Search

Métodos Anticoncepcionais

Métodos Anticoncepcionais

Os métodos anticoncepcionais são formas de prevenir a gravidez, podendo atuar por diferentes mecanismos — como impedir a ovulação, dificultar a fecundação ou evitar o encontro entre espermatozoide e óvulo.

Atualmente existem opções hormonais, não hormonais, reversíveis ou definitiva, sendo que o método mais adequado deve ser definido individualmente com base na idade, estilo de vida, desejo reprodutivo futuro, necessidade de prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis e preferência pessoal.

A eficácia dos métodos anticoncepcionais pode variar bastante. Métodos de longa duração, como o DIU hormonal ou o DIU de cobre apresentam as menores taxas de falha e estão entre os métodos mais eficazes disponíveis atualmente.

Já métodos que dependem do uso correto e frequente, como a pílula anticoncepcional ou o preservativo, podem apresentar maior risco de falha no uso cotidiano devido a esquecimentos ou uso inadequado.

Métodos hormonais, além de prevenir a gravidez, pode trazer benefícios adicionais, que em alguns casos pode ser o motivo principal para a escolha. Entre eles, incluem-se:

  • redução das cólicas menstruais;
  • controle do fluxo menstrual;
  • melhora da acne;
  • tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • manejo da endometriose.

Métodos Contraceptivos não Hormonais

Camisinha masculina e feminina

A camisinha é um método de barreira, que impede o espermatozoide de chegar até o aparelho reprodutor feminino. Além de evitar a gravidez, elas protegem contra a transmissão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), incluindo HIV, sífilis, a gonorreia e alguns tipos de hepatites.

A camisinha não protege contra todos os tipos de Doenças sexualmente transmissíveis. Herpes, Papilomavírus Humano (HPV), sífilis e cancros são algumas formas de DST transmitidas por contato da pele. Se um preservativo não cobre a área infectada, ele não oferecerá proteção contra essas doenças. Ainda assim, essa é a melhor opção no caso de pessoas com múltiplos parceiros, no caso de relações casuais ou quando há risco elevado de infecções Sexualmente Transmissíveis.

O maior problema, no entanto, é uma eficácia menor do que outros métodos anticoncepcionais. Isso acontece basicamente por conta do uso inadequado. Algumas pessoas podem inclusive optar por usar os preservativos como método complementar a outros anticoncepcionais.

A camisinha masculina somente deve ser colocada com o pênis ereto, devendo ser retirada imediatamente após a ejaculação. Algumas pessoas utilizam duas camisinhas, com a ideia de que isso aumentaria a proteção. Isso é um erro, uma vez que o risco de ela se romper aumenta.

A camisinha feminina, por outro lado, é usada internamente na vagina, podendo ser colocada algumas horas antes da relação sexual, não sendo necessário aguardar a ereção do pênis. O preservativo feminino nunca deve ser utilizado junto com o masculino, uma vez que isso aumenta as chances de elas se romperem durante a relação sexual.

Tabelinha

A tabelinha se baseia na data do primeiro dia de menstruação e na duração do ciclo menstrual para calcular o início e o fim do período fértil. Desse modo, a mulher tentará evitar relações sexuais nos períodos em que há maior chance de gravidez.

Teoricamente, a mulher é mais fértil no meio do seu ciclo. Ou seja, nos ciclos mais comuns com 28 a 30 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 15º dia, contando como primeiro dia o início da menstruação.

Ainda assim, a a tebelinha é muito mais indicada para pessoas que querem engravidar do que para aquelas que desejam evitar a gravidez. Isso porque o risco de falha e gravidez indesejada é bastante elevado. Há casos de mulheres que engravidam em qualquer época do ciclo, até mesmo durante a menstruação.

Coito interrompido

Coito interrompido é quando, numa relação sexual, o homem pressente a ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina. É um dos métodos contraceptivos mais antigos que existe.

Apesar disso, ele não é mais recomendado como método contraceptivo, devido a sua baixa efetividade, com risco de falha de 15 a 20%. Isso porque as secreções do pênis na fase de excitação podem conter espermatozoides viáveis e, também, porque pode ser difícil conter a ejaculação.

Ligadura de trompas

A ligadura de trompas é uma cirurgia para a esterilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando-se que o óvulo e os espermatozoides se encontrem. Ela pode ser realizada com diferentes acessos cirúrgicos e permite uma recuperação bastante rápida.

