Ceratose Actínica
O que é ceratose actínica?
A ceratose actínica, também chamada de queratose actínica, é um tumor benígno da pele, mas com potencial para transformação em um tipo específico de câncer de pele, denominado de Carcinoma Espinocelular.
Quando a lesão acomete o lábio, ela é denominada de Queilite actínica.
A ceratose actínica tende a aparecer na pele que foi mais danificada pelo sol, incluindo rosto, orelhas, couro cabeludo calvo, mãos, pescoço ou lábios.
Esta é uma das doenças dermatológicas mais comuns. Ainda que seja uma lesão pré-cancerígena, apenas 10% dos pacientes com ceratose actínica evoluem de fato para o câncer (1).
A presença de múltiplas ceratoses indica dano solar intenso, sendo mais provável evoluir para câncer da pele.
Fatores de risco
A ceratose actínica se desenvolve especialmente em pessoas mais idosas que se expuseram por muito tempo ao sol sem proteção solar.
Pessoas que desempenharam atividades recreativas ou profissionais ao ar livre, desta forma, estão sob maior risco.
O risco também é maior para pessoas de pele clara, cabelos loiros ou ruivos e olhos azuis.
Sinais e sintomas da ceratose actínica
A ceratose actínica geralmente se apresenta como uma lesão avermelhada e áspera.
As lesões geralmente são pequenas e podem ser múltiplas. Normalmente, elas são mais palpáveis que visíveis, já que costumam ter a mesma cor da pele. O aspecto pode ser semelhante ao de uma verruga.
Em muitos casos, o paciente percebe a lesão ao passar a mão sobre ela, sem que tivesse visualizado a mesma previamente.
A ceratose actínica é mais comum no rosto, orelhas, lábios, dorso das mãos, antebraço, ombros ou no couro cabeludo de pessoas calvas ou em outras áreas do corpo expostas ao sol.
Sinais de transformação maligna da ceratose actínica
Alguns sinais que indicam maior probabilidade de que uma ceratose actínica se transformou em um carcinoma espinocelular incluem:
- Manchas pruriginosas (que coçam), descamativas ou que sangram;
- Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor;
- Feridas que não cicatrizam em até 4 semanas.
No entanto, é preciso considerar que na maior parte das vezes, nenhum destes sinais estará presente no paciente que sofreu a malignização.
Diagnóstico
O médico dermatologista geralmente faz o diagnóstico da ceratose actínica observando e sentindo a lesão na pele. Em alguns casos, no entanto, pode não ser possível diferenciar com segurança a ceratose actínica de um câncer de pele. Nestes casos, o diagnóstico é confirmado por meio da biópsia da lesão.
A avaliação de uma lesão com aspecto provável de ceratose actínica tem por objetivofazer a diferenciação com um carcionma espinocelular. A avaliação clínica da lesão combinada com a dermatoscopia ajuda a direcionar a investigação, que poderá ser completada com a biópsia da lesão.;
Dermatoscopia
A dermatoscopia é um exame no qual o dermatologista utiliza um aparelho com lente de aumento e iluminação especial para ver detalhes da pele que não seriam facilmente perceptíveis a olho nú.
Desta forma, o exame permite diferenciar com maior segurança uma queratose actínica com características suspeitas de um carcinoma espinocelular, bem como a diferenciação entre um carcicnoma in situ de um carcinoma invasivo. Com isso, o exame reduz o número de biópsias desnecessárias.
Na tabela abaixo, mostramos alguns dos critérios usados na diferenciação dermatoscópica da queratose actínica, carcinoma espinocelular in situ e carcinoma espinocelular invasivo.
| Achado dermatoscópico | Queratose actínica (QA) | CEC in situ (Bowen) | CEC invasivo |
| Padrão global | Eritematoso difuso, não estruturado | Eritematoso bem definido | Massa não estruturada |
| Escamas | Brancas, finas, aderentes | Espessas, amareladas | Crostas espessas |
| Folículos pilosos | Preservados com tampões queratósicos | Podem estar obliterados | Frequentemente destruídos |
| “Strawberry pattern” | ✔ Típico (face) | ❌ Ausente | ❌ Ausente |
| Vasos pontilhados | Finos e regulares | Mais densos | Irregulares |
| Vasos glomerulares | ❌ Ausentes | ✔ Característicos | Podem estar presentes |
| Padrão vascular | Monomórfico | Relativamente monomórfico | Polimórfico |
| Áreas brancas brilhantes | Raras ou discretas | Presentes | Frequentes |
| Áreas amarelo-esbranquiçadas | Discretas | Evidentes | Predominantes |
| Áreas sem estrutura | Discretas | Comuns | Dominantes |
| Queratinização central | Leve | Moderada | Marcante |
| Ulceração dermatoscópica | ❌ Ausente | Rara | ✔ Frequente |
Biópsia
Quando a dermatoscopia não for suficiente para excluir a possibilidade de câncer, é indicada a biópsia seguida de avaliação da amostra no laboratório. Em lesões pequenas e localizada em áreas menos sensíveis da pele, como no tronco, a biópsia geralmente envolve a retirada de toda a lesão com uma pequena margem de tecido saudável ao redor, de 4 a 5 mm. Em muitos casos, esse procedimento funciona não apenas para o diagnóstico, mas também como um tratamento definitivo.
Nas áreas mais sensíveis, onde a retirada da lesão deixa uma área difícil de ser fechada (especialmente no rosto), bem como nas grandes lesões, a biópsia envolve apenas a retirada de um pequeno fragmento da lesão, deixando a cirurgia definitiva para um segundo tempo.
Tratamento da ceratose actínica
Na maior parte das vezes, a ceratose actínica deve ser removida, devido ao risco de malignização. Diferentes tratamentos podem ser usados para isso, incluindo:
Criocirurgia
O dermatologista aplica uma substância muito fria (nitrogênio líquido) sobre a lesão. Após alguns dias, é esperado que esta lesão caia, deixando uma crosta ou bolha na pele tratada. Em alguns casos, mas de um tratamento por criocirurgia pode ser necessário antes de a lesão cair.
Peeling químico
O peeling químico consiste na aplicação de uma solução química que destrói e elimina as células tumorais. Fenol, ácido tricloroacético, ácido salicílico e ácido retinóico são as substâncias mais comumente utilizadas para esta finalidade.
Embora o peeling químico possa ser realizado também por motivos estéticos e até mesmo em salões de beleza, o procedimento feito para tratar a ceratose actínica deve ser mais agressivo e deve ser feito pelo dermatologista.
Após o tratamento, a pele fica vermelha, inchada e dolorida, mas aos poucos uma pele nova e saldável se forma no local.
Curetagem
A curetagem envolve a raspagem da lesão com um instrumento especial, denominado de cureta. Ela é muitas vezes complementada pela cauterização, procedimento em que a base da lesão é queimada para destruir eventuais células doentes remanescentes.
Terapia fotodinâmica
A Terapia fotodinâmica é um tratamento que busca destruir as células cancerígenas da pele com uma combinação de laser e medicamentos que tornam as células cancerígenas sensíveis à luz.
Ela geralmente é recomendada para pacientes que formam novas ceratoses actínicas ou que apresentam uma recorrência da lesão após um tratamento prévio.
Peeling a laser
O peeling a laser pode ser uma opção especialmente para o tratamento da queilite actínica, lesão semelhante à ceratose actínica que se forma no lábio.
Ele busca remover a camada superficial da pele, onde estão as células doentes.
Após o tratamento, a pele ficará em carne viva e dolorida. Uma pele nova e saudável. Volta a se formar após uma a duas semanas.