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Rinite Alérgica

O que é a Rinite alérgica?

A rinite alérgica é a forma mais comum de rinite. Ela corresponde a uma inflamação da mucosa que reveste o interior do nariz que é causada por uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas presentes no ambiente, chamadas alérgenos.

A doença provoca sintomas como espirros, coriza, nariz entupido e coceira no nariz, podendo também afetar os olhos, causando vermelhidão, lacrimejamento e prurido. Embora não seja uma doença grave na maioria dos casos, pode comprometer significativamente a qualidade de vida, prejudicando o sono, a concentração, o desempenho escolar ou profissional e a prática de atividades físicas.

A rinite alérgica é uma das doenças crônicas mais frequentes em todo o mundo, afetando cerca de 20 a 30% da população. No Brasil, estima-se que aproximadamente 25% das crianças e adolescentes apresentem sintomas compatíveis com a doença, tornando-a uma das alergias mais comuns nessa faixa etária. Apesar de ser mais frequente na infância e adolescência, ela pode surgir em qualquer idade.

Vale destacar que rinite é um termo genérico utilizado para descrever qualquer inflamação da mucosa nasal, independentemente da sua causa. Além da rinite alérgica, existem outros tipos de rinite, como a rinite infecciosa (resfriado comum), a rinite vasomotora, a rinite medicamentosa e a rinite hormonal. Na rinite alérgica, entretanto, os sintomas são desencadeados especificamente por uma resposta imunológica contra determinados alérgenos, e não por irritantes inespecíficos.

Além dos sintomas nasais, a rinite alérgica frequentemente está associada a outras doenças das vias respiratórias, como sinusite e asma, motivo pelo qual seu diagnóstico e tratamento adequados são importantes para controlar os sintomas e prevenir complicações.

Quais as causas da Rinite Alérgica?

A rinite alérgica é causada por uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas presentes no ambiente, chamadas alérgenos.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver rinite alérgica, o risco é maior naqueles com predisposição genética à atopia, muitas vezes associadas também a doenças como asma, dermatite atópica e conjuntivite alérgica.

Os principais alérgenos incluem:

Ácaros da poeira

Os ácaros são a causa mais comum de rinite alérgica, especialmente em ambientes fechados. São microrganismos invisíveis a olho nu que vivem principalmente em colchões, travesseiros, estofados, carpetes, cortinas e brinquedos de pelúcia, alimentando-se de pequenas partículas de pele humana.

Os sintomas costumam ser mais intensos ao acordar, durante a arrumação da casa ou após a limpeza de ambientes empoeirados.

Pólen

O pólen é formado por pequenas partículas liberadas pelas plantas durante seu processo de reprodução. Em pessoas sensibilizadas, sua inalação pode desencadear uma reação alérgica, provocando espirros, coriza, coceira e obstrução nasal.

Nos países de clima temperado, o pólen é uma das principais causas de rinite alérgica sazonal, com crises concentradas principalmente durante a primavera. No Brasil, a importância do pólen varia conforme a região do país e a vegetação predominante.

No Sul e em algumas áreas do Sudeste, a liberação de pólen por gramíneas costuma ser maior durante a primavera, podendo provocar piora dos sintomas nessa época do ano. Já em grande parte das demais regiões brasileiras, a exposição ao pólen ocorre de forma mais distribuída ao longo do ano, sem um padrão sazonal bem definido.

Pacientes alérgicos ao pólen costumam apresentar piora dos sintomas após atividades ao ar livre, especialmente em dias secos, com vento ou durante períodos de intensa floração.

Fungos (mofo)

Os fungos liberam esporos microscópicos que permanecem suspensos no ar e podem desencadear reações alérgicas. Ambientes úmidos, pouco ventilados ou com infiltrações favorecem sua proliferação.

Os sintomas costumam piorar em locais com mofo visível, durante períodos chuvosos ou em ambientes fechados e mal ventilados.