A laqueadura de trompas não altera o ciclo menstrual e nem causa alteração nos níveis hormonais femininos. Apesar de incomum, é possível que a ligadura falhe e a mulher engravide. O risco estimado é de 0,1 a 0,3 por 100 mulheres por ano.

Vasectomia

Na Vasectomia, o médico corta os canais deferentes que conduzem os espermatozoides dos testículos até o pênis. Desta forma, os espermatozoides não são liberados durante a ejaculação e, por isso, o óvulo não pode ser fecundado, evitando a gravidez.

É uma intervenção cirúrgica simples feita por um urologista no consultório médico, sob anestesia local. O procedimento dura cerca de 20 minutos.

O paciente continua a produzir o esperma, mas esse esperma não contém espermatozoides. O prazer sexual não é comprometido nem a produção de testosterona.

Após a cirurgia, o paciente é liberado para voltar a dirigir e fazer quase todas as atividades diárias 2 a 3 dias após a cirurgia, mas deve esperar ao menos uma semana para voltar a ter relações sexuais.

Durante os três primeiros meses após a vesectomia, é aconselhável a utilização de outros métodos contraceptivos. Isso porque ainda podem restar alguns espermatozoides dentro dos canais, possibilitando uma gravidez. Em média são necessárias até 20 ejaculações para eliminar todos os espermatozoides que restaram nos canais.

Dispositivo Intra Uterino - DIU (Hormonal e não hormonal)

O Dispositivo Intra Uterino (DIU) é um pequeno dispositivo em forma de T ou Y, colocado no útero por um profissional da área da saúde. Existem dois tipos: o DIU de cobre, sem nenhum hormônio, e o DIU hormonal, conhecido pelo nome comercial Mirena®.

DIU de Cobre

O dispositivo revestido de cobre pode permanecer no útero por até 10 anos. Por meio de ação iônica, o cobre cria um ambiente hostil para o espermatozoide, impedindo que ele se encontre com o óvulo.

Por não envolver o uso de hormônios, ele tem menos efeitos colaterais, como alterações de humor, peso ou diminuição da libido. Ele pode ser utilizado em qualquer idade e não interfere na amamentação. A desvantagem é que o DIU de cobre pode provocar ciclos menstruais mais longos e intensos e, por consequência, as cólicas.

O DIU de cobre geralmente é considerado nas seguintes situações:

  • Mulheres que não desejam um método não hormonal. Mas que buscam alta eficácia contraceptiva, praticidade (sem necessidade de uso de comprimidos diários) ou que tenha dificuldade em lembrar das medicações diárias.
  • Mulheres com contraindicação ao uso de métodos hormonais;

DIU Hormonal

O DIU Hormonal atua por meio da liberação contínua no útero de uma dose baixa da progesterona sintética levornogestrel. Este hormônio previne a gravidez por dois mecanismos: impede a liberação do óvulo e espessa o muco cervical, não permitindo a subida do espermatozoide. O DIU Mirena também ajuda a controlar as cólicas menstruais, principalmente naquelas mulheres com cólica menstrual. Algumas mulheres deixam de menstruar completamente e outras podem apresentar pequenos sangramentos de escape. Ele pode ser mantido no útero por até 5 anos.

O DIU Hormonal geralmente é considerado nas seguintes situações:

  • Pessoas que buscam alta eficácia contraceptiva, mas que tenha dificuldade em lembrar das medicações diárias.
  • Quem busca praticidade, sem necessidade de uso de comprimidos diários
  • pessoas com fluxo menstrual intenso;
  • cólicas menstruais;
  • endometriose;

Anticoncepcionais Hormonais

Anticoncepcionais hormonais são métodos para prevenção da gravidez à base de formas sintéticas de hormônios femininos estrogênio e progesterona. Alguns desses métodos combinam os dois hormônios, enquanto outros têm apenas derivados da progesterona. Eles podem ser tomados por boca, injetados, inseridos na vagina ou implantados sob a pele.

  • O progestagênio (derivados da progesterona) é o principal responsável por impedir a gravidez, suprimindo a ovulação e inibindo a secreção de muco fértil e elástico.
  • Os derivados do estrogênio presente nos contraceptivos hormonais combinados são responsáveis por regular o ciclo menstrual, tornando o sangramento mais previsível, além de combater os efeitos androgênicos produzidos pelos progestagênios.

