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Saúde Escolar (0 a 2 anos)

Iniciação escolar

Embora exista muita controversa a respeito do assunto, a maior parte dos pediatras recomenda que, em condições ideais, a criança só deve ir para a escola por volta de 2 anos e meio ou três.

Nesta idade, a socialização e a interação com outras crianças é fundamental. Além disso, seu sistema imunológico mais amadurecido e as vacinas tornam ela mais protegida contra infecções.

Por outro lado, a necessidade de trabalhar fora de casa faz com que muitos pais tenham que deixar o filho na escola bem antes disso, com 4 ou 6 meses de idade.

Se este for o caso, não adianta ficar se culpando. Na prática, é preciso entender que, no mundo de hoje, isso é mais regra do que exceção.

O bebê de 0 a 2 anos está em uma fase da vida muito vulnerável, onde todo o cuidado é pouco. Ao longo dessa sessão sobre os cuidados pediátricos de rotina do bebê de zero a dois anos, debatemos sobre as diversas linhas de cuidados a serem consideradas, que são válidos também para o ambiente escolar.

Ao se escolher a escola, é preciso considerar com ela lida com uma série de fatores, de forma a prover os estímulos que o bebê precisa ao mesmo tempo em que se garante o máximo de segurança.

Entre as principais preocupações, incluem-se:

  • Prevenção de Infecções
  • Segurança e risco de quedas
  • Alimentação adequada
  • Higiene
  • Desenvolvimento
  • Vínculo emocional

Prover todos esses cuidados exige dedicação, disponibilidade, afeto e capacitação. Escolas que focam excessivamente em apresentar o ambiente físico, dando pouca atenção para o tratamento dado a cada criança, devem sempre ser vistas com desconfiança.

Prevenção de Infecções

A prevenção de infecções é uma das principais preocupações com a iniciação escolar precoce. Isso se deve à combinação de um sistema imune ainda imaturo com o contato próximo a outras crianças com sistema imunológico igualmente imaturo. Bebês prematuros e aquelas com alguma condição crônica de saúde apresentam risco mais elevado de infecção, além de as infecções terem um potencial de gravidade maior.

Algumas das infecções mais comuns no ambiente escolar incluem:

  • Infecção respiratória aguda: infecção mais comum, Incluindo resfriados, rinofaringite, ou faringite, com 6–10 episódios/ano. Tem Pico no primeiro ano após entrada na escola.
  • Bronquiolite: 1–2 episódios por ano, sendo mais comum no primeiro ano de vida. Ela está associada principalmente ao Vírus Sincicial Respiratório, pode exigir internação em alguns casos.
  • Gastroenterite: 2 – 4 episódios/ano, especialmente relacionados ao Rotavírus e norovírus. São altamente transmissíveis, sendo comuns os surtos escolares.
  • Otite média aguda: 3–6 episódios/ano, muitas vezes após uma infecção de vias aéreas superiores.

Os cuidados com a higiene do bebê não podem ser negligenciados. É fundamental que os funcionários realizem a higienização adequada das mãos, bem como a limpeza das superfícies e dos brinquedos. A higiene no momento da troca das fraudas também é fundamental, de forma a evitar que a infecção de um bebê seja transmitida para outros.

Higiene íntima

Os bebês devem ser avaliados regularmente quanto a necessidade de troca de fraudas, evitando-se manter as partes íntimas com umidade por tempo prolongado, bem como o uso de produtos irritantes. Isso é fundamental para evitar as dermatites e irritações cutâneas.

Alimentação

O aleitamento materno deve idealmente ser feito de forma exclusiva até os 6 meses de idade, quando se inicia a introdução alimentar de forma gradativa.

Quando o bebê precisa iniciar na escola antes dessa idade, uma opção é a mãe extrair, congelar e levar o leite materno para que a escola ofereça o mesmo ao filho. Quando isso não for possível por algum motivo, fórmulas lácteas específicas para a idade são indicadas.

No momento da introdução alimentar, é fundamental evitar certos alimentos com risco para o bebê engasgar, incluindo uvas, tomates-cereja, pipoca e outros alimentos de tamanho semelhante, que podem causar engasgo em crianças. Além disso, essa é uma fase crítica de formação de hábitos alimentares, o que significa que más escolhas alimentares podem ser muito difíceis de serem corrigidos mais a frente.

Independentemente se o bebê está se alimentando com o leite materno, fórmulas lácteas ou com alimentos reais, os mesmos devem ser armazenados e preparados corretamente, e os utensílios devem ser sempre adequadamente higienizados, já que os bebês são muito vulneráveis a infecções gastro-intestinais. Como discutido acima, não é exagero reforçar a importância da limpeza das mãos tanto dos bebês como dos funcionários.

Sono seguro

Os bebês precisam de cochilos frequentes ao longo de todo o dia, de forma que a estrutura e os cuidados com o sono devem ser avaliados.

Eles devem sempre ser colocados para dormir de barriga para cima, em uma superfície firme e sem objetos soltos no berço, principalmente no primeiro ano de vida. Isso se deve ao fato de que eles não conseguem se virar quando têm sua respiração obstruída, levando a um risco de morte súbita.

OS berços devem sempre ser certificados pelo INMETRO, o que garante que ele segue padrões de segurança e de proteção.

Desenvolvimento neuropsicomotor

Os estímulos recebidos devem ser lúdicos, seguros e focados no desenvolvimento integral do bebê (motor, sensorial, cognitivo e afetivo). Eles devem respeitar o ritmo individual e a rotina de cuidados, se forçar aquilo para o qual ele ainda não está preparado, mas aproveitando as janelas de oportunidades para cada tipo de habilidade.

Algumas atividades essenciais incluem interações afetivas, exploração de texturas, sons, músicas, incentivo ao engatinhar/andar e brincadeiras livres e em ambientes seguros.

Infelizmente, não são poucas as instituições que se aproveitam das telas para manter os bebês distraídos – o que não é recomendado até os dois anos de idade, ainda mais em um ambiente educacional / creche.

Aspectos emocionais e vínculo afetivo

A separação dos pais e a formação de vínculo com cuidadores deve ser feita de forma gradativa, respeitando o tempo de cada bebê. Essa adaptação pode ser trabalhosa tanto para os pais como para os profissionais da creche, que precisam estar capacitadas e empenhadas para isso.