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Saúde Mental na Escola

Saúde mental na escola

Investir em saúde mental na escola é investir no futuro de nossas crianças e adolescentes, uma vez que o bem-estar mental pode impactar na adesão aos estudos, na qualidade de vida e, inclusive, no desenvolvimento biopsicossocial dos indivíduos.

Pensando nisso, trouxemos algumas considerações que podem ser levadas em conta na hora de implementar medidas positivas na escola. Acompanhe-nos e saiba mais.

O que é saúde mental na escola?

A saúde mental na escola diz respeito às condições que proporcionem um bem-estar mental para os estudantes, e não apenas um espaço “sem transtornos mentais”.

Dito de outro modo, a saúde mental não diz respeito à ausência de doença. Isso quer dizer que uma pessoa pode ter a sua saúde mental equilibrada, mesmo em casos de diagnósticos de transtornos mentais.

Afinal, a saúde vai além disso. Ela inclui o bem-estar emocional e mental, a autoestima, a qualidade de vida como um todo, a satisfação nas atividades feitas, e assim por diante.

Por isso, quando pensamos em formas de implementar ações de saúde mental nas escolas, nós devemos considerar diversas esferas da vida dos estudantes.

Assim, quem sabe, poderemos criar uma atmosfera que seja mais positiva e interessante para todos os envolvidos.

Qual a importância da saúde mental no ambiente escolar?

A saúde mental no ambiente escolar pode estar associada a diferentes fatores importantíssimos da vida de nossos estudantes, como por exemplo:

  • Sociabilidade.
  • Aprendizagem.
  • Autoconhecimento e desenvolvimento da própria identidade.
  • Bem-estar físico e mental.
  • Desenvolvimento cognitivo.
  • Construção de sonhos e objetivos.
  • Desempenho nos estudos.
  • Inteligência emocional.
  • Entre outros fatores.

Por isso, e por tantos outros motivos, os cuidados com a saúde mental na escola são tão importantes. Afinal, eles contribuem para o desenvolvimento global do sujeito, inserindo-o no mundo de uma forma saudável, justa e que leve em consideração a subjetividade de cada um.

Como promover saúde mental na escola?

Mas afinal, de quais maneiras podemos começar a incentivar a saúde mental no ambiente escolar? Quais medidas podem ser postas em prática para esse objetivo?

Antes de iniciarmos a descrição das nossas sugestões, precisamos trazer uma informação importante: Quando estamos tratando de saúde mental, não existe uma receita pronta que possa ser seguida.

O que existem são ações que podem contribuir para o desenvolvimento de um ambiente mais saudável e benéfico para os estudantes.

Por isso, é muito importante sempre levarmos em consideração as circunstâncias e as subjetividades envolvidas com a situação. Cada caso sempre será único, o que dá a entender que não existe um manual de saúde mental na escola.

Contudo, existem, sim, sugestões que podem trazer bons resultados, desde que sejam implementadas de acordo com a realidade escolar.

Esclarecido esse importante ponto, sigamos agora para as considerações que trouxemos para você. Continue lendo.

1. Conscientização da família
Um ponto de partida que pode ser interessante diz respeito à conscientização das famílias. Isto é, muitas vezes os pais podem não ter conhecimentos relacionados à saúde mental das crianças e dos adolescentes, e a escola pode ser uma ponte para essa aprendizagem.
Para isso, materiais informativos, reuniões e palestras podem entrar no escopo escolar, focando nos cuidados com a saúde mental dos alunos.
O importante, aqui, é aprimorar a transmissão de conhecimento de acordo com a linguagem de quem está recebendo as informações. Isso significa que famílias menos instruídas merecem uma explicação mais adequada ao nível de conhecimento deles.
Vale destacarmos, ainda, que a saúde mental pode ser vista com “maus olhos” por algumas pessoas. Isto é, ainda existem muitos tabus relacionados à saúde mental, portanto, a escola deverá se preparar para tal situação e buscar implementar, aos poucos, conhecimentos relacionados ao assunto, quebrando paradigmas.

2. Aulas e trabalhos focados em saúde mental
Com relação à aprendizagem dos alunos em si, os professores podem buscar ministrar aulas e trabalhos focados na saúde mental.
Por exemplo, é possível preparar seminários com foco nas emoções, nos transtornos mentais, nos cuidados com a saúde mental, e assim por diante.
A partir disso, os alunos poderão fazer pesquisas e desenvolver materiais informativos de acordo com o tema de cada grupo. Por fim, pode ser feita uma apresentação na sala de aula, para que todos discutam sobre a temática e construam conhecimentos relacionados ao tema em si.
Vale ressaltar que o professor precisa atuar de forma ativa, instigando os alunos na hora de pensar sobre o assunto, ao mesmo tempo em que intervém quando uma informação errônea é passada à turma.