Os anticoncepcionais hormonais  podem ser usados de forma continuada ou em ciclos. Sabe-se hoje que a interrupção contínua da menstruação pode ser feita com segurança, inclusive preservando a fertilidade.

O problema do uso prolongado dos anticoncepcionais é que a mulher demora mais tempo para retomar os ciclos quando interrompidos. Mas, após 6 a 8 meses, a fertilidade é semelhante à da mulher que nunca fez uso dos anticoncepcionais.

Progestogênio

Os progestagênios são formas sintéticas do hormônio progesterona, criados em laboratório para uso em anticoncepcionais hormonais. Eles estão presentes em todos os anticoncepcionais hormonais, seja isoladamente ou em combinação com o estrogênio.

  • Progestagênios isolados são encontrados em: Implantes subcutâneos, DIU hormonal, Injeção trimestral, Minipílula (pílula só de progesterona).
  • Progestagênios combinados com estrogênio estão presentes em: Pílulas anticoncepcionais combinadas, Adesivos hormonais, Anéis vaginais, Algumas injeções mensais.

Como os Progestagênios Funcionam?

Mesmo nas formulações combinadas, o progestagênio é o principal responsável pela ação anticoncepcional, atuando de três formas principais:

  1. Inibindo a ovulação
  2. Promovendo o espessamento do muco cervical, o que dificulta a entrada dos espermatozoides no útero
  3. Modificando o endométrio, que se torna menos receptivo à implantação

O estrogênio, por sua vez, é adicionado principalmente para regulação do ciclo, deixando o sangramento mais previsível e reduzindo os chamados “sangramentos de escape”.

Estrogênio

O estrogênio está presente junto com o progestogênio em alguns anticoncepcionais hormonais, que são os anticoncepcionais combinados. Eles não são usados isoladamente como método anticonceptivo.

A função do estrogênio é evitar sangramentos de escape e tornar o sangramento previsível. Sem o estrogênio, os métodos à base de somente progestagênio podem causar alterações imprevisíveis no sangramento menstrual. O efeito contraceptivo, no entanto, está associado ao progestagênio, não ao estrogênio.

Estrogênios sintéticos diferem ligeiramente do estrogênio endógeno na estrutura química, permitindo que eles sejam absorvidos mais lentamente. Eles também ativam os receptores de estrogênio de maneira diferente, o que pode contribuir para os efeitos colaterais.

A principal preocupação com os anticoncepcionais combinados está relacionado ao risco aumentado para fenômenos tromboembólicos. Assim, pessoas consideradas de alto risco para trombose, incluindo fumantes,obesos ou pessoas com antecedentes de trombose devem optar pelos métodos de progesterona isolada.

O estrogênio mais comumente usado nos métodos anticoncepcionais é o Etinilestradiol.

Já o Valerato de estradiol vem sendo disponibilizado comercialmente mais recentemente. Ele está associado a uma menor perda de sangue menstrual, sendo dessa forma mais indicado para aquelas mulheres com sangramentos menstruais intensos (25, 26).

Efeitos colaterais dos Anticoncepcionais Hormonais

Os efeitos colaterais dos anticoncepcionais hormonais podem variar bastante entre diferentes pessoas, sendo comum que algumas pacientes tolerem muito bem um método enquanto outras apresentem desconfortos importantes.

Entre os efeitos colaterais mais comuns, incluem-se:

Náuseas e desconforto gastrointestinal

Podem ocorrer geralmente nas primeiras semanas, especialmente com anticoncepcionais contendo estrogênio.

Sangramento de escape (spotting)

Os sangramentos de escape são comuns nos primeiros meses, mas tendem a melhorar ao longo do tempo.

Sensibilidade mamária

No início do uso de anticoncepcionais, é comum haver uma maior sensibilidade mamária, com dor e sensação de inchaço. No entanto, essas queixas tendem a melhorar com o tempo.

Acne, oleosidade e aumento de pelos

Os progestagênios possuem diferentes perfis hormonais:

  • Alguns apresentam maior atividade androgênica, podendo piorar problemas como acne, oleosidade, aumento de pelos ou queda de cabelo.
  • Outros possuem perfil antiandrogênico e podem ajudar na melhora desses mesmos sinais e sintomas.

