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Glioma

O que é um glioma?

Glioma é um grupo de diferentes tipos de tumores cerebrais que têm em comum a origem nas células da glia, que são células que fornecem suporte e sustentação aos neurônios.

Eles representam aproximadamente um terço de todos os tumores cerebrais e 78% de todos os tumores cerebrais malignos, podendo acometer pessoas de qualquer idade.

Os gliomas são chamados de tumores cerebrais intra-axiais porque crescem dentro da substância do cérebro e muitas vezes se misturam com o tecido cerebral normal.

Células da glia

As células da glia não geram impulsos nervosos e, ao contrário dos neurônios, são capazes de se multiplicar através do processo de mitose, mesmo em indivíduos adultos.

Entre as diversas funções exercidas por essas células, incluem-se:

  • Sustentação e isolamento dos neurônios;
  • Transporte de substâncias nutritivas aos neurônios;
  • Remoção de restos celulares.

As células da glia são mais numerosas que os neurônios. Para cada neurônio, existem aproximadamente 10 células gliais. Entretanto, por seu tamanho reduzido, elas representam apenas a metade do volume do tecido nervoso.

Quais são os diferentes tipos de gliomas?

Os gliomas são divididos em três tipos diferentes com base nas células de glia que deram origem ao tumor: astrocitomas, ependiomas e oligodendrogliomas. Cada um deles possuem diferentes subtipos, com características, tratamento e prognóstico diferentes.

Astrocitomas

O astrocitoma é um tipo de glioma com origem nos astrócitos.
Os astrócitos são as células gliais mais abundantes no Sistema Nervoso Central, representando aproximadamente metade das células do cérebro humano.
Eles dão suporte mecânico aos neurônios, além de terem outras funções fundamentais ao funcionamento do cérebro humano. Entre estas funções, incluem-se:

  • Formação da barreira hematoencefálica
  • Controle do metabolismo neuronal
  • Isolamento elétrico
  • Regulação dos neurotransmissores
  • Cicatrização e regeneração

Os astrocitomas são encontrados mais frequentemente na parte externa do cérebro, podendo eventualmente estar localizado no cerebelo.

Ele pode se disseminar por todo o cérebro e pode se misturar com o tecido cerebral normal, o que pode tornar mais difícil sua remoção cirúrgica. Entretanto, é incomum que o astrocitoma se dissemine para fora do cérebro ou medula espinhal.

Existem diferentes tipos de astrocitomas, que podem ter agressividade e prognóstico igualmente variável.

A classificação da OMS indica diferentes graus de malignidade para os astrocitomas::

  • Grau 1: astrocitomas pilocíticos;
  • Grau II: astrocitomas de baixo grau;
  • Grau III: astrocitomas anaplásicos (e oligoastrocitomas anaplásicos);
  • Grau IV: glioblastomas e gliomas difusos na linha média.

oligodendroglioma

O Oligodentroglioma representa entre 2% e 4% dos tumores cerebrais primários.
Ele é mais comum em adultos jovens e de meia-idade e é mais comum em homens do que em mulheres.
As convulsões afetam entre 50% e 80% dos pacientes com Oligodentroglioma. Outros sintomas comuns incluem dores de cabeça, fraqueza ou problemas na fala.
Os oligodendrogliomas geralmente têm um prognóstico melhor do que a maioria dos outros gliomas.

Ependimomas

Os ependimomas se desenvolvem a partir de células ependimárias que revestem os ventrículos ou na medula espinhal.

Eles representam de 3% a 5% dos gliomas cerebrais nos adultos, e de 10% a 12% de todos os tumores cerebrais pediátricos. Aproximadamente 50% dos ependimomas nos adultos e 20% dos casos infantis se localizam na medula espinhal.
A localização mais comum dos ependimomas em crianças é perto do cerebelo, onde o tumor pode bloquear o fluxo do líquido cefalorraquidiano e causar aumento da pressão dentro do crânio (hidrocefalia obstrutiva).

Quais são os sinais e sintomas do glioma?

Os sintomas do glioma estão relacionados não ao próprio tumor, mas sim à compressão de estruturas próximas.
Eles variam de acordo com a localização do glioma. Entretanto, os mais comuns incluem:

  • Dor de cabeça
  • convulsões
  • mudanças de personalidade
  • Fraqueza nos braços, rosto ou pernas
  • Dormência
  • Problemas com a fala
  • Nausea e vomitos
  • Perda de visão
  • Tontura

Diagnóstico de glioma

O diagnóstico de glioma deve ser considerado juntamente com outros problemas e tumores que afetam o cérebro, a partir da investigaçãoção de sintomas neurológicos.

