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Neuroma de Morton

Neuroma de Morton

 

O Neuroma de Morton trata-se de uma tumoração benigna do nervo interdigital, responsável pela sensibilidade dos dedos do pé. Além da dor, o neuroma produz a sensação de formigamento, queimação ou choque na sola do pé e dedos adjacentes.


O neuroma é mais comum no espaço entre o terceiro e o quarto dedo, seguido pelo espaço entre o segundo e o terceiro dedo. Ele se forma em decorrência da compressão e irritação do nervo, sendo que diversos fatores podem contribuir para isso:

  • Calçados: uso de calçados de salto alto, bico fino ou com pouco amortecimento (como as sapatilhas);
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Aumento do arco do pé (pés cavos);
  • Deformidades ósseas: incluindo problemas com o dedão (hálux valgo / joanete) ou com os dedos menores (dedo em martelo, dedo em garra);
  • Artrose: desgaste das articulações entre os metatarsos e as falanges (ossos dos dedos),
  • Esporte: esforço repetitivo decorrente da prática esportiva, principalmente em esportes que envolvem impacto. A má técnica esportiva, principalmente na corrida, pode contribuir para isso. Eventualmente, a sobrecarga pode evoluir para uma fratura por estresse.

As mulheres têm quatro vezes mais chances de desenvolver o Neuroma de Morton do que os homens. Isso se deve principalmente ao uso de calçados inadequados. No caso dos homens, é mais comumente associado à prática de atividades físicas de impacto.

O que o paciente sente?

 

Habitualmente, os pacientes referem uma dor intensa na “bola do pé”. A dor piora com a caminhada e com o uso de calçados apertados. Caminhar descalço tende a ser menos doloroso. O Neuroma de Morton é uma das causas mais comuns de Metatarsalgia.

Diagnóstico do Neuroma de Morton

O diagnóstico do Neuroma de Morton deve-se considerar tanto o exame clínico como os exames de imagem. É preciso levar em conta, porém, que o Neuroma de Morton é um problema bastante comum e que nem sempre causa dor.  Estudos mostram imagens compatíveis com a patologia em até 30% das mulheres de meia idade sem qualquer queixa relacionada ao pé (1).

Tratamento do Neuroma de Morton

O tratamento inicial do Neuroma de Morton deve considerar todos os fatores que possam estar contribuindo para uma maior força de compressão sobre o nervo. Isso pode incluir a troca de calçado, uso de palmilhas específicas e modificações na rotina de treinamento esportivo. Gelo e medicações anti-inflamatórias podem ser considerados em uma fase de dor mais aguda.

A infiltração local com uma injeção de corticoide pode ser considerada na persistência da dor. Ela pode ser feita com ou sem o auxílio de ultrassonografia.

O resultado costuma ser bastante satisfatório no curto prazo. Mas, no caso de neuromas com mais do que 5mm, a taxa de recorrência da dor é maior (2). Neste caso, pode-se considerar repetir a infiltração ou partir para o tratamento cirúrgico.



Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico do Neuroma de Morton é indicado quando o tratamento não cirúrgico adequadamente instituído não surtir o resultado esperado. Ele é feito geralmente com uma incisão na parte de cima do pé, sobre o neuroma.

No caso de neuromas menores do que 8mm, a tendência é que se realize uma liberação do ligamento intermetatarsal, abrindo o espaço onde fica o nervo e aliviando a pressão sobre ele. Em neuromas maiores, a tendência é realizar a ressecção do nervo. Neste caso, parte da sensibilidade dos dedos adjacentes é perdida após a cirurgia.


As imagens seccionais de ressonância magnética, entretanto, nem sempre fornecem informações definitivas sobre o tamanho e a localização do neuroma. A decisão entre estes dois procedimentos, nos casos limítrofes, pode ser determinada apenas durante o procedimento, após analisar e visualizar diretamente o Neuroma de Morton.

Após a cirurgia, como regra geral, será recomendado o uso de um calçado específico durante aproximadamente um mês. Depois disso, o paciente poderá caminhar normalmente.

O tratamento cirúrgico não exclui a necessidade de correção de outros fatores que possam estar envolvidos com a sobrecarga no local, conforme as medidas descritas acima para o tratamento não cirúrgico.