Paralisia Cerebral
O que é a Paralisia Cerebral?
A Paralisia Cerebral se refere a um conjunto de condições neurológicas que afetam principalmente o movimento, a postura, o equilíbrio e a coordenação. Ela ocorre devido a uma lesão ou alteração no desenvolvimento do cérebro ainda imaturo antes do nascimento, durante o parto ou nos dois primeiros anos de vida.
Trata-se da deficiência motora mais comum da infância. Estima-se que ela acometa cerca de 1,5 a 2,5 crianças a cada 1.000 nascidos vivos, embora essa frequência possa variar conforme as condições de saúde materna, assistência ao parto, prematuridade e acesso aos cuidados neonatais.
A lesão cerebral que dá origem à Paralisia Cerebral não é progressiva, ou seja, não continua piorando ao longo da vida. No entanto, suas repercussões podem mudar com o crescimento da criança. Assim, dificuldades motoras, contraturas, alterações posturais, dor, problemas de alimentação, comunicação ou aprendizagem podem se tornar mais evidentes com o passar dos anos.
Qual a causa da Paralisia Cerebral?
A paralisia cerebral é causada por um problema no cérebro que ocorre antes, durante ou logo após o nascimento.
Problemas antes do nascimento
Problemas intrauterinos que podem provocar a Paralisia Cerebral incluem:
- Infecções contraídas pela mãe, como citomegalovírus, rubéola, varicela ou toxoplasmose.
- Lesão na cabeça do feto.
- Problemas cerebrovasculares intraútero.
Problemas durante ou após o nascimento
Problemas que acontecem durante ou após o nascimento e que podem provocar a Paralisia Cerebral incluem:
- Oxigenação cerebral deficiente durante um trabalho de parto difícil.
- Infecção do Sistema Nervoso Central, como a meningite ou a encefalite.
- Lesão traumática grave na cabeça.
- Hipoglicemia.
- Acidente Vascular Cerebral.
Fatores de risco
Algumas condições podem aumentar o risco de um bebê nascer com paralisia cerebral, incluindo:
- Bebês prematuros, especialmente aqueles nascidos com menos de 32 semanas de gestação.
- Bebês com baixo peso ao nascer.
- Bebês frutos de uma gravidez múltipla, como um gêmeo ou trigêmeo.
- Consumo de tabaco, álcool ou outras drogas recreativas pela mãe durante a gestação.
- a mãe fumar, beber muito álcool ou usar drogas como cocaína, durante a gravidez.
Sinais e Sintomas da Paralisia Cerebral
A paralisia Cerebral é uma doença primariamente neurológica, mas com repercussões nos mais diversos órgãos e sistemas do corpo.
Enquanto algumas pessoas podem ter limitações leves e facilmente contornáveis, em outros casos as limitações são muito mais graves.
As repercussões mais evidentes são os problemas musculoesqueléticos, que acontece em decorrência da espasticidade muscular. Problemas musculoesqueléticos podem se manifestar de diferentes formas, como veremos adiante.
Outras possíveis repercussões incluem:
- Dor crônica
- Problemas de comunicação
- Deficiência intelectual
- Transtornos do sono
- Epilepsia
- Problemas nutricionais, incluindo a disfagia (dificuldade para engolir) e desnutrição.
- Deficiência Visual
- Deficiência Auditiva
- Problemas urinários: incontinência ou retenção urinária, infecções urinárias de repetição
- Problemas intestinais: obstipação
Tipos de Paralisia Cerebral
A paralisia cerebral pode ser classificada nos seguintes tipos, de acordo com o principal tipo de distúrbio do movimento apresentado pelo paciente:
- Paralisia Cerebral Espástica, que tem como característica principal a espasticidade das articulações.
- Paralisia Cerebral Discinética, caracterizada pela dificuldade em controlar os movimentos.
- Paralisia Cerebral Atáxica: caracterizada por problemas de equilíbrio e coordenação.
- Paralisia Cerebral Mista: apresenta-se com características de mais de um tipo de paralisia cerebral.
Paralisia Cerebral Espástica
A Paralisia Cerebral Espástica corresponde a aproximadamente 80% dos casos de Paralisia Cerebral.
Como consequência, os pacientes desenvolvem contraturas e deformidades nas articulações, além de problemas com os movimentos.
Existem três tipos diferentes de paralisia cerebral espástica:
Diplegia/diparesia espástica
Nesse tipo de paralisia, a rigidez muscular acomete principalmente as pernas, com os braços menos afetados ou não afetados.
A contratura da musculatura do quadril faz com que as pernas se juntem e o paciente tenha dificuldades para abrir as pernas. Nos casos mais graves, as pernas podem se cruzarem, o que é conhecido como Pernas em tesoura.
Hemiplegia/hemiparesia espástica
A Hemiplegia/hemiparesia espástica afeta apenas um dos lados do corpo (direito ou esquerdo). Além disso, o braço geralmente é mais afetado do que a perna.
