Síndrome nefrótica
O que é síndrome nefrótica?
A Síndrome nefrótica é uma doença renal caracterizada pela perda excessiva de proteínas na urina, o que leva principalmente ao aparecimento de inchaço no corpo e urina espumosa.
Essa alteração ocorre devido a um dano nos glomérulos — estruturas responsáveis pela filtração do sangue — comprometendo o equilíbrio de líquidos no organismo.
Clinicamente, a Síndrome nefrótica costuma se manifestar com edema, que pode começar de forma discreta, como inchaço ao redor dos olhos, e evoluir para acometer pernas, abdome e todo o corpo. A perda de proteínas também pode causar ganho de peso, cansaço e aumento do risco de infecções e trombose.
A condição pode ter diferentes causas, sendo mais comum em crianças, mas também podendo ocorrer em adultos. O diagnóstico baseia-se em uma combinação de sinais e sintomas característicos ccom exames laboratoriais.
O tratamento tem por objetivo reduzir a perda de proteínas na urina e também a baixar a pressão arterial, que geralmente é alta.
Quais são os sinais e sintomas da síndrome nefrótica?
A Síndrome nefrótica manifesta-se principalmente por alterações relacionadas à perda excessiva de proteínas na urina, levando ao acúmulo de líquidos no corpo. Os sintomas podem surgir de forma gradual ou mais rápida, dependendo da causa.
O edema é a manifestação mais característica. No inçio, ele pode ser discreto, principalmente ao redor dos olhos, sendo mais evidente pela manhã.
Com a progressão do quadro, o inchaço pode se tornar mais intenso, acometendo pernas, tornozelos e, em casos mais graves, todo o corpo, umacondição chamada de anasarca. Além disso, pode haver acúmulo de líquido em cavidades, como no abdome (ascite) ou ao redor dos pulmões. Todo esse acúmulo de líquido pode levar a ganho significativo de peso.
A presença de espuma na urina é outra característica importante que pode ser frequentemente percebida pelo paciente. Ela acontece por conta da grande quantidade de proteínas eliminadas na urina.
Por fim, a perda de proteínas e as alterações no equilíbrio hídrico do organismo podem causar fadiga, sensação de fraqueza e redução da disposição para atividades habituais.
Diagnóstico
A Síndrome nefrótica é diagnosticada a partir de um quadro clínico característico, conforme descrito acima, além dos seguintes achados no exame de sangue e urina:
- Excesso de proteína na urina, uma condição chamada de proteinúria;
- Baixos níveis de albumina no sangue, uma condição chamada de hipoalbuminemia;
- Colesterol alto no sangue, uma condição denominada de hiperlipidemia.
Síndrome Nefrótica X Síndrome Nefrítica
A síndrome nefrótica precisa ser diferenciada da Síndrome Nefrítica, uma condição geralmente de início agudo associado a inflamação glomerular. A principal diferença é que, na síndrome nefrótica, a proteinúria é mais intensa e o edema mais grave.
Na tabela abaixo, mostramos as principais diferenças clínicas e laboratoriais entre a Síndrome Nefrítica e a Síndrome Nefrótica.
| Síndrome Nefrítica X Síndrome Nefrótica | ||
| Característica | Síndrome Nefrítica | Síndrome Nefrótica |
| Mecanismo principal | Inflamação glomerular | Aumento da permeabilidade glomerular |
| Início | Geralmente agudo | Insidioso (pode ser subagudo) |
| Hematúria | Presente e muitas vezes macroscópica, com urina escura | Ausente ou discreta |
| Proteinúria | Leve a moderada (< 3,5 g/dia) | Intensa (> 3,5 g/dia) |
| Edema | Leve a moderado | Intenso, generalizado (anasarca) |
| Pressão arterial | Frequentemente elevada | Normal ou pouco elevada |
| Função renal (TFG) | Frequentemente reduzida | Inicialmente geralmente é preservada |
| Oligúria | Comum | Incomum |
| Albumina sérica | Normal ou levemente reduzida | Bastante reduzida (hipoalbuminemia) |
Quais as principais causas da síndrome nefrótica?
A Síndrome nefrótica pode ser ocasionada tanto por problemas nos rins como por doenças que acometem o corpo como um todo. As principais doenças renais que podem evoluir com a Síndrome Nefrótica incluem:
- Glomeruloesclerose segmentar focal: doença caracterizada pela destruição e substituição dos glomérulos (unidades filtradoras dos rins) por tecido cicatricial. Esta é a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos negros.
- Nefropatia membranosa: doença que faz com que a proteína se acumule em uma parte do rim chamada membrana basal glomerular. É a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos brancos.
- Doença de lesões mínimas: doença caracterizada por uma função renal anormal de causa indeterminada, com tecido renal normal quando examinado ao microscópio. Esta é a principal causa de síndrome nefrótica em crianças.
- Reações alérgicas.
- Medicamentos, especialmente os anti-inflamatórios.
- distúrbios genéticos que afetam os rins.
Além dissom algumas doenças sistêmicas podem cursar com Síndrome Nefrótica:
- Diabetes;
- Lúpus;
- Amiloidose;
- Infecções, incluindo HIV/AIDS, hepatite B e hepatite C.
Tratamento da Síndrome nefrótica
O tratamento da Síndrome nefrótica é feito pelo Médico Nefrologista. Ele varia de acordo com os sintomas, as causas e a extensão da lesão renal.
Medicamentos como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou os bloqueadores do receptor da angiotensina II podem ajudar a reduzir a perda de proteínas na urina e também a baixar a pressão arterial, que geralmente é alta.
Medicamentos diuréticos podem ajudar na eliminação do excesso de líquidos, ajudando na redução do inchaço.
Estatinas podem ser usadas para reduzir o colesterol no sangue.
Cuidados com a dieta também são importantes. É preciso limitar a ingestão de sal e de líquidos, para controlar o inchaço. Já o menor consumo de gorduras é importante para controlar os níveis de colesterol no sangue.
Por fim, outros tratamentos também podem ser prescritos, a depender da causa da síndrome nefrótica.
Prognóstico
O prognóstico da síndrome nefrótica varia conforme a causa, idade e tipo de lesão renal. Em crianças, a maioria dos casos evolui para a cura com tratamentos – ainda que a recorrência seja relativamente comum, o que exige monitoramento frequente.
Nos adultos, o prognóstico é mais variável e depende da causa subjacente, sendo mais comum a evolução para doença renal crônica.