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Terapia ocupacional em saúde mental

O que é terapia ocupacional?

A Terapia Ocupacional (TO) é uma profissão da área da saúde que estuda e utiliza a atividade humana como recurso terapêutico. Ou seja, identifica as ocupações que as pessoas se envolvem e avaliam capacidades específicas, contextos, habilidades e padrões de desempenho.

A partir disso, ela se utiliza de diferentes recursos com o objetivo de melhorar a funcionalidade do paciente. Isso inclui, por exemplo, recursos para se comunicar, para usar o banheiro, para se vestir, escovar os dentes e assim por diante.

Desta forma, ela pode ser usada como método para prevenção e tratamento de alterações psico-motoras, cognitivas, afetivas e perceptivas. Tais desordens podem ter origem em doenças adquiridas, genéticas ou traumáticas e interferem tanto no desenvolvimento, quanto na independência dos indivíduos.

Quais as consequências da saúde mental nas atividades ocupacionais?

As doenças psiquiátricas são muito diversas e podem impactar de maneiras igualmente diversa na rotina do paciente. Dependendo do caso, podem ser afetados o autocuidado, o sono, os estudos, o trabalho, o lazer e a convivência social.

Especialmente no caso de pessoas que já experimentaram uma vida mais funcional e independente, pode ser difícil perceber as mudanças. Assim, via de regra, os cuidados oferecidos são rejeitados e vistos como desnecessários.

Em muitos casos, as pessoas se afastam do paciente com doença mental e ele habitualmente não se mostra incomodado e não realiza grandes esforços para evitar isso. Os autocuidados são progressivamente negligenciados.

A falta de cuidado pode, em alguns casos, dar uma impressão de abandono.

Qual o papel da Terapia Ocupacional nas doenças mentais?

Durante a avaliação inicial do paciente, cada uma das competências listadas acima, incluindo o autocuidado, o sono, os estudos, o trabalho, o lazer e a convivência social são avaliadas e, quando indicado, tratadas.

Antigas rotinas que perderam o sentido devem ser avaliadas e exploradas.

Ao explorar atividades que fazem parte da vida dos pacientes e têm um significado para eles, o terapeuta ocupacional identifica as reais necessidades do paciente e intervém para recuperar o seu desempenho ocupacional individual e coletivo.

O objetivo final é criar condições para que o paciente leve uma vida com a maior independência possível dentro de suas limitações e com a melhor qualidade de vida possível.

Como parte disso, o terapeuta ocupacional deve também intervir na tentativa de inserir ou reinserir seu paciente na sociedade. Esse objetivo condiz com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira ou a ressocialização da pessoa com transtorno mental.

Quais são os benefícios da terapia ocupacional em saúde mental?

A terapia ocupacional acompanhou as mudanças sociais, culturais e políticas relacionadas ao campo da saúde mental. Assim, um dos seus principais benefícios é a valorização do indivíduo e da sua subjetividade, não apenas o seu diagnóstico clínico.

Em virtude das abordagens baseadas em atividades terapêuticas, pacientes descobrem (ou redescobrem) como é a vida com qualidade e bem-estar.

Viver de forma produtiva e ativa envolve a coordenação motora, a autoaceitação e a melhora da autoestima. Bem como expressar sentimentos e estimular funções cognitivas, como concentração e a memória.

O terapeuta ocupacional participa também da inserção da família do paciente e seus cuidadores no convívio e nos cuidados para com o paciente. São pessoas que fazem parte do contexto coletivo no qual o indivíduo encontra-se inserido e significam, também, o seu meio social.

Quais as indicações para a terapia ocupacional em saúde mental?

A saúde mental é entendida como o resultado de várias interações, que compreendem fatores biológicos, psicológicos e sociais. Portanto, ter saúde mental não se restringe à ausência de um distúrbio.

São indicações comuns para a terapia ocupacional em saúde mental, pessoas com transtornos mentais, dependentes químicos e condições que alterem as funções intelectuais ou de desenvolvimento.

Da mesma forma, indivíduos que apresentam condições neuropsicológicas que necessitam readquirir sua autonomia podem se beneficiar do tratamento. São exemplos quadros de demência, estresse pós-traumático, ansiedade e pânico, que podem interferir tanto nas relações sociais, quanto na organização diária de vida.

Como resultado das mudanças em função da pandemia de Covid-19 e o isolamento social, muitas pessoas apresentaram questões em lidar com a nova realidade.

Assim, a terapia ocupacional também é indicada no enfrentamento às alterações da rotina, que fazem com que as pessoas tenham dificuldade para realizar suas tarefas.

Quais os meios de atuação do terapeuta ocupacional?

A terapia ocupacional em saúde mental realiza atendimentos no contexto hospitalar, seja em ambiente de internação ou em ambulatório hospitalar.

Também atua no ambiente extra-hospitalar, como clínicas, consultórios, projetos socioassistenciais, projetos culturais e domicílios.

O terapeuta ocupacional utiliza-se da avaliação ocupacional, dos componentes das atividades, bem como fatores pessoais e ambientais. A análise também envolve as limitações das funções em saúde mental, como atividades de vida diária.

A partir do diagnóstico terapêutico ocupacional, o tratamento pode ser planejado. Atividades de situações reais de vida podem ser facilitadas e redesenhadas, para diminuir as restrições ambientais e funcionais.

Duas principais intervenções da terapia ocupacional são atendimentos individuais e em grupo. A opção por cada abordagem dependerá da avaliação e das necessidades individuais dos pacientes.
A dimensão dos grupos também pode variar, dependendo do contexto. Assim, os grupos podem ter de 2 a 6 pessoas, ou no caso de algumas oficinas terapêuticas, até 15 integrantes, por exemplo.

Quais recursos podem ser utilizados nas sessões?

O terapeuta ocupacional utiliza a atividade como recurso terapêutico. Contudo, outras estratégias devem ser consideradas, que vão além das atividades apenas manuais.

Isso inclui exercícios interativos, atividades expressivas, construtivas e lúdicas. Nesse sentido, podem utilizar animais na assistência à saúde mental e, ainda, técnicas corporais e artístico-culturais.
Por fim, as atividades de vida diária também podem ser repensadas ou adaptadas, abrindo espaço para uma vida dinâmica e positiva.