Tetraplegia/quadriparesia espástica
A quadriplegia espástica é a forma mais grave de paralisia espástica. Ela afeta todos os quatro membros, além do tronco e a face.
O paciente geralmente não consegue andar e muitas vezes têm outras deficiências de desenvolvimento, como deficiência intelectual, convulsões ou problemas de visão, audição ou fala.
Paralisia Cerebral Discinética
A Paralisia Discinética corresponde a 15% dos casos de Paralisia Cerebral. Ela se caracteriza pela dificuldade em controlar o movimento das mãos, braços, pés e pernas.
Os movimentos são incontroláveis e podem ser lentos e contorcidos ou rápidos e espasmódicos.
Em alguns casos, o rosto e a língua são afetados. Quando isso acontece, a pessoa tem dificuldade para sugar, engolir e falar.
O tónus da musculatura tanto pode ser espástico (rígido) como pode ser flácido. Em alguns casos, o tônus pode variar de um dia para o outro ou mesmo ao longo de um único dia.
A dificuldade para controlar os movimentos faz com que o paciente tenha dificuldades para sentar e andar.
A paralisia cerebral discinética pode ser subdividida em diferentes tipos:
- Paralisia cerebral atetoide: caracterizada principalmente pelos movimentos involuntários da face, tronco e membros.
- Paralisia Cerebral coreoatetóide: caracterizada principalmente pelas contrações rápidas e irregulares nas extremidades, mas que também podem envolver o pescoço e a cabeça.
- Paralisia Cerebral distônica: caracterizada por movimentos involuntários do tronco, resultando em uma postura fixa e torcida.
Paralisia Cerebral Atáxica
A Paralisia Cerebral Atáxica corresponde a 5% dos casos de paralisia cerebral. Ela se caracteriza principalmente pelos problemas de equilíbrio e coordenação.
O paciente pode ter dificuldade com movimentos rápidos, com a caminhada ou movimentos que precisam de maior precisão, como escrever. Pode também ter dificuldade em controlar as mãos ou braços ao tentar pegar um objeto.
Sinais precoces da paralisia cerebral
A gravidade dos sintomas pode variar significativamente. Algumas pessoas têm apenas problemas menores, enquanto outras podem ser gravemente incapacitadas. Embora o diagnóstico possa ser óbvio em alguns pacientes, outros podem passar desapercebidos a olhos menos atentos.
Na primeira infância, o principal sinal de que uma criança pode ter Paralisia Cerebral é um atraso nos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor, incluindo rolar, sentar, ficar de pé ou andar.
Em muitos casos a paralisica não é óbvia no bebê, tornando-se mais perceptível após os 2 ou 3 anos de idade.
Os sintomas podem incluir:
- Atrasos em alcançar marcos de desenvolvimento, como não sentar até os 8 meses ou não andar até os 18 meses.
- O corpo do bebé parece muito rígido ou muito mole.
- Movimentos inquietos, espasmódicos ou desajeitados.
- Movimentos aleatórios e descontrolados.
- Andar na ponta dos pés.
- Problemas como dificuldades de deglutição, problemas de fala, problemas de visão. Dificuldades de aprendizagem.
Diagnóstico
O diagnóstico da Paralisia Cerebral é essencialmente clínico, uma vez que nenhum exame isoladamente é capaz de confirmar ou afastar o diagnóstico. A avaliação é feita a partir da combinação da história clínica, do exame neurológico e da observação do desenvolvimento motor da criança ao longo do tempo.
Em alguns casos, especialmente nas formas mais graves, o diagnóstico pode ser bastante evidente ainda nos primeiros meses de vida. Em outros, os sinais são mais sutis e podem tornar-se mais aparentes apenas à medida que a criança cresce e deixa de alcançar marcos esperados do desenvolvimento.
Atualmente, já é possível identificar com boa precisão muitos bebês com alto risco para Paralisia Cerebral antes dos 6 meses de idade, permitindo o início precoce das intervenções.
Entre as ferramentas utilizadas nessa avaliação, destacam-se:
Avaliação dos movimentos gerais (General Movements Assessment): consiste na observação dos movimentos espontâneos do bebê, especialmente entre 2 e 5 meses de idade. Alterações nesses movimentos apresentam elevada capacidade de identificar lactentes com maior risco para Paralisia Cerebral.
Exame Neurológico Infantil de Hammersmith (HINE): é uma avaliação padronizada do desenvolvimento neurológico realizada nos primeiros meses de vida. Ela analisa aspectos como postura, tônus muscular, reflexos e qualidade dos movimentos, ajudando a reconhecer precocemente alterações neurológicas.
Ressonância magnética do cérebro: é o exame de imagem mais útil na investigação da Paralisia Cerebral. Ela pode identificar alterações estruturais associadas à condição, como lesões relacionadas à prematuridade, malformações do desenvolvimento cerebral, sequelas de acidentes vasculares cerebrais ou áreas de sofrimento cerebral ocorridas antes ou ao redor do nascimento.