3. Palestras e conscientização
Além de implementar uma rotina de palestras para os pais e para a família dos alunos, a escola também pode disponibilizar esse tipo de evento para os próprios alunos. Esse tipo de palestra poderá trazer temas em alta, bem como poderá apresentar conteúdos diversos sobre a saúde mental.
Se for possível, é interessante considerar as próprias dúvidas dos alunos na hora de escolher a temática das palestras. Assim, a conscientização poderá ser baseada no que eles realmente querem saber, aumentando o interesse pelo assunto.
Obviamente, temas que não foram levantados pelos alunos também podem entrar no leque de possibilidades, a fim de trazer novos conhecimentos que possam contribuir para a qualidade de vida deles.

4. Espaço de acolhimento e escuta
A escola também pode promover a saúde mental dos alunos ao disponibilizar um espaço de acolhimento e escuta. Por exemplo, o orientador pedagógico poderá dar essa abertura para os alunos que precisam de apoio e suporte nos dias difíceis.
Assim, eles perceberão que têm espaço no ambiente escolar, e que podem trazer à tona questionamentos que tendem a ser tão comuns na fase da adolescência, por exemplo.
Ter um espaço para ser escutado e acolhido contribui para a organização emocional, pois, quando falamos e “colocamos para fora” o que sentimos, podemos enxergar as situações com mais clareza, tendo a possibilidade de pensarmos em estratégias mais assertivas frente aos mais diversos problemas e situações.
Além disso, estabelecer essa cultura de conversar sobre o que se sente pode ajudar o aluno a perceber que ele pode, sim, falar de suas emoções, e que isso não faz dele uma pessoa fraca – pelo contrário. Logo, torna-se viável quebrar alguns dos tabus relacionados à saúde mental que ainda existem na sociedade.

5. Preparo da equipe como um todo
Preparar a equipe pedagógica, como um todo, também é um passo relevante para a promoção da saúde mental na escola.
Até aqui, já destacamos a importância de conscientizarmos os pais e os próprios alunos, agora, tratemos da equipe em si.
Quando a equipe tem acesso a informações e pode compreender melhor os aspectos relacionados à saúde mental e emocional no ambiente escolar, torna-se possível intervir em situações que exijam uma postura mais ativa dos profissionais.
Além disso, a conscientização e a disseminação de informações são formas de minimizar preconceitos e, inclusive, a psicofobia que pode existir em ambientes escolares e na sociedade em geral.

6. Incentivar a autoestima e a autoconfiança dos alunos
Buscar incentivar a autoestima e a autoconfiança dos alunos também é uma das formas de promover saúde mental na escola.
Para isso, os professores podem reconhecer o esforço de cada um, elogiar o desempenho dos alunos, encorajá-los na hora de apresentar um trabalho importante ou de dar a sua opinião em sala de aula.
Lembre-se de que as crianças e os adolescentes estão se descobrindo dentro do mundo, e isso pode gerar muita insegurança em alguns momentos. Por isso, oferecer um apoio que priorize a saúde emocional, fortalecendo a autoestima, é uma medida bastante pertinente neste momento.

7. Trabalhar atividades que incluam todos
Desenvolver atividades que possam incluir todos os alunos é um passo muito importante. Devemos nos lembrar de que cada estudante é único e pode apresentar as suas limitações e diferenças. Logo, criar algo muito padronizado, para que apenas uma parcela de alunos participe das aulas, é algo que pode prejudicar a saúde mental na escola.
Sendo assim, procure conhecer mais os seus alunos, visando incluí-los no dia a dia de uma maneira mais assertiva.
Sabe aqueles alunos que costumam ser mais tímidos na sala de aula? Pense em atividades que possam aumentar a autoconfiança deles e incluí-los nas discussões feitas no dia a dia.
Desse modo, pouco a pouco é possível encorajar a participação de cada aluno, mesmo que existam formas diferentes de ser e agir.

8. Incentivar hábitos saudáveis
O incentivo aos hábitos saudáveis deve fazer parte do plano de saúde mental na escola. Afinal, é importante sempre partimos da premissa de que somos seres completos, e não divididos. Isso significa que a nossa saúde mental está intimamente relacionada à saúde do nosso corpo. Logo, os hábitos saudáveis são essenciais nesse sentido.
Por isso, os professores e demais agentes educacionais podem incentivar a prática de exercícios, a alimentação saudável, a hidratação, os cuidados com o sono, as boas práticas de higiene, a rotina de descanso, e assim por diante.
Incentivar que os alunos construam uma rotina saudável e que coloque a saúde em primeiro lugar são formas de trazer mais bem-estar e consequentemente mais saúde mental para o cotidiano de cada um.

