Celulite Infecciosa
O que é a Celulite Infecciosa?

A celulite infecciosa é uma infecção bacteriana da pele e dos tecidos subcutâneos, geralmente causada por bactérias que conseguem penetrar através de pequenas lesões, fissuras, feridas, picadas de inseto ou áreas de pele fragilizada.
A infecção costuma provocar vermelhidão, calor local, dor, inchaço e sensibilidade na região acometida, sendo mais frequente nas pernas e nos pés. Em alguns casos, também podem surgir febre, calafrios e mal-estar. A área afetada geralmente aumenta progressivamente ao longo de horas ou dias, podendo tornar-se endurecida e bastante dolorosa.
A celulite infecciosa pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é mais comum em indivíduos com diabetes, obesidade, insuficiência venosa, linfedema, micoses entre os dedos dos pés, feridas crônicas ou imunossupressão.
Em geral, deve-se pensar em celulite infecciosa diante de uma área da pele que se torna progressivamente vermelha, quente, inchada e dolorosa, especialmente quando associada a febre ou piora rápida dos sintomas. Em alguns casos, pode ser difícil diferenciar a condição de outras causas de vermelhidão e inchaço, como erisipela, trombose venosa profunda, reações alérgicas ou inflamações locais.
Embora muitos casos sejam leves e respondam bem ao tratamento com antibióticos, algumas situações podem evoluir com complicações graves, como abscessos, sepse ou infecções profundas dos tecidos. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais.
Sinais e sintomas da Celulite Infecciosa
A principal característica clínica da Celulite Infecciosa é a dor e vermelhidão da pele no local afetado, acompanhado de febre e calafrios.
A maior parte das pessoas apresenta acometimento dos membros inferiores.
As lesões apresentam margens mal definidas.
O linfedema é incomum na Celulite Infecciosa.
Celulite X Erisipela
O principal diagnóstico diferencial da Celulite é com a Erisipela.
Ambas as condições envolvem uma infecção da pele. Entretanto, a apresentação clínica é diferente, conforme mostrado na tabela abaixo
| Erisipela | Celulite |
| Causada geralmente pelo Streptococo Pyogenes | Causada geralmente pelo Streptococo Pyogenes ou Stafilococo Aureus |
| Acomete a camada mais superficial da pele | Acomete a parte mais profunda da pele e tecido subcutâneo |
| Comum nos membros inferiores, face e membros superiores | Mais comum nos membros inferiores |
| Margem bem definida | Margem mau definida |
| Bordas elevadas da lesão | Bordas da lesão não elevadas |
| Linfedema comum | Linfedema incomum |
| Evolução pode ser rápida ou mais arrastada | Evolução rápida |

Qual a causa da Celulite Infecciosa?
A Celulite Infecciosa é causada pela bactéria Streptococo Pyogenes ou Stafilococo Aureus.
Estas bactérias vivem naturalmente na pele, sem causar problemas.
Quando a integridade da pele é de alguma forma violada, elas podem penetrar o tecido subcutâneo, dando origem à Celulite Infecciosa.
Estas lesões na pele nem sempre são visíveis a olho nú.
Possíveis portas de entrada para as bactérias incluem:
- Picada de inseto;
- Arranhões ou mordidas de animais;
- Traumas, cortes e escoriações;
- Coceira;
- Queimaduras;
- Doenças dermatológicas.
Complicações da Celulite
Abscesso
O abscesso é uma das complicações mais comuns da celulite infecciosa, sendo caracterizada pela formação de uma bolsa de pus nos tecidos profundos.
Deve-se suspeitar de abscesso quando a área acometida apresenta aumento importante da dor, endurecimento localizado, sensação de “caroço”, drenagem de secreção purulenta ou piora clínica apesar do uso de antibióticos. Em alguns casos, pode haver febre persistente e aumento progressivo do inchaço.
Exames de imagem, especialmente ultrassonografia, podem ajudar a identificar coleções profundas de pus nesses casos.
O tratamento geralmente exige drenagem cirúrgica do abscesso.
Fasciíte necrotizante
A fasciíte necrotizante é uma infecção bacteriana rara, mas extremamente grave, sendo considerada uma emergência médica.
Ela se caracteriza pelo acometimento das fáscias e tecidos profundos pela infecção, causando rápida destruição dos tecidos.