Alterações de humor e libido

Sintomas como irritabilidade, labilidade emocional, ansiedade ou redução da libido são muitos variáveis de pessoa para pessoa e de um anticoncepcional hormonal para outro.

Quando os sintomas são importantes, pode ser necessária troca do método.

Ganho de peso e inchaço

A percepção de “engordar” com o uso dos anticoncepcionais está relacionada principalmente à retenção hídrica e sensação de distensão abdominal, especialmente nos primeiros meses de uso.

Na maioria dos anticoncepcionais modernos, o ganho de peso não costuma ocorrer de forma significativa na maior parte das pacientes. Ainda assim, para pessoas mais sensíveis e para aquelas que têm preocupação mesmo com ganhos mínimos de peso (por conta do acúmulo de líquidos). Alguns tipos de anticoncepcionais são mais indicados.

O anticoncepcional injetável trimestral à base de medroxiprogesterona é o que apresenta associação mais consistente com ganho de peso. Já anticoncepcionais combinados modernos (pílula, adesivo ou anel vaginal) normalmente apresentam impacto muito menor sobre o peso corporal.

Tromboembolismo e risco cardiovascular

Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma possível complicação relacionada ao estrogênio presente nos métodos anticoncepcionais hormonais combinados. Métodos com progestogênio isolado não aumentam o risco para TVP.

O risco absoluto em mulheres jovens saudáveis é baixo, mas pode aumentar no caso de tabagismo, obesidade, trombofilias, hipertensão arterial, idade acima de 35 anos ou histórico prévio de trombose. Nesses casos, pode ser preferível o uso de anticoncepcionais com progestogênio isolados.

Pílulas anticoncepcionais

As pílulas anticoncepcionais mais utilizadas são as combinadas, as quais contêm uma combinação de estrogênio e progesterona sintéticos. Algumas pílulas contêm apenas a progesterona, sem o estrogênio.

As pílulas devem ser diferenciadas quanto à sua composição em monofásica ou multifásica:

  • Pílulas Monofásicas possuem em sua fórmula estrogênio e progesterona com a mesma dosagem ao longo de todo o ciclo. É o comprimido anticoncepcional mais conhecido pelas mulheres. 
  • Pílulas multifásicas utilizam diferentes dosagens hormonais conforme a fase do ciclo reprodutivo. Essas pílulas causam menos efeitos adversos e são apresentadas em cores diferentes, para diferenciar a dosagem e o ciclo. A sequência na cartela deve ser respeitada.

Habitualmente, os anticoncepcionais orais combinados são indicados para serem usados por 21 ou 24 dias, tendo início no primeiro dia de menstruação. Depois, é feito uma pausa por quatro a sete dias, sendo que a menstruação vem durante esta pausa.

As pílulas podem também ser utilizadas em um regime estendido, por até 120 dias sem pausa, ou mesmo continuamente, de forma que a mulher deixa de menstruar. A vantagem destes regimes é evitar os sintomas perimenstruais, como a Tensão Pré-Menstrual ou o próprio sangramento. 

Vale considerar que o ciclo clássico das pílulas anticoncepcionais com 21 dias de uso seguidos de 7 dias sem uso foi concebido com a intenção de mimetizar o ciclo normal das mulheres, mas poderia ser feito de qualquer outra forma. 

Existe sempre a possibilidade de manipular o uso de anticoncepcionais para não menstruar ou ao menos para atrasar a menstruação. Para isso, basta emendar uma cartela na outra, o que pode ser feito de forma segura e sem riscos adicionais.    

O regime prolongado, entretanto, aumenta o risco de efeitos colaterais, principalmente os sangramentos vaginais de escape, que costumam ocorrer na maior parte das mulheres que usam este método. Os sangramentos costumam ser de pequeno volume, mas têm a desvantagem de serem imprevisíveis, podendo acontecer a qualquer momento. Algumas mulheres podem ter sintomas semelhantes à TPM, incluindo inchaço e algum desconforto nas mamas. A interrupção temporária do uso das pílulas anticoncepcionais pode aliviar estes sintomas.

O que fazer se esquecer de tomar a pílula?

A eficácia da pílula anticoncepcional depende de ela ser usada corretamente. A principal causa de falha do método é justamente o esquecimento.