A Ressonância Magnética mostra os gliomas como lesões intracerebrais que frequentemente distorcem a anatomia normal. No entanto, diferentes tipos de glioma apresentam diferentes características nos exames de ressonância magnética.

O diagnóstico definitivo é feito por meio da biópsia ou por meio da remoção do tumor, seguido de avaliação microscópica do tecido removido. A avaliação molecular também é importante para determinar subtipos específicos de glioma.

Classificação dos gliomas

A classificação dos gliomas é feita conforme o sistema de graduação da Organização Mundial da Saúde para os tumores cerebrais.

Este sistema classifica os tumores em quatro graus, sendo o grau 1 o menos agressivo e o grau 4 o mais agressivo. No caso dos gliomas, no entanto, eles são muitas vezes referidos apenas como “baixo grau” (graus I ou II) ou “alto grau” (graus III ou IV).

Grau (OMS – 2021) características Tipos de glioma
1
  • Benigno (não canceroso)
  • crescimento lento
  • As células parecem quase normais sob um microscópio
  • Geralmente associado à sobrevida a longo prazo
  • Raro em adultos
·       Astrocitoma pilocítico

·       Astrocitoma subependimário de células gigantes (SEGA)

·       Astrocitoma xantoastrocítico pleomórfico (PXA)

·       Astrocitoma difuso, MYB/MYBL1-alterado (pediátrico)

·       Glioma angiocêntrico

 

 

2
  • Crescimento relativamente lento
  • Às vezes, se espalha para o tecido normal próximo
  • Maior taxa de recorrência
  • As células parecem ligeiramente anormais sob um microscópio
  • Às vezes volta como um tumor de grau superior
·       Astrocitoma, IDH-mutante

·       Oligodendroglioma, IDH-mutante e 1p/19q codeletado

 

3
  • Maligno (cancerígeno)
  • Reproduz ativamente células anormais
  • Tumor se espalha para partes normais próximas do cérebro
  • As células parecem anormais sob um microscópio
  • Tende a voltar, muitas vezes como um tumor de grau superior
·       Astrocitoma, IDH-mutante, grau 3

·       Oligodendroglioma, IDH-mutante e 1p/19q codeletado, grau 3

 

4
  • Maligno
  • Mais agressivo
  • cresce rápido
  • Espalha-se facilmente em partes normais próximas do cérebro
  • Reproduz ativamente células anormais
  • As células parecem muito anormais sob um microscópio
  • Tumor forma novos vasos sanguíneos para manter o crescimento rápido
  • Os tumores têm áreas de células mortas em seu centro (chamado necrose)
·       Glioblastoma, IDH-wildtype

·       Astrocitoma, IDH-mutante, grau 4

·       Glioma difuso da linha média, H3 K27-alterado

·       Glioma difuso hemisférico, H3 G34-mutante

·       Glioma pediátrico de alto grau, H3-wildtype e IDH-wildtype

 

 

Tratamento de glioma

O tratamento do glioma deve levar em consideração fatores como a localização do tumor, sintomas, grau do tumor e benefícios potenciais versus riscos das diferentes opções de tratamento.

Dependendo do caso, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou observação.

Sempre que tecnicamente viável, a remoção cirúrgica deve ser o tratamento inicial de escolha.

A radioterapia e a quimioterapia geralmente seguem a cirurgia, uma vez que o tipo de tumor e o seu grau são determinados.

A terapia alvo pode ser considerada em alguns casos de glioma de alto grau.

Discutimos mais sobre as diferentes abordagens terapêuticas acima em um artigo sobre os Tumores Cerebrais.

Prognóstico

O prognóstico depende de fatores como o tamanho do tumor, seu grau, o tipo de glioma e a idade do paciente, conforme a tabela abaixo.

Sobrevida em 5 anos para o glioma
Tipo de tumor Idade do paciente
20 – 44 anos 45 – 54 anos 55 – 64 anos
Astrocitoma de baixo grau 73% 46% 95
Astrocitoma anaplásico 58% 29% 15%
Glioblastoma 22% 9% 6%
oligodendroglioma 90% 82% 69%
Oligodentroglioma anaplásico 76% 67% 45%
Ependimoma 92% 90% 87%
Meningioma 84% 79% 74%

Fonte: American Cancer Society (1).