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Cancer Colorretal

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal é uma condição na qual células do intestino sofrem uma mutação e passam a se multiplicar rápida e desordenadamente.

Eles também podem ser chamados de câncer de cólon ou câncer retal, a depender da localização no intestino. Entretanto, costumam ser denominados conjuntamente de câncer colorretal, uma vez que compartilham muitas características em comum.

O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum de câncer e o segundo que mais mata. Essa alta mortalidade não está relacionado à agressividade do tumor, mas sim de um diagnóstico geralmente tardio em uma fase avançada da doença.

Por outro lado, o câncer colorretal é um dos poucos cânceres realmente preveníveis. Isso se deve ao fato que a maior parte deles tem origem a partir de pólipos adenomatosos, com uma Janela de transformação entre 7 e 10 anos.

Seguindo as recomendações de realizar uma colonoscopia a cada 10 anos, os pólipos podem ser identificados e tratados antes de se malignizarem.

O câncer colo retal afeta principalmente adultos acima de 50 anos, com forte relação com sedentarismo, obesidade, dieta pobre em fibras e alto consumo de carnes processadas.

Anatomia relevante

O cólon e o reto constituem o intestino grosso, parte do sistema gastrointestinal.

A maior parte do intestino grosso é composta pelo cólon, um tubo muscular de cerca de 1,5 metros de comprimento.
O cólon é dividido em diferentes segmentos:

  • Cólon ascendente: primeira parte do cólon, sendo uma continuação do intestino delgado. Ele está localizado no lado direito do abdome.
  • Colon transverso: segunda parte do intestino grosso, atravessando o abdome da direita para a esquerda.
  • Colon descendente: terceira parte do intestino grosso, descendo pelo lado esquerdo do abdome.
  • Colon sigmoide: parte final do intestino grosso, que se junta ao reto.
  • O reto termina no ânus.

As seções ascendente e transversal juntas são chamadas de cólon proximal. Já os cólons descendente e sigmóide são também chamados de cólon distal.

O cólon absorve água e sal do bolo alimentar. Depois disso, os resíduos que restam forma as fezes. As fezes são encaminhadas para o reto, que são os 15cm finais do sistema digestivo. Lá ela fica armazenada até ser eliminada através do ânus.

Pólipos colorretais

Os pólipos colorretais são crescimentos benignos que se formam na parede do intestino grosso.
Ainda que benignos, alguns tipos de pólipos podem eventualmente vir a se transformar em câncer. Assim, eles são considerados um tipo de lesão pré-cancerígena.
Existem diferentes tipos de pólipos. Identificar o tipo de pólipo é fundamental para determinar o risco de malignização.

  • Pólipos adenomatosos (adenomas)

Pólipos adenomatosos eventualmente se transformam em câncer. Por isso, eles são considerados uma lesão pré-cancerígena. Os adenomas podem ser de três tipos: tubulares, vilosos e tubulovilosos.

  • Pólipos serrilhados sésseis e adenomas serrilhados tradicionais

Pólipos serrilhados sésseis e adenomas serrilhados tradicionais são frequentemente tratados como adenomas, uma vez que apresentam maior risco de evolução para câncer colorretal.

  • Pólipos hiperplásicos e pólipos inflamatórios

Pólipos hiperplásicos e pólipos inflamatórios são mais comuns do que os pólipos adenomatosos. Mas, em geral, não evoluem para câncer.

Ainda assim, algumas pessoas com pólipos hiperplásicos grandes (mais de 1 cm) podem precisar de triagem de câncer colorretal, repetindo a colonoscopia com alguma regularidade.

Fatores de risco para o câncer colorretal

A maioria dos cânceres colorretais tem origem a partir dos pólipos, especialmente dos pólipos adenomatosos. O risco de transformação maligna aumenta nas seguintes condições:

  • Pólipos maiores do que 1 cm
  • Presença de três ou mais pólipos
  • Presença de displasia na avaliação da biópsia.