Animais domésticos

A alergia a cães e gatos não é causada pelos pelos propriamente ditos, mas principalmente por proteínas presentes na saliva, na pele (caspa), na urina e nas glândulas sebáceas dos animais. Essas proteínas aderem aos pelos e permanecem dispersas no ambiente por longos períodos, mesmo após a saída do animal da residência.

Baratas

Partículas provenientes das fezes, da saliva e do exoesqueleto das baratas também podem atuar como alérgenos importantes, principalmente em áreas urbanas. Embora menos lembrada pelos pacientes, essa é uma causa relativamente frequente de rinite alérgica em crianças.

Alérgenos ocupacionais

Algumas pessoas desenvolvem rinite alérgica relacionada ao ambiente de trabalho. Entre os exemplos mais comuns estão farinha de trigo (padeiros), látex (profissionais da saúde), poeira de madeira, enzimas industriais, produtos químicos e pelos de animais utilizados em laboratórios.

Nesses casos, os sintomas costumam melhorar nos fins de semana, férias ou períodos afastados do trabalho.

Quais são os sintomas da rinite alérgica?

Os principais sintomas da rinite alérgica  incluem:

  • Espirros repetidos, frequentemente em salvas;
  • Nariz entupido (obstrução nasal);
  • Coriza com secreção transparente e aquosa;
  • Coceira intensa no nariz (prurido nasal).

Além dos sintomas nasais, é comum que a reação alérgica também acometa os olhos e outras estruturas das vias aéreas superiores, podendo causar:

  • Coceira nos olhos, garganta e ouvidos;
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes (rinoconjuntivite alérgica);
  • Gotejamento de secreção para a garganta (gotejamento pós-nasal);
  • Tosse, principalmente durante a noite ou ao acordar;
  • Diminuição do olfato quando a obstrução nasal é importante.

Quando os sintomas persistem por longos períodos, a rinite alérgica também pode provocar respiração pela boca, roncos, sono de má qualidade, fadiga durante o dia, dificuldade de concentração e redução do rendimento escolar ou profissional. Em crianças, esses sintomas podem ser ainda mais evidentes e interferir no desenvolvimento da fala, da aprendizagem e da qualidade do sono.

Como a Rinite Alérgica é diagnosticada?

O diagnóstico da rinite alérgica é feito a partir da combinação entre história clínica, exame físico e, quando necessário, testes específicos para alergia.

História clínica e exame físico

A presença de espirros repetidos, coceira no nariz, coriza transparente, obstrução nasal e sintomas oculares sugere o diagnóstico, principalmente quando os sintomas surgem após exposição a poeira, ácaros, mofo, pólen ou animais.

Durante a avaliação, o médico procura identificar:

  • Quais sintomas predominam;
  • Se ocorrem em crises ou de forma persistente;
  • Em quais ambientes pioram;
  • Se há relação com poeira, animais, mofo, mudanças de estação ou atividades ao ar livre;
  • Se existem outras doenças alérgicas associadas, como asma, dermatite atópica ou conjuntivite alérgica.

O exame físico pode revelar obstrução nasal, inchaço da mucosa, secreção clara, respiração pela boca e sinais indiretos de alergia, como olheiras alérgicas, prega nasal transversal e o hábito de esfregar o nariz para cima.

Testes para alergia

Quando a história clínica sugere rinite alérgica, os testes específicos ajudam a confirmar a sensibilização e identificar os alérgenos mais relevantes para aquele paciente. Esses exames devem ser direcionados pela suspeita clínica, e não solicitados de forma indiscriminada.

O teste cutâneo por puntura (prick test) costuma ser o exame mais utilizado. Ele avalia a reação da pele a pequenas quantidades de alérgenos, como ácaros, fungos, epitélio de animais e pólens. É rápido, seguro e fornece resultados em poucos minutos.

Outra opção é a dosagem de IgE específica no sangue, indicada quando o teste cutâneo não pode ser realizado, como em pacientes que não conseguem suspender anti-histamínicos, apresentam doenças de pele extensas ou têm maior risco de reação cutânea importante.

