Lesão do Ligamento Cruzado Anterior
O que é o Ligamento Cruzado Anterior?
O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é um dos ligamentos centrais do joelho.Ele une o fêmur (osso da coxa) à tíbia (osso da perna).Sua função é de impedir que a tíbia se desloque para a frente em relação ao fêmur.Além disso, ele tem uma importância fundamental na estabilidade rotatória do joelho.

Ruptura do Ligamento Cruzado Anterior
A ruptura do Ligamento Cruzado Anterior é a lesão cirúrgica mais comum em esportes com contato físico e mudanças de direção frequentes (1). Entre estas modalidades, destacam-se o futebol, o tênis, o basquete, o handebol e os esportes de inverno.A lesão foi e continua sendo responsável pelo fim de muitas carreiras esportivas. Felizmente, a probabilidade de retorno no mesmo nível competitivo de antes da lesão tem aumentado muito. Isso se deve às melhorias na técnica da cirurgia e na reabilitação.A reabilitação é uma parte fundamental do tratamento. Sem uma boa fisioterapia após a cirurgia, a recuperação funcional é incompleta. Queixas de dor e falta de segurança são comuns e o risco de nova lesão torna-se inaceitavelmente alto.A cirurgia é a única forma de recuperar a função do ligamento. Entretanto, o tratamento sem cirurgia pode ser considerado em casos específicos. Pessoas mais velhas, com pouca queixa de instabilidade e que não realizam esportes de risco para o LCA toleraram muito bem a falta do ligamento (2).Esportes que não envolvam contato físico com outros atletas ou movimentos torcionais do joelho devem ser estimulados, mesmo sem a cirurgia. Corrida, ciclismo e natação são alguns exemplos. Mesmo o esporte competitivo em alto rendimento pode ser tolerado nestas modalidades.
Sintomas da Lesão do LCA
A possibilidade de ruptura do LCA deve ser considerada em todo paciente que apresenta dor, edema e incapacidade de apoio da perna após um trauma torcional do joelho.Nos primeiros dias, o apoio do peso na perna fica limitado e o paciente pode precisar de muletas para caminhar. Entretanto, a dor, o inchaço e a mobilidade costumam ser passageiros. Por outro lado, a falta de segurança no joelho tende a aumentar com o passar dos dias.No longo prazo, a instabilidade é a principal queixa do paciente, ainda que ela possa variar bastante.Alguns sentem o joelho instável com movimentos básicos do dia a dia. Muitos sentem-se confortáveis nas atividades diárias, mas apresentam falta de segurança com a prática esportiva. Finalmente, alguns poucos conseguem até retornar para a prática esportiva competitiva sem queixa significativa de instabilidade.
Diagnóstico da Lesão do Ligamento Cruzado Anterior
O diagnóstico é feito a partir da queixa do paciente, do exame físico e dos exames de imagem.Alguns testes clínicos são bastante específicos para a lesão do Ligamento Cruzado Anterior. Muitos casos podem ser diagnosticados apenas com base no exame físico.A ressonância magnética é o melhor exame de imagem para visualizar o ligamento rompido. Além disso, ela ajuda na identificação de outras lesões comumente associadas com a ruptura do LCA. Entre elas, devemos considerar:
Tratamento da Lesão do LCA
A escolha do tratamento é feita pelo Ortopedista Especialista em Joelho com base em fatores como:
- Queixas do paciente;
- Idade;
- Atividade esportiva
- Expectativas em relação ao tratamento.
Tratamento sem cirurgia
Nenhum tratamento sem cirurgia será capaz de prover a cicatrização do ligamento rompido. Assim, ou o paciente realiza a cirurgia, ou terá que conviver com a falta do ligamento.O tratamento sem cirurgia pode ser considerado especialmente para pacientes que não praticam esportes de risco para o LCA, que não estejam com queixa de instabilidade e que não sejam muito jovens.Pacientes jovens e ativos, mesmo que apresentem pouca instabilidade, são habitualmente indicados para a cirurgia. Sem a cirurgia, eles podem ficar bem durante um mês, seis meses ou até mais. Mas, ao fazer um movimento errado com o joelho, o ligamento não estará lá para protegê-lo. No longo prazo, estas entorses de repetição, mesmo que infrequentes, tendem a cobrar o seu preço.Pacientes pouco ativos e com queixas persistentes de instabilidade precisam ser avaliados caso a caso. A lesão faz estes pacientes perderem uma musculatura que já era limitada. No caso de cirurgia, a perda muscular é ainda maior.O problema é que estes pacientes muitas vezes são de difícil aderência a um tratamento pós-operatório prolongado e que envolve fortalecimento muscular e exercícios.Com uma reabilitação mal feita, é comum que estes pacientes evoluam mal, com queixas significativas e risco intoleravelmente alto de nova lesão. Apesar das potenciais consequências, o tratamento sem cirurgia pode ser a melhor opção.
