Atividade Física e Esportiva na Paralisia Cerebral
Atividade física na Paralisia Cerebral
A atividade física deve ser estimulada para todos os indivíduos com Paralisia Cerebral, uma vez que ela ajuda a melhorar controle motor e a reduzir o impacto funcional da espasticidade, aumentando assim a autonomia e a participação social.
A gravidade da paralisia e o padrão funcional é bastante variável na Paralisia Cerebral.
Entre as características da doença com impacto sobre a prática esportiva, incluem-se:
- Espasticidade: rigidez e contração involuntária dos músculos, levando a uma redução da mobilidade articular e aumento do gasto energético.
- Distonia: movimentos involuntários que dificultam o controle dos movimentos finos, com impacto especialmente na prática de esportes de precisão.
- Ataxia: condição neurológica que afeta o controle motor, interferindo na coordenação dos movimentos e no equilíbrio.
- Fraqueza muscular
- Assimetria corporal (hemiparesia/diplegia): diferença de força e coordenação entre os dois lados do corpo.
Como deve ser o treinamento físico do atleta com Paralisia Cerebral?
O treinamento físico no indivíduo com Paralisia Cerebral tem por objetivo torna-lo mais funcional dentro de suas limitações. Ele deve ser sempre individualizado, considerando-se que o mesmo tipo de paralisia pode gerar uma resposta diferente frente ao treinamento.
No caso do atleta paraolímpico, o treinamento deve também considerar a modalidade esportiva, priorizando movimentos e gestos esportivos específicos da modalidade.
O aprendizado motor na paralisia cerebral é tarefa-específico, com menor transferência a partir de exercícios genéricos quando comparado com indivíduos sem paralisia. Assim, ele deve ser conduzido idealmente por profissionais com experiência em doenças neuromusculares.
O atleta com Paralisia Cerebral deve ter preocupação extra com o aquecimento pré-treino e com o resfriamento pós treino, de forma a evitar a piora na espasticidade. A mobilidade e a ativação muscular devem ser progressivas no início do treino, de forma a reduzir a rigidez e melhorar o controle neuromuscular.
Da mesma forma, o frio pode aumentar a espasticidade. Esses atletas devem quando possível evitar condições climáticas desfavoráveis. Devem também ter cuidado redobrado com as vestimentas.
Treinamento de força
O treinamento de força tem por objetivo melhorar a eficiência neuromuscular, sem aumentar rigidez. Quando bem prescrito, ele não está associado a piora na espasticidade.
Os exercícios devem ser feitos com cargas leves a moderadas e velocidade controlada, com ênfase em músculos antagonistas aos espásticos. As séries devem ser curtas, com pausas adequadas entre elas.
Treinamento de flexibilidade
O treino de flexibilidade deve ter por objetivo a preservação da amplitude funcional, sem hiperalongar.
Os exercícios devem ser lentos e sustentados, evitando-se movimentos balísticos. Eles devem ser sempre integrados ao aquecimento e ao pós-treino.
Treinamento de coordenação e controle motor
Indivíduos com paralisia cerebral apresentam maior dificuldade no controle de movimentos. Assim, os músculos tendem a funcionar de forma mais precária durante um movimento funcional do que quando os exercícios são feitos de forma isolada para um músculo específico.
Um dos objetivos do treinamento deve ser justamente a melhora na coordenação, evitando-se a coativação excessiva e inadequada das musculaturas antagonistas, buscando-se a melhora a eficiência dos movimentos.
Algumas das estratégias que podem ser usadas para isso incluem:
- Exercícios rítmicos
- Uso de metrônomo (método que utiliza um dispositivo sonoro para ditar um ritmo ou cadência constante)
- Feedback visual e tátil
Treinamento aeróbio
O atleta paraolímpico tem maior gasto energético para realizar uma mesma tarefa, quando comparado com atletas sem limitações físicas. Ao mesmo tempo, a fadiga aumenta a espasticidade e piora a qualidade dos movimentos.
Assim, o treinamento aeróbio é fundamental para reduzir fadiga e melhorar tolerância ao esforço desses atletas. Modalidades cíclicas como natação, ciclismo ou corrida adaptada podem ser consideradas para isso, sendo que os exercícios devem ser feitos em intensidade moderada e com progressão lenta, para evitar a piora na espasticidade.
Impacto e tratamento da espasticidade a prática esportiva
A espasticidade pode ser tanto um limitador quanto, em alguns contextos, uma condição funcionalmente aproveitável para a prática esportiva.
Se, por um lado, ela pode prejudicar a coordenação, eficiência e precisão dos movimentos, por outro ela ajuda na estabilidade postural e na produção de força em certos gestos.
O sucesso esportivo do atleta com paralisia cerebral depende menos da redução máxima da espasticidade e mais da otimização do controle motor dentro do seu padrão neurológico.
