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Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

O que é vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)?

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a causa mais comum de vertigem em adultos. Seu nome descreve exatamente as características da doença:

  • Vertigem: sensação de que o ambiente está girando;
  • Posicional: as crises são desencadeadas por mudanças na posição da cabeça; Paroxística: os episódios surgem de forma súbita e duram poucos segundos;
  • Benigna: apesar de causar bastante desconforto, não representa doença neurológica grave.

As crises costumam ocorrer ao deitar ou levantar da cama, virar-se durante o sono, olhar para cima, abaixar a cabeça ou realizar outros movimentos rápidos da cabeça. Elas acontecem porque pequenos cristais responsáveis pelo funcionamento normal do sistema de equilíbrio (otocônios)  se deslocam para uma região do ouvido interno onde não deveriam estar (canais semi-circulares). Sempre que a cabeça muda de posição, esses cristais estimulam o sistema de equilíbrio de forma inadequada, fazendo o cérebro interpretar, de maneira equivocada, que o corpo está girando.

Como esses cristais se movimentam apenas por alguns segundos antes de voltarem a se depositar, a sensação de que tudo está girando também é breve e desaparece espontaneamente quando a cabeça permanece imóvel. Por esse motivo, a VPPB costuma provocar crises repetidas sempre que o paciente realiza determinados movimentos, mas permanece assintomático entre um episódio e outro.

Felizmente, a VPPB apresenta excelente prognóstico. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem rapidamente após a realização de manobras de reposicionamento dos otocônios, como a manobra de Epley, realizadas pelo otorrinolaringologista ou fisioterapeuta especializado. Embora a doença possa recorrer em alguns pacientes, o tratamento costuma ser simples, altamente eficaz e permite o retorno às atividades habituais em pouco tempo.

Fatores de risco para VPPB

A Vertigem posicional paroxística benigna pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em mulheres com mais de 50 anos.

Este é o distúrbio mais comum da orelha interna. Cerca de 20% das pessoas avaliadas para tontura são diagnosticadas com VPPB e aproximadamente 50% das pessoas apresentam ao menos um episódio a partir dos 50 anos de idade.

Na maioria dos pacientes, não é possível identificar uma causa específica. No entanto, fatores como traumatismos cranianos, infecções do ouvido interno, enxaqueca, osteoporose, deficiência de vitamina D e outras doenças vestibulares aumentam o risco.

Sintomas da vertigem posicional paroxística benigna

A vertigem é o principal sintoma da VPPB. Trata-se da sensação de que o ambiente está girando ao redor da pessoa ou de que o próprio corpo está girando.

As crises são desencadeadas por mudanças na posição da cabeça, como deitar ou levantar da cama, virar-se durante o sono, olhar para cima, abaixar a cabeça ou inclinar-se para pegar um objeto no chão. Em geral, a vertigem surge poucos segundos após o movimento, dura menos de um minuto e desaparece espontaneamente quando a cabeça permanece imóvel.

Além da vertigem, outros sintomas podem estar presentes, como:

  • Náuseas e, ocasionalmente, vômitos;
  • Sensação de desequilíbrio ou instabilidade para caminhar logo após a crise;
  • Visão embaçada durante o episódio de vertigem;
  • Nistagmo (movimentos rápidos e involuntários dos olhos), geralmente observado pelo médico durante o exame físico.

Entre uma crise e outra, a maioria dos pacientes permanece completamente assintomática e consegue realizar suas atividades normalmente.

Valeconsiderar que a VPPB não provoca perda auditiva, zumbido ou sensação de ouvido tampado. Quando esses sintomas estão presentes, é importante considerar outras doenças do ouvido interno, como a Doença de Ménière ou a labirintite.

Diagnóstico da vertigem posicional paroxística benigna

O diagnóstico da VPPB é geralmente feito a partir da história clinica e exame físico realizados pelo Médico otoneurologista.

Na maioria dos pacientes, o diagnóstico da VPPB pode ser confirmado durante a consulta por meio de testes simples realizados pelo médico, como a manobra de Dix-Hallpike e o teste de rotação (Roll Test).

Esses exames reproduzem a tontura e permitem observar um movimento característico dos olhos (nistagmo), praticamente confirmando o diagnóstico sem necessidade de exames complementares.

Exames como audiometria, tomografia computadorizada ou ressonância magnética normalmente não são necessários para confirmar a VPPB. Entretanto, podem ser solicitados quando existem sintomas atípicos, perda auditiva, alterações neurológicas ou suspeita de outra doença.

Diagnóstico diferencial

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é uma das causas mais frequentes de tontura, mas está longe de ser a única. Diversas doenças podem causar sintomas semelhantes e precisam ser consideradas pelo médico durante a avaliação.

A principal característica que diferencia a VPPB é que a tontura é desencadeada por movimentos específicos da cabeça, dura apenas alguns segundos (raramente mais de um minuto) e costuma desaparecer completamente entre as crises.

As principais doenças que podem ser confundidas com a VPPB incluem:

Neurite vestibular

A neurite vestibular é uma inflamação do nervo vestibular, responsável por transmitir ao cérebro as informações relacionadas ao equilíbrio, geralmente causada por uma infecção viral.

Diferentemente da VPPB, a tontura é intensa e contínua, podendo durar vários dias. O paciente costuma ter grande dificuldade para caminhar, mas a tontura não depende da posição da cabeça.