9. Cuidar com as exigências e cobranças
Especialmente no Ensino Médio, os alunos podem sofrer com cobranças e exigências bastante intensas por parte dos educadores. Porém, quando essa cobrança se torna excessiva, a saúde mental na escola pode ficar comprometida.
Lembre-se de que estamos diante de seres humanos em desenvolvimento, que ainda têm limites e podem apresentar algumas dificuldades para lidar com as demandas passadas para eles.
Por isso, criar uma rotina de atividades curriculares que não “passe por cima” da saúde dos alunos é imprescindível.
Fique atento aos sinais de cobrança excessiva, como notas muito baixas, cansaço excessivo, desinteresse por parte dos alunos, reclamações dos pais, etc.

10. Encaminhar para especialistas quando necessário
Em algumas situações, os profissionais da educação poderão se deparar com sintomas que exigem uma investigação mais profunda, ou seja, que exigem o acompanhamento de um psicólogo, psiquiatra, neurologista, etc.
Sendo assim, fique atento a sinais que dêem a entender situações como:

  • Transtornos de comportamento na infância.
  • Transtornos de aprendizagem.
  • Ansiedade na adolescência.
  • Depressão na adolescência.
  • Transtornos de ansiedade na infância.
  • Entre outras situações.

Encaminhar para especialistas, frente a esses casos, é um gesto de cuidado e de atenção para com as necessidades de cada aluno.

11. Estimular a sociabilidade das crianças
Estimular práticas e atividades que incentivem as interações sociais das crianças também é promover a saúde mental na escola.
Afinal, a sociabilidade tem um papel muito importante em nossas vidas. Quando podemos construir uma rotina que prioriza as relações sociais, podemos nos sentir mais acolhidos, amados, aceitos, importantes e valorizados.
Em contrapartida, quando a sociabilidade é comprometida, muitas esferas da vida podem ser abaladas.
Por isso, fazer trabalhos em equipe, investir em brincadeiras em grupo, proporcionar momentos de descontração e diversão entre os alunos, assim como outras medidas semelhantes, podem ser bem-vindas.

12. Valorizar os pontos fortes de cada um
Assim como incentivar a autoestima é importante, dar voz e atenção aos pontos fortes de cada um também é uma forma de incentivar a saúde mental na escola.
Se os alunos percebem que têm espaço na instituição de ensino para demonstrar as suas maiores qualidades, eles podem se sentir mais satisfeitos consigo mesmos e com a vida.
Sendo assim, incentivar a arte, o esporte, a música, a dança e outras áreas que dizem respeito a diferentes habilidades, a fim de enaltecer os pontos fortes de cada um, são ações que podem fazer com que os alunos se sintam mais confiantes, felizes e satisfeitos.

13. Promover um ambiente de comunicação não-violenta
A comunicação não-violenta traz diferentes benefícios para a saúde mental e emocional das crianças.
Por ser baseada na empatia, no respeito e na compaixão, a CNV contribui para o desenvolvimento saudável dos alunos.
Assim sendo, ao invés de “xingar” e punir os maus comportamentos, é possível aderir a uma linguagem mais empática, justa e respeitosa, que ouve o ponto de vista do aluno e, com diálogo e paciência, mostra quais caminhos podem ser seguidos de agora em diante.

14. Compreender os desafios das fases do desenvolvimento humano
Conhecer as fases e os desafios de cada uma das fases do desenvolvimento humano também é importante na hora de promover a saúde mental na escola.
Afinal, como é possível lidar com as questões emocionais e mentais dos alunos se, na prática, não se sabe o que é esperado em cada idade?
Por isso, estudar o desenvolvimento humano e buscar conhecimentos sobre o desenvolvimento emocional em cada fase é algo que pode ajudar na hora de lidar com as adversidades e questões do dia a dia.

15. Valorizar as emoções
Por fim, não há como promover a saúde mental na escola se as emoções não forem valorizadas ou forem diminuídas no ambiente estudantil.
Sendo assim, é papel da coordenação pedagógica fortalecer a importância de se escutar as emoções e de valorizá-las, visando entendê-las de uma forma mais assertiva.

Lembre-se de esclarecer que as emoções têm funções em nossas vidas, que nos ajudam a regular as nossas ações e a tomar decisões diante dos desafios vividos.
Jamais diminua a dor ou a emoção de alguém. Sempre mostre que tudo o que sentimos é importante, e que devemos aprender a lidar com cada sentimento de forma mais equilibrada e menos impulsiva.
Assim, pouco a pouco poderemos implementar uma cultura de saúde mental na escola com mais assertividade e efeitos positivos.

Considere, ainda, conversar com o psicólogo da escola para saber mais sobre as medidas que podem ser colocadas em prática na hora de criar um ambiente mais positivo para os alunos e, claro, para os professores.

Referências
ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. O papel da escola na educação e prevenção em saúde mental. Estilos clin., São Paulo , v. 3, n. 4, p. 112-119, 1998 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-71281998000100015&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 28 nov. 2022.

GARCIA, Janaína Mandra. Saúde mental na escola: o que os educadores devem saber. 2016.