Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo
O que é o Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo?
O treinamento com restrição de fluxo sanguíneo é uma estratégia que busca o fortalecimento muscular e a hipertrofia muscular em pessoas com diferentes condições de saúde que podem se beneficiar do fortalecimento e da hipertrofia muscular, mas que não toleram exercícios de alta intensidade/carga.
Isso inclui:
- Indivíduos com dor crônica
- Pacientes pós-operatórios
- Condições que resultam em perda de massa muscular, como câncer, HIV, diabetes e doenças pulmonares ou cardíacas.
- Idosos com fragilidade ou sarcopenia
O treinamento com restrição do fluxo sanguíneo em baixa intensidade produz nesses paciente resultados semelhantes aos do treinamento de alta intensidade sem restrição de fluxo.
Como é feito o treinamento com fluxo sanguíneo?
O treinamento com restrição de fluxo sanguíneo envolve a aplicação de um manguito pneumático (torniquete) proximalmente ao músculo que está sendo treinado.
O manguito deve ser inflado a uma pressão específica com o objetivo de obter oclusão arterial parcial e oclusão venosa completa.
O paciente é então solicitado a realizar exercícios com 20 a 30% da carga de 1 repetição máxima. Habitualmente, os protocolos envolvem cerca de 75 repetições por músculos, com 30 repetições na primeira série e mais três séries com 15 repetições cada. O intervalo entre as sérias habitualmente é de 30 segundos.
Como é feita a restrição do fluxo sanguíneo?
A restrição ao fluxo sanguíneo deve idealmente ser feita por meio de um manguito pneumático. Existem manguitos que são específicos para o treinamento com restrição de fluxo, e diferente dos manguitos habitualmente usados para medir a pressão.
Esses equipamentos permitem que a restrição ao fluxo seja feita com uma pressão pré-determinada com precisão, além de conter válvulas que evitam a variação da pressão durante o exercício.
Faixas elásticas têm sido usados em academias para promover a restrição ao fluxo sanguíneo. Isso não é o ideal, uma vez que elas não permitem controlar a intensidade da restrição no fluxo.
A pressão do manguito deve estar entre 40% e 80% da Pressão de Oclusão do Membro. Essa pressão deve ser revisada frequentemente.
Faixas elásticas têm sido usados em academias para promover a restrição ao fluxo sanguíneo. Isso não é o ideal, uma vez que elas não permitem controlar a intensidade da restrição no fluxo.

Imagem do manguito usado para treinamento com restrição de fluxo. Imagem reproduzida originalmente em https://kaatsu.com/products/kaatsu-c4
Efeitos da restrição do fluxo sanguíneo na força muscular
O objetivo do treinamento com restrição de fluxo sanguíneo é simular os efeitos metabólicos do exercício de alta intensidade, recriando um ambiente hipóxico por meio de um manguito.
O sangue capilar com baixo teor de oxigênio se acumula, resultando em um acúmulo de ácido lático e inchaço muscular. Esse ambiente estimula a liberação de hormônios que promovem a hipertrofia muscular.
Contraindicações
Exercícios com restrição de fluxo sanguíneo devem ser feitos apenas após avaliação e liberação medica, devido aos riscos potenciais envolvidos – especialmente o risco de Trombose Venosa Profunda. Algumas condições devem ser consideradas contraindicações absolutas, enquanto outras são contraindicações relativas, nas quais a decisão deve ser feita caso a caso pela equipe médica.
Contraindicações absolutas
| Categoria | Exemplos | Risco principal |
| Doenças cardiovasculares graves | Hipertensão arterial não controlada, insuficiência cardíaca, doença coronariana instável, arritmias importantes | Sobrecarga hemodinâmica, aumento da pressão arterial, risco de eventos cardíacos |
| Doenças tromboembólicas | Trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar prévia, trombofilia conhecida | Maior risco de formação ou deslocamento de trombos |
| Doenças vasculares periféricas | Arteriopatia obliterante, vasculites, aneurismas, insuficiência venosa grave | Risco de isquemia e dano tecidual |
| Distúrbios hematológicos | Anemia falciforme, policitemia, coagulopatias | Alteração na oxigenação e coagulação, risco de crise ou trombose |
| Infecção ativa ou inflamação no membro | Celulite, flebite, ferimentos abertos | A restrição agrava o quadro e atrapalha a cicatrização |
| Gravidez | Contraindicada, especialmente em membros inferiores | Risco aumentado de trombose e alterações hemodinâmicas |
Contraindicações relativas
| Condição | Risco / Observação |
| Hipertensão controlada | Aumentar pressão local e sistêmica; monitorar pressão arterial. |
| Diabetes mellitus | Alterações vasculares e neuropáticas; risco de lesão. |
| Doenças renais | Aumento transitório da pressão e retenção de metabólitos. |
| Uso de anticoagulantes | Maior risco de hematomas e sangramentos locais. |
| Pós-cirurgia recente | Avaliar risco de trombose ou deiscência de suturas. |
| Obesidade grave | Dificuldade no ajuste da pressão do manguito e risco circulatório. |
| Neuropatias periféricas | Diminuição da sensibilidade — risco de compressão excessiva. |