Doença de Ménière

Além da vertigem, a Doença de Ménière provoca perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de ouvido tampado. As crises costumam durar de 20 minutos a várias horas, muito mais do que na VPPB.

Enxaqueca vestibular

Algumas pessoas apresentam episódios de vertigem relacionados à enxaqueca, mesmo sem dor de cabeça durante todas as crises. A tontura pode durar minutos ou horas e frequentemente está associada à sensibilidade à luz, aos sons ou a um histórico de enxaqueca.

Hipotensão postural

Quando a pressão arterial cai rapidamente ao ficar em pé, pode ocorrer sensação de escurecimento da visão, fraqueza ou desmaio iminente. Embora também seja desencadeada pela mudança de posição, normalmente não provoca a sensação de que o ambiente está girando, característica típica da VPPB.

Ansiedade e síndrome do pânico

A ansiedade pode causar sensação de tontura, instabilidade ou “cabeça leve”. Entretanto, esses sintomas geralmente não são desencadeados por movimentos da cabeça e costumam vir acompanhados de palpitações, falta de ar, tremores ou sensação de medo intenso.

Alterações neurológicas

Doenças como o acidente vascular cerebral (AVC), a esclerose múltipla ou tumores cerebrais também podem causar vertigem, embora sejam causas muito menos frequentes. Nesses casos, é comum haver outros sinais neurológicos, como dificuldade para falar, visão dupla, perda de força, dificuldade para caminhar ou falta de coordenação.

Labirintite verdadeira

Embora muitas pessoas utilizem o termo “labirintite” para se referir a qualquer episódio de tontura, a labirintite verdadeira é uma doença relativamente rara. Ela corresponde a uma inflamação do labirinto, geralmente causada por uma infecção viral e, mais raramente, bacteriana.

Ao contrário da VPPB, na qual a vertigem é desencadeada por movimentos da cabeça e dura apenas alguns segundos, a labirintite provoca uma vertigem intensa e contínua, que pode persistir por vários dias.

Além disso, por acometer o labirinto — estrutura responsável tanto pelo equilíbrio quanto pela audição — é comum haver perda auditiva, zumbido e sensação de ouvido tampado, sintomas que não fazem parte da VPPB.

Tratamento da VPPB

O tratamento da VPPB consiste na realização de manobras de reposicionamento dos otocônios, sendo a manobra de Epley a mais utilizada. Essas manobras têm como objetivo mover os pequenos cristais deslocados para fora dos canais semicirculares, devolvendo-os ao utrículo, onde deixam de provocar as crises de vertigem.

As manobras são realizadas pelo otorrinolaringologista ou por um fisioterapeuta especializado em reabilitação vestibular e consistem em uma sequência de movimentos da cabeça e do corpo. Durante o procedimento, é comum que a tontura seja reproduzida temporariamente, o que faz parte do tratamento e ajuda a confirmar que os otocônios estão sendo reposicionados.

Dependendo do canal semicircular está acometido, outras manobras podem ser realizadas, como as manobras de Semont, Lempert ou Gufoni.

Os medicamentos não corrigem a causa da VPPB, uma vez que não são capazes de recolocar os otocônios na posição correta. Remédios para tontura, como antivertiginosos, podem ser utilizados por curto período apenas em pacientes com náuseas ou vômitos intensos, mas seu uso rotineiro não é recomendado, pois pode retardar a adaptação natural do sistema vestibular.

A cirurgia é necessária apenas em situações bastante incomuns, reservadas para pacientes com sintomas persistentes e incapacitantes que não melhoram após repetidas manobras de reposicionamento e reabilitação vestibular.

Prognóstico e risco de recorrência

A maioria dos pacientes com VPPB melhora rapidamente após a realização das manobras de reposicionamento dos otocônios, como a manobra de Epley. Cerca de 80 a 90% dos pacientes apresentam resolução dos sintomas após uma única sessão, e a taxa de sucesso ultrapassa 90 a 95% quando as manobras são repetidas, se necessário.

Em alguns casos, os sintomas também podem desaparecer espontaneamente ao longo de dias ou semanas, pois os otocônios acabam retornando naturalmente ao seu local de origem ou deixam de estimular os canais semicirculares. No entanto, aguardar essa melhora nem sempre é a melhor opção, já que as crises aumentam o risco de quedas e podem comprometer significativamente a qualidade de vida.

Apesar da excelente resposta ao tratamento, a VPPB pode recorrer. Estima-se que 15 a 20% dos pacientes apresentem um novo episódio no primeiro ano após o tratamento, enquanto cerca de 50% terão pelo menos uma recorrência ao longo da vida. Pessoas mais idosas, portadoras de osteoporose, deficiência de vitamina D, enxaqueca ou doenças do ouvido interno parecem apresentar um risco maior de novos episódios.

A recorrência não significa que o tratamento tenha falhado nem que a doença esteja se tornando mais grave. Na maioria das vezes, basta repetir as manobras de reposicionamento para que a vertigem desapareça novamente.

Apenas uma pequena parcela dos pacientes apresenta crises frequentes ou persistentes, necessitando de acompanhamento mais prolongado com o otorrinolaringologista ou fisioterapeuta especializado em reabilitação vestibular.