Anorexia Nervosa
O que é Anorexia Nervosa?
A anorexia, também chamada de anorexia nervosa, é um transtorno alimentar no qual uma pessoa tem um desejo excessivo, ilimitado e sem controle de emagrecer, mesmo já estando abaixo do peso esperado de acordo com sua altura.
Mesmo com uma aparência clara de magreza excessiva, o paciente com anorexia não consegue ver que seu corpo está definhando e continua a se ver com sobrepeso.
A anorexia é definida como um peso corporal ao menos 15% abaixo do peso ideal para a sua altura, calculado pelo Índice de Massa Corpórea (IMC). O IMC mínimo considerado normal é de 18,6.
Pessoas com anorexia nervosa perdem peso e mantêm seu peso extremamente baixo de diferentes maneiras. Enquanto alguns impõem restrições severas à ingestão de calorias, outros se exercitam excessivamente.
O paciente anoréxico está sempre evitando a comida, devido ao medo de ganhar peso. Em função disso, ele se mostra ansioso em verificar o número de calorias de qualquer alimento antes de consumí-lo.
Além da perda de peso, a doença frequentemente envolve mudanças importantes no comportamento e na relação com a comida. Algumas pessoas passam a evitar refeições, contar calorias de forma obsessiva, criar regras alimentares rígidas ou praticar exercícios físicos excessivamente. Em muitos casos, familiares e pessoas próximas percebem primeiro alterações no comportamento alimentar, isolamento social ou preocupação exagerada com peso e aparência.
A Anorexia Nervosa pode causar complicações físicas e emocionais importantes, incluindo fraqueza, alterações hormonais, problemas cardíacos, ansiedade, depressão e prejuízo significativo da qualidade de vida. O quadro costuma surgir principalmente na adolescência e no início da vida adulta, mas pode ocorrer em diferentes idades e também afetar homens.
O tratamento geralmente envolve acompanhamento multidisciplinar, incluindo suporte nutricional, psicoterapia e avaliação médica e psiquiátrica.
Como diferenciar a anorexia do emagrecimento saudável?
Buscar emagrecimento ou mudanças na alimentação nem sempre significa a presença de um transtorno alimentar. Muitas pessoas procuram perder peso por motivos relacionados à saúde, condicionamento físico ou bem-estar, geralmente mantendo uma relação relativamente equilibrada com a alimentação e a imagem corporal.
Na Anorexia Nervosa, porém, a perda de peso costuma estar associada a medo intenso de engordar, distorção da imagem corporal e comportamentos alimentares rígidos ou compulsivos.
Mesmo quando estão abaixo do peso adequado, algumas pessoas continuam se percebendo acima do peso ou sentem necessidade constante de restringir ainda mais a alimentação.
Além disso, o emagrecimento saudável tende a ocorrer de maneira gradual e sem grande prejuízo físico, emocional ou social. Já a anorexia pode causar isolamento, sofrimento psicológico, desnutrição e complicações médicas potencialmente graves.
| Emagrecimento saudável | Anorexia Nervosa |
| Objetivo relacionado à saúde e bem-estar | Medo intenso de engordar |
| Alimentação relativamente flexível | Restrição alimentar rígida |
| Percepção corporal preservada | Distorção da imagem corporal |
| Sem sofrimento psicológico importante | Ansiedade, culpa e obsessão com peso |
| Exercícios em equilíbrio com saúde | Exercícios excessivos ou compulsivos |
| Pouco impacto social e emocional | Isolamento e prejuízo funcional |
| Perda de peso gradual e controlada | Perda importante e potencialmente perigosa de peso |
Quando suspeitar de anorexia?
A Anorexia Nervosa deve ser considerada nas seguintes situações:
- Perda rápida ou significativa de peso
- Restrição alimentar intensa
- Medo persistente de ganhar peso
- Distorção da imagem corporal
- Contagem obsessiva de calorias
- Pular refeições ou evitar comer em público
- Isolamento social relacionado à alimentação
- Irritabilidade, ansiedade ou culpa após comer
A suspeita também deve ser maior quando surgem sintomas físicos relacionados à desnutrição, como cansaço intenso, tontura, sensação frequente de frio, alterações menstruais, fraqueza ou desmaios.
