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Diverticulose

O que é a Diverticulose?

A diverticulose é uma condição caracterizada pela presença de pequenas bolsas no revestimento do sistema digestivo, denominadas de divertículos.

Essas pequenas bolsas podem variar de 2,5 mm a 2,5 cm. Mas, geralmente, têm 3 a 10 mm de tamanho.

Eles são encontradas até 50% dos indivíduos com mais de 60 anos de idade (1), sendo que na maior parte das vezes são assintomáticos.

O desenvolvimento da diverticulose está relacionado ao envelhecimento da parede intestinal e a fatores como predisposição genética, dieta pobre em fibras, obesidade, sedentarismo e tabagismo. Apesar de sua elevada frequência, a maioria dos pacientes nunca desenvolverá complicações graves ao longo da vida.

Embora os termos sejam frequentemente confundidos, diverticulose e diverticulite não são a mesma doença. A diverticulose refere-se apenas à presença dos divertículos, enquanto a diverticulite ocorre quando um ou mais desses divertículos sofrem inflamação ou infecção. Além da diverticulite, outra complicação importante é o sangramento diverticular, que pode provocar a eliminação de sangue vivo pelas fezes.

O diagnóstico costuma ser realizado por meio da colonoscopia ou de exames de imagem, muitas vezes de forma incidental. O tratamento da diverticulose não complicada baseia-se principalmente em medidas de estilo de vida, com destaque para uma alimentação rica em fibras, adequada ingestão de líquidos e prática regular de atividade física.

Qual a causa da Diverticulose?

A diverticulose está associada ao processo de envelhecimento e à consequente perda de elasticidade da musculatura intestinal.

Alimentação, tabagismo e genética são os principais fatores relacionados a um maior risco para a diverticulose.

Alimentação

A relação com a dieta é considerada um dos fatores mais importantes na gênese da diverticulite. 

A falta de Fibras Nutricionais é inclusive a principal justificativa para um aumento na prevalência da doença. De acordo com um estudo de 1930, a incidência à época era de 5 a 10% das pessoas. Já em um estudo de 1960, foi descrito uma incidência de 50% (4, 5).

A dieta rica em fibras dá volume às fezes, permitindo que elas passem pelo intestino de forma rápida e fácil. Com isso, o tempo de contato entre o conteúdo intestinal e os divertículos diminui, o que reduz a irritação e inflamação da mucosa (6).

Estudos revelaram que uma alta ingestão de carne vermelha ou processada se correlaciona com um aumento de 2 a 4 vezes no risco de desenvolver doença diverticular (7, 8).

Os motivos para esta associação não foram totalmente esclarecidos, mas acredita-se que tenha uma relação com o potencial inflamatório da carne vermelha.

Tabagismo

Estudos mostram um risco semelhante de diverticulite em fumantes e não fumantes. Entretanto, o risco de complicações decorrentes da diverticulose em fumantes foi três vezes maior (9).

A provável justificativa para isso é a maior liberação de radicais livres do tabaco e o consequente efeito oxidativo.

Genética

Por fim, há também uma associação genética. Ainda não está claro quais os genes responsáveis pelo risco aumentado para a diverticulose, mas estudos mostra uma influência de até 53% da genética (10).

Isso justifica porque familiares diretos de pessoas acometidas apresentam maior risco para a diverticulose.

Quais os sintomas da diverticulose?

A maioria das pessoas com diverticulose não apresenta qualquer sintoma. Na maior parte dos casos, os divertículos são descobertos incidentalmente durante uma colonoscopia realizada por outro motivo ou como exame de rotina.

Quando presentes, os sintomas costumam ser leves e inespecíficos, nem sempre sendo possível afirmar que são causados diretamente pelos divertículos. Entre os sintomas mais frequentemente relatados estão:

  • Distensão abdominal (“barriga inchada”);
  • Excesso de gases;
  • Desconforto ou dor abdominal leve, especialmente no lado inferior esquerdo do abdome;
  • Alterações do hábito intestinal, incluindo períodos de constipação, diarreia ou alternância entre ambas;
  • Sensação de evacuação incompleta.

É importante destacar que esses sintomas também podem ocorrer em diversas outras condições intestinais. Por esse motivo, a simples presença de divertículos nem sempre explica os sintomas apresentados pelo paciente.

Por outro lado, o surgimento de dor abdominal persistente, febre, náuseas, vômitos, sangramento intestinal ou alteração importante do estado geral deve levantar a suspeita de uma complicação, especialmente diverticulite ou sangramento diverticular.