Ultrassonografia transfontanelar: pode ser utilizada principalmente em recém-nascidos prematuros, permitindo identificar algumas lesões cerebrais precoces. Entretanto, apresenta menor sensibilidade do que a ressonância magnética.
Tomografia computadorizada: reservada para situações específicas, especialmente quando a ressonância magnética não está disponível ou não pode ser realizada.
Eletroencefalograma (EEG): não faz parte da investigação rotineira da Paralisia Cerebral, mas pode ser indicado quando há suspeita de epilepsia ou para a avaliação de crises epilépticas associadas.
Eletroneuromiografia: não é realizada de rotina, mas pode ser útil quando existe suspeita de doenças neuromusculares ou outras condições que possam se apresentar de forma semelhante à Paralisia Cerebral.
Exames genéticos e metabólicos: podem ser considerados em situações selecionadas, especialmente quando a apresentação clínica é atípica, há regressão do desenvolvimento, história familiar sugestiva ou ausência de fatores de risco conhecidos para Paralisia Cerebral.
Classificação funcional (GMFCS)
A Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS, do inglês Gross Motor Function Classification System) é o principal sistema utilizado para descrever o nível de independência motora de pessoas com Paralisia Cerebral.
Diferentemente dos tipos de Paralisia Cerebral (espástica, discinética ou atáxica), que descrevem o padrão do distúrbio do movimento, o GMFCS avalia como a criança funciona no dia a dia, especialmente em relação à capacidade de sentar, ficar em pé, caminhar e se locomover.
A classificação é dividida em cinco níveis, variando desde crianças que caminham sem limitações até aquelas com dependência importante para mobilidade. O nível tende a permanecer relativamente estável ao longo do crescimento e ajuda a prever necessidades futuras, orientar intervenções e planejar recursos de acessibilidade.
| Nível | Características funcionais |
| GMFCS I | A criança consegue caminhar sem limitações significativas. Pode correr, subir escadas e participar da maioria das atividades físicas, embora apresente menor velocidade, equilíbrio ou coordenação em comparação com outras crianças da mesma idade. |
| GMFCS II | A criança consegue caminhar na maioria dos ambientes, mas apresenta limitações para percorrer longas distâncias, caminhar em terrenos irregulares, correr ou saltar. Pode precisar de apoio no corrimão para subir escadas. |
| GMFCS III | A criança consegue caminhar utilizando dispositivos auxiliares, como andadores ou muletas. Para distâncias maiores, costuma necessitar de cadeira de rodas manual ou motorizada. |
| GMFCS IV | A capacidade de locomoção independente é bastante limitada. A criança geralmente utiliza cadeira de rodas para a maior parte dos deslocamentos e pode realizar algumas transferências ou pequenos movimentos com auxílio. |
| GMFCS V | A criança apresenta limitações importantes no controle da postura e dos movimentos voluntários. A mobilidade depende integralmente de tecnologias assistivas e do auxílio de cuidadores. |
De forma geral, crianças classificadas nos níveis GMFCS I e II costumam atingir marcha independente. Muitas crianças no GMFCS III também desenvolvem a capacidade de caminhar com dispositivos auxiliares. Já aquelas nos níveis GMFCS IV e V frequentemente dependem de cadeira de rodas para mobilidade, embora possam apresentar ganhos importantes em conforto, autonomia nas atividades diárias, comunicação e participação nas atividades familiares, escolares e sociais.
Vale considerar, no entanto, que o GMFCS avalia um dos problemas relacionados à paralisia cerebral, uqe é a função motora. Ela não mede inteligência, capacidade de comunicação, comportamento ou potencial de aprendizagem. Crianças com o mesmo nível funcional, dessa forma, podem apresentar habilidades cognitivas e formas de comunicação muito diferentes entre si.
Além disso, o GMFCS não deve ser encarado como um limite para o desenvolvimento da criança. Seu principal objetivo é auxiliar famílias e profissionais a estabelecer expectativas realistas, identificar necessidades de suporte e direcionar estratégias terapêuticas que promovam o máximo de independência e participação social possível.
O que acontece quando a criança com Paralisia Cerebral se torna adulta?
A Paralisia Cerebral não é uma condição exclusiva da infância. Graças aos avanços nos cuidados médicos e na reabilitação, a grande maioria das crianças com Paralisia Cerebral chega à vida adulta, sendo que as necessidades da pessoa mudam com o passar dos anos.
Mudanças na mobilidade
Muitos adultos mantêm um padrão funcional semelhante ao observado no final da adolescência. Entretanto, algumas pessoas podem apresentar redução gradual da resistência física, maior fadiga e diminuição da velocidade da marcha.
Dor crônica, ganho de peso, sedentarismo, contraturas musculares, deformidades ortopédicas e desgaste precoce das articulações podem contribuir para dificuldades adicionais de mobilidade. Algumas pessoas que caminhavam na infância podem passar a utilizar bengalas, andadores ou cadeira de rodas para percorrer longas distâncias, especialmente com o avanço da idade.