Qual a causa da anorexia?
A anorexia ocorre mais comumente durante a adolescência. O problema geralmente se inicia com uma Dieta para emagrecer, da mesma forma como qualquer outra pessoa acima do peso.
Aos poucos, a perda de peso vai se transformando em uma obsessão. São comportamentos típicos do paciente com anorexia:
- Evitar comer;
- Comer apenas pequenas quantidades de certos alimentos;
- Pesar e medir a comida com extremo cuidado, apesar de sentir fome.
A anorexia é tradicionalmente vista como um distúrbio relacionado à imagem corporal, no qual o paciente tem uma imagem deturpada sobre o próprio corpo.
Cada vez mais, porém, o problema é visto como uma estratégia de enfrentamento durante momentos de dificuldade emocional, como estresse, ansiedade, depressão, raiva e solidão.
Estas pessoas têm mais facilidade par lidar com a dor física decorrente da não alimentação do que com a dor emocional. Pessoas com anorexia obtêm uma sensação de controle sobre suas vidas, usando a comida como uma forma de lidar com essas emoções difíceis.
Fatores de risco
Alguns fatores aumentam a probabilidade de uma pessoa transformar uma dieta aparentemente inocente em uma obsessão doentia, incluindo:
- Pessoas com baixa autoestima;
- Imagem corporal ruim;
- Sensação de não estar no controle de sua vida;
- Crises de relacionamento, perda de familiar, pós-parto conturbado.
- Traumas na infância, como a perda de um dos pais ou o abuso sexual. 30% das pessoas com anorexia nervosa têm histórico de abuso sexual durante a infância (1).
- Convivência em grupos que habitualmente presam pela perda de peso excessiva, como bailarinos ou modelos.
- Estímulo familiar, especialmente quando a mãe ou irmã se mostra excessivamente insatisfeita com o próprio peso.
Quais os sintomas de Anorexia Nervosa?
Os sintomas da Anorexia Nervosa vão muito além da perda de peso. A doença costuma envolver alterações importantes no comportamento alimentar, preocupação excessiva com o corpo e medo intenso de engordar, mesmo quando a pessoa já está abaixo do peso adequado. .
Os sintomas podem ser divididos em manifestações psicológicas/comportamentais e alterações físicas relacionadas à desnutrição.
Sintomas psicológicos e comportamentais
Os sintomas emocionais e comportamentais frequentemente incluem:
- Medo intenso de ganhar peso
- Preocupação excessiva com calorias, dieta ou peso corporal
- Distorção da imagem corporal
- Sensação de estar “acima do peso” mesmo estando muito magro
- Restrição alimentar progressiva
- Pular refeições ou evitar comer em público
- Criar regras rígidas sobre alimentação
- Culpa ou ansiedade após comer
- Isolamento social relacionado à alimentação
- Irritabilidade, ansiedade ou alterações de humor
Sintomas físicos
Com a progressão da desnutrição, podem surgir diversos sintomas físicos, incluindo:
- Perda importante de peso
- Cansaço e fraqueza
- Tontura ou desmaios
- Sensação frequente de frio
- Queda de cabelo
- Pele seca
- Alterações menstruais ou ausência de menstruação
- Prisão de ventre
- Redução da libido
- Diminuição da massa muscular
Complicações da anorexia nervosa
A Anorexia Nervosa pode afetar praticamente todo o organismo. Com a progressão da desnutrição, surgem alterações hormonais, cardiovasculares, ósseas, gastrointestinais e metabólicas que podem se tornar graves e potencialmente fatais.
Complicações cardiovasculares
O coração é um dos órgãos mais afetados pela desnutrição. A perda importante de massa muscular também pode comprometer o músculo cardíaco, levando a:
- Bradicardia (batimentos cardíacos lentos)
- Pressão baixa
- Tontura e desmaios
- Arritmias Cardíacas
Complicações hormonais e ósseas
A restrição alimentar prolongada pode causar alterações hormonais importantes, especialmente em adolescentes e mulheres jovens, incluindo:
- Ausência ou irregularidade menstrual.