O objetivo não deve ser zerar a espasticidade, mas modulá-la para favorecer a performance. A primeira recomendação deve ser no sentido de se evitar condições que piorem a espasticidade, como fadiga, estresse, dor, frio e ansiedade. Intervenções médicas / medicamentosas devem ser avaliadas individualmente.
No caso do atleta paraolímpico é fundamental que isso seja definido em conjunto pela equipe médica e equipe técnica do atleta, considerando que cada modalidade “tolera” e “usa” a espasticidade de uma forma diferente.
Cuidados pré-competitivos
Cuidados adicionais devem ser adotados no período pré-competitivo ou competitivo.
O controle da espasticidade próximo às competições é um dos pontos mais sensíveis do planejamento esportivo do atleta com paralisia Cerebral, uma vez que intervenções excessivas podem comprometer o desempenho.
No esporte paralímpico de alto rendimento, não vence quem tem menos espasticidade, mas quem aprendeu a competir melhor dentro do seu próprio padrão neuromotor. Podemos dizer assim que a espasticidade previsível é muito melhor do que espasticidade excessivamente tratada.
Precisamos considerar também que, na maioria das vezes, a piora da espasticiadade antes de uma competição está associada a questões ambientais ou emocionais, como a ansiedade pré-competitiva ou alterações na rotina. Medidas para o controle desses fatores ambientais são sempre bem-vindas, ainda que, idealmente, todas elas devam ser testadas previamente fora de competição.
No caso de atletas que competem em múltiplas provas no mesmo dia, é fundamental também evitar a queda da temperatura corporal entre as provas. Isso pode envolver o uso de roupas térmicas ou cobertores, entre outras medidas.
Medidas mais agressivas para o tratamento da espasticidade, especialmente por meio de novos medicamentos ou mudanças nas dosagens dos medicamentos, devem sempre que possível ser deixadas para períodos não competitivos.
Atividade esportiva de acordo com o tipo de Paralisia Cerebral
Funcionalmente, a Paralisia Cerebral pode se apresentar das seguintes formas:
- Espástica (diplegia, hemiplegia, quadriplegia)
- Discinética (distônica / coreoatetósica)
- Atáxica
- Mista
Cada uma destas apresentações limita a prática esportiva de uma forma específica, como veremos abaixo.
PC espástica – diplegia
Indivíduos diplégicos apresentam espasticidade predominante em membros inferiores, sendo que o tronco e membros superiores são relativamente preservados. Eles apresentam rigidez ao caminhar, mas ainda assim, com uma caminhada que é funcional.
Entre as modalidades mais indicadas para esses indivíduos, incluem-se:
- Atletismo (corridas curtas, médias, saltos)
- Ciclismo paralímpico
- Natação
- Tênis de mesa
- Futebol PC (fora do programa paralímpico atual)
PC espástica – hemiplegia
Nos indivíduos hemiplégicos, o lado esquerdo do corpo funciona de forma diferente do que o lado direito, com espasticidade, fraqueza e coordenação reduzida em um dos lados. Ainda assim, o controle do tronco geralmente é bom. São pessoas com allto potencial de rendimento em classes funcionais mais altas.
Entre as modalidades mais indicadas nesse grupo, incluem-se:
- Atletismo (provas de pista)
- Natação
- Tênis de mesa
- Ciclismo
- Esportes de arremesso (com adaptação técnica)
PC espástica – quadriplegia
Incluem-se nesse grupo indivíduos com espasticidade nos quatro membros, além de comprometimento de tronco. Eles apresentam limitação importante de força e coordenação.
Entre as modalidades mais indicadas na Paralisia Tetraparética, incluem-se:
- Bocha paralímpica
- Atletismo em cadeira de rodas (classes mais baixas)
- Algumas provas de natação (casos selecionados)
PC discinética (distônica / coreoatetósica)
A Paralisia Cerebral Discinética se caracteriza por movimentos involuntários, com tônus muscular flutuante e dificuldade de controle postural movimentos finos.
Entre as modalidades mais indicadas, incluem-se:
- Bocha paralímpica
- Natação
- Atletismo em cadeira de rodas (casos selecionados)
PC atáxica
A forma Atáxica é o tipo mais incomum de paralisia cerebral, caracterizado por movimentos desajeitados ou trêmulos e levando a problemas de equilíbrio e coordenação motora. Ainda assim, as atividades são cíclicas e previsíveis, o que favorece o controle motor.
Entre as modalidades mais indicadas para esses indivíduos, incluem-se:
- Atletismo (corridas curtas)
- Natação
- Ciclismo
- Tênis de mesa
PC mista
Indivíduos com PC Mista apresentam uma combinação de espasticidade, distonia e/ou ataxia, com alta variabilidade funcional.
