Dermatite Atópica
O que é dermatite atópica?
A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada principalmente por ressecamento intenso, coceira persistente e crises recorrentes de inflamação cutânea.
A doença é mais comum na infância, mas também pode persistir ou surgir na adolescência e na vida adulta:
- 45% dos casos surgem durante os primeiros 6 meses de vida;
- 60% surgem durante o primeiro ano;
- 85% dos casos surgem antes dos 5 anos.
75% das crianças com Dermatite Atópica apresentam remissão da doença entre os 10 e os 14 anos. Já os outros 25% persistir com a doença na adolescência e n adulto jovem.
Em muitos pacientes, os sintomas apresentam períodos de melhora e piora ao longo do tempo, frequentemente desencadeados por fatores como calor, suor, estresse, clima seco, infecções, tecidos irritantes e produtos aplicados na pele.
Em bebês e crianças pequenas, as lesões costumam acometer principalmente o rosto e as áreas de dobra, enquanto adolescentes e adultos frequentemente apresentam eczema nas mãos, pescoço, pálpebras e regiões flexurais.
A coceira costuma ser o sintoma mais marcante e pode variar de leve a intensa, frequentemente piorando à noite e prejudicando o sono e a qualidade de vida. A pele geralmente se torna seca, sensível e mais vulnerável à irritação, podendo apresentar vermelhidão, descamação, pequenas feridas e espessamento causado pelo ato repetitivo de coçar.
Além dos sintomas físicos, a doença pode ter impacto importante no bem-estar emocional, no sono, na autoestima e nas atividades do dia a dia, especialmente durante períodos de crise.
Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento adequado ajuda a controlar os sintomas e reduzir as crises. O manejo geralmente envolve hidratação regular da pele, identificação de fatores desencadeantes, cuidados diários com a barreira cutânea e tratamentos específicos durante as fases de piora da doença.
Quando suspeitar de dermatite atópica?
A Dermatite Atópica deve ser considerada em pessoas com pele muito seca, sensível e com coceira recorrente, especialmente quando os sintomas aparecem desde a infância ou apresentam períodos repetidos de melhora e piora ao longo do tempo. A coceira geralmente é intensa e pode piorar à noite, levando a dificuldade para dormir, irritabilidade e necessidade frequente de coçar a pele.
Outros sinais que aumentam a suspeita incluem:
- piora com calor, suor, clima seco ou estresse;
- histórico pessoal ou familiar de rinite alérgica, asma ou outras alergias;
Em alguns pacientes, a dermatite atópica pode causar apenas ressecamento e coceira leves, enquanto em outros provoca inflamação extensa, fissuras dolorosas, distúrbios do sono e impacto importante na qualidade de vida.
Sintomas da dermatite atópica em diferentes idades
A dermatite atópica pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida. Embora a coceira e o ressecamento da pele sejam características centrais da doença, a localização das lesões, a aparência da pele e o impacto dos sintomas costumam variar entre bebês, crianças, adolescentes e adultos.
Dermatite atópica em bebês
Nos primeiros meses de vida, a dermatite atópica costuma provocar áreas de vermelhidão, descamação e coceira principalmente nas bochechas, testa e couro cabeludo. Em muitos casos, as lesões também aparecem nos braços, pernas e tronco, geralmente poupando a região das fraldas.
A pele do bebê costuma ficar muito seca e sensível, podendo apresentar pequenas feridas, crostas ou secreção quando há coceira intensa ou infecção secundária. Como os bebês ainda não conseguem verbalizar os sintomas, é comum haver irritabilidade, choro frequente e a dificuldade para dormir.
O calor, o suor, tecidos ásperos e banhos excessivamente quentes podem piorar as crises nessa faixa etária.
Dermatite atópica em crianças
Na infância, a dermatite atópica tende a acometer principalmente as dobras do corpo, como:
- atrás dos joelhos;
- dobras dos cotovelos;
- pescoço;
- punhos;
- tornozelos.
A coceira geralmente é intensa e pode piorar à noite, levando a distúrbios do sono, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia. As lesões costumam apresentar vermelhidão, descamação e espessamento da pele devido ao ato repetitivo de coçar, fenômeno conhecido como liquenificação.
