Métodos Anticoncepcionais
Quais os diferentes métodos anticoncepcionais disponíveis?
Tanto a mulher como o homem têm à sua disposição diferentes opções de métodos anticoncepcionais. Eles podem ser divididos em três grupos:
- Anticoncepcionais hormonais: produtos à base de formas sintéticas dos hormônios femininos estrogênio e progesterona. Estão disponíveis na forma de pílulas, injeção, implantes e Dispositivo Intra-uterino (DIU);
- Anticoncepcionais não hormonais: DIU não hormonal, camisinha masculina e feminina, diafragma, coito interrompido, tabelinha;
- Cirurgia: laqueadura de trompas, vasectomia.
Qual a eficácia de diferentes métodos anticoncepcionais?
Métodos anticoncepcionais não hormonais
MÉTODO | ÍNDICE DE FALHA (%) |
DIU não hormonal | 0,1 |
Laqueadura / vasectomia | 1 |
Camisinha masculina | 8 a 20 |
Camisinha feminina | 8 a 20 |
Diafragma | 8 a 20 |
Tabelinha | 10 a 20 |
Coito interrompido | 15 a 20 |
Métodos anticoncepcionais hormonais
MÉTODO | ÍNDICE DE FALHA (%) |
Pílula anticoncepcional | 0,1 |
Injeção anticoncepcional | 0,1 |
DIU hormonal | 0,1 |
Implante | 0,1 |
Anel vaginal | 0,1 |
Pílula do dia seguinte | 5 a 20 |
Fonte: http://www.contraceptivetechnology.org/wp-content/uploads/2013/09/Contraceptive-Failure-Rates.pdf. Acesso em 28/01/2022
A eficácia descrita nas tabelas acima, porém, depende de os métodos serem usados da forma correta. Alguns métodos, como a pílula anticoncepcional, a tabelinha ou o coito interrompido possuem taxas consideráveis de falha que acontece devido ao uso incorreto do método.
Anticoncepcionais hormonais
Anticoncepcionais hormonais são métodos para prevenção da gravidez à base de formas sintéticas de hormônios femininos estrogênio e progesterona. Alguns desses métodos combinam os dois hormônios, enquanto outros têm apenas derivados da progesterona.
- O progestagênio (derivados da progesterona) é o principal responsável por impedir a gravidez, suprimindo a ovulação e inibindo a secreção de muco fértil e elástico.
- Os derivados do estrogênio presente nos contraceptivos hormonais combinados são responsáveis por regular o ciclo menstrual, tornando o sangramento mais previsível, além de combater os efeitos androgênicos produzidos pelos progestagênios.
Entre os diferentes tipos de anticoncepcionais hormonais, incluem-se:
- Pílulas e minipílulas;
- DIU Hormonal;
- Anticoncepcionais injetáveis;
- Implantes anticoncepcionais;
- Anéis vaginais;
- Adesivos (patch).
Discutimos mais a respeito dos Anticoncepcionais Hormonais em um artigo específico.
Dispositivo Intra Uterino (DIU)
O Dispositivo Intra Uterino (DIU) é um pequeno dispositivo em forma de T ou Y, colocado no útero por um profissional da área da saúde. Existem dois tipos: o DIU de cobre, sem nenhum hormônio, e o DIU hormonal, conhecido pelo nome comercial Mirena®.
O dispositivo revestido de cobre pode permanecer no útero por até 10 anos. Por meio de ação iônica, o cobre cria um ambiente hostil para o espermatozoide, impedindo que ele se encontre com o óvulo.
Por não envolver o uso de hormônios, ele tem menos efeitos colaterais, como alterações de humor, peso ou diminuição da libido. Ele pode ser utilizado em qualquer idade e não interfere na amamentação. A desvantagem é que o DIU de cobre pode provocar ciclos menstruais mais longos e intensos e, por consequência, as cólicas.
O DIU Hormonal atua por meio da liberação contínua no útero de uma dose baixa da progesterona sintética levornogestrel. Este hormônio previne a gravidez por dois mecanismos: impede a liberação do óvulo e espessa o muco cervical, não permitindo a subida do espermatozoide. O DIU Mirena também ajuda a controlar as cólicas menstruais, principalmente naquelas mulheres com cólica menstrual. Algumas mulheres deixam de menstruar completamente e outras podem apresentar pequenos sangramentos de escape. Ele pode ser mantido no útero por até 5 anos.
Tanto o DIU de cobre como o hormonal podem ser retirados mais precocemente, caso a mulher deseje engravidar.
Camisinha masculina e feminina
A camisinha é um método de barreira, que impede o espermatozoide de chegar até o aparelho reprodutor feminino. Além de evitar a gravidez, elas protegem contra a transmissão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), incluindo HIV, sífilis, a gonorreia e alguns tipos de hepatites.
A camisinha não protege contra todos os tipos de Doenças sexualmente transmissíveis. Herpes, Papilomavírus Humano (HPV), sífilis e cancros são algumas formas de DST transmitidas por contato da pele. Se um preservativo não cobre a área infectada, ele não oferecerá proteção contra essas doenças.
A camisinha masculina somente deve ser colocada com o pênis ereto, devendo ser retirada imediatamente após a ejaculação. Algumas pessoas utilizam duas camisinhas, com a ideia de que isso aumentaria a proteção. Isso é um erro, uma vez que o risco de ela se romper aumenta.
A camisinha feminina, por outro lado, é usada internamente na vagina, podendo ser colocada algumas horas antes da relação sexual, não sendo necessário aguardar a ereção do pênis. O preservativo feminino nunca deve ser utilizado junto com o masculino, uma vez que isso aumenta as chances de elas se romperem durante a relação sexual.