Triagem para câncer coloretal

O padrão ouro para a triagem envolve a realização anual de exames de fezes (sangue oculto ou DNA fecal) combinado com exames visuais diretos a cada 10 anos, geralmente por meio da colonoscopia. O prazo de 10 anos se justifica pelo fato que a maior parte dos cânceres têm origem a partir de pólipos, e o processo de malignifização do pólipo leva cerca de 10 anos. Assim, caso nenhum pólipo esteja presente na endoscopia, é pouco provável que eles apareçam e se transformem em câncrer nesse praso.

Se uma pessoa optar por ser rastreada com um teste diferente da colonoscopia, qualquer resultado anormal do teste deve ser reavaliado por da colonoscopia.

Para a maioria das pessoas, a triagem de rotina para o câncer colorretal é indicada a partir dos 45 anos. No entanto, pessoas de alto risco podem precisar iniciar o rastreamento em idade mais precoce, ser rastreadas com mais frequência e/ou fazer exames mais específicos.

São consideradas pessoas de alto risco:

  • Histórico pessoal ou familiar de câncer colorretal ou certos tipos de pólipos.
  • Pacientes com doença inflamatória intestinal (colite ulcerativa ou doença de Crohn)
  • Pacientes com Síndrome de câncer colorretal hereditário confirmada ou suspeita, como polipose adenomatosa familiar (PAF) ou síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário sem polipose).
  • História pessoal de radioterapia no abdome ou pelve.

Pessoas com boa saúde e com expectativa de vida superior a 10 anos devem continuar o rastreamento regular do câncer colorretal até os 75 anos de idade.

Para pessoas com idades entre 76 e 85 anos, a decisão de fazer o rastreamento deve ser baseada nas preferências da pessoa, expectativa de vida, saúde geral e histórico de triagem anterior.

Pessoas com mais de 85 anos não devem mais fazer o rastreamento do câncer colorretal.

Sinais e sintomas de câncer colorretal

O câncer colorretal pode não causar sintomas imediatamente. Assim, o rastreio de rotina deve ser feito independentemente da presença de sintomas, com o objetivo de identificar o câncer ainda nos estágios iniciais. Quando presentes, os sinais e sintomas mais comuns incluem:

  • Mudança nos hábitos intestinais, como diarreia, constipação ou alteração na frequência.
  • Constipação, que dura mais de alguns dias.
  • Sangramento retal com sangue vermelho vivo.
  • Fezes marrom-escuras ou pretas, devido ao sangramento intestinal.
  • Cólicas.
  • Dor abdominal.
  • Fraqueza e fadiga.
  • Perda de peso não intencional.
  • Anemia observada em um exame de sangue

Todos estes sinais e sintomas são mais comum na presença de outras condições que não o câncer colorretal. Entretanto, eles devem ser sempre investigados pelo Médico coloproctologista ou pelo gastroenterologista.

Diagnóstico

No paciente com sinais e sintomas característicos, o exame mais usado na investigação é a colonoscopia. A colonoscopia também pode ser solicitada quando outros exames de triagem também sugerem a possibilidade de câncer colorretal, como como exame de rotina em paciente assintomático.

Neste exame, um cabo fino e flexível, chamado de colonoscópio, é introduzido através do ânus e progredido até o reto e o cólon.

O colonoscópio contém uma câmera em sua extremidade, que transmite imagens do trageto por onde ele passa.

Ao ser visualizada uma imagem suspeita, instrumentos específicos são introduzidos através do colonoscópio para a realização de biópsia.

O tecido biopsiado é então enviado para o laboratório, onde será analizado pelo patologista para a confirmação diagnóstica e para identificar certas características do tecido cancerígeno.