Dor e fadiga
A dor é uma das queixas mais frequentes na vida adulta. Ela pode estar relacionada à espasticidade, deformidades articulares, luxação do quadril, escoliose, sobrecarga muscular ou osteoartrose precoce.
Além disso, muitos adultos relatam fadiga excessiva, uma vez que atividades cotidianas simples podem exigir maior gasto energético quando comparadas à população geral.
Saúde musculoesquelética
Problemas ortopédicos podem se tornar mais evidentes ao longo do tempo. Contraturas, deformidades dos pés, escoliose, instabilidade do quadril e degeneração articular podem exigir reavaliações periódicas e, em alguns casos, tratamentos específicos, incluindo uso de órteses, infiltrações ou cirurgias.
Vida independente, trabalho e estudos
Muitos adultos com Paralisia Cerebral vivem de forma independente, frequentam universidades, trabalham, constituem família e participam ativamente da sociedade.
Outros podem necessitar de diferentes graus de apoio para atividades do dia a dia, tomada de decisões ou inserção profissional. Recursos de acessibilidade, adaptações ambientais e tecnologias assistivas desempenham papel fundamental para ampliar a autonomia.
Relacionamentos e sexualidade
A Paralisia Cerebral não impede o desenvolvimento de relacionamentos afetivos e da sexualidade. No entanto, essas questões são frequentemente negligenciadas durante o acompanhamento médico.
Assim como qualquer outra pessoa, adolescentes e adultos com Paralisia Cerebral podem ter interesse em relacionamentos, vida sexual, casamento e filhos. Orientações sobre saúde sexual e reprodutiva devem fazer parte do cuidado integral.
Saúde mental e participação social
Ansiedade, depressão, isolamento social e baixa autoestima podem ocorrer com maior frequência, especialmente diante de barreiras físicas, preconceito ou dificuldades de inclusão.
Por outro lado, apoio familiar, amizades, participação em atividades recreativas, prática esportiva e oportunidades educacionais e profissionais estão associados a melhor qualidade de vida e bem-estar emocional.
Tratamento da Paralisia Cerebral
O dano cerebral associado à paralisia cerebral é definitivo, o que significa que nenhum tratamento será capaz de curar a doença.
Entretanto, diversos tratamentos devem ser considerados para minimizar as repercussões clínicas deste dano cerebral e para tornar o paciente o mais ativo e independente possível.
Este tratamento deve ser bastante dinâmico, já que as necessidades do paciente mudam ao longo do crescimento.
Intervenção Precoce (0 – 2 anos)
A paralisia cerebral pode ser diagnosticada com precisão já aos três meses de idade. Em muitos casos, o diagnóstico não é fechado, mas considerado provável.
Nessa época, o cérebro do bebê se desenvolve rapidamente, o que o torna ele mais sensível às diferentes formas de tratamento. A isso, chamamos de Neuroplasticidade.
A intervenção precoce, dessa forma, minimiza o desenvolvimento de deficiências secundárias relacionadas ao crescimento muscular e ósseo alterado e otimiza o ganho funcional.
Dependendo das necessidades individuais do bebê, o tratamento pode envolver o pediatra, médicos de diferentes especialidades, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos ou outros profissionais.
Suporte com a Amamentação ou Alimentação
Dificuldades de deglutição são frequentemente subdiagnosticadas nas crianças com Paralisia Cerebral, prejudicando a nutrição e colocando-a em risco para aspiração e suas complicações, como a pneumonia aspirativa.
Em alguns casos, essas crianças podem necessitar de suportes de alimentação não orais, como alimentação por sonda.
Comunicação
Os bebês conseguem se comunicar muito antes de começarem a falar. Quando uma criança está observando ou imitando os gestos de um cuidador, ela já está aprendendo a se comunicar. Essa comunicação pré-verbal é fundamental para que em um segundo momento ela venha a desenvolver a fala.
Algumas crianças serão não verbais no futuro e precisarão usando formas alternativas de comunicação. Independentemente do prognóstico futuro, o fonoaudiólogo poderá trabalhar as estratégias de comunicação do bebê.
Desenvolvimento musculoesquelético
Um terço das crianças com paralisia cerebral apresenta deslocamento do quadril,
onde a articulação do quadril não se desenvolve bem. O risco é maior em crianças com paralisia tetraparética ou diparética, sendo menos comuns nos hemiparéticos.
A espasticidade favorece o desenvolvimento de deformidades e contraturas, que são mais perceptíveis a partir dos 12 meses de idade, podendo ser adotadas diferentes estratégias a depender das articulações acometidas e da gravidade das contraturas, sempre com o objetivo de prover a melhora funcional do indivíduo.
Consequências da Paralisia Cerebral
Problemas musculoesqueléticos
A espasticidade característica da Paralisia Cerebral tende a provocar contraturas e, com o tempo, deformidades articulares nas mais diversas articulações. Essas contraturas e deformidades, por sua vez, pode levar a problemas posturais e dificuldades de posicionamento.
