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Disfunção erétil

O que é a disfunção erétil?

A disfunção erétil é definida como a incapacidade recorrente ou persistente por pelo menos 3 meses de se atingir ou manter uma ereção suficiente para a relação sexual.

Embora sejam mais comuns em homens mais velhos, ela pode acontecer em qualquer idade.

Na maior parte das vezes, o problema é tratável.

A disfunção eretil, no entanto, deve ser diferenciada da falta de libido masculina, outra condição comum com o avanço da idade e que pode ou não estar associada à disfunção eretil.

Quais as principais causas da Disfunção erétil?

A ereção peniana é o resultado de uma sequência complexa de eventos envolvendo nervos, artérias, veias e tecidos eréteis do pênis, sendo que problemas em qualquer uma destas estruturas pode estar envolvidas na disfunção erétil.

Uma das causas mais importantes de Disfunção erétil é a doença vascular. Doenças como diabetes, hipertensão arterial, colesterol alto, tabagismo, obesidade e sedentarismo podem levar a uma resposta prejudicada dos vasos sanguíneos responsáveis ​​pelo controle da ereção peniana e, com isso, provocar a disfunção erétil.

Já os problemas neurológicos podem incluir doenças como a depressão, esclerose múltipla ou doença de Parkinson. Além disso, a disfunção neurológica pode acontecer em decorrência de Lesão medular ou dano causado por radioterapia.

Medicamentos, incluindo certos anti-hipertensivos (especialmente betabloqueadores ou tizidas), antidepressivos, antiandrógenos também precisam ser considerados.
Por fim, é preciso considerar aspectos psicológicos, incluindo:

  • Conflitos e sentimentos negativos com o(a) parceiro(a) sexual;
  • Estresse, ansiedade ou medo de conseguir uma ereção;
  • Medo ou estresse de não conseguir satisfazer o(a) parceiro(a);
  • Expectativas sexuais irreais.

Disfunção erétil é comum?

A Disfunção eretil é um problema bastante comum, embora poucos falem sobre isso – o que dá a impressão de que “ninguem mais sofre com isso”. Pelo contrário, a vergonha faz com que muitos sofram em silêncio e demorem a procurar ajuda.

Na tabela abaixo, mostramos as incidências estimadas e as principais causas em cada faixa etária.

Disfunção erétil por faixa etária – prevalência e principais causas
Faixa etáriaPrevalência aproximada (qualquer grau)DE moderada a gravePrincipais causas predominantes
20–29 anos5–8%<2%Psicogênica (ansiedade de desempenho), pornografia excessiva, depressão, uso de substâncias
30–39 anos8–15%2–5%Psicogênica predominante; início de fatores metabólicos (obesidade, sedentarismo); tabagismo
40–49 anos20–30%5–10%Vasculogênica inicial (disfunção endotelial), síndrome metabólica, diabetes precoce, hipertensão
50–59 anos30–40%10–20%Vasculogênica estabelecida, diabetes, dislipidemia, início de hipogonadismo, medicamentos anti-hipertensivos
60–69 anos40–55%20–30%Doença aterosclerótica, neuropatia diabética, hipogonadismo, cirurgia prostática
≥70 anos50–70%30–40%Doença vascular avançada, insuficiência arterial peniana, neuropatia, polifarmácia

investigação da disfunção erétil

A investigação da disfunção erétil se inicia por meio de uma história clínica detalhada. O primeiro passo é a diferenciação entre causas psicogênicas ou causas orgânicas, conforme mostrado na tabela abaixo.

Diferenciação entre DE Orgânica e Psicogênica
CritérioDE PsicogênicaDE Orgânica
InícioSúbito, frequentemente relacionado a evento emocional ou situacionalGradual e progressivo
Presença de ereções matinaisPreservadasReduzidas ou ausentes
Ereção durante masturbaçãoPreservadaFrequentemente prejudicada
Rigidez e manutençãoPode iniciar bem, mas perde rigidez em situações específicas (ex: relação)Rigidez insuficiente de forma consistente
Dor ou deformidade penianaAusentePode estar presente (ex: doença de Peyronie)
LibidoGeralmente preservada (pode haver ansiedade de desempenho)Pode estar reduzida se houver hipogonadismo associado

Considerando as causas orgânicas, a anamnese deve também buscar identificar todos os fatores de risco e causas discutidos acima, incluindo o uso de medicamentos.