Biópsia

A mesma biópsia feita para diagnosticar o câncer colorretal trará também diversas outras informações fundamentais para o estadiamento, tratamento e prognóstico. Entre elas, incluem-se, o tipo histológico (geralmente um adenocarcinoma), a profundidade de invasão tumoral, o grau de diferenciação celular e a presença de certos marcadores celulares.

Tipo histológico

Tipo histológico se refere ao tipo de célula que deu origem ao câncer, ou seja, é o que define o tipo específico de câncer.

Adenocarcinoma

Os adenocarcinomas correspondem a mais de 95% dos casos de câncer colorretal. Assim, quando se fala no câncer colorretal de forma genérica, é deste tipo de câncer que estamos falando.

O Adenocarcinoma começa nas células da superfície do órgão, responsáveis pela produção do muco que lubrifica o interior do cólon e reto. Alguns subtipos de adenocarcinoma, como anel de sinete e mucinoso, podem ter pior prognóstico (perspectiva) do que outros subtipos de adenocarcinoma.

Tipos pouco comuns de câncer colorretal

Alguns tipos pouco comuns de câncer colorretal incluem:

Tumores carcinóides

O câncer carcinoide tem origem nas células produtoras de hormônios no intestino

Tumores estromais

O tumor estromal tem origem a partir de células especiais na parede do cólon chamadas células intersticiais de Cajal.

Alguns são benignos (não são câncer). Esses tumores podem ser encontrados em qualquer parte do trato digestivo, mas não são comuns no cólon.

Linfomas

O linfoma é um câncer originado a partir dos linfócitos, que são células do sistema imunológico.

Eles geralmente se originam nos gânglios linfáticos, mas também podem começar no cólon, reto ou outros órgãos.

Sarcoma

Os sarcomas podem começar nos vasos sanguíneos, nas camadas musculares ou em outros tecidos conjuntivos na parede do cólon e do reto. No colon e reto, estes tipos de câncer são incomuns.

Grau de Diferenciação

O grau de diferenciação do câncer diz respeito a quanto parecidas as células cancerígenas são em relação às células estomacais normais das quais ela se originou. Quando mais diferenciado for o câncer, mais parecidas são as células em relação às células normais, menos agressivo o câncer e melhor o prognóstico.

Assim, o câncer pode ser classificado em:

  • Grau 1: Células bem diferenciadas.
  • Grau 2: Células moderadamente diferenciadas.
  • Grau 3: Células indiferenciadas.

Profundidade de invasão tumoral

A parede do intestino grosso é dividida nas seguintes camadas:

  • Mucosa: revestimento interno do cólon, onde quase todos os cânceres colorretais se originam. A mucosa inclui uma camada muscular fina (mucosa muscular).
  • Submucosa: tecido fibroso localizado abaixo da camada mucosa
  • Camada muscular espessa (muscularis propria)
  • Subserosa
  • Serosa: tecido conjuntivo que reveste a maior parte do cólon, mas não o reto.

O Câncer de intestino tem origem na camada mucosa, invadiando as demais camadas à medida em que cresce. Esse é uma das informações mais importantes que será usada no estadiamento do tumor, como veremos adiante.

Biomarcadores tumorais

Biomarcadores tumorais são substâncias (proteínas, enzimas, hormônios ou genes) produzidas pelo câncer ou produzidas pelo organismos em resposta ao câncer. Eles podem ou não estar presentes, a depender do paciente.

A identificação desses marcadores tem um papel crucial na escolha de novos tratamentos disponíveis para estágios avançados do câncer de estômago, como a Terapia Alvo ou a Imunoterapia.

Os principais marcadores que devem ser pesquisados no câncer colorretal incluem:

  • MSI (instabilidade de microssatélites) e genes MMR (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) para identificar síndrome de Lynch e elegibilidade para imunoterapia.
  • Mutações nos genes RAS e BRAF, que predizem a resposta a terapias-alvo.

