Candidíase Vaginal
O que é a Candidíase vaginal?
A candidíase vaginal é uma das infecções ginecológicas mais comuns. Ela é causada principalmente pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, um micro-organismo que normalmente já faz parte da flora vaginal.
O problema surge quando ocorre um desequilíbrio do ambiente íntimo, favorecendo a proliferação do fungo e levando ao aparecimento de sintomas como coceira intensa, ardor, irritação e corrimento vaginal branco e espesso.
A condição pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres em idade reprodutiva, especialmente durante períodos de alterações hormonais, gravidez, uso recente de antibióticos, diabetes mal controlado, imunossupressão ou situações que aumentam a umidade e o calor local.
Deve-se suspeitar de candidíase vaginal principalmente quando houver coceira intensa na vulva ou vagina associada a corrimento branco espesso, semelhante a “leite coalhado” ou “ricota”, geralmente sem odor forte. Outros sintomas comuns incluem ardor ao urinar, vermelhidão local, sensação de queimação, inchaço vulvar e dor durante a relação sexual.
Embora os sintomas sejam frequentemente típicos, algumas infecções vaginais podem causar manifestações semelhantes, especialmente a vaginose bacteriana e a tricomoníase. Por isso, o diagnóstico pode exigir avaliação ginecológica, sobretudo em casos recorrentes, sintomas persistentes, corrimento com odor forte, febre, dor pélvica ou ausência de melhora com o tratamento habitual.
A maioria dos episódios apresenta boa resposta ao tratamento antifúngico, realizado com medicamentos tópicos ou orais. Entretanto, casos recorrentes podem exigir investigação de fatores predisponentes, como diabetes, alterações hormonais, uso frequente de antibióticos ou infecções por espécies de Candida menos sensíveis aos tratamentos convencionais.
Qual a causa da Candidíase Vaginal?
Toda mulher apresenta uma grande quantidade de microorganismos na vagina. Grande parte deles não são causadores de quaisquer problemas. São, de fato, importantes para impedir o crescimento de outros microorganismos prejudiciais à saúde, entre elas a cândida.
A cândida está normalmente presente em pequena quantidade na flora vaginal de aproximadamente 20% das mulheres não grávidas, com idade entre 15 e 55 anos (3). Neste caso, ela não causa qualquer sintoma.
Ao encontrar um ambiente favorável, o fungo se multiplica rapidamente. É quando aparecem os sintomas da Candidíase Vaginal.
Entre as condições que favorecem o desenvolvimento da candidíase, devemos considerar:
- Gravidez;
- Diabetes;
- Obesidade;
- Anemia por deficiência de ferro;
- Deficiência imunológica (incluindo infecção por HIV);
- Medicamentos (especialmente antibióticos, corticoides e anticoncepcionais);
- Terapia de reposição hormonal à base de estrogênio após a menopausa, incluindo creme de estrogênio vaginal;
- Relação sexual desprotegida com parceiro contaminado;
- Vestimenta inadequada (roupas apertadas, biquíni molhado, roupa de academia molhada de suor);
- Ducha vaginal em excesso.
Quais os sintomas da candidíase?
São sintomas característicos da Candidíase vaginal:
- Corrimento vaginal semelhante à coalhada branca;
- Coceira, dor e desconforto em queimação na vagina e na vulva;
- Ardor ao urinar (disúria);
- Edema vulvar, fissuras e escoriações;
- Erupção vermelha brilhante afetando as partes interna e externa da vulva, podendo se espalhar para áreas púbicas, virilha e coxas.
Os sintomas podem durar apenas algumas horas ou persistir por dias, semanas ou raramente, meses. Eles podem ser agravados pela relação sexual.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras DSTs causadores de corrimento vaginal:
- Tricomoníase: infecção vaginal causada por um pequeno parasita, a Trichomonas vaginalis. A Tricomoníase provoca um odor de peixe associado a um corrimento amarelado, verde ou espumoso;
- Vaginose bacteriana: a Vaginose Bacteriana é uma infecção decorrente de um desequilíbrio de bactérias normais que vivem na vagina. Ela causa um corrimento fino, branco/acinzentado e odor ruim.