A escolha dos alérgenos testados deve considerar a história do paciente:

Suspeita clínicaAlérgenos que podem ser investigados
Sintomas ao acordar, ao arrumar a cama ou em ambientes fechadosÁcaros da poeira domiciliar
Piora em locais úmidos, com infiltração ou cheiro de mofoFungos / mofo
Sintomas após contato com cães ou gatosEpitélio, saliva e secreções de animais
Piora em determinadas épocas do ano ou após atividades ao ar livrePólens de gramíneas, árvores ou ervas, conforme a região
Sintomas em ambiente urbano, cozinhas ou locais com infestaçãoAlérgenos de baratas
Sintomas relacionados ao trabalhoAlérgenos ocupacionais, como látex, farinha, poeira de madeira ou animais de laboratório

É importante destacar que um teste positivo não significa, isoladamente, que aquele alérgeno seja a causa dos sintomas. Muitas pessoas apresentam sensibilização em exames, mas não têm sintomas relevantes quando expostas à substância. Por isso, o resultado deve sempre ser interpretado junto com a história clínica.

Endoscopia nasal e exames de imagem

Na maioria dos pacientes, a rinite alérgica pode ser diagnosticada apenas pela história clínica, exame físico e testes para alergia. A endoscopia nasal e os exames de imagem não fazem parte da investigação de rotina, sendo reservados para situações em que existe dúvida diagnóstica, sintomas persistentes ou suspeita de outra doença associada.

A endoscopia nasal é realizada pelo otorrinolaringologista com um fino aparelho (endoscópio) introduzido pelas narinas. O exame permite visualizar detalhadamente a cavidade nasal e identificar alterações que não podem ser avaliadas adequadamente durante o exame físico convencional.

Entre os principais achados que podem ser identificados incluem-se:

  • Pólipos nasais;
  • Hipertrofia das conchas nasais;
  • Desvio do septo nasal;
  • Hipertrofia das adenoides (principalmente em crianças);
  • Sinais de rinossinusite crônica.

Já a tomografia computadorizada fornece imagens detalhadas dos seios da face e da anatomia nasal. Ela costuma ser indicada quando há suspeita de rinossinusite crônica, obstrução nasal persistente sem causa aparente, alterações anatômicas importantes ou quando existe planejamento de cirurgia nasal ou dos seios da face.

Complicações

Rinossinusite

A rinite e a sinusite são doenças diferentes, mas estão intimamente relacionadas. Enquanto a rinite corresponde à inflamação da mucosa do nariz, a sinusite é a inflamação da mucosa que reveste os seios da face. Como essas estruturas são contínuas e se comunicam entre si, é muito comum que ambas sejam afetadas ao mesmo tempo.

Na rinite, a inflamação provoca inchaço da mucosa nasal e aumento da produção de secreção. Esse inchaço pode bloquear os pequenos canais responsáveis pela drenagem dos seios da face. Quando isso acontece, o muco passa a se acumular dentro dessas cavidades, favorecendo o desenvolvimento da sinusite.

Considerando que a inflamação dos seios da face praticamente sempre é acompanhada de inflamação da mucosa nasal, a sinusite é muitas vezes descrita com o termo “rinossinusite”.

Esse mecanismo explica por que a rinite alérgica é um dos principais fatores de risco para sinusite recorrente e sinusite crônica. Quanto mais intensa ou persistente for a inflamação nasal, maior tende a ser o comprometimento da ventilação e da drenagem dos seios paranasais.

Otite

A rinite, especialmente quando persistente ou mal controlada, aumenta o risco de doenças do ouvido médio, principalmente em crianças. Isso acontece porque o nariz se comunica com o ouvido através da tuba auditiva (ou trompa de Eustáquio), estrutura responsável por ventilar o ouvido médio e equilibrar a pressão entre o ouvido e o ambiente.

A inflamação da mucosa nasal pode se estender até a tuba auditiva, provocando seu inchaço e dificultando sua abertura. Como consequência, o ouvido médio passa a ser mal ventilado, desenvolvendo pressão negativa e acúmulo de líquido atrás do tímpano.