Se você esqueceu-se de tomar uma pílula da cartela, tome-a assim que se lembrar, desde que se respeite o período máximo de até 12 horas do horário habitual de tomada. Se esse período for maior que as 12 horas, existe a orientação conforme a semana em que ocorreu o esquecimento

Pílula de 21 dias:

  • Esqueceu na primeira semana do ciclo: Caso tenha tido relação sexual na semana anterior, consultar o médico. Cso contrário, tomar a pílula esquecida assim que lembrar e usar preservativo nos sete dias seguintes;
  • Esqueceu na segunda semana do ciclo: Tomar a pílula esquecida, não é necessário outros cuidados;
  • Esqueceu na terceira semana do ciclo: uma opção é tomar a pílula esquecida e iniciar uma nova cartela sem o intervalo de 7 dias. Outra opção é interromper o uso da cartela, fazer o intervalo de sete dias e então iniciar a nova cartela.

Pílula de 24 dias:

  • Esqueceu na primeira semana do ciclo: Caso tenha tido relação sexual na semana anterior, consultar o médico. Cso contrário, tomar a pílula esquecida assim que lembrar e usar preservativo nos sete dias seguintes;
  • Esqueceu na segunda semana do ciclo: Tomar a pílula esquecida, não é necessário outros cuidados;
  • Esquecimento entre os dias 15 e 24: uma opção é tomar a pílula esquecida e iniciar uma nova cartela sem o intervalo de 4 dias. Outra opção é interromper o uso da cartela, fazer o intervalo de quatro dias e então iniciar a nova cartela.

Anticoncepcional injetável

O anticoncepcional injetável é um método contraceptivo que consiste na aplicação de uma injeção a cada mês ou a cada três meses com o objetivo de impedir o organismo de liberar óvulos e de tornar o muco do colo do útero mais espesso, evitando, assim, a gravidez.

Os anticoncepcionais de aplicação mensal podem ser constituídos apenas por progesterona ou por uma combinação de estrogênio e progesterona. Já os de aplicação trimestral são constituídos apenas por progesterona. Alguns dos anticoncepcionais injetáveis disponíveis no Brasil incluem a Cyclofemina, Mesigyna, Perlutan, Ciclovular e Uno Ciclo.

As injeções ser administradas a cada 30 ou 90 dias (a depender do produto), mais ou menos 3 dias, independentemente da menstruação. Se houver atraso de mais de três dias para a nova injeção, a mulher deve ser orientada a usar preservativo.

Apesar da maior praticidade dos anticoncepcionais trimestrais, os efeitos colaterais tendem a ser maiores e o retorno da fertilidade, após o uso ser interrompido, também será mais lento.

Implante anticoncepcional

O implante anticoncepcional é uma pequena cápsula que contém o hormônio etonogestrel, comercialmente vendido com o nome Implanon®. Possui 4 cm de comprimento e 2mm de diâmetro, que é aproximadamente o tamanho de um palito de fósforo. Ele é introduzido embaixo da pele por meio de um aplicador descartável.

Existem implantes que duram seis meses, um ano ou até até três anos. É um método muito eficaz, com risco de falha menor do que 1%, equivalente ao da ligadura de trompas. Caso a mulher deseje engravidar, basta solicitar a remoção e o retorno da fertilidade ocorre rapidamente. Caso contrário, ele não precisa ser removido, uma vez que virá a ser absorvido.

Para mulheres que costumam esquecer as doses diárias da pílula anticoncepcional, esse método é uma excelente alternativa, já que um único implante chega a substituir 1.095 tomadas de pílulas.

Ele possui um reservatório que libera continuamente o hormônio progesterona direto na corrente sanguínea. A liberação é feita gradativamente, mas é o suficiente para impedir que os ovários liberem os ovócitos.

O Implanon® não deve ser confundido com os implantes de Gestrinona. O implante de Gestrinona foi desenvolvido para o uso por mulheres jovens com disfunção menstrual (sangramento intenso), endometriose e miomatose, mas seu uso se tornou polêmico devido a seus efeitos anabolizantes, fazendo com que ele ganhasse o apelido de “Chip da beleza”. Muitas mulheres fazem uso com finalidade unicamente estética, o que não é indicado devido ao risco de efeitos colaterais graves. Vale reforçar que o implante de Gestrinona NÃO é um método anticoncepcional.

Anel Vaginal

O anel vaginal ou Nuvaring® é um contraceptivo hormonal que combina o estrogênio com a progesterona, em forma de anel.

Existem duas apresentações, com ou sem aplicador. A forma sem aplicador pode ser colocada na vagina facilmente com os dedos.