A suspeita deve surgir principalmente quando existe dor intensa e desproporcional ao aspecto inicial da pele, rápida progressão da vermelhidão, piora importante em poucas horas, edema intenso, bolhas, áreas arroxeadas ou negras, necrose da pele, febre alta, confusão mental ou sinais de choque.
Em fases mais avançadas, pode haver perda de sensibilidade da pele devido à destruição dos nervos locais, além de crepitação causada pela produção de gás nos tecidos por algumas bactérias.
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica urgente, associado a exames laboratoriais e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética. Entretanto, a suspeita clínica é o principal fator para o diagnóstico precoce.
O tratamento exige internação imediata, antibióticos intravenosos de amplo espectro e cirurgia urgente para remoção dos tecidos necrosados. Em muitos casos, múltiplos procedimentos cirúrgicos são necessários. O atraso no tratamento aumenta significativamente o risco de sepse, amputações ou mesmo morte.
Sepse
A sepse ocorre quando a infecção se dissemina para a corrente sanguínea e desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica grave do organismo. É uma das complicações potencialmente mais perigosas da celulite infecciosa.
Deve-se suspeitar de sepse quando a pessoa passa a evoluir com febre alta ou hipotermia, calafrios, taquicardia, queda da pressão arterial, respiração acelerada, sonolência, confusão mental, fraqueza intensa ou piora importante do estado geral.
Idosos, diabéticos, imunossuprimidos e pacientes com infecções extensas possuem maior risco de evolução séptica.
O diagnóstico é realizado pela avaliação clínica associada a exames laboratoriais, como hemograma, marcadores inflamatórios, lactato e culturas de sangue.
O tratamento exige atendimento hospitalar urgente, com antibióticos intravenosos, hidratação venosa, monitorização intensiva e tratamento de suporte. Nos casos graves, pode haver necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).
Osteomielite
A osteomielite é uma infecção do osso, geralmente associada a casos prolongados, recorrentes ou com feridas crônicas. Ela também é mais comum em pessoas com diabetes, úlceras nos pés, insuficiência vascular, imunossupressão ou infecções profundas persistentes.
A recorrência frequente da infecção no mesmo local também aumenta a suspeita para osteomielite.
O diagnóstico geralmente envolve exames laboratoriais e exames de imagem, como radiografias ou ressonância magnética.
O tratamento envolve cirurgia para drenagem ou remoção de tecido ósseo infectado, sendo que alguns pacientes podem exigir cirurgias seriadas até a recuperação completa. A cirurgia deve ser seguida por antibioticoterapia prolongada.
Tromboflebite
A tromboflebite é a inflamação de uma veia associada à formação de trombo (coágulo sanguíneo), podendo ocorrer em regiões próximas à infecção de pele.
Pode haver dor localizada ao longo do trajeto venoso, vermelhidão linear, endurecimento da veia, edema e sensibilidade aumentada na região. Em alguns casos, a trombose pode acometer veias mais profundas, aumentando o risco de embolia pulmonar.
A diferenciação entre celulite infecciosa e trombose venosa profunda nem sempre é simples, pois ambas podem causar dor, vermelhidão e edema do membro.
O diagnóstico geralmente é realizado com ultrassonografia vascular Doppler.
A anticoagulação é a base do tratamento, que deve ser acompanhada de elevação do membro e tratamento da infecção.
Diagnóstico
Na maior parte dos casos, a celulite infecciosa é identificada pelo Médico Dermatologista apenas através da avaliação clínica.
Entretanto, exames laboratoriais podem ser considerados para se identificar qual a bactéria causadora da infecção.
Tratamento
O tratamento da celulite infecciosa depende da gravidade da infecção, da presença de doenças associadas, da extensão do acometimento da pele e da existência de sinais de complicação.
Na maioria dos casos leves, o tratamento pode ser realizado de forma ambulatorial com antibióticos por via oral, repouso e cuidados locais. Já os casos mais graves podem exigir internação hospitalar, antibióticos intravenosos e monitorização mais próxima.
Casos leves: tratamento ambulatorial
Pacientes com quadros leves, sem sinais sistêmicos importantes e sem suspeita de complicações geralmente podem ser tratados em casa com antibióticos orais direcionados principalmente contra bactérias do grupo dos estreptococos e, em alguns casos, contra o Staphylococcus aureus.