Muitas crianças apresentam períodos de melhora e piora ao longo do tempo, frequentemente relacionados a fatores como calor, suor, clima seco, infecções virais, estresse emocional ou contato com substâncias irritantes. Nessa fase, também é relativamente comum a associação com outras doenças alérgicas, como rinite e asma.
Dermatite atópica em adolescentes
Durante a adolescência, algumas pessoas apresentam melhora importante da doença, enquanto outras mantêm crises recorrentes. As lesões podem permanecer nas dobras, mas frequentemente passam a acometer áreas como pescoço, mãos, face e região ao redor dos olhos.
A pele tende a ficar mais espessa, ressecada e sensível, especialmente em pacientes com coceira crônica. O suor, o estresse, alterações hormonais e a privação de sono podem atuar como importantes gatilhos nessa fase.
Além dos sintomas físicos, a dermatite atópica pode ter impacto emocional significativo nos adolescentes, afetando autoestima, convívio social e qualidade do sono.
Dermatite atópica em adultos
Embora seja mais comum na infância, a dermatite atópica também pode persistir ou até começar na vida adulta. Nos adultos, as lesões frequentemente se tornam mais crônicas e localizadas, acometendo principalmente:
- mãos;
- pescoço;
- pálpebras;
- rosto;
- couro cabeludo;
- dobras;
- região genital.
O ressecamento da pele costuma ser intenso, e muitos pacientes apresentam fissuras dolorosas, descamação persistente e coceira crônica. A dermatite das mãos é particularmente comum e pode piorar com lavagem frequente, produtos químicos, álcool gel e atividades profissionais que envolvam contato repetido com irritantes.
As crises podem ser desencadeadas por estresse, privação de sono, mudanças climáticas, suor, cosméticos, infecções e irritação da pele. Em casos moderados ou graves, a doença pode causar importante impacto na qualidade de vida, sono, produtividade e saúde emocional.

Fatores de risco
A Dermatite Atópica é mais comum em pessoas com histórico familiar da doença.
Além disso, ela é mais comum em pessoas com outras formas de doenças alérgicas, incluindo:
- Febre do feno;
- Asma;
- Alergias alimentares.
- Rinite Alérgica.
O que causa a crise de Dermatite Atópica?
As crises da dermatite atópica costumam ser desencadeadas por uma combinação de fatores que irritam a pele, aumentam a inflamação ou favorecem o ressecamento cutâneo. Esses gatilhos variam bastante entre os pacientes, mas alguns fatores são particularmente frequentes, incluindo:
- Banhos muito quentes,
- Sabonetes agressivos e perfumados
- Uso insuficiente de hidratantes.
- Clima frio e seco,
- O calor, suor e transpiração excessiva.
- Roupas muito quentes,
- Atividades físicas intensa que favorecem a transpiração e o suor.
Ansiedade, tensão emocional, privação de sono e períodos de maior estresse psicológico frequentemente agravam a coceira e podem precipitar crises, criando um ciclo difícil de controlar: a coceira piora o sono, o sono ruim aumenta o estresse e o estresse agrava a dermatite.
Em alguns pacientes, fatores ambientais e alérgenos podem contribuir para as crises, incluindo ácaros, poeira, pelos de animais, mofo ou pólen.
Muitas vezes, as crises não dependem de um único fator isolado, mas da combinação de vários gatilhos ao mesmo tempo, sendo que muitos pacientes apresentam crises sem um desencadeante claramente identificável.
Qual a evolução da dermatite atópica com o crescimento?
É impossível prever se a dermatite atópica irá melhorar por si só ou não em um indivíduo.
75% das crianças com DA irão apresentar melhora entre os 10 e os 14 anos, mas 25% podem persistir com a doença na adolescência.
Uma meta-análise incluindo mais de 110.000 indivíduos encontrou que 20% das crianças com dermatite atópica persistiam com a doença 8 anos depois e que menos de 5% persistia com a doença 20 anos depois (2).
Crianças que desenvolveram dermatite atópica antes dos 2 anos de idade tiveram um risco menor de doença persistente do que aquelas que desenvolveram dermatite atópica mais tarde na infância ou adolescência
Complicações
Em alguns pacientes, especialmente nos casos moderados ou graves, a doença pode levar a diversas complicações físicas, infecciosas e emocionais.