Inicialmente, esse líquido é estéril e caracteriza a otite média com efusão (otite serosa). Nessa fase, os sintomas mais comuns são sensação de ouvido tampado, diminuição da audição e, ocasionalmente, estalos ao engolir ou bocejar. Em crianças pequenas, a perda auditiva pode passar despercebida e manifestar-se por atraso na fala, dificuldade de aprendizagem ou desatenção.

Além disso, o líquido acumulado no ouvido médio favorece a proliferação de bactérias e aumenta o risco de otite média aguda (OMA). Nesses casos, surgem dor intensa no ouvido, febre, irritabilidade (principalmente em crianças) e, em alguns pacientes, saída de secreção pelo ouvido quando ocorre perfuração do tímpano.

O risco dessas complicações é maior em crianças, pois a tuba auditiva é mais curta, mais estreita e mais horizontal do que nos adultos, facilitando sua obstrução durante episódios de rinite.

Rinoconjuntivite

A rinoconjuntivite alérgica é a associação entre a rinite alérgica e a conjuntivite alérgica, presente em 50 a 80% dos pacientes com rinite alérgica.

Essa associação ocorre porque a mucosa do nariz e a conjuntiva dos olhos fazem parte de uma mesma resposta alérgica. Quando uma pessoa sensibilizada entra em contato com um alérgeno, como ácaros, pólen, mofo ou pelos de animais, a reação inflamatória desencadeada pelo sistema imunológico pode acometer simultaneamente o nariz e os olhos.

Além dos sintomas nasais, surgem então manifestações oculares como:

  • Coceira intensa nos olhos (prurido ocular);
  • Vermelhidão;
  • Lacrimejamento;
  • Sensação de areia ou irritação nos olhos;
  • Inchaço das pálpebras;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia), em alguns pacientes.

A coceira nos olhos é considerada o sintoma mais característico da conjuntivite alérgica e ajuda a diferenciá-la de outras causas de olhos vermelhos, como infecções virais ou bacterianas.

Na maioria dos casos, o controle adequado da rinite alérgica também promove melhora dos sintomas oculares. Entretanto, quando estes são intensos ou persistentes, pode ser necessário tratamento específico com colírios lubrificantes, anti-histamínicos ou estabilizadores dos mastócitos, sempre sob orientação médica.

Embora a rinoconjuntivite alérgica raramente provoque lesões permanentes nos olhos, sintomas importantes, dor ocular intensa, secreção purulenta, redução da visão ou sensibilidade importante à luz devem ser avaliados por um oftalmologista, pois podem indicar outras doenças oculares que exigem tratamento específico.

Hipertrofia das adenoides

As adenoides são um tecido de defesa localizado na parte posterior do nariz, próximo à abertura das tubas auditivas. Durante a infância, elas participam do desenvolvimento do sistema imunológico e, por isso, costumam ser maiores do que nos adultos.

Em crianças com rinite, especialmente a rinite alérgica, a inflamação crônica da mucosa nasal pode estimular o aumento das adenoides, condição conhecida como hipertrofia adenoideana. Quando isso acontece, a passagem do ar pelo nariz torna-se ainda mais difícil, agravando sintomas como nariz entupido, respiração pela boca, roncos e sono agitado.

Além disso, a hipertrofia das adenoides pode favorecer infecções de repetição, como sinusites e otites, devido à obstrução da drenagem dos seios da face e ao comprometimento do funcionamento da tuba auditiva.

É importante lembrar que a rinite nem sempre causa hipertrofia das adenoides, e crianças com adenoides aumentadas nem sempre têm rinite. No entanto, as duas condições frequentemente coexistem e podem agravar-se mutuamente. O tratamento adequado da rinite pode reduzir a inflamação nasal e melhorar os sintomas relacionados à hipertrofia adenoideana, evitando, em alguns casos, a necessidade de cirurgia.

