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Bexiga Hiperativa e Incontinência Urinária de urgência

O que é a bexiga hiperativa?

A bexiga hiperativa é uma condição caracterizada por contrações involuntárias do músculo da bexiga, levando a uma vontade súbita e de difícil controle para urinar.

Quando essa urgência é acompanhada de perda involuntária de urina, o quadro é denominado incontinência urinária de urgência. Essas pessoas perdem urina até que a bexiga seja completamente esvaziada, o que pode ser bastante constrangedor do ponto de vista social.

A incontinência urinária de esforço é relativamente comum e pode afetar significativamente a qualidade de vida, interferindo em atividades diárias, sono e interação social.

Não existe uma causa única identificável e tratável para a urgência miccional. O tratamento, dessa forma, envolve medidas comportamentais e medicamentos que focam no controle das contrações involuntárias.

O problema pode afetar homens e mulheres de qualquer idade, ainda que a incidência aumente com o avanço da idade. Estima-se que a Bexiga Hiperativa acometa aproximadamente 15% dos indivíduos com mais de 40 anos e 30% dos indivíduos com mais de 75 anos de idade (1).

Quais os sintomas da Bexiga hiperativa?

A principal característica da bexiga hiperativa é a urgência miccional, que é a sensação repentina de que precisa urinar imediatamente.

Outros sintomas costumam estar presentes, incluindo:

Incontinência urinária de urgência

Se refere à perda involuntária de urina durante os episódios de urgência miccional.

É observada em mais de um terço dos casos de Bexiga hiperativa, sendo mais comum em mulheres (1).

Diferentemente do que acontece no caso de pesoas com incontinencia de esforço, esses pacientes perdem urina em grande volume, até que a bexiga seja esvaziada. Por esse motivo, essa é uma condição bastante constrangedora para quem sofre com o problema.

Noctúria

Noctúria é a Sensação de que precisa urinar muitas vezes durante o dia e a noite, com volume de urina habitualmente reduzido a cada micção.

Aceita-se como normal o número de oito micções em média durante o dia, com pelo menos duas a três horas entre as micções.

Quais as diferenças com outras formas de incontinência urinária?

Tipos mais comuns de incontinência Urinária
Característica Incontinência urinária de esforço Incontinência urinária de urgência Incontinência urinária mistaIncontinência por transbordamento
Mecanismo principalFraqueza do assoalho pélvico / esfíncterContrações involuntárias da bexigaCombinação de esforço + urgênciaEsvaziamento incompleto da bexiga
Sintoma-chavePerda urinária ao esforçoUrgência urinária com perdaAmbos os sintomasGotejamento contínuo
Situações típicasTossir, rir, espirrar, exercícioVontade súbita de urinarVariávelSem controle, frequentemente constante
Volume de perdaPequenoModerado a grandeVariávelPequeno e frequente
Sensação prévia de urgênciaAusentePresentePresente (parcial)Geralmente ausente
Frequência urináriaNormal ou levemente aumentadaAumentadaAumentadaVariável
NoctúriaIncomumComumComumPode ocorrer
Causa comumParto, envelhecimento, cirurgia pélvicabexiga hiperativaAssociação de fatoresObstrução urinária ou bexiga hipoativa
Grupo mais acometidoMulheres, especialmente após gestação/parto e menopausaIdosos (homens e mulheres)Mulheres de meia-idade e idosasHomens idosos (ex.: hiperplasia prostática benigna) e pacientes com doenças neurológicas
Exemplo clínico típicoPerda ao tossir ou fazer esforçoNão consegue chegar ao banheiro a tempoPerde ao tossir e também com urgênciaSensação de bexiga sempre cheia
Tratamento inicialExercícios do assoalho pélvicoTerapia comportamental + medicamentosCombinação de abordagensTratar causa de base

Diagnóstico da bexiga hiperativa

O diagnóstico da Bexiga Hiperativa e da Incontinência Urinária de Esfoço é eminentemente clinica, baseada no que o paciente conta. Não existe nenhum exame capaz de identificar o problema, embora exames possam ser solicitados para descartar outras causas.

A realização de um Diário de Miccção, geralmente durante três dias, pode ajudar a diferenciar a Bexiga hiperativa de outras condições:

  • Frequência aumentada e volume normal nas micções: habitualmente provocada por aumento na ingestão de líquidos. Eventualmente, pode ser causada por certas doenças metabólicas.
  • Volumes e frequência normais de dia e maiores à noite: pode estar associada à insuficiência cardíaca ou a anormalidades na liberação de hormônios. Em alguns casos, não tem nenhuma causa específica.
  • Frequência aumentada e volumes reduzidos: compatível com bexiga hiperativa.

As principais condições que precisam ser descartadas são:

  • Infecção urinária;
  • Obstrução infravesical, incluindo a hiperplasia prostática nos homens e pós-cirurgia para correção de incontinência urinária em mulheres;
  • Câncer de bexiga e pedra na bexiga.

Exames de sangue e urina são habitualmente solicitados com o objetivo de se descartar outras condições que possam estar causando a urgência miccional.

  • Exame de urina, incluindo urina tipo I e urocultura, são solicitados para descartar infecção urinária, bem como outras doenças urológicas;
  • Exame de sangue, incluindo hemograma completo, dosagem de uréia, creatinina e glicose são importantes para afastar doenças metabólicas e dos rins.

Exames de imagem, especialmente o ultrassom, podem ser usados para descartar alguns problemas estruturais, incluindo:

Tratamento

O tratamento da bexiga hiperativa busca controlar as contrações involuntárias da bexiga e a incontinência de urgência, o que geralmente envolve medidas comportamentais e medicamentos. Em casos graves e refratários, abordagens mais avançadas poderão ser consideradas.

Medidas Comportamentais

As medidas comportamentais buscam essencialmente minimizar os impactos da incontinência urinária de urgência, o que pode incluir:

  • Treinamento Vesical: Consiste em urinar com horários marcados, tentando aumentar gradualmente o intervalo entre as micções para “ensinar” a bexiga a reter mais volume.
  • Controle de Irritantes: Redução do consumo de substâncias que estimulam a bexiga, como cafeína, álcool, adoçantes artificiais e alimentos muito ácidos ou picantes.
  • Gestão de Líquidos: Não se trata de beber menos água, mas de distribuir a ingestão ao longo do dia e evitar grandes volumes pouco antes de dormir ou de sair de casa.

Tratamento Medicamentoso

Quando as mudanças de hábito não são suficientes, medicamentos que ajudam a relaxar a musculatura da bexiga poderão ser considerados, incluindo:

  • Anticolinérgicos: Bloqueiam os sinais que fazem a bexiga contrair antes da hora.
  • Agonistas Beta-3 (Mirabegrona): Uma classe mais moderna que relaxa a bexiga durante a fase de enchimento, geralmente com menos efeitos colaterais que os anticolinérgicos.

Terapias Avançadas (Casos Refratários)

Para pacientes que não respondem bem aos medicamentos, algumas opções a serem consideradas incluem:

  • Injeção de Toxina Botulínica (Botox): Aplicada diretamente no músculo da bexiga via cistoscopia para “paralisar” parcialmente as contrações involuntárias.
  • Neuromodulação Sacral: Um pequeno dispositivo (semelhante a um marca-passo) é implantado sob a pele para enviar estímulos elétricos aos nervos que controlam a bexiga, regulando sua atividade.