Infecção secundária da pele
Uma das complicações mais comuns é a infecção secundária da pele. A pele da dermatite atópica apresenta uma barreira de proteção fragilizada, tornando-se mais vulnerável à entrada de bactérias, vírus e fungos.
O Staphylococcus aureus é particularmente frequente nesses pacientes e pode causar piora importante da inflamação, aumento da vermelhidão, secreção amarelada, crostas, dor e fissuras.
Em casos mais intensos, podem surgir quadros de impetigo, celulite ou abscessos cutâneos.
Eczema Herpético
O eczema herpético é uma infecção secundária causada pelo vírus Herpes simplex. Trata-se de uma situação potencialmente grave, na qual surgem múltiplas pequenas bolhas dolorosas, erosões e febre sobre áreas previamente acometidas pela dermatite.
O quadro pode evoluir rapidamente e necessita de avaliação médica urgente, especialmente em crianças.
Como a Dermatite Atópica afeta a qualidade do sono?
Os distúrbios do sono estão entre as complicações mais frequentes e mais impactantes da dermatite atópica, especialmente em crianças com doença moderada ou grave. A coceira intensa — principal sintoma da doença — costuma piorar durante a noite, levando a dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes e sono pouco reparador. Em muitos pacientes, o prejuízo do sono acaba tendo impacto tão importante quanto as próprias lesões da pele.
Diversos fatores contribuem para isso. Durante a noite, há redução natural dos níveis de cortisol e alterações da temperatura corporal, o que pode aumentar o ressecamento e a sensação de prurido.
Além disso, o ambiente mais silencioso e a menor distração fazem com que a coceira seja percebida de forma mais intensa. O calor do cobertor, o suor e o atrito dos tecidos também podem piorar os sintomas.
Em crianças pequenas, os distúrbios do sono podem se manifestar por:
- dificuldade para dormir;
- despertares frequentes;
- agitação noturna;
- choro e irritabilidade;
- necessidade constante de coçar a pele.
Em casos mais intensos, o sono fragmentado pode levar a sonolência diurna, alterações de humor, dificuldade de concentração e prejuízo do desempenho escolar.
Nos adolescentes e adultos, a privação crônica de sono pode causar fadiga, piora da memória e da produtividade, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos. Existe ainda um ciclo vicioso importante: a falta de sono aumenta o estresse e a inflamação, o que pode agravar a própria dermatite atópica e intensificar ainda mais a coceira.
A gravidade dos distúrbios do sono costuma acompanhar a intensidade da doença cutânea. No entanto, mesmo pacientes com lesões aparentemente limitadas podem apresentar grande impacto noturno devido ao prurido persistente. Além disso, o ato repetitivo de coçar durante a noite favorece feridas, sangramentos e infecções secundárias da pele.
Diagnóstico
Não existe nenhum exame específico capaz de diagnosticar definitivamente a Dermatite Atópica.
O diagnóstico é clínico e feito pelo dermatologista através da análise da lesão e da história clínica.
Em casos excepcionais, pode ser realizado uma biópsia de pele.
Diagnóstico diferencial
A dermatite atópica pode apresentar sintomas semelhantes aos de diversas outras doenças da pele, especialmente condições que causam vermelhidão, coceira, descamação e inflamação cutânea.
Em muitos casos, o diagnóstico é clínico, baseado no padrão das lesões, na distribuição pelo corpo, na idade do paciente e na evolução recorrente da doença.
Entretanto, algumas condições podem ser confundidas com eczema atópico, principalmente em fases iniciais ou apresentações atípicas.
Dermatite de contato
A Dermatite de Contato é uma das condições mais frequentemente confundidas com dermatite atópica. Ela ocorre quando a pele entra em contato com substâncias irritativas ou alergênicas, como sabonetes, cosméticos, perfumes, metais, produtos de limpeza ou tecidos.
Enquanto a dermatite atópica costuma ter caráter crônico e associação com histórico de alergias, a dermatite de contato geralmente aparece em áreas específicas de exposição e tende a melhorar quando o agente desencadeante é removido. Em alguns pacientes, ambas as condições podem coexistir.
