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Hipotireoidismo

O que é o Hipotireoidismo?

Hipotireoidismo é uma condição que envolve um conjunto de sinais e sintomas em decorrência dos baixos níveis de hormônios tireoideanos.

Hormônios Tireoidianos

A tireoide é uma glândula localizada na parte da frente do pescoço e que é responsável pela produção de dois hormônios, o T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina).

O T3 é o principal responsável pela função tireoideana. Já o T4 é um pró-hormônio relativamente inativo. Apesar de pouco ativo, o T4 é transformado em T3 em outros tecidos, como o fígado ou os rins.

De fato, a maior parte do T3 circulante não é produzido na tireoide e sim em tecidos periféricos a partir da conversão de T4.

Hipotireoidismo

O que fazem os hormônios da Tireoide?

Os hormônios da tireoide regulam o metabolismo das células, ou seja, o anabolismo (formação de tecidos através do consumo de energia) e o catabolismo (geração de energia a partir da proteína, carboidrato ou gordura).

Desta forma, eles são fundamentais no processo de crescimento e desenvolvimento que acontece durante a infância e a adolescência, especialmente do sistema nervoso central.

Os hormônios da tireoide também ajudam o corpo a produzir e regular os hormônios adrenalina (também chamado de epinefrina) e dopamina. A adrenalina e a dopamina regulam muitas respostas físicas e emocionais, incluindo medo, excitação e prazer.

Os níveis de hormônios da tireoide são regulados por um outro hormônio, denominado de TSH (Hormônio Estimulador da Tireoide), produzido pela glândula hipófise.

Quando os hormônios da tireoide estão elevados, a produção de TSH é inibida e a tireoide passa a produzir menos hormônios. Quando os níveis de hormônios da tireoide estão baixos, o TSH aumenta e estimula a tireoide a produzir e liberar maior quantidade de hormônio.

Qual a causa do Hipotireoidismo?

Entre as possíveis causas para o Hipotireoidismo, devemos considerar:

  • Tireoidite de Hashimoto: a Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune, em que os anticorpos começam a atacar a glândula tireoide, como se ela fosse nociva ao próprio corpo;
  • Deficiência de iodo: condição conhecida como bócio, em que há aumento do tamanho da tireoide, mas que leva a uma menor produção de T3 e T4. A deficiência de iodo não é comum no Brasil, uma vez que aqui o sal é iodado por lei, mas é um problema comum em diversas partes do mundo;
  • Tratamento contra o hipertireoidismo;
  • Uso de medicamentos como carbonato de lítio, amiodarona, propiltiouracil e metimazol;
  • Uso indevido de hormônios tireoideanos com a finalidade de emagrecimento;
  • Gravidez ou pós-parto;
  • Hipotireoidismo central: decorrente de problemas com a glândula hipófise e com a produção de TSH. O hipotireoidismo central é responsável por menos de 1% dos casos de hipotireoidismo.

Quais os fatores de risco para o Hipotireoidismo?

São considerados fatores de risco para o hipotireoidismo:

  • Mulheres;
  • Idade de 60 anos ou mais;
  • Histórico familiar de hipotireoidismo;
  • Pessoas com alguma forma de doença auto-imune;
  • Pessoas que tenham realizado uma cirurgia com a retirada de parte da tireoide;
  • Pessoas submetidas a algum tipo de radiação na cabeça ou no pescoço.

Sinais e sintomas do Hipotireoidismo

Pessoas com Hipotireoidismo apresentam uma hipoatividade generalizada que se desenvolve em decorrência do metabolismo reduzido.

Entre os sinais e sintomas do hipotireoidismo, devemos considerar:

  • Cansaço excessivo;
  • Diminuição dos batimentos cardíacos (Bradicardia);
  • Aumento do peso sem motivo aparente;
  • Dor de cabeça, nos músculos e articulações;
  • Dificuldade de concentração, memória fraca;
  • Diminuição da libido;
  • Menstruação irregular;
  • Queda de cabelo;
  • Unhas frágeis, quebradiças;
  • Pele áspera e seca;
  • Olhos inchados;
  • Mudanças de personalidade, incluindo depressão e demência (no caso de pessoas com níveis muito baixo de T3 e T4).

Como é feito o diagnóstico do Hipotireoidismo?

O diagnóstico de hipotireoidismo é baseado nos sintomas do paciente e nos resultados de exames de sangue que medem o nível dos hormônios TSH T4 livre (T4L).

Quando a produção de T3 e T4 diminui, o TSH aumenta de forma compensatória para estimular a produção dos hormônios tireoideanos.

No início, essa maior produção de TSH consegue evitar a redução nos níveis de T3 e T4, de forma que o paciente não apresenta os sintomas característicos do hipotireoidismo.

O hipotireoidismo subclínico é justamente uma condição caracterizada por TSH elevado e T4L ainda dentro da normalidade, sendo esta uma condição presente em 6 a 8% das mulheres acima de 40 anos e 10% nas mulheres acima dos 60 anos.

Quando a maior produção de TSH não for mais capaz de manter os níveis de T3 e T4 dentro da normalidade, os sintomas começam a aparecer, sendo os sintomas mais graves quanto menor os níveis de T4L. Estes pacientes apresentam níveis de TSH elevados e T4L diminuído.

A incidência anual de hipotireoidismo sintomático é de 4 para cada 1.000 mulheres e de 1 para cada 1.000 homens. A incidência da doença aumenta especialmente a partir dos 40 anos, com idade média ao diagnóstico de 60 anos. A prevalência aumenta gradativamente com o avanço da idade.

Hipotireoidismo 2

Tratamento

O tratamento para o hipotireoidismo é relativamente simples. Ele deve ser feito através da reposição hormonal da Levotiroxina.

A medicação deve ser tomada em jejum, pelo menos 30 minutos antes do café da manhã, para que a digestão dos alimentos não diminua a eficácia da medicação.

O paciente em uso de levotiroxina deverá fazer exames regulares para dosar os níveis de TSH e T4L, especialmente na fase inicial do tratamento, para que o endocrinologista faça o ajuste na dose do medicamento.

Além do uso de medicamentos, é importante que seja feito o controle dos níveis de colesterol no sangue, evitando o consumo excessivo de gorduras (especialmente de gorduras saturadas e Gordura Trans), uma vez que o Colesterol Alto prejudica a secreção de hormônios pela tireoide.