As modalidades paraolímpicas mais indicadas variam a depender das limitações individuais, podendo incluir:
- Bocha paralímpica
- Natação
- Atletismo (classe e prova dependem do padrão predominante)
Classificação paralímpica
A classificação paralímpica tem por objetivo separar os atletas de acordo com as limitações impostas pela doença, de forma que o resultado seja determinado por conta da técnica e habilidade de cada indivíduo, e não pelas características da sua doença.
Vale considerar aqui que as limitações individuais apresentam impacto específico nas diferentes modalidades esportivas e paraolímpicas. Uma mesma limitação pode ser determinante em um esporte, mas ter pouco impacto em outro. Assim, cada modalidade apresenta um padrão específico de classificação.
A classificação paraolímpica é funcional, não estando relacionada ao diagnóstico específico do atleta. Assim, dois atletas com o mesmo tipo de PC podem competir em classes e esportes diferentes. Ao mesmo tempo, eles podem competir junto com atletas que apresentam outras formas de lesão neurológica, mas com impacto comparável.
Quando se diz que uma limitação é comparável, isso não significa que elas sejam semelhantes, afinal nenhum atleta é igual a outro. Muitas vezes, a classificação paraolímpica é vista como injusta, ao agrupar atletas com limitações parecidas, mas não semelhantes. No entanto, é preciso considerar também que, mesmo no esporte convencional, as características físicas individuais têm grande impacto na capacidade esportiva. Ninguém discute, por exemplo, as vantagens competitivas de um atleta mais alto no basquete ou de um atleta mais baixo na ginástica.
Considerando que as limitações são muito individuais, elas podem se “encaixar” melhor na classificação de uma modalidade esportiva em comparação com outras modalidades. No meio esportivo competitivo, é comum que atletas paraolímpicos eventualmente migrem de uma modalidade para outra ao se considerar que suas limitações e perfil funcional se beneficiariam mais da classificação adotada nessa outra modalidade.
Modalidades Paralímpicas para a Paralisia Cerebral
A paralisia cerebral (PC) é uma das condições neurológicas melhor representadas no Movimento Paralímpico. Conforme discutido acima, pessoas com PC podem competir em diversas modalidades, a depender do impacto da condição sobre o controle motor.
OS atletas competem de acordo com sua classificação funcional, independentemente do diagnóstico. Atletas com o mesmo diagnóstico podem estar em classe funcional diferente, ao mesmo tempo em que indivíduos com outras condições neurológicas, como Sequela de AVC ou traumatismo cranioencefálico, podem competir juntos com pessoas com paralisia cerebral.
Atletismo paralímpico
Pessoas com paralisia cerebral, sejam elas cadeirantes ou andantes, podem disputar diferentes modalidades do atletismo, tanto em pista como em campo, incluindo corridas, saltos e lançamentos.
Os atletas podem ser classificados nas categorias T31-38 nas provas de pista ou nas categorias F31 – 38, nas provas de campo. Conforme a tabela abaixo.
| Classe | Tipo de prova | Perfil funcional predominante |
| T31 / F31 | Pista / Campo | PC grave (geralmente distônica ou mista); controle muito limitado de tronco e membros; grande dificuldade de coordenação |
| T32 / F32 | Pista / Campo | PC grave a moderada; melhor controle de tronco que T31, mas ainda com movimentos involuntários importantes |
| T33 / F33 | Pista / Campo | PC moderada; bom controle de cabeça e tronco; comprometimento importante de membros inferiores |
| T34 / F34 | Pista / Campo | PC moderada; bom controle de tronco e membros superiores; força e coordenação reduzidas em MMII |
| T35 / F35 | Pista / Campo | PC espástica bilateral (diplegia/quadriplegia leve); rigidez acentuada, dificuldade de coordenação e equilíbrio |
| T36 / F36 | Pista / Campo | PC distônica ou atáxica; movimentos involuntários e instabilidade dinâmica marcante |
| T37 / F37 | Pista / Campo | PC hemiplegia; assimetria clara entre os lados, mas marcha funcional sem auxílio |
| T38 / F38 | Pista / Campo | PC leve; alterações discretas de coordenação, espasticidade ou assimetria |
Natação paralímpica
As provas da natação paraolímpica são destinadas a portadores de deficiências motoras, visuais ou intelectuais. Indivíduos com paralisia cerebral são habilitados para participarem nas provas para deficiência motora, classificados nas classes S1 a S10.
As provas são ainda dividias nas categorias masculinas e femininas e são disputadas nos quatro estilos oficiais: peito, costa, livre e borboleta.