O exame físico geral deve avaliar IMC e circunferência abdominal, além da pressão arterial. Já o exame específico deve buscar identificar placas fibrosas penianas (Doença de Peyronie) ou a Atrofia Testicular.

A maior parte dos pacientes precisarão também de exames laboratoriais, que devem ser direcionados de acordo com os achados da história clínica. Na tabela abaixo, mostramos alguns dos exames que ecostumam ser solicitados nessa investigação.

Exames Laboratoriais – Disfunção Eretil
ExameObjetivo
Glicemia / HbA1cDiabetes
Perfil lipídicoRisco cardiovascular
Testosterona total (manhã)Hipogonadismo
TSHDisfunção tireoidiana
CreatininaDoença renal

Tratamento da Disfunção Erétil

Suporte psicológico
Quando se acredita que os fatores psicológicos sejam a principal causa da disfunção erétil – particularmente em homens que sofrem de ansiedade ou depressão – o aconselhamento psicológico pode ser o primeiro passo, de preferencia com o profissional especializado em Terapia Sexual.

Mudanças no estilo de vida
Ao se considerar causas orgânicas, mudanças simples no estilo de vida, como parar de fumar, perder peso, melhorar a qualidade do sono ou iniciar a prática regular de atividade física pode ser tudo o que uma pessoa precisa para melhorar a disfunção erétil.
O ajuste de medicamentos que afetam adversamente a função erétil deve ser considerado, sempre que possível.

Medicamentos

O tratamento medicamentoso da disfunção erétil (DE) é altamente eficaz e bastante difundido, especialmente com os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5). Esses medicamentos funcionam aumentando o fluxo sanguíneo para o pênis.

Vale considerar que a ereção não é automática, sendo necessário estímulo sexual. Entre esses medicamentos, incluem-se:

  • Sildenafila (Viagra): Geralmente consumido 30 a 60 minutos antes da relação sexual, com efeito por cerca de 4 a 6 horas.
  • Tadalafila (Cialis): Conhecida pelo efeito prolongado (até 36 horas), o que proporciona maior espontaneidade. Pode ser tomada sob demanda ou diariamente em doses menores (5mg).
  • Vardenafila (Levitra): Similar à sildenafila em tempo de ação.
  • Avanafila: Ação mais rápida, podendo funcionar em cerca de 15 a 30 minutos.

Estudos indicam que sildenafila e tadalafila possuem eficácia superior a 80% no tratamento da disfunção eretil. No entanto, alguns cuidados com essas medicações precisam ser observados – o que justifica a necessidade de receita médica.

Efeitos colaterais são comuns, especialmente dor de cabeça, rubor facial, dispepsia (indigestão), congestão nasal e dores nas costas ou coxas.

Além disso, pacientes que utilizam medicamentos à base de nitratos (para tratar angina) não podem usar inibidores da PDE5, uma vez que  essa combinação pode causar uma queda fatal da pressão arterial.

Embora raros, há um risco de priapismo, com ereção prolongada e dolorosa por mais de 4 horas, o que exige atendimento de emergência.

Bomba peniana
Quando as opções acima não funcionam, há a opção do uso de um dispositivo de ereção a vácuo (“bomba peniana”), para auxiliar na obtenção da ereção. Esses dispositivos funcionam puxando sangue para o pênis; um anel constritivo apertado é então colocado na base do pênis.
Embora geralmente seguro, deve-se tomar cuidado para não inflar demais o dispositivo nem deixar o anel constritivo por períodos prolongados, pois qualquer um desses itens pode causar danos ao pênis.

Cirurgia (prótese peniana)
Por fim, existe a opção de cirurgia, com a implantação de uma prótese peniana. A maioria dos implantes penianos são modelos infláveis, embora também existem opções maleáveis ​​não infláveis.
Geralmente, estes dispositivos levam a uma alta satisfação tanto do paciente como do parceiro. Os benefícios da prótese peniana incluem evitar medicamentos e injeções, aparência e sensação muito naturais do pênis, tanto no estado flácido quanto no ereto, e controle completo sobre o início e a duração da ereção.