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Hiperglicemia e Complicações hiperglicêmicas Agudas na Diabetes

O que é a hiperglicemia?

A hiperglicemia se refere ao aumento da glicose no sangue para níveis superiores a 180 mg/dL em um exame aleatório.

Isso pode acontecer tanto na diabetes tipo 1 como na diabetes tipo 2.

A hiperglicemia tem efeitos tanto agudos como de longo prazo.  Nos concentraremos aqui nas complicações agudas, incluindo a Cetoacidose Diabética e o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico. Essas complicações geralmente se desenvolvem com níveis de glicemia aleatória acima de 250 mg/dL e podem colocar a vida em risco, caso não recebam tratamento imediato.

Quais as causas da Descompensação da glicemia?

O aumento agudo da glicemia geralmente acontece em uma das condições abaixo:

  1. Excesso de consumo alimentar: O pico de glicemia acontece quando o diabético consome uma quantidade excessiva de carboidratos.
  2. Deixar de usar insulina ou usar quantidade insuficiência de Insulina, em diabéticos tipo 1.
  3. Descompensação clínica: Quando o diabético se encontra doente, com dor ou sob forte estresse emocional, seu corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina. Esses hormônios estimulam o fígado a liberar glicose e podem levar a um aumento na resistência à insulina, com consequente aumento da glicemia.

 

Cetoacidose diabética

O que é a Cetoacidose Diabética?

A Cetoacidose Diabética é a complicação mais grave e característica do Tipo 1 (embora também possa ocorrer na Diabetes Tipo 2). Ela ocorre quando o corpo tem insulina insuficiente para levar o açúcar para dentro das células. Assim, a glicose no sangue fica elevada, mas a glicose intracelular cai para níveis críticos.

A falta de açúcar dentro das células faz com que o corpo passe a queimar gordura para gerar energia. Esse processo gera resíduos ácidos chamados cetonas, que “envenenam” o sangue, tornando-o ácido.

Alguns dos sinais clínicos nesses casos incluem o hálito cetônico (cheiro de fruta podre ou maçã), náuseas, vômitos, dor abdominal intensa e respiração rápida e profunda.

Se não tratada de forma imediata em UTI com hidratação e insulina venosa, a cetoacidose diabética pode levar ao coma e óbito em poucas horas.

Diagnóstico da cetoacidose diabética

A cetoacidose diabética deve ser considerada especialmente no indivíduo com sintomas característicos e glicemia acima de 250mg/dL.

Ela pode ser confirmada por meio dos exames de sangue ou urina, com os seguintes achados:

  • Acidose metabólica (pH arterial < 7,3 e HCO3 < 15)
  • Cetose positiva (cetonemia ou cetonúria fortemente positiva)

Tratamento da Cetoacidose Diabética

O tratamento da Cetoacidose Diabética deve ser feito em regime hospitalar, preferencialmente em UTI.

Devem fazer parte do tratamento:

  • Uso de insulina, geralmente por via intravenosa;
  • Rehidratação por meio de um soro na veia;
  • Tratamento de eventuais fatores desencadeantes, como uma infecção;
  • Monitoramento das possíveis complicações da cetoacidose diabética, como problemas com o cérebro, rins ou pulmões.

A glicemia deve ser cuidadosamente monitorada durante o tratamento. Quando o nível de glicose no sangue cair para cerca de 200 mg/dL e o sangue não estiver mais ácido, a terapia de insulina intravenosa deve ser interrompida e substituída pela terapia usual de insulina subcutânea. É preciso ter cuidado para não reduzir excessivamente a glicemia, pelo risco de desenvolver um grave edema cerebral.

O paciente geralmente pode deixar o hospital quando estiver bem o suficiente para comer e beber e os testes mostrarem um nível seguro de cetonas em seu corpo; Habitualmente, isso envolve aproximadamente dois a três dias de internação.

Complicações da Cetoacidose Diabética

Possíveis complicações da cetoacidose diabética incluem:

  • Hipoglicemia, em decorrência do tratamento adotado para redução da glicose sanguínea;
  • Hipocalemia: outra complicação que pode acontecer em decorrência do tratamento da cetoacidose. Em que os níveis de potássio no sangue caiam bastante. Ela pode afetar o funcionamento do coração, músculos e nervos.
  • Edema cerebral: pode acontecer em decorrência de reduções muito rápidas na glicose sanguínea pelo tratamento da cetoacidose.

 

Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico acontece quando o corpo produz insulina, mas a insulina não funciona corretamente.

Os níveis de glicose no sangue podem ficar muito elevados – superiores a 600 mg/dL, mas sem cetoacidose.

A glicose passa então para a urina, causando aumento da micção. Se não for tratado, o estado hiperosmolar hiperglicêmico diabético pode levar à desidratação e ao coma com risco de vida.

Essa é uma condição mais típica da Diabetes tipo 2. Diferentemente da cetoacidose diabética, aqui o aumento da glicemia tende a acontecer de forma mais incidiosa (dias a semanas).

Sintomas do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

O principal sintoma do estado hiperglicêmico hiperosmolar é uma alteração no estado mental. Ela pode variar de uma confusão leve e desorientação até sonolência e coma. Até 20% das pessoas  que entram em um estado Hiperosmolar morrem por conta dela.

Além das alterações no estado mental, outros sintomas que podem estar presentes incluem micção frequente e sede extrema.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito na presenta de confusão em um paciente com glicemia muito elevada, geralmente acima de 250 mg/dL.

Além disso, os exames mostram níveis baixos de cetonas ou acidez na corrente sanguínea, o que indica que o paciente não está em cetoacidose.

Tratamento do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

O tratamento deve envolver a reidratação, oferta de eletrólitos e a otimização da terapia com insulina.

A insulina é geralmente administrada por via intravenosa, de forma que ela possa agir rapidamente e para que a dose possa ser ajustada frequentemente.

 

Cetoacidose Diabética X Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

Mostramos na tabela abaixo as principais diferenças entre a Cetoacidose Diabética e o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico.

Cetoacidose Diabética X Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico
CaracterísticaCetoacidose diabética (CAD)Estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH)
Tipo de diabetes mais comumDiabetes tipo 1Diabetes tipo 2
InícioRápido (horas a 1–2 dias)Insidioso (dias a semanas)
Deficiência de insulinaAbsolutaRelativa
GlicemiaElevada (geralmente > 250 mg/dL)Muito elevada (frequentemente > 600 mg/dL)
Cetonemia / cetonúriaPresente (marcante)Ausente ou discreta
Acidose metabólicaPresente (pH < 7,3)Ausente ou leve
Osmolaridade plasmáticaModeradamente elevadaMuito elevada (> 320 mOsm/kg)
DesidrataçãoModerada a graveMuito grave
Estado mentalAlerta → sonolentoConfusão, letargia, coma mais frequente
RespiraçãoKussmaul (hiperventilação)Normal ou levemente alterada
Hálito cetônicoFrequenteAusente
Fator desencadeante comumInfecção, omissão de insulinaInfecção, desidratação, doenças agudas
MortalidadeBaixa (< 5%)Mais elevada (até 10–20%)