Cirurgia para ruptura do Ligamento Cruzado Anterior
A cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é feita por artroscopia (guiada por vídeo). Ela visa à substituição do ligamento rompido por um enxerto.O procedimento é feito sob raquianestesia e geralmente se associa a um bloqueio de nervo para o controle da dor após a cirurgia. O paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.








Tratamento pós-operatório
A Reabilitação pós-reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior deve ser iniciada de imediato após a cirurgia. Ela é tão importante para o resultado do tratamento quanto o ato cirúrgico em sí.O paciente não deve entrar para o procedimento caso não tenha discutido exaustivamente sobre a reabilitação com o seu médico. Ele precisa estar seguro de que será capaz de cumprir com o protocolo de reabilitação.
Primeiro mês
A primeira fase da reabilitação envolve a melhora da dor e do edema, recuperação da mobilidade e melhora do padrão de caminhada.No início, o paciente é recomendado a usar muletas. O apoio do peso é distribuido, parte na perna e parte na muleta. À medida que a dor e o controle do movimento melhoram, o apoio é gradativamente transferido das muletas para a perna, até que ele se sinta confortável para largar as muletas. Isso geralmente ocorre entre duas e três semanas após a cirurgia.Vale considerar aqui que o apoio do peso na perna pode ser adiado em decorrência de procedimentos associados, especialmente o tratamento de lesões no menisco ou na cartilagem articular. Assim, o uso da muleta deve ser feito conforme orientação do médico.segundo e terceiro meses
Um mês após a cirurgia, espera-se que o paciente seja capaz de caminhar sem muletas em locais protegidos e por pequenas distâncias. O objetivo principal, neste momento, é recuperar a musculatura perdida.Dois meses após a cirurgia o joelho já está muito próximo do normal para o dia a dia.Entretanto, o ligamento ainda está mais frágil e vulnerável.Os exercícios de fortalecimento são fundamentais neste momento, mas devem ser guiado sempre por um fisioterapeuta. Isso permitirá a recuperação da força sem sobrecarregar o ligamento operado.Quarto e quinto meses
O trote ou corrida leve são iniciados geralmente entre três e quatro meses após a cirurgia. Mas, para isso, é fundamental que se tenha boa mobilidade, ausência de inchaço e uma razoável recuperação da musculatura.Um teste de força, chamado de Dinamometria, poderá ser feito para avaliar a intensidade da perda de musculatura. A corrida é geralmente liberada quando a diferença de força entre as pernas for inferior a 30%.Caso isso não tenha sido obtido, nenhum problema. O paciente será mantido apenas com o trabalho de força, até que esteja em condições de iniciar a corrida.sexto e sétimo meses
Uma vez que o paciente esteja conseguindo manter uma corrida contínua e sem queixas, exercícios com maior complexidade são introduzidos, incluindo:- Acelerações e desacelerações
- Saltos
- Corrida lateral e para trás
- Mudanças de direção
Oitavo mês
Antes de realizar o retorno esportivo pleno, o atleta deverá estar participando de treinamentos plenos com a equipe, em um ambiente protegido.O objetivo é permitir um retorno progressivo ao esporte, dando tempo para que o atleta ganhe mais confiança e controle dos movimentos.Retorno esportivo pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior
O retorno esportivo após uma cirurgia de reconstrução do LCA é guiado mais por critérios clínicos do que temporais. Para isso, o paciente deve cumprir diversos critérios, incluindo:
- Avaliação subjetiva satisfatória pelo paciente, que precisa ter confiança no joelho;
- Teste isocinético demonstrando diferença de força não superior a 10% de uma perna em relação à outra, seja para o quadríceps ou para a musculatura posterior;
- Relação de força quadríceps / isquiotibiais entre 50 e 70%;
- Testes de salto unipodal e o Y test com menos de 10% de diferença entre os membros.
