Cólica Menstrual (Dismenorréia)
O que é a cólica menstrual?
A cólica menstrual, também chamada de dismenorreia, é uma dor latejante que ocorre na parte inferior do abdome durante o período menstrual. Ela geralmente se inicia 1 a 3 dias antes da menstruação, atinge o pico 24 horas após o início da menstruação e diminui em 2 a 3 dias. Este é um dos principais sintomas da Tensão Pré-menstrual (TPM).
Esse é um sintoma comum do ciclo, geralmente com intensidade leve a moderada, e que pode ser acompanhada de sintomas como náuseas, dor lombar ou mal-estar.
No entanto, nem toda a dor menstrual é “normal”. Ela pode em alguns casos estar relacionada a condições ginecológicas específicas, como endometriose ou miomas uterinos, sendo então classificadas como Amenorreia Secundária. Alguns sinais que indicam a necessidade de avaliação especializada incluem:
- Dor muito intensa, incapacitante ou progressiva;
- Dor que não melhora com medidas simples (incluindo calor local ou medicamentos anti-inflamatórios);
- Dor acompanhada de outros sinais, como dor fora do período menstrual, dor durante a relação sexual, sangramento anormal ou dificuldade para engravidar.
Reconhecer o padrão da dor e identificar sinais de alerta é fundamental para orientar a investigação e o tratamento adequados.
Qual a causa da cólica menstrual?
A cólica menstrual é uma dor natural e esperada que acompanha a mulher durante o período menstrual, podendo ser mais ou menos intensa a depender de cada pessoa.
Quando não existe nenhuma causa estrutural que potencialize a cólica, ela é chamada de primária. Já a dismenorreia secundária é uma cólica geralmente mais intensa que é potencializada por conta de outros problemas ginecológicos.
Dismenorreia primária
Adismenorreia primária está associada às contrações uterinas, as quais ajudam a liberar o revestimento interno do útero (endométrio) quando a gravidez não ocorre.
Algumas mulheres apresentam dores mais intensas e incapacitantes, mesmo sem nenhum outro problema ginecológico associado. Entre os principais fatores de risco que contribuem para cólicas mais intensas, devemos considerar:
- Idade inferior a 30 anos
- Puberdade precoce, com a primeira menstruação antes dos 11 anos de idade;
- Ciclos menstruais irregulares ou com volumes excessivos de sangramento (hipermenorreia)
- Histórico familiar de cólica menstrual
- Tabagismo
Dismenorreia secundária
Em algumas mulheres, a cólica menstrual pode ser o primeiro sinal de certos problemas relacionados à região pélvica. Entre as principais causas a serem consideradas, incluem-se:
- Endometriose;
- Doença Inflamatória Pélvica;
- Mioma uterino;
- Cisto de ovário;
- Uso de Dispositivo Intrauterino (DIU).
Dismenorréia Primária Vs Secundária
| Dismenorreia Primária Vs Secundária | ||
| Característica | Dismenorreia primária | Dismenorreia secundária |
| Definição | Dor menstrual sem doença pélvica identificável | Dor menstrual associada a uma causa orgânica |
| Início | Mais comum na adolescência (1–2 anos após menarca) | Mais comum após os 25–30 anos |
| Padrão da dor | Cíclica, previsível, relacionada ao início da menstruação | Pode ser progressiva, mais intensa e menos previsível |
| Intensidade | Leve a moderada (às vezes intensa, mas responde a tratamento) | Frequentemente mais intensa e incapacitante |
| Duração | 1 a 3 dias, geralmente no início do fluxo | Pode durar mais tempo e ocorrer fora da menstruação |
| Evolução ao longo do tempo | Tende a melhorar com a idade ou após gestação | Tende a piorar progressivamente |
| Resposta a tratamento | Boa resposta a anti-inflamatórios e anticoncepcionais | Resposta parcial ou inadequada |
| Sintomas associados | Náuseas, vômitos, diarreia, cefaleia | Dispareunia, infertilidade, sangramento anormal |
| Exame físico | Normal | Pode apresentar alterações (dor à palpação, massas) |
| Principais causas | Aumento de prostaglandinas uterinas | Endometriose, miomas, adenomiose, doença inflamatória pélvica |
| Necessidade de investigação | Geralmente não necessária inicialmente | Sempre deve ser investigada |
Avaliação da Dismenorréia
Quando a cólica menstrual tem intensidade leve a moderada, melhora em 3 ou 4 dias, responde bem a medidas como o uso de calor local ou medicamentos simples, nenhuma investigação adicional se faz necessária.
Por outro lado, dores que interfiram com a rotina diária, que se tornem prolongadas ou mesmo que estejam presentes fora do período menstrual precisam de investigação.
Além disso, qualquer mudança no padrão da menstruação ou dos sinais e sintomas relacionados à menstruação, incluindo a cólica menstrual, precisa ser investigada. Isso porque, usualmente, a mulher apresenta um mesmo padrão durante toda a vida reprodutiva.
Ainda que a Cólica menstrual não cause nenhum risco direto para a saúde, em alguns poucos casos estas mudanças de comportamento menstrual podem ser o primeiro sintoma de algum outro problema ginecológico mais grave. O diagnóstico precoce destes problemas pode ser determinante para o sucesso do tratamento.
O primeiro passo é a realização de uma históa clínica e exame ginecológico completo, que ajuda a direcionar quanto a possíveis causas. Outros exames são solicitados de acordo com as suspeitas, de forma individualizada.
A ltrassonografia pélvica/transvaginal é geralmente o primeiro exame de imagem, que pode identificar alterações estruturais, como miomas, cistos ovarianos ou adenomiose.
Ressonância magnética e laparoscopia poderão ser solicitadas em caso de suspeita de endometriose.
Exames laboratorias podem também ajudar na investigação de problemas com base hormonal.
Tratamento para a cólica menstrual
O tratamento da cólica menstrual depende se existe uma causa por trás do problema ou não.
Quando existe uma condição pélvica contribuindo para o agravamento das cólicas menstruais, como a endometriose ou Doença Inflamatória Pélvica, o tratamento deve focar nesta condição.
Em outros casos, nos quais a cólica é apenas uma manifestação da Tensão Pré-Menstrual, em um ciclo menstrual normal, o objetivo do tratamento é o alívio dos sintomas.
Cada mulher responde de uma forma para os diferentes tipos de tratamento, que pode incluir:
- Calor local: a aplicação de calor na forma de compressas de água quente ou bolsa térmica pode ajudar no alívio da cólica;
- Alimentação: consumir mais verduras e legumes e diminuir a quantidade de alimentos gordurosos pode diminuir a intensidade e a duração das dores;
- Não fumar: especialmente durante o período menstrual;
- Prática regular de atividade física;
- Anticoncepcionais: ajudam a estabilizar as variações hormonais que ocorrem ao longo do ciclo menstrual. Em alguns casos, podem ser usados de forma a interromper temporariamente os ciclos. Eles podem ser usados na forma de pílulas, injeção ou implantes;
- Medicações analgésicas e anti-inflamatórias.