Psoríase
A psoríase também pode causar placas avermelhadas e descamativas. No entanto, as lesões psoriáticas costumam ser melhor delimitadas, espessas e recobertas por descamação esbranquiçada ou prateada.
A coceira pode ocorrer, mas geralmente é menos intensa do que na dermatite atópica. Em crianças pequenas, entretanto, algumas formas de psoríase podem ser mais difíceis de diferenciar.
Dermatite seborreica
A Dermatite Seborreica é comum em bebês e adultos e costuma afetar regiões ricas em glândulas sebáceas, como couro cabeludo, sobrancelhas, laterais do nariz, orelhas ou tórax. Nos bebês, pode causar a chamada “crosta láctea”.
Diferentemente da dermatite atópica, a dermatite seborreica geralmente apresenta menor ressecamento e coceira menos intensa.
Tratamento da dermatite atópica
O tratamento da Dermatite Atópica geralmente envolve uma combinação de cuidados diários contínuos e terapias específicas durante as fases de exacerbação.
A intensidade do tratamento varia conforme a gravidade da doença, a idade do paciente, as áreas acometidas e o impacto dos sintomas na qualidade de vida.
Cuidados diários com a pele
Os cuidados diários são uma das partes mais importantes do tratamento, mesmo nos períodos em que a pele aparenta estar melhor. A pele atópica apresenta uma barreira de proteção fragilizada e perde água com mais facilidade, tornando-se mais seca, sensível e vulnerável à inflamação.
Em muitos pacientes, a identificação e o controle dos fatores desencadeantes ajudam significativamente no controle da doença.
Medidas comportamentais
Sempre que possível, o paciente com Dermatite Atópica deve evitar gatilhos que provoquem a inflamação da pele.
Isso pode incluir, entre outras coisas:
- Certos tipos de tecidos;
- Produtos químicos, incluindo produtos de limpeza domésticos e produtos de higiene pessoal;
- Umidade excessiva;
- Secura excessiva;
- Tabagismo e exposição à fumaça de cigarro;
- Atividades físicas que provoquem transpiração excessiva.
Cuidados com o banho
Banhos quentes devem ser totalmente evitados. O banho deve ser rápido (máximo de 10 minutos), feito com água fria ou morna.
Isso porque a água quente resseca ainda mais a pele. Além disso, o óleo natural da pele é removido com a água quente, comprometendo com isso a barreira protetora da pele.
O sabonetes deve ser líquido, com ph fisiológico, entre 5 e 5,5 e sem corantes ou perfumes. O xampú deve ser suave e sem perfumes.
Não se deve usar esponjas ou similares.
Após o banho, a pele deve ser seca de forma suave, sem esfregar a toalha.
O hidratante deve ser aplicado em até três minutos após o banho.
Cuidados com a vestimenta
O paciente com Dermatite Atópica deve usar roupas leves, de algodão.
Tecidos sintéticos e outros que ficam muito presas ao corpo podem irritar a pele.
As etiquetas devem ser retiradas.
As roupas devem ser lavadas com sabão líquido neutro, sem branqueadores.
Amaciantes suaves sem corantes e dermatologicamente testados podem ser utilizados.
Atividade Física
Assim como para qualquer pessoa, a prática regular de atividades físicas é benéfica para a saúde e deve ser estimulada. Entretanto, é preciso ter atenção com alguns cuidados.
A escolha da vestimenta, conforme discutido acima, é importante também durante o exercício.
Atividades que desencadeiem sudorese excessiva devem ser evitadas, já que o suor causa prurido e irritação. Deve-se dar preferência por se exercitar em um horário do dia em que esteja mais fresco ou, se preferir uma atividade mais intensa, fazê-la em locais que tenham ar condicionado, arejados ou ao livre.
Também não existem contraindicações para as atividades aquáticas.
O cloro da piscina tem efeito bactericida, o que pode ser benéfico, uma vez que a colonização da pele do paciente com Dermatite Atópica com bactérias é comum. A água salgada também pode ajudar na cicatrização das lesões.
As piscinas aquecidas, por outro lado, não são indicadas. A água quente promove a remoção da gordura, que é a principal fonte de hidratação da pele. A pele fica mais seca, que é justamente um dos principais sintomas da dermatite atópica.