Além dos antibióticos, algumas medidas ajudam na recuperação incluem:
- repouso relativo;
- elevação do membro acometido;
- hidratação adequada;
- controle da dor e da febre;
- cuidados locais com a pele;
- tratamento de portas de entrada, como micoses, fissuras ou feridas.
Nas infecções das pernas, elevar o membro acometido pode ajudar a reduzir o edema, a dor e a inflamação local.
Em geral, os sintomas começam a melhorar nos primeiros dias após o início do tratamento, embora a vermelhidão e o inchaço possam demorar mais tempo para desaparecer completamente.
Casos moderados ou graves
A internação hospitalar pode ser necessária quando existem sinais de maior gravidade, incluindo:
- febre alta;
- dor intensa;
- acometimento extenso ou rápida progressão das lesões de pele;
- suspeita de abscesso ou infecção profunda, como a presença de bolhas ou necrose;
- imunossupressão;
- diabetes descompensado;
- sinais de sepse.
- Ausência de melhora com o tratamento oral.
Nessas situações, frequentemente são utilizados antibióticos intravenosos, permitindo concentrações mais elevadas da medicação e resposta mais rápida ao tratamento. Além disso, hidratação venosa e controle rigoroso da glicemia podem ser necessários.
Cirurgia
A maioria dos casos de celulite infecciosa não necessita de cirurgia. Entretanto, procedimentos cirúrgicos podem ser indicados quando existe:
- formação de abscesso;
- necrose da pele;
- suspeita de fasciíte necrotizante.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento imediato
Embora muitos casos de celulite infecciosa possam ser tratados de forma ambulatorial com antibióticos orais, algumas situações podem indicar uma infecção mais grave, rápida progressão da doença ou risco de complicações importantes. Nessas situações, é fundamental procurar atendimento médico imediato.
Um dos principais sinais de alerta é a rápida expansão da vermelhidão, do inchaço ou da dor ao longo de poucas horas. A piora progressiva apesar do início do tratamento também merece atenção, especialmente quando acompanhada de febre persistente ou mal-estar importante.
A presença de febre alta, calafrios, tremores, queda do estado geral, confusão mental, sonolência excessiva ou sensação de fraqueza intensa pode indicar disseminação da infecção para a corrente sanguínea (sepse), principalmente em idosos, diabéticos e pessoas imunossuprimidas.
Dor muito intensa ou desproporcional ao aspecto da pele também é um sinal importante, pois pode sugerir infecções profundas mais graves, como fasciíte necrotizante, uma condição rara, mas grave.
Outros achados preocupantes incluem:
- formação de bolhas;
- áreas arroxeadas, escuras ou negras;
- secreção purulenta abundante;
- necrose da pele;
- endurecimento importante dos tecidos;
- sensação de crepitação sob a pele;
- aparecimento de abscesso.
A celulite infecciosa na face, especialmente ao redor dos olhos, também exige avaliação rápida, pois pode haver risco de complicações orbitárias ou disseminação da infecção.
Pessoas com maior risco de evolução grave devem ter atenção redobrada, incluindo:
- diabéticos;
- idosos;
- pacientes com câncer;
- pessoas em quimioterapia;
- transplantados;
- usuários de corticoides ou imunossupressores;
- portadores de linfedema ou insuficiência venosa importante.
Em alguns casos, pode ser necessária internação hospitalar, uso de antibióticos intravenosos, drenagem de abscessos ou investigação de complicações mais profundas. O diagnóstico e o tratamento precoces reduzem significativamente o risco de sequelas e complicações graves.
Celulite Infecciosa Recorrente
Algumas pessoas apresentam episódios repetidos de celulite infecciosa, especialmente quando existem fatores predisponentes persistentes. A recorrência pode levar a danos progressivos nos vasos linfáticos, edema crônico e maior risco de novos episódios.
Os principais fatores associados incluem:
- linfedema;
- insuficiência venosa;
- obesidade;
- diabetes;
- micoses entre os dedos;
- feridas crônicas.
Além dos antibióticos para o episódio agudo, o tratamento deve priorizar também a correção dos fatores predisponentes.