Estadiamento do câncer colorretal

O estadiamento do câncer colorretal é uma forma de saber o quanto ele já está avançado. O método mais usado para isso é pelo sistema TNM, que leva em consideração três informações principais: o tamanho (T), o acometimento de linfonodos (N) e a presença ou não de metástases a distância (M).

Tamanho (T)

O tamanho se refer à profundidade como que o câncer já penetrou nas diferentes camadas do colon ou reto, o que é avaliado através da biópsia.

Pelo sistema TNM, o tamanho (T) pode ser caracterizado da seguinte maneira:

  • Tis: carcinoma in situ ou carcinoma intramucoso. O câncer ainda não cresceu além da camada interna (mucosa) do cólon ou reto.
  • T1: o câncer cresceu através da muscular da mucosa para a submucosa
  • T2: acometimento da camada muscular própria
  • T3: o câncer cresceu nas camadas mais externas do cólon ou reto, mas não passou por elas.
  • T4a: o câncer cresceu através da parede do cólon ou reto, mas não atingiu outros tecidos ou órgãos próximos.
  • T4b: o câncer cresceu através da parede do cólon ou reto e se extende para outros tecidos ou órgãos próximos.

Linfonodos (N)

O exame padrão para identificar aumento de tamanho e características morfológicas dos linfonodos regionais no câncer de cólon é a Tomografia Computadorizada de abdome e pelve. No câncer de reto, o melhor exame para isso é a Ressonância Magnética da Pelve.

A confirmação definitiva do acometimento linfonodal, no entanto, só é possível após a ressecção cirúrgica do tumor e gânglios. A recomendação internacional é a análise de pelo menos 12 linfonodos para um estadiamento preciso.

O sistema TNM descreve o acometimento de linfonodos da seguinte forma:

  • N0: ausência de acometimento dos linfonodos
  • N1: acometimento de 1 a 3 gânglios linfáticos próximos.
    • N1a: acometimento de 1 linfonodo regional
    • N1b: acometimento de 2 ou 3 linfonodos regionais
    • N1c: os linfonodos regionais não estão acometidos, mas há acometimento da gordura ao redor destes linfonodos.
  • N2: acometimento de 4 ou mais linfonodos
    • N2a: acometimento de 4 a 6 linfonodos regionais
    • N2b: acometimento de 7 ou mais linfonodos regionais

Metástase (M)

Os exames mais comuns para avaliação de metástases à distância focam principalmente no fígado, pulmões e linfonodos, que são os sítios iniciais de metástases no câncer colorretal.

Os principais exames para isso incluem:

  • Tomografia Computadorizada (TC) com contraste de tórax, abdômen e pelve.
  • PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons):Indicado para avaliação do avanço da doença ou em casos de aumento dos marcadores tumorais sem causa aparente na TC, permitindo o rastreamento de todo o corpo.
  • Ressonância Magnética (RM):pode ser usada para uma avaliação mais detalhada do fígado, se a TC for inconclusiva.

De acordo com o sistema TNM, o acometimento metastático é descrito da seguinte forma:

  • M0: o câncer não se espalhou para outros órgãos.
  • M1: presença de metástase em outras áreas do corpo.
  • M1a: acometimento de um órgão distante, mas sem acometimento do peritónio, que é a membrana que reveste o abdome.
  • M1b: o câncer se espalhou para 2 ou mais locais ou órgãos distantes, mas não há acometimento do peritônio
  • M1c: acometimento de órgãos e tecidos distantes, incluindo o peritónio.

Estágios do câncer colorretal

Com base no sistema TNM, o câncer colorretal é dividido nos seguintes estágios:

Estágio TNM
0 TisN0M0
1 T1N0M0, T2N0M0
2A  T3N0M0
2B  T4aN0M0
2C  T4bN0M0
3A  T1/T2 N1/N1c M0, T1N2aM0
3B T3/T4a N1/N1c Mo, T2/T3N2aM0, T1/T2N2bM0
3C T4aN2aM0, T3/T4aN2bM0, T4bN1/N2M0
4A  M1a
4B M1b
4C M1c

Cirurgia para câncer de cólon

A cirurgia é o principal tratamento para câncer de cólon em estágio inicial. Entretanto, o tipo de cirurgia a ser realizada depende do estágio do câncer, da localização no cólon e do objetivo da cirurgia.