Anormalidades na coluna e no quadril acometem aproximadamente uma a cada três pessoas com Paralisia Cerebral. Isso inclui, entre outras coisas, graves Escolioses neuropáticas ou a Luxação do quadril. Quando isso acontece, o paciente pode ter
Dificuldade ou incapacidade para sentar, ficar em pé ou caminhar. Pode também levar ao desenvolvimento de dor crônica.
1 em cada 3 crianças com paralisia cerebral não conseguirá andar, sendo esse risco maior no caso de crianças com tetraplegia espástica, deficiência intelectual, epilepsia, deficiência visual ou com incapacidade de sentar-se de forma independentemente aos 2 anos de idade.
O tratamento da espasticidade pode envolver o uso de toxina botulínica e outros medicamentos. Já o tratamento das contraturas e deformidades pode envolver gessos, órteses ou cirurgia. A decisão deve ser avaliada individualmente e deve sempre considerar o aspecto funcional do paciente. Em alguns casos, poderá ser indicado apenas o acompanhamento.
A intervenção precoce permite em alguns desses casos a realização de tratamentos menos invasivos e com maior ganho funcional. Assim, toda criança com paralisia deve ser investigada regularmente quanto às suas condições musculoesqueléticas.
A cirurgia ortopédica muitas vezes se faz necessária para a correção de contraturas articulares, para melhorar a postura e melhorar o padrão de movimentos.
Algumas das cirurgias frequentemente indicadas para pacientes com Paralisia Cerebral incluem:
- Cirurgia para correção de displasia do quadril e luxação do quadril;
- Cirugia para luxação do cotovelo;
- Cirurgia para a correção de escoliose;
- Cirurgia para a correção do pé em equino (caminhada nas pontas dos pés).
Quando chega à idade escolar, as crianças atingirão o máximo de seu potencial de habilidades motoras. Muitas estarão andando ou começam a andar sem qualquer assistência, outras precisarão de equipamentos assistivos e outras não desenvolverão a capacidade de andar.
Embora muitas famílias coloquem expectativas excessivas em ver seus filhos andando, esse nem sempre é um objetivo. Não adianta colocar todos os esforços na busca de um andar que não seja funcional e produtivo. Prover estratégias que permitam uma melhor adaptação por meio de tecnologias assistivas pode ser mais interessante em alguns casos.
O treinamento de marcha busca criar estratégias para melhorar o padrão de caminhada, de forma que a criança consiga caminhar maiores distâncias por mais tempo e com menor gasto energético.
Órteses de pé e tornozelo (AFOs) são talas de plástico que podem ser usadas para melhorar a posição do pé. Elas podem ser usadas para ajudar a criança a ficar em pé e caminhar.
O treinamento motor por meio da fisioterapia pode ajudar a melhora as habilidades motoras amplas, como caminhada e mobilidade. Treinamento de marcha, treinamento em esteira e hidroterapia são outras intervenções que podem ajudar nesse sentido.
Algumas crianças precisam de equipamentos especializados para auxiliar na caminhada, como cadeiras, andadores ou muletas. Algumas precisarão desses equipamentos por um curto período, à medida que sua caminhada independente se desenvolve. Outras continuarão a usá-los por toda a vida. Algumas usarão muletas para pequenos deslocamentos, mas podem preferir uma cadeira de rodas para distâncias maiores.
Muitas crianças com paralisia cerebral têm dificuldade em usar as mãos, o que se torna uma preocupação especialmente na idade escolar. O bom funcionamento das mãos é fundamental para prover maior independência em casa ou na escola. Diferentes formas de intervenção podem ser consideradas nesses casos, incluindo terapias, órteses ou cirurgias.
O terapeuta ocupacional poderá sugerir ainda o uso de equipamentos adaptados, incluindo teclados ou joysticks especializados. O objetivo dessas tecnologias assistivas é ajudar as crianças a acessar os equipamentos e o ambiente da forma mais independente possível.
Dor
Dores de moderada ou alta intensidade estão presentes em 3 a cada 4 pacientes com Paralisia Cerebral. Ela pode se desenvolver como consequência das contraturas, posturas anormais, escoliose ou luxação do quadril.
Problemas posturais podem levar à formação de escaras de pressão, que podem também se tornar dolorosas. O Refluxo Gastroesofágico pode também contribuir para a dor.
A dor pode comprometer a independência, o comportamento e as relações sociais do paciente. Problemas de sono são comuns nos pacientes com Paralisia Cerebral, sendo que a dor pode estar por trás de muitos desses casos.
Familiares e profissionais precisam estar atendo a sinais indiretos da dor, uma vez que muitos desses indivíduos não são capazes de se expressarem adequadamente.
O tratamento da dor deve envolver uma abordagem multidisciplinar, o que inclui não apenas medicamentos mas também a identificação e o tratamento das causas.
Comunicação
Diferentes problemas associados à Paralisia Cerebral podem comprometer a comunicação da criança.
A coordenação dos músculos ao redor da boca e da língua, necessários para a fala. Os movimentos respiratórios necessários para sustentar a fala também podem ser afetados.