A hidratação por meio da ingestão de água é recomendada da mesma forma que para qualquer outra pessoa que realize atividade física.
Hidratação
Os hidratantes devem ser usados diariamente, seja na fase crônica ou na fase de exacerbação da doença. Em alguns casos, a hidratação deve ser feita mais de uma vez por dia.
A pele desidratada e seca aumenta a coceira e leva a uma maior irritação da pele, agravando o quadro da doença.
Tratamento das crises inflamatórias
Durante as crises, quando há aumento da vermelhidão, da coceira e da inflamação da pele, costuma ser necessário utilizar medicamentos anti-inflamatórios tópicos.
Corticoides tópicos
Os corticoides tópicos são um dos tratamentos mais utilizados para controlar as crises da dermatite atópica. Eles ajudam a reduzir rapidamente a inflamação, a coceira e a vermelhidão.
A potência do corticoide varia conforme a idade do paciente, a gravidade da lesão e o local da pele acometida.
Regiões mais sensíveis, como face, pálpebras, axilas e genitais, geralmente exigem medicamentos de menor potência e maior cautela no uso prolongado.
Quando utilizados corretamente e sob orientação médica, os corticoides tópicos costumam ser seguros e bastante eficazes. Por outro lado, o uso inadequado ou excessivamente prolongado pode causar efeitos colaterais como afinamento da pele, estrias e irritação local.
Controle da coceira e do sono
O prurido é o sintoma mais marcante da Dermatite atópica. Em alguns casos, ele pode se tornar incontrolável, dificultando o sono e as atividades diárias. Algumas medidas gerais que ajudam no controle da coceira incluem:
- Resfriamento do ambiente durante a noite;
- roupas leves;
- controle do suor;
- rotina regular de sono.
Em situações específicas, alguns pacientes podem se beneficiar temporariamente de medicamentos para aliviar a coceira noturna, especialmente os anti-histamínicos.
Existem diferentes tipos de anti-histamínicos, alguns deles com efeito sedativo, outros não. Os anti-histamínicos sedativos devem ser priorizados no período noturno. Durante o dia, os anti-histamínicos não sedativos devem ser priorizados.
Fototerapia
A fototerapia com luz ultravioleta pode ser indicada em pacientes com dermatite atópica moderada ou grave que não respondem adequadamente aos tratamentos tópicos. O tratamento ajuda a reduzir a inflamação e a coceira, sendo realizado sob supervisão médica especializada.
Tratamentos sistêmicos
Pacientes com doença moderada a grave, sintomas persistentes ou grande impacto na qualidade de vida podem necessitar de tratamentos sistêmicos, especialmente quando os tratamentos tópicos isolados não conseguem controlar adequadamente as crises.
Medicamentos imunossupressores como ciclosporina, metotrexato, azatioprina e micofenolato podem ser utilizados em casos selecionados para reduzir a inflamação da pele e controlar formas mais graves da doença. No entanto, esses tratamentos exigem acompanhamento médico cuidadoso devido ao risco de efeitos colaterais e necessidade de monitorização laboratorial.
Nos últimos anos, surgiram novos tratamentos mais modernos para dermatite atópica moderada a grave, especialmente os imunobiológicos e os inibidores de JAK.
O dupilumabe foi um dos primeiros imunobiológicos aprovados para dermatite atópica e pode proporcionar melhora importante da coceira, do sono e da qualidade de vida em pacientes com doença moderada ou grave resistentes ao tratamento tópico convencional.
Já os Inibidores de JAK (como upadacitinibe e abrocitinibe) atuam bloqueando vias inflamatórias específicas relacionadas à doença e vêm sendo utilizados em alguns pacientes com dermatite atópica mais grave.
Essas terapias modernas ampliaram significativamente as opções de tratamento para pacientes que antes apresentavam doença de difícil controle.
Tratamento das infecções associadas
Pacientes com dermatite atópica apresentam maior risco de infecções da pele, especialmente por bactérias como Staphylococcus aureus. Quando há sinais de infecção — como pus, crostas amareladas, dor, piora súbita da inflamação ou febre — pode ser necessário tratamento específico com antibióticos.
Em casos raros, infecções virais como o eczema herpético podem exigir tratamento urgente.