Cirurgia colonoscópica

Alguns cânceres no estágio 0 ou 1 e a maioria dos pólipos podem ser removidos durante uma colonoscopia.

Neste procedimento, um tubo longo e flexível com uma pequena câmera de vídeo na extremidade é introduzida através do ânus e progredida até o reto e cólon.

Uma vez identificada uma lesão, instrumentos específicos são introduzidos através do colonoscópio para a retirada da lesão.

Colectomia

A colectomia é uma cirurgia na qual o cólon é removido total ou parcialmente.

Além disso, os gânglios linfáticos próximos também são removidos.

Quando apenas uma parte do cólon é removido, a cirurgia é chamada de hemicolectomia ou colectomia parcial.
Geralmente, cerca de um quarto a um terço do cólon é removido, a depender do tamanho e localização do câncer. A seguir, as porções restantes do cólon são então reconectadas uma à outra.

Já a colectomia total envolve a remoção de todo o cólon. Ela geralmente não é necessária, considerando-se apenas o câncer. Sua indicação, desta forma, esta mais associado a outros problemas que podem se desenvolver em paralelo ao câncer, como a Polipose Adenomatosa familiar ou as Doenças inflamatórias intestinais.

Além disso, pelo menos 12 gânglios linfáticos regionais são também removidos para analisar a presença de câncer.

Colostomia

Em algumas situações, as condições clínicas do paciente impedem que as duas bocas da colostomia sejam suturadas uma à outra.

Nestes casos, o intestino pode ser conectado diretamente à pele, em um procedimento chamado de colostomia.

Na maior parte das vezes, a colostomia pode ser revertida após algumas semanas, assim que as condições clínicas do paciente tenham melhorado.

Quimioterapia

A quimioterapia para o câncer de cólon é geralmente feita após a cirurgia nos estágios avançados.

Ela pode ser feita em diferentes situações:

  • Antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir a massa tumoral e permitir a ressecção cirúrgica de forma mais eficaz.
  • Após a cirurgia, com o objetivo de eliminar células cancerígenas que eventualmente tenham ficado para trás.
  • Para o alívio dos sintomas, quando a cirurgia não for mais capaz de remover todo o câncer. Neste caso, a cirurgia é denominada de paliativa.

A quimioterapia tem uma ação sistêmica e infelizmente ela age não apenas sobre as células cancerígenas, mas também sobre células normais. Isso é o que justifica os conhecidos efeitos colaterais da quimioterapia

Radioterapia

A radioterapia é um tratamento que busca matar as células cancerígenas por meio da radiação.
Ela geralmente é usada antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor.
Quando houver margens estreitas e não for possível saber se todo o câncer foi removido, a radioterapia pode ser usada também após a cirurgia.

Terapia alvo

terapia alvo representou um avanço significativo no tratamento do câncer colorretal nos últimos anos, especialmente para formas avançadas ou metastáticas. Diferente da quimioterapia tradicional, que ataca todas as células em rápida divisão, as terapias alvo agem especificamente em moléculas, proteínas ou mutações genéticas que permitem ao tumor crescer e sobreviver.