O anel vaginal deve ficar na vagina por três semanas ininterruptamente antes de ser trocado. A colocação do novo anel pode ser feita imediatamente após a retirada do anel em uso, caso não seja do seu interesse menstruar, ou após uma pausa de sete dias sem anel, período em que virá a menstruação.

O anel não atrapalha a relação sexual e não deve ser retirado durante a relação. No entanto, é importante verificar a presença do anel regularmente, principalmente antes e após as relações sexuais, para garantir seu efeito anticonceptivo.

Adesivo Anticoncepcional

O adesivo anticoncepcional, também chamado de patch, deve ser colado na pele da mulher e permanecer na mesma posição por uma semana.

Ele possui em sua fórmula uma combinação de progestogênio e estrogênio, que são liberados na circulação de forma contínua por sete dias.

O primeiro adesivo deve ser colocado no primeiro dia da menstruação. Os adesivos vêm em três unidades para serem usados de forma consecutiva. Após as três semanas de uso, é necessário fazer uma semana de pausa.

A eficácia contraceptiva se mantém mesmo que haja atraso de até dois dias na substituição do adesivo.

O Patch pode ser colocado em diversos locais do corpo, como no braço, na barriga, nas costas ou nas nádegas. Ao trocar o adesivo, no entanto, é recomendável que se mude o local de aplicação.

Caso haja descolamento total ou parcial do adesivo durante menos de 24 horas, ele pode ser recolocado ou substituído, caso perca a aderência. Se estiver descolado por mais de um dia, além de realizar a troca é recomendável que se use um método de barreira (camisinha) para evitar a gestação nos sete dias seguintes.

Anticoncepção de Emergência (Pílula do dia seguinte)

A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência que pode ser usado após uma relação sexual desprotegida ou em que o método contraceptivo habitual falhou. Elas podem ser compradas nas farmácias e não necessitam de receita médica.

A pílula pode ser composta por levonorgestrel ou por acetato de ulipristal. Elas devem ser usadas assim que possível após a relação desprotegida, sendo a eficácia maior quanto mais precoce ela for usada: Se ingerido o primeiro comprido até 24 horas após a relação, a pílula tem um índice de 5% de falha.

Entre 25 e 48 horas, o índice de falha aumenta para 15% e entre 49 e 72 horas, o índice de falha chega a 42% (2)

A pílula do dia seguinte age por dois diferentes mecanismos:

  • Inibindo ou retardando a ovulação, o que evita a fecundação do óvulo pelo espermatozoide;
  • Aumentando a viscosidade do muco vaginal, dificultando a chegada do espermatozoide ao óvulo.

Ela não tem efeito após a implantação do óvulo fecundado no útero e, portanto, não é considerada um método abortivo.

A pílula do dia seguinte deve ser vista como uma solução esporádica de emergência e não como um método contraceptivo convencional. Mulheres que tomam a pílula do dia seguinte como método contraceptivo de emergência e no dia seguinte voltam a ter relação sexual desprotegida, aumentam o risco de engravidar.

Além disso, quando mais de uma pílula é tomada no mês, é possível haver perda do seu efeito contraceptivo, além de um maior risco para doenças como trombose, embolia pulmonar, câncer de mama e câncer de útero, quando seu uso se torna frequente.

Qual a eficácia de diferentes métodos anticoncepcionais?

A eficácia dos anticoncepcionais pode ser vista de duas formas:

  • Uso perfeito: quando o método é utilizado corretamente em todas as relações e exatamente conforme orientação.
  • Uso típico: representa o uso real no cotidiano, incluindo esquecimentos, atrasos ou falhas humanas.

Na prática, o uso típico é omais importante para estimar a eficácia real da dos diferentes métodos.

De maneira geral, métodos que não dependem do uso frequente pela paciente — como DIUs e implantes contraceptivos hormonalmente aprovados — apresentam as menores taxas de falha e estão entre as formas mais eficazes de prevenção da gravidez.

Já métodos que exigem uso correto contínuo, como pílulas anticoncepcionais, preservativos ou tabelinha, costumam apresentar maior diferença entre a eficácia “teórica” (uso perfeito) e a eficácia observada na prática cotidiana (uso típico), principalmente devido a esquecimentos, atrasos ou uso inadequado.

