Protetores e Bloqueadores Solares
Protetores e bloquedores solares
O uso regular de protetor solar é uma das medidas mais importantes para proteger a pele contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta (UV). Além de reduzir o risco de queimaduras solares, a fotoproteção ajuda a prevenir o envelhecimento precoce da pele, manchas, rugas, alterações da pigmentação e o câncer de pele.
Embora muitas pessoas associem o protetor solar apenas aos dias de praia ou piscina, a exposição solar acumulada ao longo da vida — durante caminhadas, atividades ao ar livre, prática esportiva ou mesmo no trajeto diário para o trabalho — também contribui significativamente para os danos cutâneos.
Uma dúvida comum é a diferença entre protetor solar e bloqueador solar. Na prática, o termo “bloqueador solar” é amplamente utilizado pelo público, mas tem sido cada vez menos empregado na dermatologia moderna. Isso ocorre porque nenhum produto é capaz de bloquear completamente toda a radiação solar.
Atualmente, a maioria dos produtos disponíveis combina diferentes mecanismos de proteção, utilizando filtros que absorvem, refletem e dispersam parte da radiação ultravioleta. Por esse motivo, o termo “protetor solar” é considerado mais adequado e tecnicamente correto.
Os protetores solares modernos podem conter filtros químicos (que absorvem a energia da radiação UV antes que ela danifique a pele), filtros físicos (que refletem e dispersam parte da radiação), ou uma combinação de ambos. A eficácia desses produtos é expressa principalmente pelo Fator de Proteção Solar (FPS), que indica o grau de proteção contra os raios UVB, responsáveis pelas queimaduras solares.
Além disso, é importante que o produto ofereça proteção de amplo espectro, cobrindo também os raios UVA, que estão associados ao envelhecimento da pele e ao desenvolvimento de câncer cutâneo.
Além da escolha do protetor adequado, é preciso considerar também a quantidade aplicada, a reaplicação correta ao longo do dia e o uso de medidas complementares, como chapéus, roupas com proteção UV e busca por sombra nos horários de maior intensidade solar, são fundamentais para uma proteção eficaz.
Compreender como funcionam os diferentes tipos de protetores solares e aprender a escolher a opção mais adequada para cada tipo de pele ajuda a maximizar os benefícios da fotoproteção e reduzir os danos causados pela exposição solar ao longo da vida.
O que é a radiação ultravioleta?
Os raios luminosos podem ser diferenciados de acordo com o comprimento de onda, sendo que diferentes comprimentos de onda produzem efeitos diferentes no corpo:
- Infravermelho: comprimento acima de 750nm. Neste comprimento, a luz provoca aquecimento tecidual que, quando excessivo, torna-se lesivo aos tecidos. Corresponde a 53% dos raios solares.
- Luz visível: comprimento de 450 a 750nm. Ela corresponde a 42% dos raios solares.
- Ultravioleta: comprimento menor do que 450nm. Ainda que corresponda a apenas 4% dos raios solares, ela tem potencial para causar destruição do DNA celular.
Tipos de radiação ultravioleta
O espectro de luz ultravioleta (UV) é dividido em três tipos, de acordo com o comprimento de onda:
- Ultravioleta A (UV-A) = 320–400 nm;
- Ultravioleta B (UV-B) = 290–320 nm;
- Ultravioleta C (UV-C) = < 290 nm.
A radiação UV-C é filtrada ou absorvida na atmosfera externa, portanto, não representa um problema para os seres humanos.
Já as radiações UV-A e UV-B são as principais causas de queimaduras solares. A pele reage de forma diferente a cada banda de onda.
UV-A
Entre os raios UV que atingem a superfície da terra, a UV-A é o tipo mais comum. Ao meio dia ela corresponde a 90% dos raios UV.
O UV-A penetra na camada intermediária da pele (derme) e na gordura subcutânea. Ela não causa queimadura ou bronzeamento, motivo pelo qual ele foi por muito tempo considerado inofensivo.
No entanto, atualmente está claro que a exposição a longo prazo causa lesões na derme, resultando em envelhecimento da pele e risco aumentado para câncer.
