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Síndromes Mielodisplásicas

O que são as Síndromes Mielodisplásicas?

As síndromes mielodisplásicas compreendem um grupo heterogêneo de neoplasias nas quais a medula óssea passa a produzir células sanguíneas mal-formadas (displásicas) ou que não funcionam adequadamente.

A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, popularmente conhecido como “tutano”. Ela tem a função de produzir as células sanguíneas: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

  • Os glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico, responsável pela defesa do nosso corpo.
  • Os glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue.
  • As plaquetas fazem parte do processo de coagulação. Elas atuam no sentido de interromper eventuais sangramentos.

Essas células estão em constante de renovação: as células envelhecidas são destruidas e novas células são produzidas na medula ossea.

Nos pacientes com Síndrome Mielodisplásica, no entanto, mutações genéticas específicas fazem com que a medula passe a produzir células sanguíneas “clones” (idênticas) com uma mesma alteração, o que se denomina de hematopoiese clonal.

Essas células displásicas não funcionam adequadamente e têm uma vida útil mais curta. Aos poucos, elas vão ocupando a medula óssea, que vai deixando de produzir as células sanguíneas normais. O paciente desenvolve então uma citopenia que pode envolver uma linhagem específica (geralmente uma anemia), ou acometimento de múltiplas linhagens (pancitopenia).

A idade média ao diagnóstico é de 70 anos, sendo incomum antes dos 50 anos.

Sintomas das Síndromes Mielodisplásicas

Pessoas com Síndromes Mielodisplásicas podem não apresentar sinais e sintomas no início.

Com o tempo, elas podem causar sintomas relacionados a uma deficiência imunológica (pela falta de glóbulos brancos), deficiência no transporte de oxigênio (pela falta dos glóbulos vermelhos) ou dificuldade em estancar sangramentos (devido à deficiência plaquetária).

Sintomas relacionados à Trombocitopenia (deficiência de plaquetas)

Algumas pessoas com casos leves de Trombocitopenia não apresentam sintomas. Muitas vezes, um dos primeiros sinais é um corte na pele ou sangramento nasal que não para de sangrar.

Outros sinais da Trombocitopenia incluem:

  • Sangramento nas gengivas;
  • Sangue nas fezes, urina ou vômito;
  • Períodos menstruais intensos;
  • Petéquias (pequenos pontos vermelhos ou roxos na parte inferior das pernas);
  • Púrpura (manchas roxas, vermelhas ou marrons) ou hematomas;
  • Sangramento retal.

Sintomas Relacionados à Anemia (deficiência de glóbulos vermelhos)

Os principais sinais e sintomas da Anemia incluem:

  • Fadiga;
  • Falta de ar;
  • Sensação de frio;
  • Dor de cabeça.
  • Pele pálida, seca ou facilmente machucada;
  • Aumento da Frequência cardíaca;
  • Unhas quebradiças;
  • Queda de cabelo.

Sintomas Relacionados à Leucopenia (deficiência de Glóbulos Brancos)

A falta de leucócitos deixa o paciente vulnerável para infecções. Isso inclui as infecções oportunistas.

As infecções oportunistas são aquelas causadas por micro-organismos que, em pessoas com imunidade normal, geralmente não chegam nem a causar doenças.

Entre elas, incluem-se:

  • Candidíase: infecções fúngicas, por cândida. Pode atingir regiões da orofaringe, esôfago, vagina e pênis, entre outras;
  • Toxoplasmose: infecção parasitária que pode afetar o cérebro, retina, miocárdio e pulmões;
  • Tuberculose: afeta os pulmões e pode levar a quadros de meningite;
  • Infecções oculares pelo Citomegalovírus, podendo levar à cegueira;
  • Herpes nos lábios, face e órgãos genitais;
  • Disenteria causada pela Salmonella.

Quais os Tipos de Síndromes Mielodisplásicas

A Organização Mundial da Saúde divide as Síndromes Mielodisplásicas em subtipos com base no tipo de células sanguíneas envolvidas.