Algumas pessoas com paralisia cerebral podem não conseguir produzir nenhum som. Outras podem emitir sons, mas não conseguem desenvolver uma fala clara e compreensível.
Transtornos auditivos, deficiência visual ou deficiência intelectual podem também comprometer a capacidade de comunicação falada ou escrita. Quanto mais precoce essas deficiências forem identificadas e tratadas, maiores as oportunidades de a criança desenvolver sua comunicação, seja ela falada ou não.
Algumas crianças virão a desenvolver capacidades comunicativas plenas, enquanto outras nunca usarão a fala ou a escrita para se comunicar. Em todos esses casos, diferentes estratégias de comunicação não verbal ou verbal poderão ser desenvolvidas por meio de terapia fonoaudiológica específica.
Os tratamentos para desenvolver a fala e a comunicação são muito sensíveis a marcos temporais, de forma que eventuais atrasos nas abordagens podem não mais ser recuperados. Por esse motivo, toda criança com paralisia cerebral deve ser avaliada quanto a suas habilidades comunicativas.
Os bebês conseguem se comunicar muito antes de começarem a falar. Quando uma criança está observando ou imitando os gestos de um cuidador, ela já está aprendendo a se comunicar. Essa comunicação pré-verbal é fundamental para que em um segundo momento ela venha a desenvolver a fala.
Aproximadamente 25% das pessoas com Paralisia Cerebral não serão capazes de se comunicar adequadamente por meio da fala. Ainda assim, poderão usar formas alternativas de comunicação. Independentemente do prognóstico de fala futuro, o fonoaudiólogo poderá trabalhar as estratégias de comunicação do bebê.
Deficiência intelectual
1 em cada 5 pessoas tem deficiência intelectual moderada a grave.
Como regra geral, quanto maior o nível de deficiência física de uma pessoa, maior a probabilidade de ela ter deficiência intelectual. Mas isso não é uma regra: existem pessoas com um nível profundo de deficiência física sem deficiência intelectual, enquanto outras com deficiência física leve podem ter deficiência intelectual.
A epilepsia é uma comorbidade comum da Paralisia Cerebral e que pode piorar a capacidade cognitiva.
Pessoas com as formas mais graves de paralisia tendem também a ser menos estimuladas, o que pode contribuir para o déficit cognitivo.
A capacidade de aprender, no entanto, sempre estará presente. O neuropsicólogo poderá ajudar a avaliar as melhores estratégias para isso.
Transtornos do sono
O sono pode ser afetado pelos espasmos musculares, dificuldades de posicionamento e de mudanças de posição e também pela dor.
A deficiência visual e a falta de percepção da luz afeta o ritmo circadiano e a secreção de melatonina, o que também afeta o sono.
Cerca de 20% dos pacientes com Paralisia Cerebral apresenta transtornos relacionados ao sono.
Diferentes estratégias medicamentosas e não medicametosas podem ser consideradas a depender do que pode estar afetando o sono.
Problemas nutricionais
A Paralisia Cerebral pode afetar os músculos da mastigação e da deglutição, dificultando a alimentação – condição essa denominada de Disfagia.
Além disso, as habilidades motoras finas podem estar afetadas, dificultando o uso de talheres, segurar uma xícara ou transferir alimentos de um prato para a boca.
As dificuldades com a alimentação podem levar a um quadro de desnutrição
Em alguns casos, ajustes no preparo dos alimentos pode ajudar a enfrentar esses desafios. Em outros, a alimentação por meio de sonda pode ser necessária.
Sialorreia (babação)
A baba é comum em pessoas com paralisia cerebral. Embora ela não costume trazer complicações maiores, ela pode ser bastante incômoda. Além disso, a babação excessiva pode irritar a pele ao redor da boca e aumenta o risco de infecção da pele.
Entre os tratamentos que podem ser considerados para o excesso de baba, incluem-se:
- Exercícios de fonoaudiologia;
- medicamentos anticolinérgicos;
- injeções de toxina botulínica nas glândulas salivares;
- cirurgia para redirecionar as glândulas salivares, de modo que a saliva passa a correr para a garganta, ao invés de ser eliminada pela boca
Epilepsia
A Epilepsia fica caracterizada quando o paciente apresenta pelo menos duas crises epilépticas não provocadas com intervalo de pelo menos 24 horas entre elas.
O problema acomete uma de cada quatro criança com Paralisia Cerebral, sendo mais comum naquelas com deficiência intelectual associada.
Ao mesmo tempo em que a paralisia aumenta o risco para epilepsia, a epilepsia também potencializa os sintomas da paralisia. Por fim, as medicações usadas no tratamento da epilepsia podem afetar o comportamento e a capacidade de atenção de uma pessoa.
Discutimos mais a respeito da epilepsia e seus tratamentos em um artigo específico.
Deficiência visual
A deficiência visual acomete uma a cada 10 criança com Paralisia Cerebral, sendo mais comum naquelas com as formas mais graves de paralisia.
Miopia, ausência de fusão binocular, estrabismo discinético (também conhecido como “olho virado”), disfunção grave do olhar ou neuropatia óptica são algumas das causas para a deficiência visual.
