Flutter Atrial
O que é o Flutter Atrial?
O Flutter Atrial é o segundo tipo mais comum de taquiarritmia sustentada, superada apenas pela fibrilação atrial. Em muitos casos, as duas condições coexistem, sendo que pacientes com flutter têm um risco 5 vezes maior de desenvolver fibrilação atrial nos 10 anos subsequentes.
A incidência aumenta com a idade, principalmente a partir dos 50 anos, com aumento expressivo da incidência a partir dos 65 anos de idade. Ele é 2,5 vezes mais comum em homens do que em mulheres. Tabagismo, abuso de álcool, obesidade e sedentarismo também estão associado a uma maior incidência de Fluter Atrial, bem como pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares e outras condições crônicas de saúde.
O que o acontece com o coração no flutter atrial?
Para entender o que acontece no coração para desenvolver uma Fibrilação Atrial, é fundamental antes entender como funciona o controle dos batimentos cardíacos.
O batimento cardíaco está associado a um processo sincronizado de contração e relaxamento do músculo cardíaco, controlado por um complexo sistema elétrico.
O estímulo elétrico tem origem em uma área do átrio direito chamado nó sinusal, que a seguir é conduzido pera os átrios (levando à contração dos mesmos) e, com um pequeno atraso, para os ventrículos.
Quando os átrios se contraem, o sangue é “empurrado” para os ventrículos ainda relaxados. A seguir, os ventrículos se contraem, impulsionando o sangue para o restante do corpo.
O nó sinusal é dessa forma, chamado também de “marcapasso natural do coração”, uma vez que ele é quem dita o ritmo dos batimentos cardíacos.
Nos pacientes com flutter atrial, no entando, ao invés de um impulso iniciar no nó sinusal e terminar, ele entra em um círculo contínuo ( mais frequentemente no átrio direito), criando uma atividade elétrica contínua e acelerada. No entanto, diferentemente da Fibrilação atrial, o Flutter tem um ritmo regular e organizado. Ainda assim, a eficiência dos batimentos diminui, o que compromete a capacidade do coração de bombear sangue para o resto do corpo.
Os átrios se contraem em uma frequência muito rápida (250 a 350 vezes por minuto). Habitualmente, porém, apenas metade dos impulsos conseguem atravessar dos átrios para os ventrículos, o que caracteriza um bloqueio 2:1. Eventualmente o bloqueio pode ser de 3:1 ou até 4:1.

O que o paciente sente?
Geralmente, o Flutter Atrial é assintomático. Os sintomas aparecem quando a eficiência em bombear o sangue se torna prejudicada e o paciente passa a apresentar sinais sugestivos de isquemia. Geralmente isso acontece quando a frequência cardíaca está muito elevada.
Quando presentes, os sintomas estão relacionados à má perfusão dos tecidos. Os primeiros órgãos a sofrerem com esta má perfusão são o coração e o cérebro. Assim, os sintomas mais cmuns da Fibrilação Atrial incluem:
- Sinais da má perfusão cardíaca: angina, fraqueza, mal-estar geral;
- Sinais de má perfusão cerebral: tontura, desmaio;
Infelizmente, em alguns casos o Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode ser a primeira manifestação do flutter atrial. O AVC está associado à formação de trombos no coração, os quais se deslocam até o cérebro.
Tratamento do Flutter Atrial
A primeira etapa do tratamento do Flutter Atrial é restaurar a frequência e o ritmo sinusal normal.
O controle da frequência cardíaca é feito com medicações. Entre elas, devemos considerar:
- Beta bloqueadores: Atenolol, Bisoprolol, Propranolol, outros;
- Bloqueadores de canal de cálcio: Diltiazen, Verapramil.
A seguir, o controle do ritmo cardíaco pode ser feito de duas maneiras: cardioversão elétrica ou medicamentosa.
A escolha do tratamento depende da frequência com que ocorre o flutter atrial, da doença cardíaca de base, de outras condições médicas, da saúde geral e de outros medicamentos usados pelo paciente.
A cardioversão elétrica é um procedimento hospitalar no qual o médico dá um choque no coração para regular os batimentos cardíacos. Para isso, o paciente recebe medicações sedativas, de forma que ele não estará acordado durante o procedimento.
Já a cardioversão medicamentosa é feita com os bloqueadores dos canais de sódio e bloqueadores dos canais de potássio.
Após a cardioversão, seja ela eletrica ou medicamentosa, deverão ser usadas as medicações anticoagulantes. O objetivo é minimuzar o risco para a formação de coágulos sanguíneos e de Acidente Vascular Cerebral (1).
Uma vez controlada o Flutter Atrial, é importante também que o paciente adote um estilo de vida mais saudável. Isso ajuda tanto no controle de outras doenças cardíacas de base como de outros fatores de risco cardiovascular.
Melhora do padrão alimentar, prática regular de exercícios físicos, abandono do tabagismo e controle do peso são algumas das medidas que ajudarão no controle da evolução da doença.
Complicações do Flutter Atrial
As principais complicações do Flutter Atrial são o acidente vascular cerebral (AVC) e a insuficiência cardíaca.
A alteração no fluxo sanguíneo dentro do átrio favorece a formação de coágulos, que podem viajar até o cérebro e entupir uma artéria, provocando assim o AVC.
A Insuficiência Cardíaca pode se desenvolver pela menor eficiência do coração em bombear o sangue para o restante do corpo.