Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD)
O que é a Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD)?
A Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é uma condição caracterizada pela ativação excessiva dos fatores de coagulação, por conta de alguma condição clínica subjacente grave. Ela se caracterizada pela formação de múltiplos e pequenos coágulos pelo corpo, podendo bloquear o fluxo sanguíneo.
A medida em que as plaquetas e outras proteínas são consumidos para a formação dos coágulos, o paciente pode passar também a apresentar sangramentos incontroláveis.
A CIVD afeta cerca de 10% de todas as pessoas que estão muito doentes por conta de sepse, câncer, pancreatite ou outras condições, bem como pessoas em recuperação de lesões traumáticas, como queimaduras ou complicações graves da gravidez e do parto (1).
Qual o mecanismo da Coagulação Intravascular Disseminada?
A Coagulação Intravascular Disseminada é um distúrbio de coagulação do sangue que faz com que muitos pequenos coágulos sanguíneos sejam formados.
Juntos, estes pequenos coágulos podem impedir que o sangue circule normalmente pelo corpo, transportando oxigênio para órgãos vitais, como o cérebro, o coração e outros.
Estes pequenos e múltiplos coágulos podem consumir grande parte das plaquetas e outras proteínas fundamentais para o processo de coagulação. Quando isso acontece, o paciente pode apresentar sangramento interno ou externo incontrolável.
Fatores de Risco
Os principais fatores de risco para a CIVD incluem:
- Sepse, que é uma infecção generalizada no corpo. Esta é a causa mais comum de CIVD;
- Danos importantes a órgãos ou tecidos por doenças como pancreatite, trauma grave, queimaduras ou cirurgia de grande porte;
- Condições médicas como câncer;
- Complicações da gestação;
- Reações graves do sistema imunológico a transfusões de sangue, transplantes de órgãos ou picadas de animais peçonhentos.
Sinais e Sintomas da CIVD
O sinal mais característico da CIVD é o sangramento descontrolado em várias áreas do corpo no paciente com uma grave condição de saúde, como aqueles discutidos acima.
Outros sintomas que podem estar presentes incluem:
- Coágulos de sangue.
- Confusão, perda de memória ou mudança de comportamento.
- Dificuldade para respirar.
- Febre.
Diagnóstico da CIVD
No paciente com quadro clínico sugestivo de CIVD, os exames usados para o diagnóstico incluem:
- Hemograma completo, para avaliar a contagem de plaquetas;
- Tempo parcial de tromboplastina (TTPA) Tempo de protrombina (TP): exames usados para avaliar o tempo que leva para o sangue coagular;
- Fibrinogênio: o fibrinogênio é uma proteína no sangue que ajuda o sangue a coagular;
- D-dímero: o D-dímero é um produto da degradação de fibrina. Ele é liberado no processo de coagulação do sangue, de forma que sua dosagem elevada é indicativa da formação de coágulos.
A CIVD deve ser diferenciada de outras microangiopatias trombóticas, epecialmente a Síndrome Hemolítico Urêmica e a Púrpura Trombocitopêncica Trombótica. A principal diferença é que, nessas outras condições, os fatores de coagulação estão normais (resultados laboratoriais de TP e TTPA normais), enquanto na CIVD esses exames estão alterados.
Tratamento da CIVD
O tratamento da CIVD geralmente é conduzido pelo Médico Hematologista ou Médico Intensivista.
O primeiro passo é tratar a condição médica subjacente que o levou o paciente a desenvolver a CIVD..
Outros tratamentos de suporte podem ser usados para melhorar o fluxo sanguíneo (na presença de bloqueios ocasionados pelos coágulos) ou para controlar os sangramentos disseminados.
Entre estes tratamentos, incluem-se:
- Transfusões de plasma, para reposição dos fatores de coagulação consumidos pela CIVD e contenção dos sangramentos;
- Transfusões de glóbulos vermelhos e/ou plaquetas;
- Medicamentos anticoagulantes.