- Redução dos hormônios sexuais.
- Infertilidade.
- Osteopenia e osteoporose precoce, levando a maior risco de fraturas.
- Déficit de crescimento e atraso puberal.
Complicações gastrointestinais
O sistema digestivo frequentemente desacelera em consequência da desnutrição e da baixa ingestão alimentar, podendo ocorrer:
- Gastroparesia (lentidão do esvaziamento do estômago)
- Constipação
- Dor abdominal
- Sensação precoce de estômago cheio
- Náuseas
- Distensão abdominal
Alterações metabólicas e nutricionais
A redução importante da ingestão de nutrientes pode provocar:
- Desidratação
- Deficiência de vitaminas e minerais
- Perda de massa muscular
- Sensação constante de frio
- Queda de cabelo
- Pele seca
Complicações psicológicas e cognitivas
Além das alterações físicas, a Anorexia Nervosa frequentemente está associada a complicações psicológicas e cognitivas, incluindo:
- Ansiedade
- Depressão
- Irritabilidade
- Obsessão com peso e alimentação
- Isolamento social
- Dificuldade de concentração
Abordagem psicológica da Anorexia
A anorexia é vista atualmente como uma estratégia de enfrentamento durante momentos de dificuldade emocional, como estresse, ansiedade, depressão, raiva e solidão.
Baixa autoestima e personalidade depressiva ou obsessiva são problemas comuns nos pacientes anoréxicos, que têm mais facilidade par lidar com a dor física decorrente da não alimentação do que com a dor emocional.
Ao recusar a necessidade de alimentação, estes pacientes têm uma sensação de controle sobre suas vidas, usando a comida como uma forma de lidar com essas emoções difíceis.
Desta forma, torna-se primordial que o psicólogo faça uma avaliação completa de todo o quadro psicossocial e dos fatores que por ventura estejam contribuindo para a ocorrência da anorexia.
Trabalhar a relação do paciente com a comida é fundamental, mas o tratamento não pode ficar restrito a isso.
Um dos maiores obstáculos ao tratamento é convencer os pacientes de que eles precisam de ajuda.
Como as pessoas com anorexia têm uma imagem corporal não realista, muitos acreditam que de fato estão acima do peso e não se reconhecem como anoréxicos, o que pode dificultar o tratamento.
Abordagem nutricional
O manejo nutricional da anorexia nervosa grave pode ser dividido em três fases, de acordo com a prioridade de cada momento:
- Fase de ressuscitação:
O primeiro objetivo no tratamento do paciente gravemente desnutrido é a recuperação da função celular. Isso requer a correção dos desequilíbrios hídrico e eletrolítico que coloquem o funcionamento de diversos órgãos em risco.
A hipocalemia se refere à quantidade de cácio no sangue baixa. Ela pode se desenvolver como resultado de vômitos auto-induzidos e/ou mau uso de laxantes.
Já a hiponatremia se refere à quantidade de sódio no sangue baixa. Ela pode ser o resultado de diarreia e vômitos, uso indevido de diuréticos ou ingestão excessiva de água.
Um cuidado necessário neste momento é que o aumento repentino da carga metabólica pode precipitar a descompensação bioquímica e desmascarar deficiências ocultas.
As duas primeiras semanas de realimentação são um período de alto risco para os desequilíbrios bioquímicos e de fluidos.
São pessoas de maior risco:
- Pessoas com peso muito baixo;
- Pessoas que tiveram anormalidades bioquímicas anteriores;
- Purgação (Vômitos auto-induzidos);
- Pessoas com falência grave de órgãos como rins, fígado ou coração estão sob maior risco.
- Fase de reparo
Uma vez que a função celular tenha sido recuperada, o objetivo passa a ser a restauração da função de diversos órgãos e tecidos corporais comprometidos pelo estado de inanição.
