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Flutter Atrial

O que é o Flutter Atrial?

O flutter atrial é uma arritmia cardíaca caracterizada por um ritmo acelerado, porém regular dos átrios. Trata-se de uma condição relacionada à fibrilação atrial, mas que apresenta um padrão mais organizado de atividade elétrica.

Em alguns casos, porém, o flutter atrial pode não causar sintomas e ser identificado apenas em exames de rotina. Quando sintomático, pode se apresentar com palpitações (sensação de coração acelerado), falta de ar, cansaço, tontura ou redução da tolerância ao esforço.

O principal problema do Fluttter Atrial está relacionado ao risco de formação de coágulos no coração, que por sua vez podem levar a um acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, o flutter pode em alguns casos evoluir para fibrilação atrial. Por fim, caso não seja adequadamente tratado, com o tempo há o risco de evoluir para  insuficiência cardíaca

O que o acontece com o coração no flutter atrial?

Para entender o que acontece no coração para desenvolver uma Fibrilação Atrial, é fundamental antes entender como funciona o controle dos batimentos cardíacos.

O batimento cardíaco está associado a um processo sincronizado de contração e relaxamento do músculo cardíaco, controlado por um complexo sistema elétrico.

O estímulo elétrico tem origem em uma área do átrio direito chamado nó sinusal, que a seguir é conduzido pera os átrios (levando à contração dos mesmos) e, com um pequeno atraso, para os ventrículos.

Quando os átrios se contraem, o sangue é “empurrado” para os ventrículos ainda relaxados. A seguir, os ventrículos se contraem, impulsionando o sangue para o restante do corpo.

O nó sinusal é dessa forma, chamado também de “marcapasso natural do coração”, uma vez que ele é quem dita o ritmo dos batimentos cardíacos.

Nos pacientes com flutter atrial, no entando, ao invés de um impulso iniciar no nó sinusal e terminar, ele entra em um círculo contínuo ( mais frequentemente no átrio direito), criando uma atividade elétrica contínua e acelerada. No entanto, diferentemente da Fibrilação atrial, o Flutter tem um ritmo regular e organizado. Ainda assim, a eficiência dos batimentos diminui, o que compromete a capacidade do coração de bombear sangue para o resto do corpo.

Os átrios se contraem em uma frequência muito rápida (250 a 350 vezes por minuto). Habitualmente, porém, apenas metade dos impulsos conseguem atravessar dos átrios para os ventrículos, o que caracteriza um bloqueio 2:1. Eventualmente o bloqueio pode ser de 3:1 ou até 4:1.

 

Quais os sintomas do flutter atrial?

Geralmente, o Flutter Atrial é assintomático. Os sintomas aparecem quando a eficiência em bombear o sangue se torna prejudicada e o paciente passa a apresentar sinais sugestivos de isquemia, geralmente quando a frequência cardíaca está muito elevada.

Os sintomas nesses casos variam conforme o grau de comprometimento da capacidade do coração em bombear o sangue para o restante do corpo. No início, os sintomas mais comuns incluem:

  • Palpitações: percepção pelo paciente do coração batendo acelerado.
  • Taquicardia: Frequência cardíaca que, em repouso, geralmente em torno de 150 bpm.
  • Cansaço e Fadiga: Sensação de falta de energia para realizar tarefas simples.
  • Tontura ou Pré-Síncope: Sensação de desmaio iminente, especialmente ao levantar ou fazer esforços.

Nos casos com maior comprometimento no funcionamento cardíaco, o paciente passa a apresentar sintomas relacionados à instabilidade hemodinâmica, incluindo:

  • Queda súbita da pressão arterial.

  • Desmaios (síncope).

  • Edema agudo de pulmão.

Por fim, caso a arritmia persiste portempo prolongado, o coração vai se dilatando e perde sua eficiência, podendo evoluir com sinais de insuficiência cardíaca. Alguns dos sintomas nesses casos podem inculir:

  • Inchaço nas pernas
  • Falta de ar extrema

O Flutter Atrial é grave? Quais as principais complicações?

O Flutter Atrial é considerado uma arritmia de gravidade moderada. Embora raramente cause morte súbita imediata, ele pode levar a complicações graves se não for tratada adequadamente. Considerando que a maioria dos pacientes são assintomáticos ou pouco sintomáticos, essa acaba sendo uma situação relativamente comum.

As principais complicações incluem:

Risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral)

Essa é a maior preocupação relacionada ao flutter atrial. O mal funcionamento do coração facilita a formação de coágulos no sangue, que eventualmente podem sair do coração e se deslocar até o cérebro, causando um AVC isquêmico.

Em pacientes com Flutter Atrial não anticoagulados, o risco de AVC é de aproximadamente 3% a 4% ao ano.

Insuficiência Cardíaca

Considerando que a maioria dos pacientes são pouco sintomáticos, é comum que a arritmia seja negligenciada por período prolongado. Com o coração batendo a 150 bpm de forma constante por dias ou semanas, o músculo cardíaco começa a se dilatar e a perder a capacidade de bombeamento. Com isso, o paciente desenvolve sintomas de insuficiência cardíaca, como inchaço nas pernas e falta de ar extrema.

Felizmente, essa fraqueza do coração costuma ser reversível ao reverter o flutter.

Evolução para Fibrilação Atrial

O Flutter Atrial é frequentemente instável. É muito comum que ele apresente episódios momentâneos de Fibrilação Atrial, o que eleva o risco para AVC.

Tratamento do Flutter Atrial

A primeira etapa do tratamento do Flutter Atrial é restaurar a frequência e o ritmo sinusal normal.

O controle da frequência cardíaca é feito com medicações. Entre elas, devemos considerar:

  • Beta bloqueadores: Atenolol, Bisoprolol, Propranolol, outros;
  • Bloqueadores de canal de cálcio: Diltiazen, Verapramil.

A seguir, o controle do ritmo cardíaco pode ser feito de duas maneiras: cardioversão elétrica ou medicamentosa.

A escolha do tratamento depende da frequência com que ocorre o flutter atrial, da doença cardíaca de base, de outras condições médicas, da saúde geral e de outros medicamentos usados pelo paciente.

A cardioversão elétrica é um procedimento hospitalar no qual o médico dá um choque no coração para regular os batimentos cardíacos. Para isso, o paciente recebe medicações sedativas, de forma que ele não estará acordado durante o procedimento.

Já a cardioversão medicamentosa é feita com os bloqueadores dos canais de sódio e bloqueadores dos canais de potássio.

Após a cardioversão, seja ela eletrica ou medicamentosa, deverão ser usadas as medicações anticoagulantes. O objetivo é minimuzar o risco para a formação de coágulos sanguíneos e de Acidente Vascular Cerebral (1).

Uma vez controlada o Flutter Atrial, é importante também que o paciente adote um estilo de vida mais saudável. Isso ajuda tanto no controle de outras doenças cardíacas de base como de outros fatores de risco cardiovascular.

Melhora do padrão alimentar, prática regular de exercícios físicos, abandono do tabagismo e controle do peso são algumas das medidas que ajudarão no controle da evolução da doença.