UVB
Embora menos comum, a radiação UV-B tem uma capacidade muito maior de causar queimaduras.
Cerca de 90% dos raios é absorvido pela camada superficial da pele (epiderme).
A epiderme responde liberando substâncias químicas que causam vermelhidão e inchaço característicos dos primeiros sinais de queimadura solar.
A exposição repetida à UV-B também contribui para o envelhecimento da pele e para o maior risco de câncer.
Qual a composição do protetor solar?
Os protetores solares usam uma variedade de produtos químicos que trabalham para absorver os raios ultravioleta nocivos antes que eles penetrem na pele.
Além disso, eles podem incluir solventes, fragrâncias, óleos, repelente de insetos e outras substâncias em sua composição.
Substância ativa
A substância ativa é a parte mais importante do protetor solar, responsável pode bloqueio dos raios ultravioletas. Diferentes substâncias podem ser usadas para isso, isoladamente ou em combinação.
Algumas das substâncias mais utilizadas incluem a avobenzona, benzofenonas, oxibenzona, meroxyl, dióxido de titânio e óxido de zinco.
Elas se diferenciam quanto ao espectro de luz que é bloqueada, estabilidade (tempo que estará agindo depois de aplicado) e eventuais efeitos adversos, entre outras coisas.
Estabilizadores
Os estabilizadores incluem solventes (geralmente a água), conservantes, agentes espessantes, emulsificantes, agentes quelantes, antioxidantes e outros.
Esses ingredientes têm por objetivo manter os princípios ativos em solução, homogêneos, espalháveis e funcionais.
Substâncias Sensoriais
Substâncias sensoriais incluem ingredientes hidratantes, fragrâncias e emolientes, entre outras substâncias.
Alguns ingredientes do protetor solar alteram a sensação ou o cheiro do produto.
Tecnicamente, os protetores poderiam ser vendidos sem estas substância. No entanto, eles seriam granulados ou oleosos e muito mais difíceis de espalhar.
Outras substâncias
Outras substâncias podem eventualmente ser adicionadas à formulação do protetor solar, sem que elas tenham efeito sobre a proteção solar em sí.
Vale considerar, no entanto, que a Academia Americana de Dermatologia (AAD) não recomenda estes produtos. A justificativa para isso é que o protetor solar deve ser aplicado generosamente e reaplicado com frequência. Já os repelentes de insetos devem ser usados com moderação e com menos frequência.
Quais as substâncias que devem ser evitadas em um protetor solar?
Sem discutir a importância do protetor solar, é importante considerar que substâncias presentes em alguns produtos devem sempre que possível ser evitados, devido ao risco de eventuais efeitos adversos.
Os três ingredientes que encabeçam a lista dos mais polêmicos são:
PABA (Ácido aminobenzoico)
O PABA tem como função filtrar a radiação ultravioleta. No entanto, ele está na lista de ingredientes “restritos ou proibidos” em alguns países. Isso porque, ao ser absorvido, ele pode causar dermatite de contato e fotossensibilidade.
Além disso, o PABA pode gerar radicais livres e danificar o DNA das células, aumentando o risco para câncer.
Oxibenzona
A oxibenzona é um dos componentes mais comuns em protetores, tendo como função primária a absorção da luz ultravioleta. Ele é banido em alguns países, já que em doses moderadas ele pode causar disfunção hormonal e efeitos cardiovasculares negativos.
Ela é também um possível ingrediente alergênico e fotoalergênico.
Retinil Palmitato
O retinil palmitato, quando aplicado à pele e na presença de luz solar, pode acelerar o desenvolvimento de tumores e lesões.
O que é o Fator de proteção solar (FPS) e qual escolher
O Fator de Proteção Solar (FPS) é um índice que avalia a capacidade de um protetor solar filtrar os raios ultravioletas.
Um FPS de 30, por exemplo, indica que os efeitos da exposição por um minuto ao sol, quando sem o protetor, seria equivalente a 30 minutos de exposição, com o protetor.
Com regra geral, deve-se levar os seguintes parâmetros em consideração ao escolher o FPS do protetor solar:
- Pele clara ou mito clara: FPS 50 ou superior;
- Pele morena clara: FPS 40
- Pele morena escura ou negra: FPS 30.