Na tabela abaixo, mostramos as principais diferenças entre essas condições:
| Candidíase X vaginose Bacteriana X Tricomoniase Vaginal | |||
| Característica | Candidíase vaginal | Vaginose bacteriana | Tricomoníase vaginal |
| Causa | Fungos (Candida) | Desequilíbrio da flora vaginal | Protozoário (Trichomonas vaginalis) |
| Corrimento | Branco, espesso, grumoso | Fino, homogêneo, acinzentado | Amarelado, esverdeado ou espumoso |
| Odor vaginal | Geralmente ausente | Forte, cheiro de peixe | Pode ser forte/desagradável |
| Coceira | Muito intensa | Pouco comum ou leve | Frequente |
| Ardência | Muito comum | Pode ocorrer discretamente | Frequente |
| Vermelhidão vaginal | Muito comum | Geralmente discreta | Pode ser importante |
| Dor durante relação sexual | Pode ocorrer | Pode ocorrer | Mais comum |
| Dor ao urinar | Pode ocorrer | Menos frequente | Mais frequente |
| Relação com atividade sexual | Pode ocorrer sem transmissão sexual | Associada à atividade sexual | Forte associação sexual |
| Tratamento do parceiro | Geralmente não necessário | Geralmente não necessário | Necessário |
| Tratamento principal | Antifúngicos | Antibióticos | Antiparasitários (metronidazol/tinidazol) |
Tratamento
O tratamento da candidíase vaginal pode ser feito com pomadas antifúngicas, comprimidos vaginais ou creme contendo clotrimazol ou miconazol.
- 90% dos pacientes com sintomas leves apresentam resolução das queixas após um a três dias de tratamento.
- Antifúngicos orais contendo fluconazol ou, menos frequentemente, itraconazol, podem ser usados no caso de infecção grave ou recorrente.
Vale lembrar que nem todas as queixas genitais são devidas à cândida. Desta forma, é importante que o Médico ginecologista seja consultado, especialmente no caso de sintomas mais significativos ou quanto não se observa uma resposta adequada ao tratamento.
Candidíase recorrente
A candidíase vaginal de repetição é geralmente definida como três ou mais episódios sintomáticos da infecção em um período de 12 meses. Isso acontece em cerca de 5 a 10% das pacientes
Embora muitas mulheres apresentem candidíase apenas ocasionalmente ao longo da vida, uma parcela desenvolve recorrências frequentes, com impacto importante na qualidade de vida, no sono, no bem-estar emocional e na vida sexual.
A maioria dos casos continua sendo causada pela Candida albicans. No entanto, há uma moaior probabilidade de infeção outras espécies mais resistentes de Candida, como Candida glabrata. Por isso, em pacientes com múltiplas recorrências, sintomas persistentes ou falha terapêutica, pode ser necessária a realização de exames específicos para confirmação diagnóstica e identificação do fungo envolvido.
Diversos fatores podem favorecer a candidíase de repetição, incluindo diabetes mellitus mal controlado, gravidez, uso frequente de antibióticos, imunossupressão, alterações hormonais, obesidade, aumento da umidade local e uso repetido de antifúngicos sem orientação médica. Em muitos casos, entretanto, não é possível identificar uma causa específica.
O tratamento da candidíase de repetição costuma envolver duas etapas: primeiro, o controle da crise aguda com antifúngicos tópicos ou orais; depois, uma fase de manutenção prolongada para reduzir o risco de novas recorrências.
Além do tratamento medicamentoso, também é importante controlar fatores predisponentes, evitar automedicação frequente e adotar medidas para reduzir irritação local e excesso de umidade na região genital.