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Cortisol

O que é o Cortisol?

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que estão localizadas acima dos rins.

Ele é um hormônio catabólico que age como um antagonista fisiológico da insulina, induzindo a conversão da proteína, gordura e glicogênio em glicose para a geração de energia.

Os níveis de cortisol variam bastante ao longo do dia, sendo mais elevado pela manha e reduzindo progressivamente ao longo do dia. Nos momentos de maior estrese, ele também aumenta, com a função de aumentar a disponibilidade energética momentaneamente. Por esse motivo, ele é conhecido também como o “hormônio do estresse”.

O aumento sustendado do cortisol, por sua vez, pode determinar a atrofia muscular e diminuição da força, com consequente efeito negativo no rendimento esportivo.

A dosagem do cortisol está indicada no caso de suspeita de condições como  overtrainingDeficiência Energética Relativa no Esporte ou em quadro clínico suspeito de insuficiência Adrenal. Nenhuma diretriz relevante, no entanto, recomenda a dosagem de rotina para pessoas sem quadro clínico compatível.

Dosagem do Cortisol

A dosagem de cortisol deve seguir uma técnica bastante rigorosa. Por conta de uma oscilação natural e fisiológica nos níveis hormonais ao longo do dia, ele precisa ser dosada em jejum entre as 7h e as 10h da manhã, ou no máximo até 2 horas após acordar no horário em que habitualmente acorda, que é o momento em que se espera que ela esteja mais elevada.

A espectrometria de massa no sangue é considerada o padrão-ouro para a coleta do cortisol, por ser extremamente precisa, eliminando interferências de outros esteroides que ocorrem em testes de imunoensaio comuns.

Após se puncionar a veia para a coleta do sangue, é preciso também que se aguarde 30 minutos em repouso antes de fazer a coleta, considerando que o estresse físico pode alterar os níveis do cortisol. Por fim, caso esteja fazendo uso de medicamentos corticoesteroides, esses precisam ser suspensos ao menos uma semana antes.

Seguindo esses cuidados, valores de cortisol abaixo de 5 µg/dL são altamente sugestivos de Insuficiência Adrenal, enquanto valores acima de 18 µg/dL geralmente excluem a insuficiência.

Valores de referência

Considerando a técnica adequada de coleta do exame, valores de cortisol abaixo de 5 µg/dL são altamente sugestivos de Insuficiência Adrenal, enquanto valores acima de 18 µg/dL geralmente excluem a insuficiência.

Quando os níveis de cortisol estão na faixa intermediária, entre 3 µg/dL e 18 µg/dL, ele nem confirma nem exclui a insuficiência Adrenal. Nesses casos, deve-se proceder com um Teste de Estímulo com ACTH sintético (Cortrosina) ou o teste de tolerância à insulina.

Teste de Estímulo com ACTH

O teste de estímulo com ACTH avalia a função das glândulas adrenais medindo os níveis de cortisol antes e depois da injeção de ACTH sintético. O paciente coleta sangue basal (em repouso), recebe a injeção (intramuscular ou intravenosa) e faz uma nova coleta após 30 ou 60 minutos, verificando se as adrenais produzem cortisol adequadamente.

A resposta normal esperada com o teste é o aumento dos níveis de cortisol para valores normais, que indica uma função adrenal normal. Alguns pacientes com insuficiência adrenal secundária de origem recente podem também apresentar uma resposta normal, o que deve ser avaliado pela história clínica.

Nos pacientes com insuficiência adrenal secundária de longa data, a falta crônica de ACTH endógeno leva a uma atrofia da glândula adrenal, tornando-a incapaz de responder ao estímulo. Assim, o teste provoca pouca ou nenhuma elevação do ACTH.

Por fim, pacientes com insuficiência Adrenal Primária também não terão aumento do cortisol após o estímulo. O teste, dessa forma, não deve ser usado para diferenciar a insuficiência adrenal primária ou secundária.

Teste de Tolerância `a Insulina

O Teste de Tolerância à Insulina (TTI) é o exame padrão-ouro para diagnosticar a insuficiência adrenal secundária, avaliando a capacidade de resposta do cortisol à hipoglicemia.