Por isso, atualmente as diretrizes internacionais costumam valorizar especialmente os chamados métodos reversíveis de longa duração (LARC — Long-Acting Reversible Contraception), que oferecem elevada eficácia com menor dependência do uso diário.

Comparação da eficácia dos principais métodos anticoncepcionais

MétodoEficácia no uso típicoEficácia no uso perfeitoDuração / dependência do uso
Implante contraceptivo hormonalmente aprovado>99%>99%Até 3 anos
DIU hormonal>99%>99%5–8 anos
DIU de cobre>99%>99%Até 10 anos
Vasectomia>99%>99%Permanente
Laqueadura tubária>99%>99%Permanente
Injeção anticoncepcional~94–96%>99%Aplicação mensal ou trimestral
Pílula anticoncepcional~91–93%>99%Uso diário
Adesivo anticoncepcional~91–93%>99%Troca semanal
Anel vaginal~91–93%>99%Troca mensal
Preservativo masculino~85–87%~98%Uso em cada relação
Preservativo feminino~79–82%~95%Uso em cada relação
Coito interrompido~78–80%~96%Dependente da técnica
Tabelinha / percepção da fertilidade~76–88%~95–99%Requer monitorização rigorosa

Os valores podem variar discretamente entre diferentes estudos e diretrizes.

Escolha do método anticoncepcional

A escolha do método anticoncepcional deve ser individualizada e considerar diversos fatores, como idade, frequência das relações sexuais, desejo de gravidez futura, presença de doenças associadas, tolerância a hormônios, praticidade do método e necessidade de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis.

Não existe um único método ideal para todas as pessoas. Um anticoncepcional que funciona bem para uma pessoa pode não ser a melhor opção para outra.

De forma geral, métodos de longa duração — como DIU hormonal, DIU de cobre e implantes contraceptivos hormonais aprovados — apresentam as menores taxas de falha, principalmente por não dependerem do uso diário correto.

Já métodos como pílula anticoncepcional, adesivo, anel vaginal ou injeções hormonais podem ser boas opções para pessoas que desejam maior controle sobre o ciclo menstrual ou benefícios hormonais adicionais, mas exigem que sejam usados da forma correta.

Além disso, apenas os preservativos masculino e feminino ajudam a reduzir a transmissão de ISTs. Devido a taxas mais altas de falha (por conta do uso inadequado), apresentam maior taxa de falham de forma que são muitas vezes recomendados em associação com outros métodos contraceptivos.

Métodos que podem ser preferidos em situaçõesespecíficas

DIU hormonal

  • Pessoas que buscam alta eficácia contraceptiva, mas que tenha dificuldade em lembrar das medicações diárias.
  • Quem busca praticidade, sem necessidade de uso de comprimidos diários
  • pessoas com fluxo menstrual intenso;
  • cólicas menstruais;
  • endometriose;

 DIU de cobre

  • Mulheres que não desejam um método não hormonal. Mas que buscam alta eficácia contraceptiva, praticidade (sem necessidade de uso de comprimidos diários) ou que tenha dificuldade em lembrar das medicações diárias.
  • Mulheres com contraindicação ao uso de métodos hormonais;

 Pílula anticoncepcional combinada

Pode trazer benefícios adicionais em casos de:

  • acne;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • irregularidade menstrual;
  • cólicas menstruais;
  • sintomas associados à endometriose.

 Métodos hormonais contendo apenas progesterona

Podem ser mais indicados em situações como:

  • amamentação;
  • contraindicação ao estrogênio;
  • maior risco de trombose;
  • enxaqueca com aura.

 Preservativos masculino e feminino

São especialmente importantes:

  • em relações casuais;
  • quando há risco de ISTs;
  • em pessoas com múltiplos parceiros;

Como exigem o uso correto, o risco de falha é maior. Assim, pode-se optar em usar os preservativos como método complementar a outros anticoncepcionais.

 Situações que exigem maior cautela na escolha

Algumas condições podem aumentar os riscos relacionados a determinados anticoncepcionais hormonais, especialmente os que contêm estrogênio.

A avaliação médica é particularmente importante em casos de:

  • tabagismo após os 35 anos;
  • histórico de trombose;
  • trombofilias;
  • hipertensão arterial não controlada;
  • enxaqueca com aura;
  • câncer de mama hormonossensível;
  • doenças hepáticas importantes;
  • obesidade associada a fatores cardiovasculares.