Síndrome nefrótica
O que é síndrome nefrótica?
A Síndrome Nefrótica se refere a um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da perda da capacidade dos rins em reter as proteínas filtradas na urina.
Nestes pacientes, a perda de proteínas na urina é maciça, acima de 3500mg por dia. Essa perda exagerada supera a capacidade de reposição pelo corpo, levando a um quadro de hipoalbuminemia.
A hipoalbuminemia se refere à redução no sangue da quantidade de albumina, a proteína mais abundante no sangue. Quando isso acontece, a osmolaridade nos tecidos fica maior do que no sangue, de forma que a água tende a passar do sangue para os tecidos, levando a um edema generalizado.
Na tentativa de recuperar a perda proteica, o fígado aumenta a produção de proteínas, dentre elas as lipoproteínas. Como consequência, o paciente desenvolve hipercolesterolemia, uma condição caracterizada pelo aumento do colesterol no sangue.
O quadro de edema generalizado, hipoalbuminemia, proteinúria maciça e hipercolesterolemia é o que caracteriza a síndrome nefrótica.
A síndrome pode afetar crianças e adultos de todas as idades. No entanto, ela é mais comum na faixa etária pediátrica, com início entre 1 e 8 anos de idade.
Quais são os sinais e sintomas da síndrome nefrótica?
Os sintomas da síndrome nefrótica podem incluir:
- Inchaço nas pernas, tornozelos, pés, abdômen inferior, face e outras partes do corpo;
- urina espumosa, devido ao excesso de proteínas;
- ganho de peso, devido ao acúmulo de líquidos;
- Fadiga;
- perda de apetite;
- Hipertensão arterial.
Embora os sintomas sejam parecidos com a com Síndrome Nefrítica, na Síndrome nefrótica a proteinúria geralmente é maciça (mais importante do que na síndrome nefrítica). Além disso, o edema mais grave, acometendo inclusive a face.
Diagnóstico
A Síndrome nefrótica é caracterizada por um quadro clínico característico, conforme descrito acima, além dos seguintes achados no exame de sangue e urina:
- Excesso de proteína na urina, uma condição chamada de proteinúria;
- Baixos níveis de albumina no sangue, uma condição chamada de hipoalbuminemia;
- Colesterol alto no sangue, uma condição denominada de hiperlipidemia.
Além disso, uma vez confirmado o diagnóstico da síndrome nefrótica, outros exames são solicitados para a identificação da causa, incluindo:
- exames de sangue.
- exames de imagem, como o ultrassom renal.
- biópsia renal.
Quais as principais causas da síndrome nefrótica?
A Síndrome nefrótica pode ser ocasionada tanto por problemas nos rins como por doenças que acometem o corpo como um todo. As principais doenças renais que podem evoluir com a Síndrome Nefrótica incluem:
- Glomeruloesclerose segmentar focal: doença caracterizada pela destruição e substituição dos glomérulos (unidades filtradoras dos rins) por tecido cicatricial. Esta é a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos negros.
- Nefropatia membranosa: doença que faz com que a proteína se acumule em uma parte do rim chamada membrana basal glomerular. É a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos brancos.
- Doença de lesões mínimas: doença caracterizada por uma função renal anormal de causa indeterminada, com tecido renal normal quando examinado ao microscópio. Esta é a principal causa de síndrome nefrótica em crianças.
- Reações alérgicas.
- Medicamentos, especialmente os anti-inflamatórios.
- distúrbios genéticos que afetam os rins.
Além dissom algumas doenças sistêmicas podem cursar com Síndrome Nefrótica:
- Diabetes;
- Lúpus;
- Amiloidose;
- Infecções, incluindo HIV/AIDS, hepatite B e hepatite C.
Tratamento da Síndrome nefrótica
O tratamento da Síndrome nefrótica é feito pelo Médico Nefrologista. Ele varia de acordo com os sintomas, as causas e a extensão da lesão renal.
Medicamentos como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou os bloqueadores do receptor da angiotensina II podem ajudar a reduzir a perda de proteínas na urina e também a baixar a pressão arterial, que geralmente é alta.
Medicamentos diuréticos podem ajudar na eliminação do excesso de líquidos, ajudando na redução do inchaço.
Estatinas podem ser usadas para reduzir o colesterol no sangue.
Cuidados com a dieta também são importantes. É preciso limitar a ingestão de sal e de líquidos, para controlar o inchaço. Já o menor consumo de gorduras é importante para controlar os níveis de colesterol no sangue.
Por fim, outros tratamentos também podem ser prescritos, a depender da causa da síndrome nefrótica.
Prognóstico
O prognóstico da síndrome nefrótica varia conforme a causa, idade e tipo de lesão renal. Em crianças, a maioria dos casos evolui para a cura com tratamentos – ainda que a recorrência seja relativamente comum, o que exige monitoramento frequente.
Nos adultos, o prognóstico é mais variável e depende da causa subjacente, sendo mais comum a evolução para doença renal crônica.