medicina e exercicio

Timidez na sala de aula

Timidez na sala de aula

Infelizmente, a timidez na sala de aula pode ser um problema na vida de muitos estudantes que se sentem inseguros e ansiosos diante das interações sociais.

Embora em algumas circunstâncias todos nós possamos nos sentir tímidos, quando essa timidez é excessiva e recorrente, a ponto de impactar a funcionalidade do indivíduo, é importante que haja uma intervenção psicológica.

Caso contrário, a aprendizagem do aluno poderá ser prejudicada devido à dificuldade para interagir, tirar dúvidas, apresentar seus trabalhos e resultados, e assim por diante.

Pensando nessas situações, fizemos este guia informativo para que você possa refletir com a gente sobre o assunto. Acompanhe-nos.

Quais aspectos estão envolvidos com a timidez na sala de aula?

Cada aluno possui uma história de vida singular, que se baseia nas interações familiares, no contexto no qual ele está inserido, e assim por diante. Isso significa que são muitos os aspectos que podem estar envolvidos com os casos de timidez na sala de aula.

A seguir, descrevemos algumas possibilidades que podem ser levadas em conta quando pensamos nas crianças que têm timidez. Veja:

1. Baixa autoestima
Problemas com a autoestima e um autoconceito muito negativo podem ser algumas das causas da timidez na sala de aula. O aluno, que se diminui constantemente, pode acreditar que a sua fala, suas dúvidas e seus trabalhos não têm credibilidade, e que os outros o julgariam caso ele apresentasse alguma coisa em sala.
Esse medo de ser diminuído, por acreditar que merece tal diminuição, pode resultar em um comportamento retraído de isolamento social.
As causas para a baixa autoestima são diversas, e podem ter relação com a escola, com os pais, com o professor, etc.

2. Bullying
Quando o aluno sofre bullying na escola, a autoconfiança pode ficar afetada. Assim, ele pode apresentar comportamentos de timidez na sala de aula.
Afinal, o medo de ser agredido, física ou psicologicamente, pelos colegas de turma, pode levá-lo a um comportamento mais retraído e silencioso.
3. Invalidação do aluno
Infelizmente, ainda vemos alguns educadores com posturas inadequadas na sala de aula. É o caso de diminuir as dúvidas do aluno e invalidar o que o estudante tem a dizer dentro da sala.
Ao ter esse tipo de comportamento, o aluno pode se sentir diminuído, fazendo com que a timidez comece a aparecer com mais frequência.

4. Problemas em casa
Os problemas vividos em casa também podem resultar em impactos na aprendizagem e no comportamento das crianças e dos adolescentes.
Se em casa as crianças são diminuídas, comparadas e têm a autoestima reduzida, consequentemente poderão apresentar comportamentos de timidez.
Além disso, se uma criança sofre consequências desproporcionais ao cometer algum erro, como tirar uma nota baixa e apanhar por isso, ela pode começar a temer a avaliação dos outros, ficando cada vez mais “fechada” em seu próprio mundo, para não ser julgada e, logo, não “cometer erros” aos olhos alheios.

5. Outras questões subjetivas
São diversas as questões subjetivas que podem estar envolvidas com a timidez na sala de aula. Por isso, não nos cabe listar todos os aspectos envolvidos com essa situação, pois isso seria impossível.
Portanto, deixamos aqui esse ponto para que possamos refletir: as questões pessoais da criança e do adolescente, como a visão de mundo, os cuidados com as emoções, entre outros aspectos subjetivos, podem impactar no sentimento de timidez.

6. Fobia social
Outro ponto que merece atenção, quando pensamos na timidez na sala de aula, é o fato de que nem tudo é sobre ser tímido. Ou seja, em alguns casos é possível que a criança ou o adolescente esteja apresentando sinais intensos de ansiedade, caracterizando um quadro de fobia social.
Ficar atento à diferenciação de uma timidez comum e de uma timidez patológica é imprescindível para oferecer o apoio mais adequado ao aluno.
Em nosso artigo sobre Transtornos de Ansiedade na Infância, trazemos mais informações sobre esse assunto. Não deixe de acessá-lo.

Sinais de timidez na sala de aula

Além de pensarmos nos aspectos que possam estar envolvidos com os casos de timidez na sala de aula, também é relevante termos consciência de alguns dos sinais de que a criança ou o adolescente está sofrendo por conta disso.

