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Acne

O que é a acne?

A acne é uma doença dermatológica caracterizada pela formação de cravos, espinhas, cistos, caroços e cicatrizes na pele.

Ela se desenvolve quando os folículos pilosos e as glândulas sebáceas presentes na pele tornam-se inflamadas ou infectadas.

O folículo piloso é a estrutura onde o pelo nasce. Ele possui ligação direta com a glândula sebácea, que é responsável por produzir o sebo e a oleosidade.

A acne aparece com maior frequência no rosto, peito e costas, onde o número de glândulas sebáceas é maior.

Quem é mais acometido pela Acne?


A acne habitualmente aparece na puberdade, induzida pelo início da produção de hormônios femininos (estrógenos) e masculinos (andrógenos).

Estes hormônios estimulam as glândulas sebáceas a produzem uma quantidade excessiva de sebo.

A maior parte das pessoas apresenta resolução espontânea da acne no final da adolescência ou início da vida adulta. Entretanto, até 40% das mulheres podem ter acne persiste ao longo da vida adulta.

A acne tem uma tendência hereditária. Isto significa que um jovem, cujo pai e mãe tiveram acne, tem maior chance de apresentá-la.

Além disso, as alterações hormonais decorrentes de certas doenças endocrinológicas e certos tratamentos favorecem o aparecimento da acne, entre elas:

  • Gravidez ou menstruação;
  • Síndrome do Ovário Policístico;
  • Medicamentos corticoesteroides;
  • Esteroides anabolizantes;
  • Tabagismo e poluição ambiental.

Por fim, é preciso considerar que certos cosméticos, cremes de limpeza de pele e loções podem obstruir os poros e agravar a acne.

Roupas muito apertadas, umidade do ar elevada e transpiração também podem favorecer o desenvolvimento da acne, pelo mesmo motivo.

Qual a causa a da Acne?


A Acne se desenvolve em decorrência de uma produção excessiva de sebo pelas glândulas sebáceas.

Eventualmente, quando o folículo encontra-se obstruído e há um acúmulo de sebo, a acne pode ser infectada.

O corpo desenvolve então um processo inflamatório para tentar expulsar esses microorganismos, formando as espinhas.

Acne no adulto

A Acne é frequentemente descrita como uma doença típica da adolescência.

Ainda que ela seja mais comum nesta fase da vida, a persistência durante a idade adulta não é incomum, especialmente em mulheres (1). Em alguns casos, inclusive, ela pode vir a se desenvolver apenas na idade adulta.

O principal motivo para a acne na mulher adulta é a fluturação nos níveis de hormônios sexuais femininos.

Entre os motivos para isso incluem-se:

  • Ciclo menstrual normal;
  • Variações decorrentes da gravidez, perimenopausa ou menopausa;
  • Descontinuação das pílulas anticoncepcionais;
  • Outras condições de saúde, como a Síndrome dos Ovários Policísticos;

Além das variações hormonais, outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de acne no adulto incluem:

  • Estresse;
  • Histórico familiar;
  • Certos tipos de cosméticos;
  • Uso de medicamentos como os corticoesteroides;
  • Uso de esteroides anabolizantes.

Quais os tipos de acne?

Cravos ou comedões (Acne não inflamatória)

Os comedões, popularmente conhecidos como cravos, são lesões da acne que se formam em decorrência do acúmulo do sebo, levando à obstrução dos folículos pilosos.

Existem dois tipos de cravos:

  • Cravos fechados ou brancos: bolinhas pequenas e esbranquiçadas que se formam quando a pele está cobrindo o poro da glândula.
  • Cravos abertos ou pretos: apresentam aparência mais escura, por conta da oxidação que acontece quando os acúmulos de queratina, células e sebo dentro de um folículo piloso aberto entram em contato com o ar.

Além disso, outras impurezas, como a poluição do ar e restos de maquiagem também contribuem para a coloração escurecida dos cravos abertos.

Espinha (acne inflamatória)


A espinha é um estágio mais avançado dos cravos, que acontece a partir de uma infecção bacteriana.

Ela é acompanhada de outras reações, como vermelhidão e inchaço, e pela formação de pápulas ou pústulas.

A espinha se forma quando o excesso de sebo que fica preso no folículo entra em contato com bactérias presentes na pele.

