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Fonoaudiologia neuropsicológica

O que é a Fonoaudiologia neuropsicológica?

A Fonoaudiologia neuropsicológica é uma especialidade da fonoaudiologia que se ocupa das relações entre cérebro e cognição, além de estudar as funções neuropsicológicas em todas as fases da vida. É uma ciência bastante abrangente e que reúne conhecimentos de diversas áreas como a Linguística, a psicologia e Neurociência. Em 2013, em vista da necessidade de aprofundamento, criou-se a especialização do fonoaudiólogo em neuropsicologia.

O título de fonoaudiólogo especialista em Neuropsicologia provê expertise nas áreas entre a comunicação humana, a cognição e sua relação com o funcionamento cerebral.

Assim, o fonoaudiólogo especialista em Neuropsicologia atua na prevenção, na avaliação, no tratamento e no gerenciamento de distúrbios da comunicação afetados pela cognição e pelo funcionamento cerebral.

Portanto, atende indivíduos que apresentam quaisquer necessidades, queixas ou alterações comunicativas associadas a déficits neuropsicológicos decorrentes de quadros neurológicos, psiquiátricos, neuropsiquiátricos e do desenvolvimento.

A cognição está totalmente relacionada à linguagem e comunicação, pois envolve sistemas importantes como a percepção, a memória, a atenção e outras funções da linguagem. Por este motivo, são muitos os aspectos da comunicação que podem ser afetados por distúrbios cognitivos, comprometendo o desempenho escolar e vocacional, a interação social e a aprendizagem.

Como saber se preciso de um fonoaudiólogo especialista em neuropsicologia?

Provavelmente você ou um membro da sua família que estiver sendo atendido por um médico neurologista será indicado para avaliação pelo fonoaudiólogo, se as áreas da linguagem e cognição estiverem afetadas. Pode acontecer, também, de você perceber que seu filho tem algum atraso de linguagem, aí você busca um fonoaudiólogo para avaliação e ele indica outros profissionais da área médica e psicológica para o diagnóstico do quadro.

Atuação do fonoaudiólogo especialista em neuropsicologia

O fonoaudiólogo neuropsicológico está capacitado para atuar na prevenção, avaliação e tratamento dos distúrbios da comunicação humana que são afetados pelo funcionamento cerebral e pela cognição.

Ele atua especialmente nos casos de alterações ou deficiências comunicativas ocasionadas por quadros psiquiátricos, neurológicos e neuropsicológico como nos casos de pacientes com mal de Alzheimer, déficits de atenção e dificuldades no processamento da linguagem e de cálculos, bem como no processamento auditivo central (dificuldade de processar a informação linguística, apesar de ouvi-la).

Durante a avaliação, o profissional vai buscar e caracterizar associações e dissociações importantes para o diagnóstico e tratamento de casos como suspeitas de dislexia, afasia, transtorno comunicativo, disfonia, transtorno do processamento auditivo e outros que podem estar relacionados a disfunções cognitivas primárias.

Outra atuação do fonoaudiólogo especialista em neuropsicologia é em relação aos problemas otoneurológicos (doenças relacionadas ao ouvido/labirinto e cérebro), ou seja, aqueles relacionados aos distúrbios de equilíbrio, que podem ter seus sintomas diminuídos e promover uma melhoria da estabilidade corporal através do tratamento integrado entre os profissionais.

O que é cognição?

A comunicação inclui aspectos verbais e não verbais. Ela engloba recepção e processamento do input auditivo, fala, gestos, leitura e escrita, bem como diferentes domínios linguísticos (fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático e discursivo).

Já a cognição é definida, tradicionalmente, a partir dos processos e os produtos “inteligentes” da mente humana. Participam dela processos mentais superiores como: conhecimento, consciência, inteligência, pensamento, imaginação, geração de planos e estratégias, raciocínio, inferências, solução de problemas. Sistemas como a percepção, a atenção, a memória, as funções executivas e a linguagem estão presentes.

Cognição e linguagem na criança

O desenvolvimento da linguagem na criança está intimamente relacionado com o desenvolvimento motor global, a integridade das vias auditivas e neurológicas, a integração sensorial dos sistemas auditivo e visual e o desenvolvimento cognitivo.

A neuropsicologia do desenvolvimento se relaciona intimamente com a fonoaudiologia, especialmente tendo em vista a importância da função cognitiva da linguagem.