Resultado da cirurgia
O resultado da cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior depende de fatores como a presença de lesões associadas, condições da musculatura antes da cirurgia e aderência aos protocolos de reabilitação pós-operatória.Aproximadamente 80% dos pacientes são capazes de voltar ao esporte até um ano após a cirurgia, sendo que 65% retornam no mesmo nível anterior à lesão (3).No caso de atletas profissionais com lesão isolada do Ligamento Cruzado Anterior e que realizam a cirurgia precocemente, 95% retornam ao mesmo nível competitivo neste período.
Complicações da Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior
A cirurgia de Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior não é isenta de complicações.No período inicial de recuperação, a preocupação maior é com o risco de Trombose Venosa Profunda (TVP) ou de Artrofibrose.No longo prazo, a preocupação é com o risco de nova lesão e com o risco de desenvolvimento de Artrose no joelho.
Trombose Venosa Profunda
A trombose venosa profunda se caracteriza pelo entupimento de uma veia em decorrência da formação de um coágulo de sangue.Estudos mostram que aproximadamente 10% dos pacientes operados por lesão do Ligamento Cruzado Anterior desenvolvem trombose após a cirurgia, ainda que apenas metade deles se tornem sintomáticos (4).Entre os pacientes com maior risco de trombose após a cirurgia, incluem-se:- Mulheres;
- Pacientes acima dos 40 anos;
- Obesos;
- Uso de pílulas anticoncepcionais;
- Tabagista
- Histórico pessoal ou familiar de trombose.
Artrofibrose
A artrofibrose é uma condição na qual há um acúmulo excessivo de tecido cicatricial ao redor de uma articulação. O tecido cicatricial funciona como uma cola no joelho, que se torna rígido e doloroso.Para evitar a artrofibrose, os pacientes são orientados a mobilizarem precocemente o joelho. Pacientes com “aversão ao movimento”, que ficam extremamente apreensivos em mexer o joelho por medo da dor, são especialmente suscetíveis a desenvolverem a artrofibrose.Fisioterapia precoce, de preferência já no dia seguinte à cirurgia, e outras medidas analgésicas, como o uso de gelo e medicações anti-inflamatórias, também ajudam a evitar a artrofibrose.O tratamento inicial envolve o uso de medicações anti-inflamatórias e gelo. A fisioterapia deve buscar uma mobilização progressiva, mas sempre respeitando a dor do paciente.Quando a fisioterapia não é suficiente para recuperar a mobilidade, pode ser indicada a remoção cirúrgica do tecido cicatricial em excesso, o que é feito por meio de artroscopia.Nestes casos, é importante enfatizar a necessidade de reabilitação precoce, já que a recidiva da artrofibrose é bastante comum frente a falta de movimento.Relesão do Ligamento
O rompimento do neoligamento após a cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é a complicação que mais preocupa os cirurgiões de joelho.Considerando-se todos os pacientes submetidos à reconstrução do LCA, o índice de relesão varia de 5 a 10%; mas, em grupos de alto risco, pode alcançar até 30% dos pacientes (5, 6).Por melhor que seja a cirurgia e a recuperação pós-operatória, o paciente que já sofreu uma lesão do LCA sempre estará sob maior risco de nova lesão.O risco é ainda maior em jovens atletas que retornam para esportes considerados de alto risco.A nova lesão pode ser simplesmente o resultado de um novo trauma em um atleta altamente vulnerável. Entretanto, uma recuperação incompleta da força e da função da musculatura deixa o paciente operado muito mais vulnerável.Artrose pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior
Pacientes submetidos à reconstrução do ligamento Cruzado Anterior apresentam risco 3 a 5 vezes maior de desenvolverem artrose no joelho comparado com pessoas sem histórico de lesão.Mesmo pacientes com a cartilagem íntegra no momento da cirurgia e que apresentam boa recuperação inicial após o procedimento apresentam risco aumentado para desgaste no joelho.Assim, acredita-se que o desgaste seja decorrente não da cirurgia, mas sim da força de impacção sobre a cartilagem no momento da lesão.A presença de lesão no menisco, principalmente em pacientes submetidos a uma meniscectomia, aumenta a sobrecarga e o risco de desenvolvimento futuro de artrose no joelho.Outros especialistas em LCA

Dr. João Hollanda
CRM-SP 113136
Ortopedia
Cirurgia do Joelho
Ortopedia Esportiva
Medicina esportiva

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