Vale considerar que, independentemente do FPS, eles devem ser sempre reaplicados a cada duas horas.
Um FPS maior não significa, de forma alguma, uma proteção mais prolongada.
Proteção contra UV-A
Uma “pegadinha” pouco conhecida do índice FPS é que ele usa como parâmetro apenas a capacidade de bloqueio dos raios UV-B, sem levar em consideração os raios UV-A.
Uma vez que o UV-A não provoca queimaduras ou bronzeamento, até recentemente eles não eram considerados nocivos. Hoje, no entanto, está claro que o UV-A pode causar danos na pele de longo prazo, envelhecimento precoce da pele e maior risco de câncer.
Os efeitos do UV-A são simplesmente menos visíveis e perceptíveis.
Um outro índice, denominado de PPD (Persistent Pigment Darkening), foi desenvolvido para medir a capacidade de bloqueio dos raios UV-A. O protetor solar é considerado eficaz quando o PPD é pelo menos 1/3 do FPS. Isso significa que um protetor com FPS de 30 deve ter um PPD de pelo menos 10.
Esta informação nem sempre está presente nos rótulos dos protetores solares e não existe uma obrigação para isso. No entanto, desde 2012 a legislação brasileira determina que, nos filtros solares, a proteção UVA deve ser um terço do FPS (1). Na época, diversos protetores (incluindo alguns de marcas renomadas) tiveram que sair de circulação por não cumprirem com este requisito.
Esta é uma determinação da legislação brasileira. Vale considerar que, em muitos países (incluindo países desenvolvidos), não existe este parâmetro legal e que protetores sem ação contra o UV-A seguem sendo comercializados.
Como o protetor solar deve ser aplicado?
O protetor solar deve ser aplicado cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol, já que este é o tempo que ele demora para começar a agir. Ele deve sempre ser aplicado com a pele seca.
A quantidade varia de uma pessoa para a outra, de acordo com estatura e peso. No entanto, uma boa referência é usar:
- 1 colher (chá) para o rosto e pescoço;
- 1 colher (sopa) para a parte da frente do tronco;
- 1 colher (sopa) para as costas;
- 1 colher (sopa) para os dois braços;
- 1 colher (sopa) para as duas pernas.
Infelizmente, estudos mostram que a maior parte das pessoas aplica uma quantidade insuficiente de protetor, o que implica em uma menor proteção.
O protetor deve sempre ser reaplicado a cada duas horas. No caso de banhos de piscina ou mar ou em caso de suor excessivo, devem ser aplicados antes, mesmo que o protetor seja resistente a água.
Protetor para o rosto
Do ponto de vista de proteção solar, protetores corporais são tão eficazes quanto os protetores faciais e podem tranquilamente ser usados na face.
No entanto, é preciso considerar que eles são mais gordurosos do que os produtos desenvolvidos especificamente para a aplicação no rosto. Cronicamente, isso aumenta o risco para irritações, foliculite ou para o aparecimento de comedões ou acne.
Qual o protetor solar ideal para bebês e crianças?
Idealmente, bebês menores de 6 meses não devem permanecer expostos aos raios solares, especialmente nas horas mais críticas do dia. A melhor forma de proteger o lactente do sol é mantê-lo o máximo possível na sombra, além do uso de roupas longas com proteção UV, óculos de sol e chapel.
Além disso, se o bebê estiver agitado, chorando excessivamente ou tiver vermelhidão em qualquer pele exposta, ele deve ser removido do sol.
Após os 6 meses de idade, o bebê ou criança já pode aplicar um protetor solar de amplo espectro resistente à água com FPS 30 ou superior em toda a pele não coberta por roupas.
Protetores solares que usam os ingredientes óxido de zinco ou dióxido de titânio, bem como os protetores solares especiais feitos para bebês ou crianças pequenas, podem causar menos irritação em sua pele sensível.
Fotoproteção na pele clara e na pele negra: quais as diferenças?
