terapia por ondas de choque é um tratamento não invasivo que utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre a região da calcificação.

Além de aliviar a dor, ela estimula a fragmentação dos depósitos de cálcio e favorece sua reabsorção pelo organismo. Os melhores resultados costumam ser observados em pacientes com calcificações maiores e bem definidas nos exames de imagem.

Lavagem Percutânea Guiada por Ultrassom (Barbotagem)

Quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador, pode ser indicada a lavagem percutânea da calcificação, também conhecida como barbotagem.

O procedimento é realizado com anestesia local e orientação por ultrassom. Uma ou duas agulhas são introduzidas diretamente na calcificação, permitindo sua fragmentação e aspiração parcial.

Na maioria dos casos, o paciente retorna para casa no mesmo dia e inicia a recuperação funcional logo após o procedimento.

Cirurgia

A cirurgia é reservada para uma pequena parcela dos pacientes que permanecem com dor importante e limitação funcional apesar de pelo menos seis meses de tratamento conservador adequadamente realizado.

Estima-se que aproximadamente 5% a 10% dos pacientes necessitem de tratamento cirúrgico.

A cirurgia é realizada por artroscopia, procedimento minimamente invasivo no qual uma microcâmera e instrumentos cirúrgicos são introduzidos através de pequenas incisões na pele.

Durante o procedimento, a calcificação é localizada e drenada. Dependendo do tamanho do defeito gerado após a remoção do depósito de cálcio, pode ser necessário realizar o reparo do tendão.

Durante o procedimento, não existe necessidade de remover toda a calcificação a qualquer custo. Mesmo quando permanece uma pequena quantidade de cálcio após a cirurgia, ela costuma ser reabsorvida espontaneamente ao longo dos meses seguintes. Dessa forma, evita-se a retirada excessiva de tecido tendíneo saudável.