A seguir, descrevemos alguns pontos que podem ser analisados e avaliados. É muito importante que os agentes educadores tenham um olhar atento frente às singularidades dos alunos, buscando oferecer-lhes uma atmosfera mais saudável.

Vejamos os sinais de timidez na sala de aula:

1. Falta de interação social
Sem dúvidas, este costuma ser o aspecto mais perceptível quando analisamos alunos tímidos. Porém, devido ao foco normalmente recair nos “alunos problemáticos”, ou seja, naqueles que são mais “bagunceiros” e chamam a atenção do professor, pode ser que o aluno tímido passe despercebido na sala de aula.
Por isso, é muito importante manter uma observação constante das interações entre as crianças e os adolescentes, buscando compreender o que pode estar acontecendo e como essas relações vêm sendo construídas.

2. Preferência por atividades como desenhar e ler, ao invés de interagir
Um aluno que apresenta sinais de timidez costuma trocar a interação e a brincadeira com colegas por momentos sozinho, seja desenhando, lendo ou, simplesmente, não fazendo nenhuma atividade significativa.
Claro que isso não é uma regra universal. Ou seja, em alguns momentos a criança pode se sentir mais à vontade sozinha, simplesmente por ter o desejo de fazer um desenho ao invés de correr no parquinho, por exemplo. No entanto, quando o comportamento é extremamente frequente, vale a observação do professor.

3. Sinais de tensão ao precisar falar com alguém
Uma criança que possui uma timidez elevada pode apresentar sinais de tensão ao falar com alguém. É o caso de cerrar os punhos, roer as unhas, ter um “tique nervoso”, entre outros sinais.
A postura pode parecer mais rígida e tensa, como se ele estivesse se preparando para algo extremamente estressante e difícil.

4. Comunicação “pobre”
A comunicação costuma ser mais pobre do que a de outras crianças. Não no sentido de ter um vocabulário ruim, mas no sentido de conversar poucas vezes com os colegas e com o professor. A criança tímida pode preferir se manter em silêncio, mesmo nos momentos de atividade livre.

5. Voz trêmula
Ao precisar comunicar alguma coisa, o tímido pode demonstrar uma falta de firmeza no seu tom de voz, denunciando uma comunicação trêmula.
Isso pode estar relacionado à ansiedade de ter que dizer alguma coisa a alguém, de um modo que a criança ou o adolescente não está acostumado a dizer.

6. Questões psicossomáticas
Dor de cabeça, dor de barriga e outras questões de saúde física que não são explicáveis podem ser sinais de timidez na sala de aula.
O aluno tímido pode ter esses efeitos colaterais, uma vez que o seu corpo tenta “fugir” da situação que está causando muita ansiedade e desconforto.

Como o professor pode atuar frente à timidez na sala de aula?

Até aqui nós pudemos discutir e analisar diversos fatores envolvidos com os casos de timidez na escola. Agora, vamos analisar juntos alguns pontos que podem ajudar os educadores na hora de incluir os seus alunos e de promover uma atmosfera mais positiva. Vejamos:

1. Evitar colocar o aluno em situações que o deixem constrangido
Apesar de o senso comum acreditar que a exposição possa ajudar a combater a timidez, a verdade é que fazer o aluno se sentir constrangido pode só piorar a situação.
Por isso, é preciso ter um olhar atento e sensível na hora de lidar com a timidez na sala de aula. Querer que o aluno se exponha a todo custo é algo que pode ser visto, acima de tudo, como cruel.
Por conta disso, é mais interessante criar um efeito gradativo: hoje você pode apenas perguntar se o aluno entendeu a explicação, apenas para ele responder um simples “sim”. Amanhã, pode solicitar que ele fale algo mais sobre o conteúdo, e assim por diante.
Porém, quando perceber um desconforto muito intenso, procure mediar e ajudá-lo. Por exemplo, se ele começar a gaguejar ou demonstrar dificuldade para comunicar a ideia dele, ajude-o a colocar em palavras o que ele está tentando dizer. Ao mesmo tempo, não permita que a turma ria dele caso isso aconteça.
Os professores precisam criar um espaço de acolhimento e segurança para os alunos tímidos.