Complicações da diverticulose: diverticulte e sangramentos

As complicações acontecem em até 10% a 25% dos pacientes com diverticulose (12, 13).

Diverticulite

A diverticulite ocorre quando os divertículos se rompem, resultando em inflamação e, em alguns casos, infecção.

Aproximadamente 5% dos pacientes com diverticulose desenvolvem um episódio de diverticulite em 10 anos de seguimento (14). 

Destes pacientes, aproximadamente 40% voltarão a desenvolver a diverticulite de forma recorrente (15).

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Nausea e vomito.
  • Febre.
  • Sensibilidade abdominal.
  • Constipação ou, menos comumente, diarréia.

Sangramento

O sangramento dos divertículos é responsável por até 50% dos casos de sangramento gastrointestinal baixo em adultos. 

O risco é de aproximadamente 2% em 5 anos e 10% em 10 anos (16).

O principal motivo para o sangramento é o trauma de fezes impactadas contra o divertículo, que pode levar ao rompimento de um vaso adjacente.

Pacientes com o acometimento de todo o colon estão sob maior risco, seguido pelos pacientes com acometimento do cólon proximal (direito). Embora os divertículos sejam mais comuns no cólon distal (esquerdo), o risco de sangramento é menor nestes casos.

A presença de sangue vivo nas fezes é a apresentação mais comum.

Sinais de Alerta: Quando procurar atendimento médico?

Ainda que a maior parte dos pacientes com diverticulose não necessitem de intervenção específica, é necessário que se fique alerta a alguns sinais que podem indicar a presença de complicações e necessidade de avaliação médica imediata, incluindo:

A avaliação médica é recomendada quando surgem:

  • Dor abdominal persistente ou progressiva;
  • Febre;
  • Sangue nas fezes;
  • Alteração importante do hábito intestinal;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Náuseas e vômitos persistentes.

Diagnóstico da Diverticulose

Pacientes sem complicações não apresentam sintomas. O diagnóstico, nestes casos, costuma ser feito de forma acidental a partir de uma colonoscopia de rotina;

Na suspeita de complicações, a Tomografia Computadorizada é o exame habitualmente solicitado para a investigação de dor ou sangramento.

Vale considerar que a colonoscopia geralmente é adiada até a resolução da inflamação aguda, devido ao risco aumentado de perfuração.

Tratamento da Diverticulose

Tratamento da diverticulose

A maioria das pessoas com diverticulose não necessita de medicamentos ou procedimentos específicos.

O tratamento, dessa forma, concentra-se principalmente na prevenção de complicações, por meio de mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares.

Alimentação rica em fibras

A principal recomendação para pacientes com diverticulose é aumentar o consumo de fibras alimentares. As fibras aumentam o volume e a maciez das fezes, facilitando sua passagem pelo intestino e reduzindo a pressão exercida sobre a parede intestinal.

Boas fontes de fibras incluem:

  • Frutas;
  • Verduras e legumes;
  • Feijões e outras leguminosas;
  • Cereais integrais;
  • Aveia e farelos.

Hidratação adequada

O aumento da ingestão de fibras deve ser acompanhado por uma boa hidratação. A água ajuda as fibras a absorver líquido e formar fezes mais macias, reduzindo o risco de constipação.

Em geral, recomenda-se manter uma ingestão adequada de líquidos ao longo do dia, salvo quando houver alguma restrição médica específica.

Atividade física e controle do peso

A prática regular de atividade física está associada a um menor risco de doença diverticular sintomática e de diverticulite.

Além disso, o controle do peso corporal é importante, pois a obesidade está associada a um maior risco de complicações da diverticulose.

Redução do consumo de carne vermelha

Diversos estudos sugerem que o consumo frequente de carne vermelha, especialmente carnes processadas, está associado a um maior risco de doença diverticular e suas complicações.

Por esse motivo, recomenda-se priorizar fontes de proteína como peixes, aves, ovos e leguminosas, dentro de uma alimentação equilibrada.

Alimentos a serem evitados

Durante muitos anos acreditou-se que alimentos como sementes, castanhas, nozes, milho e pipoca poderiam ficar presos nos divertículos e desencadear diverticulite.

Atualmente, os estudos não demonstram aumento do risco de diverticulite associado ao consumo desses alimentos. Portanto, na maioria dos pacientes, eles não precisam ser evitados rotineiramente.