Taquicardia ventricular
O que é a Taquicardia Ventricular?
A Taquicardia Ventricular é uma arritmia que se origina ventrículos, que são as câmaras inferiores do coração. A frequência cardíaca é acelerada, de pelo menos 120 batimentos por minuto.
A maior parte delas é classificada como não sustentadas. Eles têm duração de até 30 segundos e geralmente não provocam sintomas. Quando a arritmia dura mais do que 30 segundos, ela é classificada como sustentada, podendo ou não haver instabilidade hemodinâmica.
Nos pacientes com instabilidade hemodinâmica, a função do coração é totalmente afetada, de forma que ela é considerada equivalente a uma parada cardíaca. A Taquicardia Ventricular é, inclusive, a principal causa de parada cardíaca e morte súbita.
A prevalência da Taquicardia Ventricular aumenta de acordo com o avanço da idade e com a presença de doenças cardíacas estruturais. Ela acomete até 4% dos idosos em geral e até 15% daqueles com algum outro tipo de doença cardíaca. Cerca de 5% a 10% dos pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio apresentam arritmias ventriculares nos primeiros dias após o evento.
Como a atividade elétrica do coração é afetada na Taquicardia Ventricular?
Para entender o que acontece no coração para desenvolver uma Fibrilação Atrial, é fundamental antes entender como funciona o controle dos batimentos cardíacos.
O batimento cardíaco está associado a um processo sincronizado de contração e relaxamento do músculo cardíaco, controlado por um complexo sistema elétrico.
O estímulo elétrico tem origem em uma área do átrio direito chamado nó sinusal, que a seguir é conduzido pera os átrios (levando à contração dos mesmos) e, com um pequeno atraso, para os ventrículos.
Quando os átrios se contraem, o sangue é “empurrado” para os ventrículos ainda relaxados. A seguir, os ventrículos se contraem, impulsionando o sangue para o restante do corpo.
O nó sinusal é dessa forma, chamado também de “marcapasso natural do coração”, uma vez que ele é quem dita o ritmo dos batimentos cardíacos.
Na taquicardia ventricular, a atividade elétrica do coração é severamente afetada por um curto-circuito nas câmaras inferiores (ventrículos), que assume o controle do ritmo cardíaco, ignorando o marca-passo natural do coração. Isso resulta em uma frequência cardíaca muito rápida, geralmente acima de 100-120 batimentos por minuto, originada abaixo do nó atrioventricular.

Qual a causa da Taquicardia Ventricular?
A Taquicardia Ventricular é mais comum em idosos. Ela geralmente está relacionada a doenças pré-existentes, incluindo:
- Insuficiência cardíaca;
- Cardiomiopatias;
- Sequela de Infarto do miocárdio.
Quais os sintomas da Taquicardia Ventricular?
Pacientes com Taquicardia Ventricular manifestam, quase sempre a percepção dos batimentos cardíacos acelerados (palpitações).
Além disso, a capacidade do coração em bombear o sangue para o restante do corpo pode ficar prejudicada. Quando isso acontece, o paciente passa a apresentar sinais sugestivos de isquemia.
Os primeiros órgãos a sofrerem com esta má perfusão são o coração e o cérebro. Assim, os sintomas mais comuns incluem:
- Sinais da má perfusão cardíaca: angina, fraqueza, mal-estar geral;
- Sinais de má perfusão cerebral: tontura, desmaio;
Em alguns casos, o coração pode perder completamente a capacidade de bombear o sangue, o que caracteriza uma taquicardia ventricular sem pulso. Este é um dos possíveis ritmos de parada cardiorrespiratória.
Finalmente, a taquicardia ventricular sustentada pode se converter em uma Fibrilação ventricular, outro ritmo de parada cardiorrespiratória.
Tratamento da Taquicardia Ventricular não Sustentada
A taquicardia ventricular não sustentada (TVNS) é definida como 3 ou mais batimentos consecutivos de origem ventricular a uma frequência de 100 batimentos/min ou superior, com duração inferior a 30 segundos.
Ela geralmente diagnosticada por meio de monitor Holter, telemetria, gravador de eventos ou teste de esforço em esteira, e tem um prognóstico favorável.
O tratamento varia conforme a presença de cardiopatia estrutural e sintomas.
Pacientes assintomáticos e sem doenças cardíacas geralmente só precisam de observação. No entanto, antes de se concluir que seu coração é normal, ele deve passar por uma avaliação cuidadosa para descartar quadros de isquemia aguda,
cardiopatia estrutural ou cardiopatias elétricas hereditárias.
Na presença de sintomas ou em pacientes com cardiopatia estrutural ou cardiopatias congênitas, o tratamento deve ser indicado. Dependendo da frequência e
gravidade dos sintomas e da situação clínica, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos betabloqueadores, medicamentos antiarrítmicos, ablação por cateter ou implante de desfibrilador (CDI) para prevenir morte súbita.
Tratamento da Taquicardia Ventricular Sustentada
O tratamento da taquicardia ventricular sustentada depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Casos instáveis (hipotensão, dor no peito, alteração mental) exigem cardioversão elétrica sincronizada imediata, enquanto casos estáveis podem ser tratados com antiarrítmicos venosos (amiodarona, lidocaína). Caso a arritmia não seja revertida com medicamentos, poderá ser feita a cardioversão elétrica.
A longo prazo, a ablação por catéter é indicada com o objetivo de cauterizar as áreas cardíacas que geram o ritmo anormal.
Além disso, pacientes com alto risco de morte súbita terão indicação para a implantação de um Cardiodesfibrilador Implantável (CDI). Esses dispositivos são capazes de identificar um ritmo cardíaco anormal e realizar a cardioversão elétrica automática, prevenindo com isso a morte súbita.
Tratamento de longo prazo - Medidas de Estilo de Vida
Uma vez controlada a Taquicardia Ventricular, é importante também que o paciente adote um estilo de vida mais saudável para controle das doenças cardíacas de base e dos fatores de risco cardiovascular.
Melhora do padrão alimentar, prática regular de exercícios físicos, abandono do tabagismo e controle do peso são algumas das medidas que ajudarão no controle da evolução da doença.