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Tireoidite de Hashimoto

O que é a Tireoidite de Hashimoto?

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar a glândula tireoide, sendo a principal causa de hipotireoidismo.

A doença geralmente evolui de forma lenta e pode permanecer assintomática nas fases iniciais. Com a diminuição da função da tireoide, podem surgir sintomas como cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e queda de cabelo.

A doença não tem cura e evolui com o tempo para um quadro de hipotireoidismo, embora o tempo para isso acontecer seja variável. Ainda assim, o tratamento com reposição hormonal permite manter níveis hormonais normais, com qualidade e expectativa de vida semelhantes ao do resto da população.

Quem é mais acometido pela Tireoidite de Hashimoto?

A Tireoidite de Hashimoto ocorre mais comumente em mulheres na faixa dos 30 aos 50 anos de idade. Entretanto, ela pode ser observada em qualquer idade, podendo também afetar homens e crianças.

Estima-se que as doenças autoimunes da tireoide, incluindo a Tireoidite de Hashimoto, sejam 5 a 10 vezes mais comuns em mulheres do que em homens (2).

Pessoas com histórico familiar de Tireoidite de Hashimoto apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença.

Além disso, ela é mais comum em pessoas que apresentam outras doenças autoimunes, incluindo:

Quais os sintomas e como é a progressão da Tireoidite de Hashimoto?

A Tireoidite de Hashimoto é uma doença que não pode ser curada, mas que pode ser controlada. O quadro clínico varia conforme a fase de evolução da doença.

O tempo de progressão é variável, mas, como regra geral, os pacientes seguem uma mesma sequência, em quatro fases:

As 4 Fases da Progressão

Embora cada organismo responda em um ritmo diferente, a maioria dos pacientes segue esta cronologia:

  1. Fase de Predisposição (Silenciosa)

Durante muito tempo, o paciente já possui os anticorpos Anti-TPO e Anti-tireoglobulina, mas a tireoide ainda consegue produzir hormônios normalmente e os níveis hormonais estão preservados.

  1. Fase de ‘Hashitoxicose’

À medida que o ataque imune destrói os folículos da tireoide, hormônios estocados podem “vazar” para o sangue de tempos em tempos. Isso causa um hipertireoidismo temporário (palpitações, insônia, perda de peso), mas logo a função tireoideana é reestabelecida.

  1. Hipotireoidismo Subclínico

A glândula começa a falhar. No entanto, a hipófise aumenta a produção de TSH para estimular o funcionamento da tireoide. Nesta fase, o TSH está alto, mas o T4 Livre ainda está normal. Sintomas como cansaço leve e unhas fracas podem ser percebidos.

  1. Hipotireoidismo Clínico

A tireoide está significativamente comprometida e não consegue mais produzir hormônios, mesmo com o TSH alto. O T4 Livre cai abaixo do normal. Aqui os sintomas do hipotireoidismo tornam-se evidentes, com ganho de peso, frio excessivo, depressão e lentidão mental.

Em alguns casos, a inflamação faz com que a tireoide aumente de tamanho, condição denominada de bócio. Ela pode também levar à formação de nódulos na tireoide.

Ainda que incomum, este aumento no tamanho da tireoide, quando excessivo, pode causar desconforto no pescoço e pode levar à compressão do esôfago ou traqueia. Como resultado, o paciente pode apresentar dificuldade para engolir (odinofagia) ou para respirar (especialmente com a atividade física).

Diagnóstico

O diagnóstico de Tireoidite de Hashimoto pode ser feito a partir da investigação de um quadro de hipotireoidismo, nódulo da tireoide ou bócio.

O anticorpo tireóide peroxidase (TPO), quando medido, geralmente está elevado.

O anti-TPO é um anticorpo produzido pelo sistema imune e que ataca a glândula tireoide, resultando em alteração nos níveis de hormônios produzidos pela tireoide.

Os valores de anti-TPO variam de laboratório para laboratório, Valores aumentados de Anti-TPO normalmente são indicativos de doenças autoimunes da tireoide, como Tireoidite de Hashimoto e Doença de Graves. No entanto, ela também pode estar aumentado em outras condições, como na gravidez.

Tratamento

Pacientes com hipotireoidismo evidente (TSH elevado e níveis baixos de hormônio tireoidiano) devem ser tratados  com reposição de hormônio tireoidiano para o resto da vida, geralmente com levotiroxina sintética.

No início do tratamento, reavaliações regulares são necessárias até encontrar a dose apropriada, particularmente no início. A dosagem de T4L e TSH deve ser repetida 6-8 semanas após qualquer novo ajuste de dose, até que se encontre a dose ideal. Depois disso, o monitoramento laboratorial é geralmente repetido uma vez por ano.

Pacientes com anticorpos TPO elevados, mas testes de função tireoidiana ainda normais (TSH e T4 livre) não requerem tratamento.

Pacientes que tenham apenas um TSH ligeiramente elevado (hipotireoidismo leve) também não precisam de medicação, caso assintomáticos. Os exames devem ser repetidos a cada 3-6 meses, para reavaliar a necessidade de tratamento.

Qual o prognóstico da Tireoidite de Hashimoto?

Com diagnóstico e tratamento adequado, o prognóstico na tireoidite de Hashimoto é excelente, com os pacientes levando uma vida normal.

Os problemas associados à Tireoidite de Hashimoto geralmente resultam da falha no diagnóstico de hipotireoidismo ou na instituição da terapia de reposição de Levotiroxina em doses inadequadas, ou quando o paciente não segue o tratamento da forma correta.