A recomendação de usar protetor solar com protetores de amplo espectro com FPS mínimo de 30 vale para todos os tipos de pele. A combinação de protetor solar, roupas adequadas, chapéus e redução da exposição nos horários de maior intensidade solar continua sendo a estratégia mais eficaz de fotoproteção.
No entanto, os motivos e os principais objetivos da fotoproteção podem variar conforme a quantidade de melanina presente na pele.
A melanina atua como uma proteção natural contra parte da radiação ultravioleta, o que faz com que pessoas com pele mais escura apresentem menor risco de queimaduras solares quando comparadas às pessoas de pele clara. No entanto, essa proteção natural não é suficiente para eliminar os danos causados pela exposição solar ao longo da vida. O risco de câncer, ainda que menor, continua presente.
Nas pessoas de pele clara, especialmente aquelas com cabelos loiros ou ruivos, olhos claros e tendência a queimaduras solares, a fotoproteção tem como principais objetivos prevenir queimaduras, fotoenvelhecimento precoce e câncer de pele.
Proteção labial
A proteção labial contra os efeitos da radiação solar é fundamental, uma vez que a pele dos lábios é muito mais fina e quase não contém melanina.
Isso significa que ela é mais vulnerável do que qualquer outra pele do corpo para queimaduras e também para o desenvolvimento de câncer. Os dois tipos mais comuns de câncer, que são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, frequentemente acometem os lábios.
Por outro lado, brilho labial e outros produtos que têm brilho são as piores coisas que uma pessoa pode aplicar nos lábios em um dia ensolarado, já que esses produtos aumentam a absorção da luz UV.
Se você definitivamente precisar usar um pouco de brilho labial ou batom, como em um casamento ou algum evento especial, certifique-se de aplicar também um protetor labial por baixo.
Alguns batons já possuem um pouco de FPS. Ainda assim, eles não são adequados para quem irá se expor de forma prolongada ao sol. Assim como o protetor solar, é importante reaplicar o protetor labial após algumas horas, depois de comer ou após qualquer atividade aquática.
Proteção ocular contra a radiação solar
Quando se fala em proteção solar, muitas pessoas pensam apenas na pele. No entanto, os olhos também são muito sensíveis à exposição prolongada à radiação ultravioleta. Assim como ocorre na pele, os efeitos da exposição solar sobre os olhos são cumulativos e podem se manifestar ao longo dos anos. Por esse motivo, a proteção ocular deve fazer parte de qualquer estratégia completa de fotoproteção.
A radiação UV pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças oculares. A exposição excessiva está associada a um maior risco de catarata, degeneração de estruturas da superfície ocular, pterígio (“carne crescida” sobre a conjuntiva), alterações da córnea e algumas doenças da retina.
Em situações de exposição intensa, como em praias, neve ou ambientes com grande reflexão da luz solar, pode ocorrer uma espécie de “queimadura” da córnea, chamada fotoceratite, que provoca dor, vermelhidão, lacrimejamento e sensibilidade à luz.
O uso de óculos de sol de boa qualidade é uma das principais formas de proteção. O mais importante não é a cor ou a intensidade da lente, mas a capacidade de bloquear adequadamente os raios UVA e UVB.
Óculos escuros sem proteção ultravioleta não apenas deixam de proteger os olhos, como podem ser prejudiciais. Isso acontece porque a redução da luminosidade faz com que a pupila se dilate, permitindo a entrada de uma quantidade ainda maior de radiação UV nos olhos.
Além dos óculos de sol, chapéus de aba larga e bonés ajudam a reduzir significativamente a exposição direta dos olhos à radiação solar.
Crianças merecem atenção especial, pois seus olhos são mais sensíveis à radiação ultravioleta. Sempre que possível, devem utilizar chapéus, permanecer em áreas sombreadas e usar óculos de sol com proteção UV adequada durante atividades ao ar livre.
De forma semelhante à fotoproteção da pele, a proteção ocular deve ser encarada como um hábito diário e não apenas uma medida para dias de praia ou piscina. A exposição solar acumulada durante atividades rotineiras, como dirigir, caminhar ou praticar exercícios ao ar livre, também contribui para os danos oculares relacionados à radiação ultravioleta ao longo do tempo.