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Infecção por H. Pylori

O que é o H. Pylori?

A Helicobacter pylori, também chamada de H. Pylori, é uma bactéria que habitualmente se aloja no estômago ou intestino.

A infecção pelo H. Pylori é bastante comum e se desenvolve de forma assintomática na maior parte das pessoas.

Entretanto, ela é também uma das principais causas para a gastrite e pode levar a complicações como úlceras no estômago ou até mesmo a lesões cancerígenas.

A infecção por Helicobacter pylori é bastante comum. Ela acomete  entre 30 e 50% da população nos países desenvolvidos, com incidência ainda maior em países subdesenvolvidos (1). Aproximadamente 60% das pessoas infectadas não apresentam qualquer queixa gastrointestinal (2).

Como ocorre a transmissão pelo H. Pylori?

A transmissão de H. pylori ocorre provavelmente através do consumo de água e alimentos contaminados.

São fatores de risco para a infecção pelo H. Pylori:

  • Baixo nível socioeconômico;
  • Alimentação regular fora de casa;
  • Consumo de água não filtrada;
  • Tabagismo.

Gastrite induzida pelo H. Pylori

A infecção pelo H. Pylori acomete a mucosa gástrica, uma membrana que reveste o estômago. Esta mucosa é responsável pela produção de um muco protetor, que impede os efeitos nocivos do ácido clorídrico presentes no suco gástrico.

O suco gástrico é uma solução rica em ácido clorídrico e enzimas digestivas. Ele é produzido pelas glândulas estomacais e tem um pH extremamente ácido. 

O suco gástrico possui importantes funções no estômago:

  • Desnatura as proteínas, facilitando sua digestão;
  • Facilita a absorção de cálcio e ferro pelo organismo;
  • Destrói muitas bactérias nocivas presentes no bolo alimentar.

Por outro lado, o ácido clorídrico tem um potencial bastante nocivo para a parede do estômago. Na ausência de uma mucosa gástrica eficiente, ele pode levar à inflamação característica da gastrite. Com o tempo, pode dar origem a úlceras e sangramentos.

Quais os sintomas da Infecção por H. Pylori?

A maior parte das pessoas infectadas pelo H. Pylori são assintomáticas. 

Quando presentes, os sintomas estão relacionados às complicações da infecção, que incluem a gastrite ou as úlceras pépticas.

Sintomas da Gastrite

Os principais sintomas da gastrite incluem:

  • Dor ou dor em queimação na parte superior do abdômen, que pode piorar ou melhorar com a alimentação
  • Náusea ou Vômito
  • Sensação de plenitude depois de comer

Entre os pacientes com gastrite crônica causada pelo H. Pylori, entre 10% e 20% apresentarão uma complicação, especialmente a úlcera péptica (3).

Sintomas da úlcera péptica

  • Dor epigástrica: Sensação de queimação entre o umbigo e o esterno. A dor pode diminuir temporariamente ao comer (comum na úlcera duodenal) ou piorar logo após a refeição (mais comum na gástrica).
  • Desconforto abdominal noturno:
  • Sintomas dispépticos: Náuseas, vômitos, distensão abdominal (inchaço), arrotos e perda de apetite.
  • Sinais de hemorragia, incluindo vômitos com sangue (hematêmese) ou com aspecto de “borra de café”, fezes pretas e fétidas (melena) ou com sangue vivo ou dor de início súbito e intensa.

Quando investigar a Infecção por H. Pylori?

Ainda que a infecção pelo H. Pylori seja bastante comum, a maior parte das pessoas não desenvolve sintomas ou complicações.

O tratamento indiscriminado, por sua vez, aumenta o risco de efeitos colaterais e a resistência bacteriana, de forma que ele não é recomendado. Fazer exames diagnósticos, nesses casos, pode gerar estresse, ansiedade e tratamentos inadequados.

O teste deve ser recomendado em determinadas circunstâncias, dependendo dos sintomas, histórico médico e fatores de risco da pessoa, incluindo:

  • Sintomas digestivos persistentes, como dor abdominal, inchaço, indigestão, náusea ou vômito. Esses sintomas podem indicar gastrite ou úlceras pépticas, condições frequentemente associadas à infecção por H. pylori.
  • Úlceras estomacais ativas ou antigas: Identificar e tratar a H. pylori é crucial para o tratamento de úlceras e para prevenir seu reaparecimento.
  • Uso prolongado de medicamentos: Certos medicamentos, como os anti-inflamatórios ou a aspirina, podem causar danos ao revestimento do estômago, o que pode levar à infecção por H. pylori. O tratamento poderá ser indicado, nesses casos.
  • Histórico familiar: pacientes com histórico familiar de câncer gástrico ou distúrbios gástricos relacionados ao H. pylori devem investigar e, se positivo, tratar a infecção.
  • Anemia inexplicada: A infecção crônica por H. pylori pode levar à inflamação crônica do estômago, o que pode prejudicar a absorção de nutrientes essenciais, como o ferro, levando ao desenvolvimento de anemia.
  • Tratamento prévio para H. pylori: Pacientes tratados para infecção por H. pylori poderão fazer um teste para detectar a bactéria e garantir que a infecção tenha sido erradicada com sucesso.