Isso requer a correção de múltiplas deficiências de nutrientes específicos, algumas das quais podem não ser detectadas por testes bioquímicos padrão.
Diversas deficiências de vitamina podem estar presentes no paciente com anorexia, comprometendo os diferentes sistemas do corpo.
A correção destas deficiências por meio da suplementação é primordial.
- Fase de recuperação
A composição corporal anormal só pode ser corrigida com segurança quando a função celular e dos tecidos estiver minimamente recuperada.
Tentativas agressivas de recuperar o peso em um estágio inicial do tratamento são potencialmente perigosos e precisa ser evitada.
Na inanição crônica, o corpo se adapta a uma condição na qual o gasto energético é minimizado. Isso torna possível ganhar peso mesmo com uma ingestão energética relativamente baixa no início, que deve ser aumentada gradualmente.
Um ganho de peso de 0,5-1,0 kg por semana é geralmente considerado ótimo. Isso pode ser obtido na maioria dos pacientes por meio da ingestão de 2200–2500 kcal por dia.
A reintrodução alimentar não é um processo simples, uma vez que a anorexia leva a um comprometimento da função gastrointestinal. Os músculos do sistema digestivo podem estar comprometidos por uma condição denominada de gastroparesia (estômago paralisado).
O processo de esvaziamento do estômago se torna significativamente mais lento ou até mesmo se interrompe completamente. Sintomas como inchaço, desconforto abdominal, náusea, queimação, prisão de ventre e vômitos podem se fazer presentes.
A alimentação por meio de refeições pequenas e frequentes ajuda a minimizar estes problemas. Medicações como a Metoclopramida podem ser usadas, mas geralmente a eficácia é limitada.
Abordagem medicamentosa da Anorexia
Não existe atualmente nenhum medicamento com eficácia comprovada para tratar a anorexia nervosa.
Entretanto, alguns medicamentos podem ser prescritos para tratar outros problemas comumente associados à anorexia, como a insônia, depressão ou ansiedade.
Embora estas medicações possam fazer o paciente se sentir melhor como um todo, elas não diminuirão o desejo pela perda de peso.
Outras medicações podem ser necessárias para tratar a disfunção dos diversos órgãos e sistemas do corpo que se desenvolvem em decorrência da inanição. Isso inclui, por exemplo:
- Medicações para tratar o desconforto abdominal que se desenvolve em decorrência da paresia gástrica;
- Medicações para regular o ritmo do coração;
- Medicações para o controle da pressão arterial.
Quando a internação hospitalar se faz necessária?
Nos casos de perda de peso grave, a anorexia pode comprometer o funcionamento de diversos órgãos e sistemas do corpo. Desta forma, alguns destes pacientes podem precisar de um período inicial de internação hospitalar.
A internação deve servir para restaurar o funcionamento saudável do organismo e para acompanhar a reação do corpo à reintrodução alimentar.
Embora a prioridade seja pela alimentação por boca, alguns pacientes podem ter uma aceitação alimentar ruim. Em alguns destes casos, pode ser necessário um curto período de alimentação naso-enteral.
A realimentação pode desencadear desequilíbrios hidroeletrolíticos e alterações enzimáticas e hormonais. Quando não forem adequadamente monitoradas, estes desequilíbrios podem colocar a saúde em risco.
Esta necessidade de internação deve ser avaliada caso a caso a partir dos aspectos de cada paciente individualmente.
Qual é a perspectiva de longo prazo do paciente com anorexia?
Muitas pessoas se recuperam da anorexia, mas uma pequena porcentagem de pessoas não e em alguns casos o distúrbio pode evoluir a ponto de levar à morte do paciente. Algumas pessoas se recuperam definitivamente do problema, enquanto outros melhoram temporariamente e depois voltam a desenvolver a anorexia. Para algumas pessoas, a superação da anorexia requer tratamento por toda a vida.
Um fator diretamente associado à capacidade de recuperação é a gravidade da anorexia e o tempo decorrido desde que o problema se iniciou. Daí a importância de buscar tratamento precoce ao invés de ficar esperando que a situação se resolva de forma natural com o tempo.