2. Comunicação com os pais
Se a timidez na sala de aula está prejudicando o desenvolvimento do aluno, não hesite na hora de conversar com os pais. Às vezes, a família não está ciente do que está acontecendo, bem como não faz ideia da importância que as relações familiares têm nos casos de timidez.
Sendo assim, comunicar os pais e buscar orientá-los sobre como eles podem abordar a timidez e como podem fortalecer a autoestima e a autoconfiança do filho são medidas bastante pertinentes.
Inclusive, a baixa autoestima pode estar associada à autocobrança excessiva que acontece em casa, e isso pode vir a ser detectado em uma conversa com os familiares.

3. Fortalecer a autoestima do aluno
Sempre que possível, os professores também podem fortalecer a autoestima do aluno para proporcionar a ele mais autoconfiança.
Elogiar, demonstrar satisfação com os resultados atingidos pelo aluno e parabenizá-lo sempre que superar um desafio, são medidas que podem fazê-lo enxergar o próprio valor, contribuindo para uma diminuição da timidez.
Também lembre-se de incluir atividades que tenham relação com os pontos fortes do aluno, para que ele se sinta importante e acolhido.

4. Jamais comparar o aluno
Nunca, em hipótese alguma, compare o aluno. Dizer que ele deveria ser mais comunicativo como o colega é algo cruel e que pode prejudicar ainda mais a criança.
Por isso, evite esse tipo de discurso e mostre que compreende o desenvolvimento individual do pequeno.
Afinal, cada indivíduo tem o seu tempo de desenvolvimento social, cognitivo e emocional, logo, querer comparar a evolução de duas crianças é algo irresponsável.

5. Conhecer os “pontos fortes” do aluno para incentivá-lo frente a eles
Seu aluno domina determinado assunto? Tem mais facilidade em uma matéria específica? Ajude-o a mostrar isso aos colegas.
Ao preparar trabalhos que levem em consideração os pontos fortes do educando, você poderá proporcionar a ele uma maior autoconfiança na hora de apresentar para a turma. Afinal, se ele tem a oportunidade de fazer sobre algo que domina, as chances de se sentir mais tranquilo poderão ser maiores.

6. Abordar o tema timidez na sala de aula
Trazer o tema timidez para dentro da sala de aula também pode ser interessante. Assim, é possível trabalhar o que é a timidez, por que ela acontece e quais formas podem ajudar o indivíduo a enfrentar o problema.
Assim, ele poderá ser conscientizado das sensações que costuma experimentar e de que forma pode lidar com elas no dia a dia, aumentando as chances de diminuir os sintomas de timidez na sala de aula.

7. Não rotular o aluno
Nunca rotule o aluno. Evite ficar dizendo que ele é tímido, é mais quieto, calado, etc. Esse tipo de discurso pode apenas reforçar ainda mais o comportamento, fazendo com que o aluno passe a acreditar que ele é “assim e pronto”, ou seja, que não existe a menor possibilidade de ele conseguir superar essa vergonha que costuma sentir na frente dos colegas.
Por isso, sempre que quiser comentar algo sobre o aluno, considere falar que ele “está” alguma coisa, e não que ele “é” alguma coisa. Essa fala difere-se da ideia de criar um rótulo.
Inclusive, é importante evitar falar esse tipo de coisa na frente do aluno. Conversar com outros educadores e com os pais em um local reservado é mais adequado.

8. Encaminhamento para profissional de saúde mental
Se porventura a timidez na sala de aula estiver atrapalhando a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, considere fazer o encaminhamento para um profissional da saúde mental.
Na psicoterapia o aluno poderá lidar com os seus pensamentos sobre si mesmo, com a sua autoestima, com as emoções que são vividas em diversos momentos do cotidiano, e assim por diante.
Ao mesmo tempo, o profissional poderá ajudar o aluno a lidar com as angústias causadas pela timidez, encontrando ferramentas internas para enfrentá-las e seguir adiante. Considere essa possibilidade.

Referências
DA SILVA MARIANO, Vanuza Oliveira et al. A TIMIDEZ NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM.
TAGLIEBER, G. M. do C.; MÜLLER, J. L. Timidez: alunos tímidos. Revista Eventos Pedagógicos, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 68–76, 2014. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/reps/article/view/9407. Acesso em: 30 nov. 2022.