As classes da Natação Paralímpica que Englobam Atletas com Paralisia Cerebral são mostradas na tabela abaixo.
| Classe | Provas | Características comuns na PC |
| S1 / SB1 / SM1 | Livre, costas / Peito / Medley | Tetraplegia espástica grave, controle mínimo de tronco e membros |
| S2 / SB1 / SM2 | Livre, costas / Peito / Medley | Tetraplegia espástica grave ou distonia intensa |
| S3 / SB2 / SM3 | Livre, costas / Peito / Medley | Tetraplegia espástica ou discinesia significativa |
| S4 / SB3 / SM4 | Livre, costas / Peito / Medley | Diplegia espástica grave ou tetraparesia moderada |
| S5 / SB4 / SM5 | Livre, costas / Peito / Medley | Diplegia espástica clássica, melhor controle de tronco |
| S6 / SB5 / SM6 | Livre, costas / Peito / Medley | Hemiplegia espástica, diplegia leve, ataxia |
| S7 / SB6 / SM7 | Livre, costas / Peito / Medley | Hemiplegia com assimetria evidente, boa coordenação geral |
| S8 / SB7 / SM8 | Livre, costas / Peito / Medley | Hemiplegia leve, discreta espasticidade ou ataxia residual |
Embora a maior parte das regras sejam equivalentes às da natação olímpica, algumas adaptações foram feitas para permitir a participação de atletas com deficiências mais importantes.
Dependendo da deficiência, os atletas podem solicitar o auxílio de alguém da equipe para dar apoio na borda da piscina, ao entrar e sair da água.
Outro ajuste importante é que as classes S1, S2 e S3 os atletas podem iniciar as provas de dentro da água, mantendo os pés encostado à parede (com o auxilio de alguém da equipe) até que seja liberado o início da prova.
Nas provas de revezamento, os números de categorização dos atletas são somados, e precisam ficar entre 20 (para revezamento baixo) e 34 (para revezamento alto).
Para formar uma equipe de revezamento alto, por exemplo, podem ser escolhidos quatro atletas : S10, S4, S10 e S10, para somar 34 pontos. Assim, os treinadores precisam montar a melhor equipe possível, somando os pontos para as duas modalidades.
Tênis de mesa paraolímpico
No tênis de Mesa Paralímpico, participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia cerebral, incluindo tanto amputados quanto cadeirantes. As competições são divididas entre mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes.
Os atletas são classificados em 11 classes, sendo as classes 1 a 5 destinadas a atletas que competem em cadeiras de rodas e as classes 6 a 10 para indivíduos andantes. Quanto menor o número da classe, maior o impacto da deficiência na capacidade de jogo do atleta.
A classificação é realizada a partir da mensuração do alcance de movimentos de cada atleta, sua força muscular, restrições locomotoras, equilíbrio na cadeira de rodas e a habilidade de segurar a raquete.
Atletas tetraparéticos competem na classe C1, que é a categoria para cadeirantes com o maior grau de comprometimento físico. São atletas que apresentam uma severa redução da atividade no braço que joga, afetando o agarre, a flexão do punho e a extensão do cotovelo, com o músculo tríceps não sendo funcional.
Devido a suas limitações, esses atletas podem usar empunhaduras adaptadas, com a raquete sendo amparada na mão ou no punho com bandagens, band-aids ou faixas.
Ciclismo paralímpico
As provas de ciclismo paraolímpico são feitas tanto em estrada como na pista (velódromo). Dependendo da limitação do paciente, ele pode competir com os seguintes equipamentos:
- Triciclos (T1-T2): Para atletas com paralisia cerebral ou outros comprometimentos que afetam o equilíbrio e a locomoção, oferecendo mais estabilidade.
- Bicicletas Convencionais (C1-C5): Atletas com comprometimento em membros superiores e inferiores, mas que conseguem pedalar, usam bicicletas comuns com adaptações (pedais, guidão).
- Handbikes (H1-H5): Cadeirantes que pedalam com as mãos, com posições variadas (deitado, ajoelhado).
Bocha paralímpica
A bocha paraolímpica é uma modalidade exclusiva para atletas com paralisia cerebral e deficiências neurológicas graves
Os atletas buscam lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca (jack ou bolim). Eles ficam sentados em cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos. É permitido usar as mãos, os pés e instrumentos de auxílio (calhas), e contar com ajudantes (calheiros), no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros.
Todos os atletas da bocha competem em cadeira de rodas. Na classificação funcional, eles são divididos em quatro classes, de acordo com o grau da deficiência e da necessidade de auxílio ou não. No caso dos atletas com maior grau de comprometimento, é permitido o uso de uma calha para dar mais propulsão à bola. Os tetraplégicos, por exemplo, que não conseguem movimentar os braços ou as pernas, usam uma faixa ou capacete na cabeça com uma agulha na ponta. O calheiro posiciona a canaleta à sua frente para que ele empurre a bola pelo instrumento com a cabeça.