Ela é indicada especialmente nos casos de tumores avançados ou que não respondem a outros tratamentos. No entanto, ela não funciona para todos. A terapia alvo depende da presença de marcadores celulares específicos nas células tumorais, que podem ou não estar presentes:

  • Mutações no gene RAS (especialmente KRAS)ocorrem em 40-50% dos cânceres colorretais e indicam um tumor mais agressivo e resistente a terapias anti-EGFR. Medicamentos como cetuximabe e panitumumabe funcionam em tumores sem mutação no gene RAS, impedindo que o receptor EGFR estimule a proliferação celular.
  • A mutação BRAF V600Eno câncer colorretal (CCR) é um biomarcador de alto risco e agressividade, presente em cerca de 10% dos casos. Combinações como encorafenibe e cetuximabe são utilizadas para pacientes com a mutação BRAF-V600E, com aumento da sobrevida.
  • A superexpressão da proteína HER2 está associada à resistência a terapias anti-EGFR e a piores resultados prognósticos.Tumores que superexpressam a proteína HER2 podem responder a tratamentos direcionados, como combinações de trastuzumabe com lapatinibe, pertuzumabe ou agentes como fam-trastuzumabe deruxtecannxki.

Imunoterapia

A imunoterapia no câncer colorretal é uma das áreas de maior avanço recente, mas seu uso ainda é restrito a subgrupos moleculares específicos identificados por meio da análise do material da biópsia. Ela tem por objetivo estimular o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células tumorais.

O tratamento é indicado em tumores com alta carga de mutações (como os com instabilidade de microssatélites alta – MSI-H ou deficiência de reparo de DNA – dMMR), nos quais há maior número de neoantígenos, tornando-os mais imunogênicos e responsivos à imunoterapia. Nesses casos, o tratamento pode ter respostas duradouras e, em alguns casos, respostas completas prolongadas, diferente da quimioterapia tradicional.

As Indicações atuais para a imunoterapia incluem:

  • Câncer colorretal metastático com MSI-H ou dMMR:
    • Confirmado por imuno-histoquímica (IHC) ou PCR para MSI.
    • Representa cerca de 4–5% dos CCR metastáticos.
  • quando a remossão cirúrgica completa não é viável;
  • Na recorrência do câncer.
  • Doença localizada:
    • Em estudo (neoadjuvância em tumores MSI-H com resposta completa em ensaios clínicos, permitindo evitar cirurgia em alguns casos).

Cuidados paliativos

Os cuidados paliativos se concentram no alívio da dor e de outros sintomas, no caso de um paciente no qual não se espera a cura por meio de outros tratamentos, como a cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.

Quando os cuidados paliativos são usados ​​junto com todos os outros tratamentos apropriados, as pessoas com câncer podem se sentir melhor e viver mais.

Tratamento do câncer colorretal por estágio

Estágio 0

O tratamento cirúrgico para a remoção do câncer, geralmente feita por meio d colonoscopia, é tudo o que o paciente precisa para tratar um câncer em estágio 0.

Estágio I

Quando todo o câncer for removido durante a colonoscopia e não houver células cancerígenas nas bordas do tecido removido, geralmente nenhum outro tratamento se faz necessário.

Quando o câncer for de alto grau ou se houver células cancerígenas nas bordas do pólipo, uma nova abordagem cirúrgica deve ser considerada.

Alguns pequenos cânceres de estágio I podem ser removidos por meio da colonoscopia. Em outros casos, a colectomia ou proctectomia com anastomose colo-anal pode ser necessária

Na maioria das vezes, nenhum outro tratamento é feito além da cirurgia. Entretanto, quando a análise do tecido removido deixar dúvidas se todo o câncer foi removido, pode ser indicada uma combinação de radioterapia e quimioterapia.

Estágio 2 e 3

A maioria das pessoas com câncer retal estágio 2 é tratada com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, embora a ordem desses tratamentos possa variar de paciente para paciente.

Algumas pessoas iniciam o tratamento com uma combinação de quimioterapia e radioterapia, com o objetivo de redução do tamanho do tumor. A seguir, o paciente realiza a cirurgia e, por fim, a quimioterapia.

Em outros pacientes, a quimioterapia é feita sem radioterapia antes da cirurgia, deixando a combinação de quimioterapia com radioterapia para depois da cirurgia.