Todo paciente com Paralisia Cerebral deve passar por uma avaliação oftalmológica, já que muitas dessas causas de deficiência visual podem ser tratadas.
Deficiência auditiva
A deficiência Auditiva Profunda acomete aproximadamente 5% das pessoas com Paralisia Cerebral.
Atualmente, a maior parte desses casos podem ser tratados por meio de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, sempre acompanhado de Reabilitação auditiva. No entanto, dificilmente esses tratamentos irão proporcionar uma audição funcional quando implementados de forma tardia.
A avaliação auditiva deve ser sempre preconizada, de forma a permitir um diagnóstico mais precoce a esses pacientes.
Problemas pulmonares
A função pulmonar pode ser comprometida nos pacientes com deformidades graves na coluna, levando a uma menor capacidade funcional.
A função pulmonar pode também ser comprometida por conta de pneumonias de repetição.
A Paralisia Cerebral pode afetar os músculos da mastigação e da deglutição, dificultando a alimentação – condição essa denominada de Disfagia.
A disfagia, por sua vez, pode fazer com que os alimentos ou até mesmo a saliva sejam direcionados ao aparelho respiratório e o paciente se engasgue. Ao mesmo tempo, a tosse pode ser afetada por conta da escoliose. Tudo isso leva a um alto risco para pneumonias aspirativas de repetição.
Problemas urinários
A paralisia cerebral pode afetar os músculos que controlam a bexiga.
Algumas pessoas podem desenvolver incontinência, enquanto outras podem desenvolver retenção urinária.
Por conta de um esvaziamento incompleto da bexiga, o risco de infecções urinárias de repetição é elevado.
Problemas intestinais
A paralisia cerebral compromete o funcionamento e o controle dos músculos do trato digestivo, podendo provocar tanto incontinência como obstipapação.
A obstipação é comum tanto por conta de aspectos dietéticos como por conta do imobilismo.
Fisioterapia
A fisioterapia é um dos tratamentos mais importantes para a paralisia cerebral.
Ela envolve um conjunto de exercícios para melhorar ou, ao menos, para minimizar a perda de mobilidade das articulações, além de evitar as contraturas articulares.
Ela também é importante para melhorar a força muscular e o padrão de movimento, no paciente que caminha ou com espectativa para caminhar.
No caso do paciente cadeirante, ela poderá ajudar na melhora postural do paciente.
Fonoaudiologia
A fonoaudiologia pode ajudar pessoas com problemas de comunicação e também aqueles com problemas de deglutição.
Para alguns pacientes, isso envolve exercícios e atividades melhorar a fala.
Dependendo do caso, poderão ser usados dispositivos especiais capazes de gerar a fala.
Em outros pacientes, o fonoaudiólogo pode adotar métodos alternativos de comunicação, como a linguagem de sinais ou o uso de imagens.
Além de questões relacionadas à comunicação, o fonoaudiólogo pode também ajudar nos problemas com a deglutição de alimentos e também nos problemas relacionados à b abação excessiva.
A dificuldade em engolir alimentos é comum em certos tipos de paralisia cerebral e pode levar a complicações importantes, como engasgos, aspiração, infecção pulmonar ou mesmo à desnutrição.
Terapia ocupacional
O terapeuta ocupacional buscará prover as adaptações necessárias para melhorar ao máximo a funcionalidade do paciente frente a suas limitações.
Isso poderá incluir o treinamento e a adaptação de movimentos complexos, como ir ao banheiro ou se vestir.
Outras funções do terapeuta ocupacional incluem:
- Ortetização.
- Orientações relacionadas ao uso de cadeiras e outros meios para locomoção
- Adaptações no ambiente, incluindo o domicilio ou o carro.
- Orientações quanto a diferentes recursos tecnológicos que possam ajudar o paciente a realizar suas atividades.
- Sugestões relacionadas a atividades recreativas.
- Orientações relacionadas a trabalho ou escola.
Abordagem escolar
Diversos aspectos da paralisia cerebral podem trazer desafios maiores para a aprendizagem, incluindo as dificuldades com o planejamento motor, dor, transtornos do sono, problemas com a fala e a comunicação e a deficiência visual, auditiva ou intelectual.
Todas essas dificuldades podem fazer com que a criança se canse mais facilmente, o que compromete a atenção e a concentração.
Enquanto algumas crianças são capazes de acompanhar o currículo escolar normalmente, outras podem precisar de adaptações curriculares por meio de um Plano Educacional Individualizado. Isso deve ser discutido com a equipe pedagógica, contando também com o suporte dos profissionais que acompanham a criança.
Além da adaptação curricular, eventuais adaptações de acessibilidade podem ser necessárias. O Terapeuta Ocupacional pode ajudar a propor eventuais ajustes nesse sentido.
Por fim, é preciso considerar a importância dos relacionamentos sociais e de que pessoas com paralisia tendem a ter mais dificuldade para socialização.
Quanto maiores as dificuldades físicas e de aprendizagem, maior a dificuldade para integração social.