Essas bactérias se alimentam do sebo e provocam um processo inflamatório.

Acne nódulo-cística

A acne nódulo-cística caracteriza-se pela presença de nódulos internos sob a pele. Estes nódulos são bastante doloridos e palpáveis.

Acne conglobata

A acne conglobata caracteriza-se por um conjunto de lesões próximas umas das outras e com pus. Estas lesões se unem e levam à formação de abscessos e fístulas na pele, seguido pela deformação da pele.

Cicatrizes da Acne

A acne leve não costuma deixar cicatrizes. No entanto, espremer as espinhas pode aumentar a inflamação, a profundidade da lesão e a possibilidade de formação de cicatrizes.

Os cistos e os abscessos da acne grave rompem-se frequentemente. Depois de sarar, eles habitualmente deixam cicatrizes.

Tratamento da acne

O tratamento da acne deve envolver alguns cuidados gerais com a pele e o tratamento medicamentoso, como discutiremos a seguir.

Cuidados gerais com a pele


A formação da acne tem relação direta com a oleosidade da pele. A pele precisa do óleo para manter a barreira contra o excesso de umidade e os irritantes ambientais.

Entretanto, o excesso de óleo pode levar à obstrução dos folículos e à formação da acne.

Uma primeira medida é evitar ficar limpando o rosto várias vezes ao dia ou esfregar excessivamente a pele com toalhas.

Pessoas com acne nunca devem dormir com a maquiagem. Além disso, a escolha dos cosméticos também é importante.

Pessoas com acne habitualmente têm a pele mais oleosa, de forma que não devem adicionar outra camada de oleosidade por cima. A escolha de cosméticos de base não oleosa deve ser preferida.

Os cosméticos podem ser rotulados como comedogênicos ou não comedogênicos.

Um cosmético comedogênico significa que ele tem maior potencial para obstruir os poros, facilitando o aparecimento de cravos (comedões) e espinhas.

Pessoas com a pele mais oleosa devem evitar o uso de produtos com alto índice comedogênico. Já as que têm a pele mais seca permitem que o índice comedogênico seja um pouco maior.

Medicamentos para a acne


Dependendo da gravidade da acne, o tratamento poderá incluir:

  • Retinóides de aplicação tópica (tretinoína, adapaleno e retinol), para desobstruir os poros;
  • Peróxido de benzoíla tópico, para matar as bactérias e reduzir a inflamação;
  • Antibióticos como doxiciclina;
  • Isotretinoína (Accutane, Roacutan), para reduzir a produção de sebo.

Sabões antibacterianos ou abrasivos e fricção constante não são indicados. Além de não proporcionarem qualquer benefício adicional, estes tratamentos podem aumentar ainda mais a irritação da pele.

Os cosméticos devem ser à base de água, já que produtos muito gordurosos podem piorar a acne (2).

Infelizmente, nenhum tratamento para a acne funciona da noite para o dia. Manter a consistência no tratamento é o segredo para o sucesso.

Retinóides (tretinoína, adapaleno e retinol)


Os retinoides (tretinoína, adapaleno e retinol) são derivados da Vitamina A. Eles podem ser indicados no caso de acne leve a moderada.

O uso tópico destes medicamentos ajuda a eliminar as células da superfície da pele que obstruem os poros. Além disso, ele acelera a renovação das células epiteliais foliculares, causando extrusão dos cravos (3).

O principal cuidado ao usar estes medicamentos é em relação a exposição ao sol. O produto sempre deve ser aplicado durante a noite, já que ele pode reagir com a radiação solar e causar danos a pele.

Além disso, eles devem sempre ser acompanhados de um bom protetor solar durante o dia.

Além disso, os retinóides podem deixar a pele vermelha, irritada e com uma sensação de repuxada, com descamamento visível na superfície.

Ardência e queimação também podem estar presentes. Estes efeitos tendem a diminuir com a continuidade do tratamento.

A aplicação concomitante com outros medicamentos tópicos ou pomadas deve ser evitada, uma vez que isso pode reduzir a eficácia desses compostos e aumentar a irritação de pele.

Caso um tratamento combinado seja necessário, os produtos devem ser aplicados em diferentes momentos do dia.