Crise asmática

Pacientes com asma apresentam risco aumentado para rinite. Por outro lado, a rinite faz com que a respiração pelo nariz seja mais difícil.

Respirando pela boca, o ar não é aquecido, filtrado ou umidificado antes de entrar nos pulmões, o que pode ser um desencadeante para a crise asmática.

Controlar a rinite alérgica pode ajudar a controlar a asma em algumas pessoas.

Problemas com o sono

A rinite interfere diretamente na qualidade do sono, já que a obstrução nasal pode fazer com que a pessoa acorde várias vezes durante a noite. Além da Insônia, ela pode também provocar respiração bucal e roncos.

Tratamento

O tratamento da rinite alérgica tem como objetivos controlar a inflamação da mucosa nasal, aliviar os sintomas e prevenir complicações, como sinusite, otites e exacerbações da asma.

Na maioria dos pacientes, a rinite alérgica é uma doença crônica. Embora não exista uma cura definitiva para a maioria dos casos, os sintomas podem ser controlados de forma eficaz com tratamento adequado.

A escolha do tratamento depende da frequência e da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e da presença de outras doenças alérgicas, como asma e conjuntivite alérgica. As diretrizes atuais recomendam uma abordagem individualizada, combinando diferentes estratégias quando necessário.

Os principais pilares do tratamento incluem:

  • Redução da exposição aos alérgenos, sempre que possível;
  • Lavagem nasal com solução salina, para remover secreções, alérgenos e partículas irritantes;
  • Medicamentos, como corticoides intranasais e anti-histamínicos, utilizados para controlar a inflamação e aliviar os sintomas;
  • Imunoterapia com alérgenos (“vacina para alergia”), indicada para pacientes selecionados, com o objetivo de modificar a evolução natural da doença.

O tratamento costuma ser realizado de forma escalonada. Pacientes com sintomas leves e ocasionais podem necessitar apenas de medidas ambientais e medicamentos durante as crises. Já aqueles com rinite persistente ou moderada a grave frequentemente necessitam de tratamento contínuo para manter os sintomas controlados.

Além do controle dos sintomas, o tratamento adequado reduz o risco de complicações e melhora significativamente a qualidade do sono, o rendimento escolar e profissional e a prática de atividades físicas. Em crianças, também pode contribuir para reduzir episódios de otite, sinusite e alterações relacionadas à respiração bucal.

Em situações específicas, quando existem alterações anatômicas importantes, como desvio acentuado do septo nasal, hipertrofia importante das conchas nasais ou pólipos nasais, pode ser necessário tratamento cirúrgico. Entretanto, a cirurgia não trata a alergia propriamente dita, sendo indicada apenas para corrigir problemas estruturais que dificultam a respiração ou comprometem a resposta ao tratamento clínico.

Lavagem nasal com solução salina

A lavagem nasal com solução salina é uma das medidas mais eficazes para aliviar os sintomas da rinite alérgica. Ela ajuda a remover alérgenos, como ácaros, pólen e partículas de poeira, além de fluidificar as secreções e melhorar o funcionamento dos cílios responsáveis pela limpeza natural do nariz.

Com isso, reduz a obstrução nasal, melhora a respiração e potencializa a ação dos medicamentos aplicados no nariz, especialmente os corticoides intranasais.

A irrigação pode ser realizada com soro fisiológico (cloreto de sódio a 0,9%) ou com soluções salinas próprias para irrigação nasal, utilizando sprays, seringas sem agulha ou frascos específicos (“squeeze”). Em pacientes com sintomas persistentes, a irrigação com maior volume costuma proporcionar melhores resultados do que sprays de pequeno volume.

A lavagem pode ser realizada uma ou duas vezes ao dia como parte do tratamento de manutenção, sendo repetida com maior frequência durante as crises. Quando preparada em casa, deve-se utilizar apenas água estéril, destilada ou previamente fervida e resfriada, evitando o risco de contaminação.

Embora alivie os sintomas, a lavagem nasal não substitui os medicamentos quando estes são necessários.