Nesse exame, a insulina intravenosa é administrada para induzir hipoglicemia. A seguir, o cortisol é medido em 0, 30, 60 e 90 minutos.

A injeção intravenosa de insulina deve reduzir a glicemia para níveis inferiores a 40 mg/dL para ser considerada um estímulo adequado. Quando isso acontece, espera-se que o cortisol suba para níveis de ao menos 18 µg/dL. Caso isso nãoi aconteça, fica confirmada a insuficiência adrenal.

Devido ao risco de hipoglicemia profunda, o paciente é monitorado por equipe médica, com glicose intravenosa disponível para uso imediato se necessário. O teste é contraindicado para pacientes com histórico de epilepsia, doença arterial coronariana, AVC ou idade superior a 55-60 anos.

O teste é especialmente útil na suspeita de insuficiência adrenal aguda, como após cirurgias hipofisárias, onde testes de estimulação por ACTH (Cosintropina) podem ter resultdos falsos normais.

Cortisol baixo

As principais causas do cortisol baixo são os problemas relacionados à glândula suprarrenal e a suspensão abrupta de medicamentos corticosteroides.

O cortisol baixo provoca sintomas como:

  • Hipoglicemia;
  • Fadiga e falta de energia;
  • Perda do apetite;
  • Dor nos músculos e articulações;
  • Febre baixa;
  • Anemia e infecções frequentes;
  • Pressão baixa.

Na presença de um cortisol baixo, o primeiro passo é avaliar se houve uso recente de alguma medicação corticoesteroide para justificar o resultado.

Caso contrário, é recomendado a realização de um teste provocativo com ACTH.

Neste teste, o paciente recebe uma injeção de ACTH.  Os níveis de Cortisol são novamente dosados após 30 minutos ou 60 minutos, ou ambos.

Normalmente, espera-se um aumento nos níveisde cortisol com a injeção de ACTH. Caso isso não aconteça, fica caracterizada a Insuficiência Adrenal.

Cortisol Alto

As principais causas para o Cortisol Alto incluem:

  • Estresse crônico;
  • Sono irregular e não reparador;
  • Uso de medicamentos corticoesteroides por período superior a 15 dias
  • Tumores das glândulos suprarrenais.

Os sintomas mais comuns neste caso, incluem:

Cortisol, atividade física e overtraining

A atividade física regular é um importante mecanismo para a regulação do cortisol, sendo muito recomendado especialmente no paciente com cortisol baixo.

Normalmente, ele aumenta durante a atividade física e diminui após o treino, no período de recuperação.

  • Durante o treino, o aumento no cortisol aumenta a disponibilidade de glicose no sangue, sendo esta a principal fonte de energia na maior parte das modalidades esportivas.
  • Após o treino, os níveis de cortisol diminuem. Com isso, o corpo passa a usar a proteína para o reparo muscular, além de repor os estoques de glicogênio no fígado e nos músculos.

Em uma condição de overtraining, porém, o cortisol não mais retorna ao normal durante o repouso. Isso faz com que o atleta permaneça em um estado contínuo de ação catabólica. 

As reservas energéticas não são repostas e o paciente entra para o treino seguinte em uma condição de fadiga.

O reparo muscular durante o repouso fica prejudicado e o atleta passa a desenvolver um desgaste cumulativo da musculatura, deixando ele mais vulnerável a lesões.

Relação Testosterona / cortisol

Além de monitorar testosterona e cortisol separadamente, avaliar a proporção entre estes dois hormônios (razão T: C) pode fornecer uma indicação de como está o equilíbrio anabólico-catabólico, especialmente em atletas do sexo masculino.

A relação T: C é considerada mais sensível ao treinamento do que cada um destes hormônios isoladamente.

A redução sustentada na razão T: C está associado à perda muscular e é um indicador de overtraining e recuperação pós treino insuficiente.

A relação de outros hormônios, como SHBG ou DHEA em relação ao cortisol pode fornecer informações adicionais sobre o equilíbrio anabólico a catabólico em atletas do sexo masculino e feminino.

A desidroepiandrosterona (DHEA) é um hormônio precursor do estrogênio e da testosterona. Além de afetar a composição corporal em atletas, a redução do DHEA em relação ao cortisol é um indicador de overtraining para a mulher atleta.