As pomadas de tretinoína não devem ser confundidas com os comprimidos de isotretinoína (Roacutan), um medicamento para casos de acne grave. Apesar de serem medicamentos da mesma classe, eles atuam de forma diferentemente e com diferentes objetivos.

Discutiremos a respeito do Roacutan mais a frente.

Peróxido de Benzoíla


Peróxido de Benzoíla é um medicamento de uso tópico que também pode ser indicado para o tratamento da acne leve a moderada.

Sua eficácia contra o acne é atribuída a duas ações terapêuticas:

  • Ação antibacteriana sobre o Propionibacterium acnes, o agente bacteriano mais importante e frequente dos folículos sebáceos. Esta ação antibacteriana deve-se à liberação de radicais livres tóxicos para os microrganismos.
  • Ação anti-seborréica: reduz a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, bem como a inflamação e a oleosidade da pele.

Da mesma forma que com os os retinóides, o uso de Peróxido de Benzoila pode deixar a pele vermelha, irritada e com uma sensação de repuxada, com descamamento visível na superfície. Ardência e queimação também podem estar presentes. Estes efeitos tendem a diminuir com a continuidade do tratamento.

O Peróxido de Benzoíla não deve ser associado ao ácido retinóico, já que o oxigênio liberado reage com as duplas ligações dos retinóides, inativando-os.

Entretanto, o uso dessas duas substâncias pode ser feito de forma alternada, como por exemplo, creme com ácido retinóico à noite e gel com peróxido de benzoíla pela manhã.

Antibióticos (Doxiciclina)


Para acne moderada a severa, poderá ser indicado o uso de um antibiótico oral, especialmente a Doxiciclina.

Entretanto, é preciso ficar claro que estes antibióticos deixam a pele muito sensível à luz solar. Isso significa que até mesmo uma pequena exposição pode levar a uma reação de pele significativa.

Outro problema com o uso de frequente e prolongado de antibióticos é que as bactérias podem desenvolver resistência ao longo do tempo, diminuindo a eficácia do tratamento.

Assim, os riscos e benefícios destes medicamentos deve ser avaliados individualmente pelo dermatologista.

Isotretinoina (Accutane, Roacutan)


A Isotretiniona é um medicamento indicado para o tratamento da acne severa ou cística.

Assim como os retinoides tópicos (discutidos acima), a Isotretinoina é um derivado da Vitamina A. Entretanto, ele é usado por boca e tem efeito sistêmico (em todo o corpo), ao contrário do que acontece com os retinoides tópicos.

A Isotretinoina provoca a contração das glândulas sebáceas e redução significativa da produção de sebo. Com menos sebo, há menor risco de obstrução dos poros da pele e menos alimento disponível para a Cutibacterium.

Após algumas semanas de uso, torna-se nítida a redução do processo inflamatório que dá origem às espinhas.

Apesar de sua grande eficácia, estes medicamentos devem ser indicados com bastante cautela, devido ao risco de efeitos colaterais potencialmente graves.

A maior preocupação ao usar o medicamento é não engravidar, já que ele pode causar malformação do feto.

Na mulher sexualmente ativa, é indicado utilizar dois métodos anticoncepcionais, para ter certeza de que não há risco de gestação durante o tratamento.

Outros potenciais efeitos colaterais incluem:

  • Grave ressecamento da pele e dos lábios;
  • Descamamento;
  • Sensação de pele repuxada;
  • Sangramento na região do nariz.
  • Maior sensibilidade à luz, deixando a pele mais vulnerável quando exposta ao sol.

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Anticoncepcionais
Os anticoncepcionais podem ser usados como uma terapia de segunda escolha na mulher com acne. Os mais indicados para isso são aqueles que combinam um derivado de estrogênio com um progestágeno.

Os anticoncepcionais ajudam no controle dos níveis hormonais. Eles promovem uma redução na oleosidade da pele e na formação de espinhas.

Normalmente, o efeito na pele é observado entre 3 e 6 meses de uso contínuo da pílula (4).

Os anticoncepcionais são indicados especialmente nas seguintes condições:

  • Acne que não melhorou com os outros produtos;
  • Desejo de usar algum método contraceptivo, além de controlar as espinhas;
  • Espinhas que pioram ou ficam mais inflamadas no período pré-menstrual;
  • Na presença de doenças que aumentam os níveis de androgênios no organismo, especialmente a Síndrome dos Ovários Policísticos.