A linguagem tem papel fundamental em todo o processo evolutivo da criança e do adolescente no que se refere ao desenvolvimento da sua capacidade de aprender, de se comunicar e desenvolver todo o seu potencial cognitivo. Ou seja, se a cognição afeta a linguagem, é evidente que a linguagem ajuda a criança a desenvolver os aspectos mentais cognitivos desta.

Quais os problemas tratados na fonoaudiologia neuropsicológica?

Entre as principais condições tratadas na fonoaudiologia neuropsicológica, incluem-se:

Doença de Alzheimer
Sabe-se que os discursos de pessoas com doença de Alzheimer se relacionam intimamente com as funções executivas (comprometimento do raciocínio, realização de tarefas complexas e julgamento) e a memória episódica (memória de datas importantes: uma manhã de Natal particularmente emocionante, o dia em que você se casou).
A memória operacional, por exemplo, é uma habilidade fundamental tanto na aquisição quanto no processamento da linguagem oral e escrita, sendo incluída na maior parte das intervenções fonoaudiológicas. Ou seja, existe uma relação íntima entre os aspectos da comunicação do indivíduo com Alzheimer e cognição.

Gagueira
Hoje já se sabe que um grande número de transtornos que antes eram considerados puramente linguísticos ou de fala, como a gagueira, por exemplo, envolvem déficits de atenção, processamento auditivo e memória operacional.

Matemática
Um outro exemplo é o estudo da inter-relação entre linguagem e processamento numérico e cálculo. A discussão sobre a interferência da linguagem no processamento numérico e de cálculos é antiga e há evidência de que a compreensão numérica e a linguagem se sobrepõem, levando-se em conta a variabilidade de cada indivíduo e o comprometimento neurológico.

Disfagia
O estado cognitivo do paciente deve ser considerado tanto para a realização da avaliação e diagnóstico quanto para o processo de reabilitação nos campos da Motricidade Orofacial e Disfagia.
Fatores que afetam a cognição, tais como depressão, demência e situações próprias do processo de envelhecimento refletem na motricidade orofacial e no desempenho funcional especialmente quanto à mastigação, deglutição, fala e no uso da comunicação por expressões faciais.
De maneira correlata, manifestações miofuncionais (músculos e movimentos) atípicas nas expressões faciais, nas funções estomatognáticas e no controle motor da fala, constatadas pelo fonoaudiólogo, podem significar sinais iniciais ou particulares de certas doenças nos diversos ciclos da vida, especialmente no idoso, permitindo auxiliar na detecção da doença ou no diagnóstico interdisciplinar.
Na área da disfagia, há indícios de que o perfil neuropsicológico de pacientes com demência está estreitamente relacionado com o prognóstico de tratamento para as dificuldades de deglutição.

Motricidade
A área da motricidade orofacial se liga à Neuropsicologia, por exemplo, no entendimento da relação e das dissociações entre os processos mentais relacionados à produção de movimentos de fala e aqueles relacionados à produção das praxias (movimentos) motoras orais.
Dada a complexidade da relação entre linguagem e fala, é fundamental que o fonoaudiólogo possua esta visão integrada que considere o processamento neuropsicológico, permitindo não só a compreensão e a diferenciação clara entre distúrbios, mas o entendimento da participação de sistemas cognitivos como a atenção e a memória operacional no planejamento motor da fala.

Distúrbios da voz
A relação entre produção vocal e habilidades cognitivas de percepção e automonitoramento tem sido cada vez mais estudada em benefício do tratamento de voz de pacientes com ou sem distúrbios neurológicos.
Não raro, pacientes que apresentam distúrbios neurológicos e cognitivos apresentam alterações vocais e prosódicas e necessitam de tratamentos que considerem esses aspectos juntamente com a cognição.

Audição
A área da audiologia tem se destacado no estudo das funções neuropsicológicas envolvidas no processamento de estímulos auditivos, sejam eles linguísticos ou não. A área do processamento auditivo e suas relações entre processamento central, compreensão (linguagem) e outros domínios cognitivos, principalmente memória e atenção têm sido estudadas com profundidade.
As pesquisas demonstram que o fonoaudiólogo deve considerar habilidades como atenção e memória de trabalho ao delinear programas de intervenção e treinamento auditivo. A importância da avaliação cognitiva para a intervenção de crianças e adultos com distúrbios do processamento auditivo é evidente. A compreensão da inter-relação entre processamento auditivo e demais aspectos neuropsicológicos é fundamental para o processo de adaptação ao aparelho auditivo.