Como é feito o diagnóstico da Infecção por H. Pylori?

A investigação da infecção pela H. pylori pode ser feita pelo Médico gastrologista

Geralmente, a investigação é feita no paciente com diagnóstico de gastrite crônica, úlcera gástrica ou duodenal ou pessoas com câncer de estômago.

Apesar da grande prevalência da infecção, não há uma recomendação para que a pesquisa e o tratamento seja feito de forma rotineira em pessoas assintomáticas (4).

Diferentes exames podem ser usados para isso, entre eles:

  • Testes não invasivos: pesquisa de antígeno fecal, o teste respiratório de ureia e o teste sorológico;
  • Teste invasivo: endoscopia digestiva alta.

Exames de ar exalado (Teste respiratório para H. Pylori)

O teste respiratório para o H. Pylori é um teste indireto.

O que ele identifica de fato é a transformação de uréia em amônia, um dos efeitos da infecção pelo H. Pylori.

O H. Pylori possui uma enzima denominada de urease, capaz de degradar a ureia para formar amônia. Este é, inclusive, um dos mecanismos pelo qual o H. Pylori é capaz de resistir ao efeito do suco gástrico.

Inicialmente, o paciente ingere uma solução contendo uréia marcada com carbono 13.

Na presençado H. Pylori, a uréia é transformada em amônia, em uma reação que libera também o carbono 13 marcado. Este carbono 13 será então exalado na forma de gás carbônico.

O ar exalado é então coletado em uma bolsa plástica e testado em um aparelho específico capaz de detectar o carbono marcado.

Exame de fezes

A pesquisa de antígeno fecal nada mais que é um exame de fezes.

Neste exame, são utilizados anticorpos que reagem contra a Helicobacter pylori.

A amostra de fezes é submetida a esses anticorpos. Se houver uma reação por parte deles, significa que o micro-organismo está presente na amostra.

A eficácia do teste do antígeno fecal em detectar o H. Pylori é de aproximadamente 80% (5)

Endoscopia

O diagnóstico da infecção pelo H. Pylori pode ser confirmado por meio de uma biópsia feita por endoscopia.

Um tubo fino e flexível, contendo uma pequena câmera, é inserido pela boca. Ele é direcionado até o estômago, para observar o revestimento do órgão.

Ao observar sinais de inflamação, uma biópsia poderá ser realizada.

O fragmento biopsiado é então submetido ao teste da uréase, um teste indireto para a detecção do H. pylori.

O fragmento biopsiado é analisado em uma solução de ureia e um marcador de pH. Sua coloração se modifica na presença da uréase, o que acontece na presença de uma infecção pelo H. Pylori.

Tratamento da infecção por H. Pylori

O tratamento da infecção pelo H. Pylori deve envolver uma combinação de antibióticos, medicamentos para reduzir a acidez estomacal (antiácidos ou de inibidores da produção de ácidos) e tratamento das complicações, especialmente do sangramento gástrico e da úlcera gástrica.

O paciente será também recomendado a parar de tomar certos medicamentos que causam danos ao revestimento do estômago, especialmente a aspirina e outros medicamentos antiinflamatórios.

Antibióticos

O esquema de erradicação preferencial é feito com uma combinação de Amoxicilina e Claritromicina, durante sete a catorze dias.

Esquemas alternativos poderão ser necessários diante de resistência microbiana ou refratariedade ao tratamento. Isso é mais comum em pessoas com histórico de uso prolongado de antibióticos, embora possa acontecer com qualquer pessoa.

Redução da acidez estomacal

O H. Pylori prospera em ambientes ácidos. Ao aumentar o pH do estômago (tornando-o menos ácido), cria-se um ambiente ideal para que os antibióticos atuem de forma mais eficaz.

A redução da acidez é importante também para tratar os sintomas de azia e queimação causados pela gastrite ou úlceras associadas à infecção.

Duas classes de medicamentos poderão ser usadas para a redução da acidez estomacal:

  • Anti-ácidos: Medicamentos antiácidos agem neutralizando o ácido do estômago. Eles normalmente contêm hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio, carbonato de cálcio ou bicarbonato de sódio, por exemplo. Alguns exemplos de remédios antiácidos são o Estomazil, Pepsamar ou Maalox, por exemplo.
  • Inibidores da produção de ácido: Medicamentos que agem diminuindo a quantidade de ácido clorídrico que é produzido no estômago. Alguns exemplos deste tipo de medicamento são o omeprazol, esomeprazol, lansoprazol ou pantoprazol, também chamados de Inibidores da bomba de protons.

A recorrência da infecção ocorre em aproximadamente 2% ao ano nos pacientes tratados (6). Ela deve ser evitada através de medidas de higiene como a lavagem das mãos antes de manipular alimentos e de comer.

A terapia de manutenção com inibidores da bomba de prótons não é necessária após a erradicação do H. pylori.