Púrpura Trombocitopênica Imune (idiopática)
O que é Púrpura Trombocitopênica?
A Púrpura Trombocitopênica imune, anteriormente chamada de Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é uma doença caracterizada por uma reação auto-imune contra as próprias plaquetas, levando a uma diminuição do número de plaquetas no sangue.
As plaquetas são fragmentos celulares presentes no sangue que ajudam a interromper eventuais sangramentos. Quando sua quantidade está reduzida, o paciente tem dificuldade para estancar sangramentos, resultando em hematomas fáceis, sangramento nas gengivas ou sangramentos de órgãos internos.
Podemos dizer asssim que a Púrpura Trombocitopênica se refere a uma condição na qual o paciente apresenta manchas rochas na pele em decorrência dos sangramentos causados pela falta de plaquetas.
Sintomas
Quanto menor a contagem de plaquetas, maior o risco de sangramento. Os sinais e sintomas da Púrpura Trombocitopênica estão justamente relacionados a estes sangramentos.
Como os sangramentos podem acontecer em diferentes partes do corpo, cada pessoa pode apresentar sintomas de uma forma diferente.
Eles podem incluir:
- Equimose, que é uma coloração roxa da pele que se forma em decorrência de um sangramento superficial;
- Eventualmente, pequenos pontos vermelhos podem surgir como resultado de sangramentos muito pequenos;
- Sangramento nasal que pode se iniciar ao assoar o nariz ou espirrar;
- Sangramento na boca ou ao redor das gengivas;
- Períodos menstruais intensos;
- Sangue no vômito, urina ou fezes.
O sangramento na cabeça é o sintoma mais perigoso. Qualquer lesão na cabeça que ocorre quando não há plaquetas suficientes para parar o sangramento pode ser fatal.
Púrpura Trombocitopênica Imune Aguda X Crônica
Púrpura Trombocitopênica Aguda
A Púrpura Trombocitopênica Aguda é a forma mais comum da doença. Ela geralmente afeta crianças pequenas, com idades entre 2 e 6 anos.
Os sintomas podem seguir uma doença viral, como a catapora. Os sinais e sintomas se iniciam subitamente e geralmente desaparecem em menos de 6 meses.
Esta condição geralmente não se repete e não exige tratamento específico.
Púrpura Trombocitopênica Crônica
A Púrpura Trombocitopênica Crônica dura no mínimo 6 meses, mas pode se prolongar por vários anos ou mesmo por toda a vida.
Ainda que eventualmente possa acometer crianças, ela é mais comum em adolescentes ou adultos.
As mulheres são mais acometidas do que os homens.
Ela habitualmente se manifesta em surtos, podendo se repetir com alguma frequência.
Diagnóstico da Púrpura Trombocitopênica Imune
O diagnóstico é habitualmente feito pelo Médico Hematologista com base nos seguintes exames:
Hemograma
A contagem de plaquetas é um dos componentes do hemograma.
Ela é considerada normal quando está na faixa de 150.000 a 450.000. No paciente com Púrpura Trombocitopênica, ela fica abaixo de 100.000. Quando ocorre sangramento significativo, a contagem pode ficar abaixo de 10.000.
Anticorpos Plaquetários
Exame que busca identificar a presença de anticorpos contra as plaquetas, característicos da Púrpura Trombocitopênica.
Biópsia de Medula Óssea
Raramente, uma biópsia de medula óssea pode ser necessária para descartar outros problemas que causam uma queda no número de plaquetas, especialmente as doenças da medula óssea ou câncer.
Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras condições que provocam uma redução no número de plaquetas, incluindo:
- Coagulação intravascular disseminada;
- Hemoglobinúria Paroxística Noturna;
- Síndrome mielodisplásica;
- Distúrbios linfoproliferativos;
- Infecção por HIV ou Hepatite C;
- Trombocitopenia induzida por drogas.
Tratamento da Púrpura Trombocitopênica Imune
Quando necessário, as duas formas mais comuns para tratamento imediato são os corticoesteróides e a gamaglobulina intravenosa.
Corticoides
Os corticoides ajudam a prevenir o sangramento, reduzindo a taxa de destruição das plaquetas.
Quando eficazes, os corticoides levam a um aumento na contagem de plaquetas em aproximadamente 2 a 3 semanas.
Gamaglobulina Intravenosa
A gamaglobulina intravenosa é uma proteína que contém muitos anticorpos e também retarda a destruição das plaquetas.
Ela tem efeito mais precoce do que os corticoides, dentro de 24 a 48 horas.
Outros tratamentos podem incluir:
Imunoglobulina Rh
A imunoglobulina Rh impede temporariamente a destruição das plaquetas pelo baço. Ela apenas é indicada em pacientes com sangue Rh positivo. Além disso, o paciente precisa ter baço para que este medicamento seja eficaz.
Mudanças de medicação
Alguns medicamentos podem estar envolvidos com a reação autoimune que leva à destruição das plaquetas. Eventualmente, pode ser necessária a descontinuação ou alteração do medicamento.
Tratamento de infecção
Se a infecção for a causa da Púrpura Trombocitopênica, o tratamento da infecção pode resultar em contagens mais altas de plaquetas.
Esplenectomia
O baço é o órgão mais ativo na destruição de plaquetas mediada por anticorpos.
Em alguns casos, ele pode ter que ser removido para evitar que as plaquetas continuem sendo destruídas.
Isso é considerado com mais frequência em pessoas com Púrpura Trombocitopênica Crônica, para diminuir a taxa de destruição de plaquetas.
Transfusão de plaquetas
Pessoas com sangramento grave ou prestes a entrar em cirurgia podem precisar de transfusão de plaquetas.