Controle da exposição aos alérgenos

Sempre que possível, recomenda-se reduzir a exposição às substâncias responsáveis pela alergia. Essa medida pode diminuir a intensidade dos sintomas e reduzir a necessidade de medicamentos, principalmente quando o alérgeno é conhecido.

As recomendações variam conforme a causa da alergia. Nos pacientes alérgicos aos ácaros, por exemplo, podem ser úteis o uso de capas impermeáveis para colchões e travesseiros, a lavagem semanal das roupas de cama em água quente e a redução do acúmulo de poeira no quarto. Já nos casos de alergia ao mofo, é importante corrigir infiltrações, melhorar a ventilação dos ambientes e controlar a umidade.

Quando a alergia é causada por animais domésticos, reduzir a exposição pode ser difícil. Mesmo após a retirada do animal do ambiente, os alérgenos podem permanecer na casa durante vários meses.

Embora essas medidas façam parte do tratamento, elas raramente são suficientes para controlar completamente a doença quando utilizadas isoladamente. Na maioria dos pacientes, é necessário associar medicamentos.

Anti-histamínicos

Os anti-histamínicos atuam bloqueando a ação da histamina, uma das principais substâncias liberadas durante a reação alérgica. Eles são particularmente eficazes para aliviar espirros, coriza, coceira no nariz e sintomas oculares, mas apresentam efeito limitado sobre a obstrução nasal.

Podem ser administrados por via oral ou na forma de sprays nasais. Os medicamentos de segunda geração, como loratadina, desloratadina, cetirizina, levocetirizina, fexofenadina e bilastina, são preferidos por provocarem pouca ou nenhuma sonolência.

Os anti-histamínicos de primeira geração, como dexclorfeniramina e prometazina, atravessam com maior facilidade a barreira hematoencefálica e podem causar sonolência, redução da atenção, prejuízo do desempenho escolar ou profissional e aumento do risco de acidentes. Por esse motivo, atualmente são pouco utilizados no tratamento contínuo da rinite alérgica.

Esses medicamentos podem ser utilizados apenas durante as crises ou de forma contínua em pacientes com sintomas persistentes, conforme orientação médica.

Corticoides intranasais

Os corticoides intranasais são considerados o tratamento mais eficaz para pacientes com rinite alérgica persistente moderada a grave. Eles atuam reduzindo diretamente a inflamação da mucosa nasal, proporcionando melhora da obstrução nasal, coriza, espirros e coceira.

Diferentemente dos descongestionantes, esses medicamentos não proporcionam alívio imediato. O benefício costuma surgir após alguns dias de uso, atingindo seu efeito máximo entre duas e quatro semanas de tratamento contínuo.

Entre os corticoides mais utilizados estão budesonida, mometasona, fluticasona, beclometasona e ciclesonida.

Quando utilizados corretamente, apresentam excelente perfil de segurança. Como sua absorção para a corrente sanguínea é muito pequena, os efeitos colaterais sistêmicos são incomuns. Os efeitos adversos mais comuns são ressecamento nasal, irritação local e pequenos sangramentos, geralmente prevenidos com a técnica correta de aplicação.

Nos pacientes com sintomas persistentes, os corticoides intranasais são considerados o tratamento de primeira escolha pelas principais diretrizes internacionais.

Descongestionantes nasais

Os descongestionantes promovem vasoconstrição da mucosa nasal, reduzindo rapidamente o inchaço e proporcionando alívio temporário da obstrução nasal.

Apesar desse efeito, eles não tratam a inflamação alérgica e não modificam a evolução da doença. Por isso, seu uso deve ser limitado a situações específicas e por períodos curtos.

Os sprays contendo oximetazolina ou xilometazolina não devem ser utilizados por mais de três a cinco dias consecutivos, pois podem provocar rinite medicamentosa e congestão rebote, situação em que o nariz fica ainda mais entupido após a suspensão do medicamento.