Tabelinha
A tabelinha se baseia na data do primeiro dia de menstruação e na duração do ciclo menstrual para calcular o início e o fim do período fértil. Desse modo, a mulher tentará evitar relações sexuais nos períodos em que há maior chance de gravidez.
Teoricamente, a mulher é mais fértil no meio do seu ciclo. Ou seja, nos ciclos mais comuns com 28 a 30 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 15º dia, contando como primeiro dia o início da menstruação.
Ainda assim, a a tebelinha é muito mais indicada para pessoas que querem engravidar do que para aquelas que desejam evitar a gravidez. Isso porque o risco de falha e gravidez indesejada é bastante elevado. Há casos de mulheres que engravidam em qualquer época do ciclo, até mesmo durante a menstruação.
Coito interrompido
Coito interrompido é quando, numa relação sexual, o homem pressente a ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina. É um dos métodos contraceptivos mais antigos que existe.
Apesar disso, ele não é mais recomendado como método contraceptivo, devido a sua baixa efetividade, com risco de falha de 15 a 20%. Isso porque as secreções do pênis na fase de excitação podem conter espermatozoides viáveis e, também, porque pode ser difícil conter a ejaculação.
Ligadura de trompas
A ligadura de trompas é uma cirurgia para a esterilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando-se que o óvulo e os espermatozoides se encontrem. Ela pode ser realizada com diferentes acessos cirúrgicos e permite uma recuperação bastante rápida.
A laqueadura de trompas não altera o ciclo menstrual e nem causa alteração nos níveis hormonais femininos. Apesar de incomum, é possível que a ligadura falhe e a mulher engravide. O risco estimado é de 0,1 a 0,3 por 100 mulheres por ano.
Vasectomia
Na Vasectomia, o médico corta os canais deferentes que conduzem os espermatozoides dos testículos até o pênis. Desta forma, os espermatozoides não são liberados durante a ejaculação e, por isso, o óvulo não pode ser fecundado, evitando a gravidez.
É uma intervenção cirúrgica simples feita por um urologista no consultório médico, sob anestesia local. O procedimento dura cerca de 20 minutos.
O paciente continua a produzir o esperma, mas esse esperma não contém espermatozoides. O prazer sexual não é comprometido nem a produção de testosterona.
Após a cirurgia, o paciente é liberado para voltar a dirigir e fazer quase todas as atividades diárias 2 a 3 dias após a cirurgia, mas deve esperar ao menos uma semana para voltar a ter relações sexuais.
Durante os três primeiros meses após a vesectomia, é aconselhável a utilização de outros métodos contraceptivos. Isso porque ainda podem restar alguns espermatozoides dentro dos canais, possibilitando uma gravidez. Em média são necessárias até 20 ejaculações para eliminar todos os espermatozoides que restaram nos canais.
Pílula do dia seguinte
A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência que pode ser usado após uma relação sexual desprotegida ou em que o método contraceptivo habitual falhou. Elas podem ser compradas nas farmácias e não necessitam de receita médica.
A pílula pode ser composta por levonorgestrel ou por acetato de ulipristal. Elas devem ser usadas assim que possível após a relação desprotegida, sendo a eficácia maior quanto mais precoce ela for usada: Se ingerido o primeiro comprido até 24 horas após a relação, a pílula tem um índice de 5% de falha.
Entre 25 e 48 horas, o índice de falha aumenta para 15% e entre 49 e 72 horas, o índice de falha chega a 42% (2)
A pílula do dia seguinte age por dois diferentes mecanismos:
- Inibindo ou retardando a ovulação, o que evita a fecundação do óvulo pelo espermatozoide;
- Aumentando a viscosidade do muco vaginal, dificultando a chegada do espermatozoide ao óvulo.
Ela não tem efeito após a implantação do óvulo fecundado no útero e, portanto, não é considerada um método abortivo.
A pílula do dia seguinte deve ser vista como uma solução esporádica de emergência e não como um método contraceptivo convencional. Mulheres que tomam a pílula do dia seguinte como método contraceptivo de emergência e no dia seguinte voltam a ter relação sexual desprotegida, aumentam o risco de engravidar.
Além disso, quando mais de uma pílula é tomada no mês, é possível haver perda do seu efeito contraceptivo, além de um maior risco para doenças como trombose, embolia pulmonar, câncer de mama e câncer de útero, quando seu uso se torna frequente.
Escolha do método anticoncepcional
A escolha depende de fatores como o desejo futuro de gestação, a necessidade de prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis, sintomas relacionados ao ciclo menstrual, facilidade de uso, aspectos religiosos e preferências individuais.
A camisinha é considerada o melhor método para pessoas sem um parceiro sexual fixo. Isso porque, além de evitar a gestação, ela protege contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis.
A eficácia de um método em evitar gravidez depende de ele ser usado corretamente. O cálculo da tabelinha pode ser mal feito. A pílula pode ser esquecida de forma eventual. Métodos como os anticoncepcionais injetáveis ou o DIU apresentam risco muito menor neste sentido.
Especialmente no caso dos anticoncepcionais hormonais, é comum o uso com a finalidade principal de controle menstrual e dos sintomas de Tensão Pré Menstrual (TPM).
Para algumas atletas, por exemplo, ter a capacidade de controlar seus períodos pode fazer toda a diferença em relação à capacidade competitiva – discutimos mais sobre isso no artigo sobre Menstruação e problemas menstruais no atleta.
A esterilização cirúrgica, seja por meio da laqueadura de trompas ou da vasectomia, é uma excelente opção para pessoas com a família já constituída e que estão bem decididos de que não querem mais ter filho.