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Esôfago de Barrett

O que é o esôfago de Barrett?

O esôfago de Barrett é uma condição pré-cancerígena na qual as células do revestimento esofágico sofrem uma modificação (metaplasia) e se tornam parecidas com as células intestinais. Ele é mais comum em homens brancos não hispânicos com idade a partir de 40 anos e obesos. Pessoas com histórico familiar de esôfago de Barrett ou câncer de esôfago também são mais acometidos.

O principal fator de risco para o Esôfago de Barrett é a Doença do Refluxo Gastroesofágico. Nestes pacientes, acredita-se que a irritação causada pelo líquido ácido proveniente do estômago irrita o revestimento do esôfago, levando às alterações características.

Vale considerar, no entanto, que nem todos os pacientes com Esôfago de Barrett apresentam Doença do Refluxo Gastroesfoágico.

Quais os sintomas do esôfago de Barrett?

Na maior parte dos pacientes o esôfago de Barrett se desenvolve sem que o paciente apresente qualquer sintoma.

O diagnóstico deve ser considerado no paciente com sintomas da Doença do Reluxo Gastroesoágico, uma vez que este é um dos principais fatores de risco para o Esôfago de Barrett.

Os sintomas também podem aparecer em decorrência de um câncer de esôfago, que é a complicação mais temida do esôfago de Barrett.

Diagnóstico do Esôfago de Barrett

Acredita-se que a maior parte dos pacientes com Esôfago de Barrett não tenham conhecimento de sua condição, uma vez que ela não provoca qualquer sintoma.

A única maneira de confirmar o diagnóstico é por meio da Endoscopia Digestiva Alta.

Neste exame, um tubo fino e flexível, contendo uma câmera em sua extremidade, é passado através da boca, garganta e esôfago, transmitindo imagens ao longo deste trajeto.

O exame é geralmente solicitado para investigar sintomas sugestivos da doença de Refluxo Gastroesofágico ou o Câncer de Esôfago.

Ao se idenfificar uma área suspeita, é feita uma biópsia, que poderá confirmar o diagnóstico.

Qual a relação do esôfago de Barrett com o câncer de esôfago?

O esôfago de Barrett é considerado um importante fator de risco para o câncer de esôfago. No entanto, isso não é motivo para desespero, uma vez que a maioria dos pacientes não irá evoluir para o câncer.

O risco de malignização é estimado em cerca de 0,1% a 0,5% ao ano, com aproximadamente 5% dos pacientes evoluindo em algum momento para o câncer.

Esse processo de transformação em câncer também não acontece de uma hora para outra. Primeiramente, o esôfago de barrett evolui para uma displasia de baixo grau, que é considerado uma forma de lesão pré-cancerígena e risco aumentado de malignização. A seguir, evolui para uma displasia de alto grau, que já é tipo de câncer em estágio inicial, para depois evoluir para um câncer invasivo.

Tratamento

As alterações do esôfago de. Barrett são irreversíveis, sendo que não existe nenhum tratamento específico para essa condição. O que se busca, no entanto, é o controle da Doença do Refluxo Gastroesofágico, que por sua vez retarda a evolução do Esôfago de Barrett para a displasia e depois para o câncer.

Além de tratar o refluxo, os pacientes devem realizar endoscopias e biópsias de rotina, para avaliar a evolução da doença. O intervalo dos exames endoscópicos pode variar de seis meses há três anos, de acordo com a presença ou não de displasia.

Na presença de displasia de baixo grau, as avaliações devem ser feitas em intervalos menores.

A displasia de alto grau, no entanto, já é considerada uma forma de Carcinoma in Situ. Ou seja, é um câncer maligno ainda em estágio inicial, ainda que não apresente risco de disseminação.

Quando identificado nessa fase, o tratamento cirúrgico é considerado curativo. Discutimos mais sobre o tratamento do carcinoma in situ no artigo sobre o Câncer de esôfago. Caso não seja tratado, 6% a 20% dos pacientes com displasia de alto grau podem desenvolver adenocarcinoma invasivo em um período de 17 a 35 meses.