Os subtipos da Síndrome Mielodisplásica incluem:

  • Síndromes Mielodisplásicas com Displasia de Linhagem única: apenas um dos tipo de célula sanguínea (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos ou plaquetas) está comprometida;
  • Síndromes Mielodisplásicas com Displasia Multilinhagem: presença de dois ou três tipos de células sanguíneas anormais;
  • Síndromes Mielodisplásicas com Sideroblastos em Anel: além de envolver um baixo número de um ou mais tipos de células sanguíneas, os glóbulos vermelhos existentes na medula óssea contêm anéis de excesso de ferro;
  • Síndromes Mielodisplásicas com Anormalidade Cromossômica Del(5q) Isolada: além do baixo número de glóbulos vermelhos, as células têm uma mutação específica em seu DNA;
  • Síndromes Mielodisplásicas com Excesso de Blastos: qualquer um dos três tipos de células sanguíneas pode estar baixo e parecer anormal ao microscópio. Além disso, células sanguíneas muito imaturas (blastos) são encontradas no sangue e na medula óssea;
  • Síndromes Mielodisplásicas, inclassificáveis.

Diagnóstico

A Síndrome Mielodisplásica efeta tanto a quantidade quanto a qualidade das células sanguíneas. Assim, os exames iniciais envolvem o Hemograma (para avaliação quantitativa das células) e o esfregaço de sangue periférico.

Hemograma

O hemograma completo geralmente demonstra anemia, mas a neutropenia, podendo também apresentar leucopenia ou plaquetopenia​. Poucos pacientes apresentam neutropenia, trombocitopenia ou monocitose isolada sem anemia. A pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia combinadas) está presente em cerca de metade dos pacientes no momento do diagnóstico.

Esfregaço de sangue periférico

O esfregaço de sangue periférico é um exame laboratorial que espalha uma fina camada de sangue sobre uma lâmina de vidro para análise microscópica detalhada. Ele permite avaliar a forma, tamanho e número de hemácias, leucócitos e plaquetas.

No paciente com Síndrome Mielodisplásica, geralmente se observa uma displasia dos glóbulos vermelhos e brancos. Já as anormalidades plaquetárias são raras.

Mielograma / biópsia de medula óssea

O mielograma é um exame que envolve a aspiração e análise de amostras da medula óssea para verificar a produção de células sanguíneas.

Ele é feito no hospital ou clínica, com anestesia local. Nesse procedimento, uma agulha é inserida no osso (geralmente crista ilíaca ou esterno) para aspirar uma pequena quantidade de medula óssea.

No paciente com síndrome mielodisplásica, geralmente ele demonstra as displasias nas séries vermelha e branca. Além disso, ela mostra uma medula que geralmente é hipercelular e com aumento na contagem de blastos, ainda que por definição os blastos representam menos de 20% das células.

Tratamento

Transplante de Medula Óssea é a única opção de tratamento que oferece o potencial de cura para Síndromes Mielodisplásicas.

Entretanto, esse é um tratamento agressivo e com alto risco de complicações graves. Ele geralmente é reservado para pessoas saudáveis ​​o suficiente para suportá-lo – o que não é o caso da maior parte dos pacientes com Síndrome Mielodisplásica. Considerando-se também às dificuldades para encontrar um doador compatível e as preferências do paciente, podemos dizer que a minoria dos pacientes é de fato submetido ao transplante.

Para a maioria dos pacientes, o tratamento envolve o controle dos sintomas, buscando a melhora na qualidade de vida e prolongamento da sobrevida. Nesse sentido, poderão ser considerados:

  • Fatores de crescimento: substâncias que estimulam a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos ou mais glóbulos brancos;
  • Imunossupressores: podem ser usados em certos tipos de Síndrome Mielodisplásica associados a uma resposta autoimune;
  • Lenalidomida (Revlimid): indicado especificamente no paciente com a mutação genética del(5q).