Os descongestionantes orais, como a pseudoefedrina, também devem ser utilizados com cautela, especialmente em pacientes com hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, glaucoma ou hipertireoidismo.

Antagonistas dos leucotrienos

Os antagonistas dos leucotrienos, como o montelucaste, reduzem parte da resposta inflamatória envolvida na rinite alérgica.

Seu efeito costuma ser inferior ao dos corticoides intranasais e semelhante ou discretamente inferior ao dos anti-histamínicos. Por esse motivo, não são considerados tratamento de primeira linha.

Podem ser úteis em pacientes que apresentam simultaneamente rinite alérgica e asma, ou quando existem contraindicações aos tratamentos habituais.

Devido ao risco raro de alterações de humor e efeitos neuropsiquiátricos, seu uso deve ser individualizado e orientado pelo médico.

Imunoterapia (“vacina para alergia”)

A imunoterapia é o único tratamento capaz de modificar a evolução natural da rinite alérgica. Em vez de apenas aliviar os sintomas, ela reduz progressivamente a sensibilidade do sistema imunológico ao alérgeno responsável pela doença.

O tratamento consiste na administração repetida de pequenas quantidades do alérgeno, por via subcutânea ou sublingual, durante um período de três a cinco anos.

A imunoterapia é indicada para pacientes com rinite alérgica comprovada por testes específicos, principalmente quando os sintomas permanecem importantes apesar do tratamento convencional ou quando se deseja reduzir o uso contínuo de medicamentos.

Além de controlar a rinite, estudos mostram que a imunoterapia pode reduzir o risco de desenvolvimento de asma em crianças e diminuir o aparecimento de novas sensibilizações alérgicas em pacientes selecionados.

Cirurgia

A cirurgia não trata a alergia e não substitui o tratamento medicamentoso da rinite alérgica. Seu objetivo é corrigir alterações anatômicas que dificultam a passagem do ar pelo nariz ou comprometem a resposta ao tratamento clínico, quando presentes.

Ela pode ser indicada em pacientes com desvio importante do septo nasal, hipertrofia das conchas nasais, pólipos nasais ou hipertrofia das adenoides, quando essas alterações provocam obstrução nasal persistente apesar do tratamento adequado.

Mesmo após a cirurgia, muitos pacientes continuam necessitando de medidas de controle ambiental e do uso de medicamentos para manter a inflamação alérgica controlada.

Como escolher o tratamento?

Como regra geral, o tratamento da rinite alérgica pode ser feito da seguinte forma:

  • Sintomas leves e ocasionais: lavagem nasal + anti-histamínico quando necessário.
  • Sintomas persistentes ou moderados: corticoide intranasal como tratamento de primeira linha.
  • Persistência dos sintomas: associação de medicamentos (por exemplo, corticoide intranasal + anti-histamínico intranasal, quando indicado).
  • Sintomas importantes apesar do tratamento adequado: reavaliar o diagnóstico, investigar adesão e técnica de aplicação do spray, considerar imunoterapia e pesquisar doenças associadas (asma, sinusite crônica, pólipos nasais, hipertrofia de adenoides).

Prognóstico da rinite alérgica

A rinite alérgica é uma doença crônica, mas que pode ser controlada com sucesso na grande maioria dos pacientes. Embora atualmente não exista uma cura definitiva para a maioria dos casos, o tratamento adequado permite controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir significativamente o risco de complicações.

Em crianças, a rinite alérgica pode mudar ao longo do crescimento. Algumas apresentam redução dos sintomas durante a adolescência ou início da vida adulta, enquanto outras permanecem sintomáticas por muitos anos. Também é possível que a doença se inicie apenas na idade adulta, embora isso seja menos comum.

A presença de rinite alérgica também faz parte da chamada “marcha atópica”, um processo em que diferentes doenças alérgicas podem surgir ao longo da vida. Muitas crianças com dermatite atópica desenvolvem rinite alérgica posteriormente, e parte dos pacientes com rinite poderá apresentar asma, especialmente quando a inflamação alérgica não é adequadamente controlada.