Lesão em Alça de Balde do Menisco
O que é a lesão em alça de balde do menisco?
A Lesão “em Alça de Balde do Menisco” corresponde a aproximadamente 10% de todas as lesões nos meniscos.
A nomenclatura vem da semelhança desta lesão com a alça de um balde: o menisco fica preso em suas extremidades, e toda a parte central, que está solta/rompida, se movimenta em torno deste eixo fixo.
Para que isso aconteça, a lesão precisa ser grande e com acometimento da maior parte da superfície meniscal. Ela é três a quatro vezes mais comum no menisco medial do que no lateral.
Embora as Lesões em Alça de Balde ocorram em qualquer idade, são mais comuns entre jovens que participam de atividades esportivas regulares.
Normalmente, o menisco começa a enfraquecer a partir dos 30 anos, tornando as pessoas a partir desta idade mais vulneráveis às lesões.
Eventualmente, a lesão poderá ocorrer em pacientes mais velhos e inativos, associado ao desgaste do joelho. Neste caso, a lesão pode ocorrer ao subir ou descer escadas, ao tropeçar na rua, ao se agachar ou ao sair do carro, por exemplo.

A imagem (A) mostra a visão por artroscopia de uma lesão em alça de balde. A imagem (B) mostra uma lesão extensa no menisco com potencial para se deslocar e formar uma alça de balde.
Sintomas da Lesão em Alça de Balde do Menisco
As Lesões em Alça de Balde são bastante instáveis e impedem o movimento normal do joelho, da mesma forma que aconteceria ao se colocar uma caneta na dobradiça de uma porta, impedindo que ela abra ou feche normalmente.
Assim, deve-se suspeitar de uma lesão em alça de balde no paciente com dor e edema significativo no joelho após uma entorse acompanhada de perda da mobilidade normal do joelho.
Em alguns casos, o paciente chega ao serviço de pronto atendimento sem conseguir esticar o joelho, o que impede ele de caminhar normalmente.
Diagnóstico por imagem da Lesão em Alça de Balde do Menisco
A Lesão em Alça de Balde do menisco deve ser confirmada por meio de um exame de ressonância magnética.
Um sinal característico destas lesões na ressonância magnética é o sinal de “duplo Ligamento Cruzado Posterior”, quando o menisco, dobrado para dentro do espaço intercondilar, se posiciona em paralelo ao Ligamento Cruzado Posterior dando a impressão de que existem dois ligamentos cruzados posteriores.
Tratamento da Lesão em Alça de Balde
O tratamento da Lesão em Alça de Balde é cirúrgico na maior parte dos pacientes.
Dependendo das características das lesões, o Ortopedista Especialista em Joelho poderá considerar a meniscectomia ou a sutura do menisco.
Nesse tipo de lesão, o menisco deslocado do seu leito habitual passa a ser comprimido e macerado pelo apoio do peso na perna e pela movimentação do joelho.
Assim, o ideal é que a cirurgia seja programada em carater de urgência, sem ficar aguardando autorização cirúrgica ou em filas de espera.
Muitas lesões reparáveis em um primeiro momento acabam por se tornarem inviáveis em um segundo momento.
Isso é ainda mais importante nos casos em que o paciente não é mais capaz de esticar completamente o joelho.
Sutura de menisco
A sutura de menisco deve ser o procedimento de escolha sempre que possível pelas características da lesão.
Neste procedimento, o menisco é recolocado no lugar e, em seguida, são dados pontos para fixar o fragmento rompido do menisco.
Após a cirurgia, o paciente deve permanecer seis semanas em uso de muletas sem apoio do peso na perna operada.
O movimento é iniciado de imediato, sendo limitada a um arco de movimento de 0 a 90 graus nas duas primeiras semanas e mobilização completa após este período.
O retorno esportivo é permitido geralmente cerca de quatro a cinco meses após a cirurgia.

Meniscectomia
A meniscectomia envolve a retirada do fragmento rompido do menisco. Este é um procedimento mais simples tecnicamente e que permite o retorno para as atividades do dia a dia quase de imediato.
Nas lesões em alça de balde, grande parte do menisco é retirado, o que leva a um aumento significativo da força sobre a cartilagem articular.
O joelho perde, total ou parcialmente, sua função de “amortecedor”, aumentando muito o risco futuro de artrose no joelho.
Assim, apesar da atratividade de uma recuperação mais imediata, o procedimento deve ser evitado sempre que possível.
No caso de pacientes com lesões crônicas e associadas a artrose e degeneração do tecido meniscal, a capacidade de cicatrização do menisco é bastante limitada, de forma que a meniscectomia tende a ser indicada.