A cirurgia geralmente envolve a remossão de um seguimento do intestino contendo o câncer (colectomia), com anastomose  boca a boca..

Para pacientes com câncer de cólon avançado que não pode ser removido por cirurgia, é indicada a quimioterapia neoadjuvante ou a imunoterapia neoadjuvante para reduzir o tamanho do tumor e posterior retirada cirúrgica. Em casos com mutações genéticas específicas (presentes em aproximadamente 5% dos pacientes), a imunoterapia se’ra indicada.

Estágio 4

No estágio IV, o tumor já se disseminou para outros órgãos e tecidos. O local mais comum de metástase é o fígado, mas também pode ocorrer também nos pulmões, cérebro, peritônio ou linfonodos distantes.

Na maioria dos casos, é improvável curar a doença com a cirurgia. Em alguns casos com pequenas áreas de metástase no fígado ou pulmões, essas podem ser completamente removidas cirurgicamente.

Caso a remoção cirúrgica não seja viável por conta do tamanho ou da quantidade, a quimioterapia neoadjuvante pode ser realizada com o objetivo de reduzir o tamanho das lesões tumorais antes da cirurgia. A quimioterapia geralmente é administrada novamente após a cirurgia, com o objetivo de eliminar eventuais células tumorais que tenham ficado para trás. Na presença de mutações específicas, a imunoterapia é feita no lugar da quimioterapia, com melhores resultados e menos efeitos colaterais.

Se a doença estiver muito disseminada, a quimioterapia é o tratamento principal. No entanto, a cirurgia paliativa poderá ser necessária se o tumor estiver obstruindo o cólon ou para evitar sua obstrução.  Às vezes, a cirurgia pode ser evitada colocando-se um stent no cólon durante uma colonoscopia para mantê-lo aberto. A cirurgia, no entanto, não será curativa nesses casos.

A terapia-alvo será indicada quando exames moleculares identificam mutações genéticas específicas (como KRAS, BRAF, HER2) com o objetivo de bloquear o crescimento celular e prolongar a sobrevida do paciente.

Prognóstico do câncer colorretal

Considerando-se todos os pacientes com câncer colorretal, a taxa de sobrevida em 5 anos é de 64% (1).

Entretanto, este índice pode variar bastante a depender da extensão do tumor.

A sobrevida em pacientes com câncer localizado é de 90%. Nos pacientes com câncer localmente disseminados, a sobrevida em 5 anos é de 73% e, em casos com metástases a distância, ela é de 17%.

Consequências de longo prazo do câncer colorretal

Alterações do hábito intestinal são comuns após colectomias, ressecções de reto ou anastomoses baixas. Isso pode incluir diarreia ou constipação crônica, urgência evacuatória com necessidade de múltiplas evacuações múltiplas ao dia e incontinência fecal (especialmente após ressecção anterior baixa).

Quando grandes segmentos são removidos, a absorção dos nutrientes é comprometida, levando a deficiências nutricionais e, às vezes, de nutrição parentereal, especialmente nas fases iniciais. A diarreia volumosa também é comum nesses casos.

Devido à cirurgia, aderências e obstruções intestinais podem se formar mesmo meses ou anos após a cirurgia, dificultando a evacuação e eventualmente exigindo novas intervenções cirúrgicas.

Dependendo da localização da resseção do intestino e da extensão desses ressecção, alguns pacientes podem precisar de uma íleostomia ou de uma colostomia. Estes são procedimentos cirúrgicos que criam uma abertura no abdômen (estoma) para desviar as fezes para uma bolsa coletora.

Na ileostomia, a bolsa fica conectada ao íleo (intestino delgado), enquanto a colostomia usa o cólon (intestino grosso). As fezes da ileostomia tendem a ser mais líquidas, enquanto as da colostomia podem ser mais sólidas.

Em alguns casos, as estomias são temporárias, mas em outros ela pode ser um procedimento definitivo.