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Bronquiolite

O que é bronquiolite?

 

Bronquiolite é uma infecção viral dos bronquíolos, que são pequenos tubos que se ramificam para levar o ar até os alvéolos pulmonares. No paciente com bronquiolite, os bronquíolos se enchem de muco, o que pode dificultar a respiração.

Na maior parte das vezes, ela é causada pelo vírus sincicial respiratório.

A bronquiolite é mais comum durante os meses de outono e inverno. Ela geralmente afeta bebês ou crianças pequenas, já que suas vias aéreas são mais estreitas e podem ser mais facilmente bloqueadas.

Ela é ainda mais comum em bebês prematuros, crianças com problemas pulmonares ou cardíacos, crianças com sistema imunológico comprometido ou aquelas expostas à fumaça de cigarro (tabagismo passivo). No entanto, bebês e criança saudáveis e sem outros fatores de risco além da idade também são muitas vezes acometidas pela bronquiolite.

Crianças mais velhas e adultos também podem ter bronquiolite, mas a infecção geralmente é leve.

A infecção geralmente dura cerca de 1 a 2 semanas. Às vezes, pode levar várias semanas para que os sintomas desapareçam por completo.

Qual a causa da Bronquiolite?

A bronquiolite é uma infecção viral das pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos), que tem como principal agente o vírus sincicial respiratório.

Ele é transmitido principalmente durante os períodos sazonais de circulação viral, por meio de gotículas respiratórias e contato próximo com pessoas infectadas ou superfícies recentemente contaminadas. Os germes podem ficar nas mãos, brinquedos, maçanetas, tecidos e outras superfícies.

Bebês frequentemente adquirem o vírus através do contato com irmãos maiores ou em creches, sendo comuns os surtos com vários casos em casa ou na creche.

Além do VSR, outros vírus também podem causar bronquiolite, incluindo o rinovírus, influenza e outros.

Prevenção da bronquiolite

A vacina contra o Virus Sincicial Respiratório (Abrysvo) deve ser indicada para gestantes entre 24 e 36 semanas de gestação. A mãe produz anticorpos e passa para o bebê, que ficará protegido até o sexto mês de vida.

A vacinação da gestante demonstrou alta eficácia (81,8%) na prevenção de doenças graves nos primeiros 90 dias de vida.

Caso a vacinação não tenha sido feita, ou se o bebê nasceu menos de duas semanas após a vicinação, se ele é prematuro ou se possui alguma condição cardíaca ou pulmonar,

Ele deverá receber o nirsevimabe (Beyfortus), um anticorpo monoclonal de ação rápida que protege recém-nascidos e bebês contra o VSR.

Além da vacina, os pais também devem evitar levar as crianças para locais com aglomeração de pessoas, como shoppings, já que a circulação dos vírus é maior – especialmente durante o Outono ou Inverno. Além disso, deve-se evitar a exposição passiva ao fumo e o contato dos bebês com pessoas gripadas.

Por fim, a Higienização do lar do recém-nascido deve ser rigorosa: Lave as mãos com água e sabão frequentemente ou use álcool em gel 70% antes de tocar no bebê e após contato com superfícies comuns.

Sinais e sintomas da bronquiolite

Os primeiros sintomas da bronquiolite são geralmente os mesmos de um resfriado, o que inclui:

  • nariz entupido e congestão
  • nariz escorrendo
  • tosse
  • febre

Como os bronquíolos dos lactentes são naturalmente muito pequenos, mesmo pequena quantidade de inflamação ou secreção pode dificultar significativamente a passagem do ar. Isso leva ao aparecimento de outros sintomas, incluindo:

  • chiado no peito;
  • respiração rápida;
  • retrações;
  • dificuldade para mamar;
  • esforço respiratório.

Após o pico da doença, a maioria das crianças inicia melhora gradual da respiração e da alimentação.

A recuperação costuma ocorrer progressivamente ao longo de 1 a 2 semanas, podendo ser mais lenta em lactentes pequenos. Alguns sintomas podem persistir por mais tempo, incluindo tosse residual, chiado leve, congestão nasal ou cansaço respiratório leve. Eventualmente, a tosse pode persistir por três semanas ou até mais.

Diagnóstico da bronquiolite

O diagnóstico da bronquiolite pode ser feito por meio da ausculta pulmonar. Além disso, o oxímetro de pulso ajuda a avaliar se a função pulmonar está comprometida.

Uma radiografia de tórax pode ser feita se o nível de oxigênio estiver baixo ou se houver suspeita de pneumonia.