A escola tem um papel fundamental na socialização desses indivíduos. Isso deve ser trbalhado não apenas com o paciente, mas também com os colegas da escola e os profissionais envolvidos na educação.
Atividade física
A atividade física é fundamental não apenas para o desenvolvimento de habilidades motoras, mas também para o desenvolvimento de raciocínio, de tomadas de decisões, de controle de sentimentos e de emoções e para o desenvolvimento de habilidades sociais.
A melhora no condicionamento físico ajuda também a compensar a maior energia necessária para se mover e para realizar as diferentes tarefas do dia a dia.
As dificuldades de locomoção fazem com que pessoas com paralisia tendam a ser mais sedentárias do que outras. Em muitas ocasiões, fazer algo por elas pode ser mais fácil do que ajudá-la a fazer essa mesma coisa. No entanto, isso acaba por tirar a oportunidade de essa criança desenvolver novas habilidades.
Participar de esportes e hobbies ativos é também uma ótima maneira de entrar em forma, se divertir, fazer amigos e de aprender novas habilidades.
Aprender a perder também é uma habilidade importante, frequentemente descoberta por meio da prática esportiva.
Para aqueles que se interessam, existe até mesmo a possibilidade de esportes competitivos em alto rendimento. Diversas modalidades paraolímpicas são voltadas justamente para pessoas com Paralisia Cerebral. No Brasil, o Comitê Parlímpico Brasileiro é a organização nacional que representa pessoas com deficiência que praticam esportes. Ele pode fornecer informações sobre os diferentes esportes disponíveis e os meios para se envolver com as modalidades.
Os esportes podem ser adaptados para permitir que crianças com
deficiência participem da melhor forma possível. Equipamentos e modificações podem ser
implementados para ajudar seu filho a atingir seus
objetivos esportivos. Estes podem incluir:
- Modificações nos equipamentos, como o uso de cadeira de rodas.
- Mudanças nas regras para compensar o esforço adicional realizado por esses indivíduos, como reduzir a duração de uma sessão ou adicionar mais intervalos.
- Modificações no ambiente físico para remover potenciais barreiras à acessibilidade, o que inclui rampas ou estacionamento.
Qual o prognóstico da Paralisia Cerebral?
O prognóstico da Paralisia Cerebral é bastante variável e depende principalmente da gravidade do comprometimento motor, da presença de condições associadas (como epilepsia, deficiência intelectual ou disfagia) e do acesso precoce a intervenções especializadas.
Como a lesão cerebral responsável pela Paralisia Cerebral não é progressiva, a doença não tende a piorar com o passar do tempo. No entanto, as repercussões da paralisia e as necessidades da pessoa podem mudar ao longo da vida em decorrência do crescimento, do surgimento de contraturas musculares, deformidades ortopédicas, dor ou alterações relacionadas ao envelhecimento.
Capacidade de caminhar
Uma das principais preocupações das famílias é saber se a criança conseguirá andar. Embora não exista uma resposta única, alguns fatores ajudam a prever a evolução motora.
Crianças que conseguem sentar-se de forma independente até aproximadamente os 2 anos de idade apresentam maiores chances de desenvolver marcha independente. Da mesma forma, crianças classificadas nos níveis I e II do GMFCS geralmente caminham sem auxílio, enquanto muitas crianças do nível III conseguem andar utilizando dispositivos de apoio. Já aquelas classificadas nos níveis IV e V frequentemente dependem de cadeira de rodas para sua mobilidade.
Desenvolvimento cognitivo e comunicação
A capacidade intelectual é bastante heterogênea. Muitas pessoas com Paralisia Cerebral apresentam inteligência dentro da faixa esperada para a idade, enquanto outras podem ter deficiência intelectual associada, especialmente nas formas mais graves da doença.
Mesmo quando a fala é limitada ou ausente, diferentes estratégias de comunicação alternativa podem permitir que a pessoa expresse desejos, faça escolhas, aprenda, estabeleça relacionamentos e participe ativamente da vida familiar e social.
Independência e participação social
O grau de independência varia amplamente. Algumas pessoas necessitam de pouco ou nenhum auxílio nas atividades do dia a dia, enquanto outras dependem de cuidadores para alimentação, higiene, locomoção e autocuidado.
Com apoio adequado, tecnologias assistivas, adaptações ambientais e inclusão escolar, muitas crianças e adultos com Paralisia Cerebral podem frequentar a escola, praticar esportes, trabalhar, construir relacionamentos afetivos e participar ativamente da comunidade.
Expectativa de vida
A expectativa de vida depende sobretudo da gravidade do comprometimento funcional e das condições clínicas associadas.
Pessoas com formas leves ou moderadas de Paralisia Cerebral frequentemente apresentam expectativa de vida próxima à da população geral. Por outro lado, indivíduos com comprometimento motor muito grave, disfagia importante, dependência completa para mobilidade ou pneumonias aspirativas de repetição apresentam maior risco de complicações clínicas e redução da sobrevida.