Uma amostra de muco do nariz pode ser feita para identificar o tipo de vírus que está causando o problema. No entanto, isso não é necessário na maior parte das vezes.

Diagnóstico diferencial

A bronquiolite pode ser confundida com diferentes tipos de problemas agudos ou crônicos das vias aéreas.

A infecção de vias aéreas superiores, incluindo o resfriado, é um diagnóstico diferencial que pode ser descartado à ausculta, uma vez que não se encontra expiração prolongada, sibilos e estertoração pulmonar nessa condição.

Pneumonia, aspiração de corpo estranho, doença cardíaca congênita, e síndromes aspirativas, como a doença do refluxo gastroesofágico, também devem ser descartados.

O diagnóstico diferencial com a asma é fundamental. História recorrente de episódios de sibilância, reversíveis com uso de broncodilatadores, e história pessoal ou familiar de atopia e alergia ajudam a realizar o diagnóstico de asma. No entanto, pode ser difícil distinguir bronquiolite de asma durante o primeiro episódio de sibilância.

Qual a relação entre bronquiolite, síndrome do lactente sibilante e asma?

A Síndrome do Lactente Sibilante é uma condição caracterizada por três ou mais episódios de sibilância antes dos 3 anos de idade.

A principal causa para isso é a infecção viral. Como o bebê apresenta vias aéreas mais estreitas, elas se “entopem” mais facilmente, provocando o chiado.

A bronquiolite costuma representar o primeiro episódio importante de infecção viral com chiado no lactente, geralmente causado pelo vírus sincicial respiratório ou por outros vírus respiratórios, como rinovírus e metapneumovírus. Os sintomas, nesses casos, acontecem apenas durante o curso da bronquiolite e tendem a melhorar à medida em que a criança cresce e as vias aéreas se alargam.

A bronquiolite isoladamente não significa que a criança terá asma. No entanto, algumas das crianças sibilantes podem apresentar o chiado mesmo na ausência de infecção. Muitas delas têm também outras condições alérgicas associadas, sendo que parte delas terão mais a frente a confirmação do diagnóstico de asma.

Como diferenciar a Bronquiolite da Pneumonia?

A bronquiolite e a pneumonia são doenças respiratórias frequentes na infância e que podem causar sintomas parecidos, como tosse, febre, dificuldade respiratória e aumento da frequência respiratória.

Entretanto, existem diferenças importantes relacionadas à região do pulmão acometida, aos agentes causadores, à evolução clínica e ao tratamento.

A bronquiolite é uma infecção viral das pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos), muito comum em bebês pequenos. Já a pneumonia corresponde a uma infecção do tecido pulmonar (alvéolos) e pode ser causada por vírus ou bactérias.

Do ponto de vista clínico, a pneumonia costuma levar a um maior comprometimento do estado geral, febre mais alta e maior inflamação pulmonar. Já o chiado (“sibilância”) é um dos achados mais característicos da bronquiolite.

O diagnóstico das duas doenças continua sendo principalmente clínico. No entanto, em caso de dúvidas, a radiografia de tórax também ajuda na diferenciação. A bronquiolite provoca hiperinsuflação pulmonar e espessamento peribrônquico. Já na pneumonia é caracterizada por consolidações pulmonares ou infiltrados localizados.

Bronquiolite X Pneumonia na infância
Característicabronquiolitepneumonia
Principal causaViralViral ou bacteriana
Agente mais comumvírus sincicial respiratórioPneumococo, vírus respiratórios e outros agentes
Faixa etária típicaLactentes < 2 anosTodas as idades
Região acometidaBronquíolos (pequenas vias aéreas)Alvéolos/tecido pulmonar
Início do quadroGeralmente começa como resfriadoPode ser abrupto ou progressivo
CorizaMuito frequenteMenos comum
TosseMuito frequenteMuito frequente
Chiado no peitoMuito comumMenos frequente
FebreGeralmente baixa ou moderadaFrequentemente mais alta
Respiração rápidaFrequenteFrequente
Retrações/esforço respiratórioFrequentesPodem ocorrer
Estado geralVariável, muitas vezes preservado inicialmentePode haver maior prostração
Saturação de oxigênioPode cair em casos moderados/gravesPode cair
RadiografiaHiperinsuflação, espessamento peribrônquicoConsolidação/infiltrado pulmonar
AntibióticosGeralmente não indicadosFrequentemente necessários em formas bacterianas
Tratamento principalSuporte clínicoDepende da causa
Evolução típicaPiora entre 3º–5º dia e melhora gradualVariável conforme gravidade

Complicações

A Bronquiolite em menores de 2 anos pode evoluir para complicações graves devido à inflamação e obstrução das vias aéreas. As principais incluem:

As complicações respiratórias são as mais frequentes, ocorrendo em até 60% dos casos, seguidas de otites e infecções bacterianas (41%)

  • Insuficiência Respiratória: Incapacidade de manter a oxigenação, exigindo suporte de oxigênio ou ventilação mecânica.
  • Atelectasia: Colapso de partes do pulmão por obstrução por muco.
  • Desidratação: Decorrente da dificuldade em mamar ou se alimentar devido ao esforço respiratório.
  • Infecção Bacteriana Secundária: Infecção bacteriana que se desenvolve após a infecção viral, especialmente pneumonia ou Otite Média Aguda (Infecção de ouvido)

Quando procurar a emergência na bronquiolite?

Embora a maior parte dos casos de bronquiolite sejam leves e possam ser acompanhados em casa com observação e medidas de suporte, alguns bebês podem evoluir com dificuldade respiratória importante e necessitar avaliação médica urgente.

Um aspecto importante da bronquiolite é que os sintomas frequentemente pioram entre o 3º e o 5º dia da doença, por conta do acúmulo de secreção e bloqueio ao fluxo de ar. Assim, é importante que esses pacientes sejam vistos de perto e procurar ajuda se necessário.

Em bebês pequenos, especialmente menores de 3 meses, a bronquiolite pode evoluir rapidamente, mesmo quando os sintomas iniciais parecem leves, de forma que devem ser avaliados mais precocemente.

O mesmo é válido para crianças com outros problemas de saúde associados, incluindo cardiopatias congênitas, doença pulmonar crônica, doenças neurológicas ou imunodeficiências.

Para as demais crianças e bebês, de forma geral, deve-se procurar atendimento de emergência principalmente quando o bebê apresenta sinais de esforço respiratório, dificuldade para se alimentar ou piora progressiva do estado geral.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • respiração muito rápida e dificuldade para respirar;
  • afundamento das costelas ou do pescoço ao respirar (retrações);
  • gemência;
  • chiado intenso;
  • pausas respiratórias (apneia);
  • coloração arroxeada nos lábios ou extremidades (cianose);
  • dificuldade para mamar;
  • recusa alimentar;
  • sinais de desidratação;
  • sonolência excessiva ou irritabilidade intensa;
  • diminuição importante da urina;
  • prostração.

Tratamento da bronquiolite

O tratamento da bronquiolite é predominantemente de suporte, com foco em hidratação, garantir oxigenação adequada e alívio dos sintomas. Considerando que a maioria dos casos é causada por vírus, o uso de antibiótico na maior parte dasvezes não deverá ser indicado.

Lavagem nasal e controle das secreções

A lavagem nasal com soro fisiológico costuma ser uma das medidas mais importantes, principalmente antes das mamadas, do sono ou da alimentação.

Os lactentes respiram predominantemente pelo nariz, e o acúmulo de secreção pode piorar bastante a dificuldade respiratória e o desconforto.

Hidratação e alimentação

Muitos bebês apresentam dificuldade para mamar devido ao cansaço respiratório e obstrução nasal. Por isso, manter boa hidratação é fundamental.

Nos quadros leves, pequenas mamadas mais frequentes costumam ajudar. Em casos moderados ou graves, pode ser necessária hidratação venosa e observação hospitalar.

Oxigenoterapia

Alguns lactentes desenvolvem queda da saturação de oxigênio devido à inflamação dos bronquíolos e dificuldade com o fluxo do ar. Nesses casos pode ser necessário o uso de oxigênio suplementar. A necessidade de oxigênio é um dos principais critérios para internação.

Broncodilatadores

Atualmente, broncodilatadores como salbutamol não são recomendados de forma rotineira na bronquiolite.

Embora alguns lactentes possam apresentar melhora transitória, a maioria dos estudos mostra benefício limitado ou inconsistente, especialmente nos primeiros episódios típicos de bronquiolite viral.

Ainda assim, eles podem ser considerados em algumas situações selecionadas, incluindo:

  • forte componente sibilante;
  • episódios recorrentes;
  • suspeita de hiperreatividade brônquica;
  • história familiar importante de asma;

 Corticoides

Os corticoides, tanto inalados quanto sistêmicos, também não demonstram benefício rotineiro na bronquiolite viral aguda e normalmente não são indicados na maioria dos casos.

 Antibióticos

Como a bronquiolite é predominantemente viral, antibióticos geralmente não ajudam e não devem ser utilizados rotineiramente.

O uso costuma ficar reservado para situações em que existe suspeita de pneumonia bacteriana, otite ou outras infecções bacterianas associadas.